Definir o “O livro Sem Nome” é concretizar o inefável. Rotulá-lo não me convém, mas minha visão sobre o que li, sobre as palavras que estampadas nas poucas páginas, abrangem risos e reflexões… Então, comecemos pela estruturação do texto para depois analisar pormenores e noções. A estruturação: A narrativa estruturada em forma de pequenos monólogos e diálogos trazem sempre um conjunto de indagações que se unem formando uma história sobre o anônimo incógnito, um ser incógnito tentando salvar o mundo… Tal como estar exemplificado a seguir. Fechei os olhos. “O que importa é o gosto. O que importa é o gosto. O gosto. O gosto, o gosto, o gosto...” Eu não encontrava o gosto. Numa jujuba, era fácil encontrá-lo. Já nessa outra coisa, não me parecia claro o quê degustar. Onde estaria o gosto senão nela? No sorriso dela, nas palavras dela? Onde estaria o gosto, senão, no beijo... Menininha_de_Trancinhas: Anônimo... Anônimo_Incógnito: Menininha...? Menininha_de_Trancinhas: Você já... Anônimo_Incógnito: ...? Menininha_de_Trancinhas: Ah, você com certeza já! Mas é que eu nunca... eu nunca... Anônimo_Incógnito: ...? Menininha_de_Trancinhas: Ah, você sabe... O livro aparentemente é composto por vários diálogos que podem parecer isolados, mas percebe-se que cada diálogo traz um pensamento complementando os outros (mas que isolados fazem um determinado sentido mais restrito do que o completo). A forma cadenciada dos textos (usando, por vezes, estruturas muito semelhantes para constituir a narrativa e efeitos de repetição equivalentes), torna por vezes o desenrolar cansativo. Em outras palavras, da mesma forma que os monólogos teatrais, a letargia se instala pela repetição – a utilização de uma mesma forma em todas as páginas. Eu não considero um defeito grave, mas a maioria dos leitores considera. Logo, devorá-lo de uma só vez pode causar uma depreciação da obra, porque são complexidade da maioria dos diálogos requer mais que uma leitura superficial, requer uma extrema concentração e o leitor deve ser capaz de deixar preconceitos literários de lado. Sim, deixe preconceitos literários de lado antes de lê-lo. Pois o autor usa a liberdade literária como uma de suas formas mais marcantes. É totalmente visível a adição de personagens aleatórios no texto, mas percebe-se que tal adição é proposital tal como o uso excessivo de reticências nos diálogos (já que falar em reticências é uma das características mais marcantes do anônimo). É um livro que pode parecer excêntrico a primeira vista. Mas que ao fim deixa-nos com aquele ar de admiração, pois as pequenas coisas da vida são ali postas de uma forma inusitada, as indagações mais idiotas ganham um sentido… E outras têm seu sentido desfeito para dar lugar as indagações que o livro não responde já que nem anônimo, nem o autor são os donos da verdade... Afinal o que importa é o gosto.

