Contos do Nascer da Terra

Contos do Nascer da Terra Mia Couto


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Contos do Nascer da Terra





Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai meteu-se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil cuidados. O planeta era leve como uma baloa.

Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a andar ao contrário em todas as direcções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares. Olhou o horizonte e chamou:

— Pai!

Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim. Essa foi uma vez.

Contos / Crônicas / Literatura Estrangeira

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on 13/2/15


- Miudádivas, pensatempos (Para Manoel de Barros, meu ensinador de ignorâncias) “Escuto, depois a enchente. Longe, a água desobedece a paisagens. O rio toma banho de troncos, raízes da água se soltam. Sigo de catarata, luz encharcada. E peço desculpa á margem: desconhecia as unhas de minha transbordância. Meu sonho está cega para razões. Sei só escrever palavras que não há.” Conseguir retratar beleza em poucas linhas é a essência, a alma de uma obra de arte. Ao longo ... leia mais

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