Embora seja uma doença comum, o conhecimento sobre depressão ainda não é disseminado de maneira adequada em nossa sociedade. Pessoas deprimidas, além de sofrerem preconceito e incompreensão, não encontram espaço para falar abertamente sobre as limitações e o sofrimento impostos pela doença. Compreender melhor as distinções entre o que é físico, emocional ou espiritual é algo extremamente complexo. Essa é uma tarefa difícil, mas necessária a todo cristão, sobretudo àqueles que exercem cargos de liderança e aconselhamento em sua comunidade, e que são responsáveis pelo cuidado da saúde emocional e espiritual de outras pessoas. Este livro tem o objetivo de tentar levar os leitores a vencer o preconceito e a aumentar seu conhecimento a respeito da depressão em nosso meio cristão, para que mais pessoas possam ter uma visão equilibrada da questão, de modo que isso as cure e ajude a levar também essa cura a outros.
Depressão - O Que Todo Cristão Precisa Saber
Ismael Sobrinho
Edições (1)
Ver maisUm livro muito interessante que todo cristão deveria ler
A depressão é uma doença muito grave que atinge milhares de pessoas no mundo inteiro, estima-se que a cada 100 pessoas, 15 apresentarão um quadro de depressão ao longo da vida e segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão é a doença que mais provoca incapacidade no mundo. Infelizmente essa doença ainda é cercada de muito preconceito por parte de algumas pessoas. Percebendo esse problema o autor escreveu este livro, porque muito cristãos se encontram nesse grupo de pessoas que são preconceituosas. Dentro do cristianismo existem devotos que atribuem rótulos negativos a pessoas que passam por essa situação, atribuindo-lhes causas sobrenaturais advindas de pecados ocultos ou influências demoníacas. Não nego que estes últimos possam oferecer riscos à saúde emocional e física de uma pessoa, mas também não podem ser a única explicação para justificar a origem da doença. Digo isso porque a depressão pode estar vinculada a várias razões como por exemplos: um fator biológico, podemos herdar de nossos parentes uma predisposição genética, pessoas que possuem membros da família com histórico de depressão tendem a apresentar um risco a desenvolver a doença sobretudo se o parente for de primeiro grau. O cérebro das pessoas com predisposição genética para depressão apresenta alterações químicas e estruturais que facilitam o aparecimento do quadro depressivo. Além disso existem também fatores emocionais como traumas físicos ou emocionais na infância, separação dos pais, histórico de abuso de álcool, drogas e cigarro podem contribuir para o aparecimento da doença. Pessoas separadas, divorciadas ou que vivem sozinhas apresentam maiores taxas de depressão do que pessoas casadas ou que vivem acompanhadas. E por último a falta de uma espiritualidade funcional, pode influenciar também nesse quadro, inclusive a medicina hoje reconhece a importância de uma espiritualidade sadia para prevenção de inúmeras doenças, sobre tudo mentais. Por essas razões não podemos ser preconceituosos e generalizar uma pessoa que está sofrendo com este mal e atribuir rótulos e menosprezar e se afastar dela. Pelo contrário os amigos e a família tem que apoiar e ajudar no tratamento dessas pessoas. Ter um conhecimento sobre essa doença é interessante porque pode servir como uma forma de prevenção e ao mesmo tempo um auxílio para ajudar pessoas com depressão. Os principais sintomas que o deprimido apresenta são: tristeza contínua, perda do interesse e do prazer pelas coisas que antes eram interessantes e prazerosas para elas. Há também sintomas físicos (dores no corpo, formigamento, alterações no ritmo intestinal etc.) falta de energia, insônia, dificuldade de concentração, falta de memória, ganho ou perda de peso e isolamento social. Logo a depressão não é um sintoma isolado, mas um conjunto de sintomas que, quando somados exigirão tratamento médico especializado. Depressão também pode estar acompanhada de transtornos de ansiedade, os mais comuns são: transtorno de pânico, transtorno de ansiedade generalizada e fobia social. Assim também como de transtornos psiquiátricos associado ao período pós-parto da mulher, os mais comuns são: a disforia puerperal, depressão pós-parto e psicose puerperal. Além desses existem algumas doenças que são parecidas com a depressão como por exemplo a Distimia que apresenta sintomas parecidos e que se manifestam principalmente na infância. Lembrando que cada situação tem que ser observada e tratada de maneira adequada com o auxílio de um profissional da saúde. Para o tratamento da depressão os medicamentos utilizados são chamados de antidepressivos, eles atuam aumentando a disponibilidade de neurotransmissores no cérebro como serotonina, noradrenalina e dopamina. Seu objetivo é curar totalmente os pacientes que sofrem com este mal, e segundo o autor na maioria das vezes esse alvo é alcançado. Os medicamentos devem ser utilizados por tempo determinado e dependendo da intensidade da doença seu tempo em média é de seis a vinte e quatro meses. Contudo existem alguns casos que o paciente usará o antidepressivo pelo resto da vida. Isso não significa que o paciente é dependente da medicação, mas que precisa dela para auxiliar o seu cérebro a funcionar melhor, pois o seu organismo sozinho não produz o equilíbrio fisiológico necessário para à saúde. Lembrando que existem doenças que também exigiram o uso contínuo de medicamentos pelo resto da vida, e isso não faz do paciente alguém inferior ou diferente de qualquer outra pessoa. Uma alimentação adequada, práticas de exercícios regularmente e manter uma espiritualidade ativa e praticante ajuda no combate e prevenção de doenças tanto físicas como mentais. Em minha opinião o que torna este livro uma benção é o fato de o autor abordar o seu conteúdo através de uma cosmovisão cristã, que não desconsidera as questões espirituais comuns a fé cristã, como por exemplo a questão do pecado original que influencia a natureza humana e nos tornar propensos a ficarmos doentes ou nascermos com problemas genéticos. O escritor além abordar esse pontos de forma brilhante ele também combate e faz críticas aos excessos que prejudicam o cristianismo como a Teologia da prosperidade, que prega um discurso de vitória que nega o sofrimento e incentiva o crente a viver em busca de bens e em prol de sua felicidade. Para embasar seus argumentos contrários a essa posição o autor mostra na bíblia vários exemplos de grandes homens de fé como: Moisés, Elias, Jeremias, Davi, Paulo e tantos outros chamados por Deus para a sua obra, que apesar disso sofreram e padeceram por muitas tribulações e muitos deles demostraram sintomas depressivos, como pensamentos suicidas, tristeza continua, falta de energia, visão distorcida da realidade e muitos outros sinais. Então o fato de sermos cristãos fervorosos e atuante não garante que não poderemos ficar doentes de inúmeras doenças, inclusive doenças do cérebro como a depressão. O autor constrói uma teologia saudável e coerente a com as sagradas escritura e nos fornece um ótimo material introdutório capaz nos ambientar sobre o assunto, mesmo não sendo um livro cientifico exaustivo sobre o assunto. Com certeza irei consulta-lo outras vezes quando estiver com dúvidas sobre depressão e seus sintomas.
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