Catamaran

Catamaran Leandro Reis


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Não há absolutamente nada de novo em criar uma fábula junkie sobre meninos que se encontram em um bar, afogam frustração e inadequação em rock and roll, sexo, álcool e drogas, montam uma banda, chegam ao topo de forma veloz, e acompanhando os giros nervosos do velocímetro e a frequência modulada do decibelímetro, despencam como anjos caídos, tendo à espera lá embaixo uma piscina cheia de giletes.

Ao levar a frase acima em consideração, você leitor vai fechar esse livro. E assim perderá a oportunidade de conhecer a pena veloz e poderosa de Leandro Reis, autor cuja grande sacada neste Catamaran é justamente escrever de forma singular, ímpar, absolutamente pessoal, sobre um argumento comum e uma trama já muito revisitada.

Com boa utilização de dois tempos narrativos, a primeira pessoa, com textos mais imagéticos, e a terceira pessoa, com narrativa mais direta, curta, sintetizada, Reis despetala os clichês que envolvem o universo de uma banda de rock, como a arrogância que suaviza a insegurança, as ressacas desesperadas e desidratantes de Jack Daniels e Marlboros, as drogas, em suas mais variadas gramaturas e efeitos, e sexo, muito sexo - solitário ou em duplas, trios, quartetos. E dá um sonoro drible, ou um improviso de bateria inesperado, na cabeça do leitor.

O contraponto ao niilismo das personagens centrais está aqui, grafado e gravado nas observações inteligentes e profundas sobre o comportamento humano, a inadequação, a potência destruidora, tão cativante e irresistível quando sua irmã, a criação. Eros e Thanatos dançando enquanto a banda toca, enquanto a vida segue, enquanto o sangue seca e a pedra rola sem criar limo.

Os quatro meninos da banda Catamaran seguem a sina de suas canções. Marcham por todos os lados, derramam o mel e perambulam pelos esgotos da alma em busca dos campos verdes e macios da redenção. Tomam venenos até ficar imunes a tudo. E seguram a vela com quem está ao lado, até queimar os braços.

Caminhar ao lado deles é uma excelente pedida na jukebox. Leia em volume máximo.

Caê Guimarães
Jornalista, poeta e escritor.

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Darshany
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03/05/2013 00:09:12