Corrupção

Corrupção Leonardo Avritzer
Newton Bignotto


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Corrupção


Ensaios e Críticas




A corrupção é hoje um tema central para todos os que se preocupam
com os destinos das democracias ocidentais. Fenômeno
recorrente na história de muitas nações, na América Latina,
ele tem se mostrado resistente às mudanças institucionais, que
contribuíram para que a vida pública de alguns países pudesse
ser regida por parâmetros democráticos cuja ausência foi uma
das responsáveis pela extensão das práticas corruptas a amplas
esferas da vida pública ao longo do século 20. A história recente
brasileira, particularmente depois da Constituição de 1988,
mostra que a redemocratização do país tornou visíveis fatos
que antes não chegavam ao conhecimento da opinião pública,
mas não evitou que o fenômeno se repetisse. Dos escândalos do
Governo Collor aos acontecimentos mais recentes envolvendo
membros dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz
Inácio Lula da Silva, as evidências de que a corrupção está longe
de ser um acontecimento marginal no interior da vida pública se
acumulam. Essa constatação povoa as páginas dos jornais, a cada
vez que surgem fatos incriminadores envolvendo personagens
centrais da República, mas não gera necessariamente uma melhor
compreensão de seus efeitos e de suas raízes. À justa indignação
contra aqueles que são responsáveis pelos atos corruptos, segue-se
com frequência uma condenação moral que, embora essencial,
não dá conta de toda a complexidade do fenômeno. Uma das
ambições deste livro é fornecer para o leitor um conjunto de
referências que, sem negar a pertinência das abordagens morais e sem recusar a indignação como uma manifestação política
legítima, permita avançar na compreensão de algo que faz parte
da longa história política do Ocidente e resiste a toda análise
unilateral de suas determinações.
Com muita frequência, a corrupção é abordada pelos meios
de comunicação, e por cientistas sociais, por intermédio de índices
que medem a “percepção da corrupção” pela população. Tais
índices revelam a importância concedida a fenômenos que
possuem um peso negativo na avaliação geral das políticas
públicas. Eles apontam para o fato de que a população em geral
não apenas tem consciência do fenômeno, mas se preocupa com
seus efeitos sobre suas vidas. Não podemos, entretanto, esquecer
que eles aferem a percepção, mas não servem para esclarecer
os mecanismos internos aos processos aludidos. Um segundo
instrumento recorrente nas análises da corrupção são os estudos
realizados por institutos, os quais classificam os países segundo
uma tabela que permite a comparação entre experiências distribuídas
por todos os continentes. Nesse caso, o que se torna
patente é o caráter internacional da corrupção e o fato de que
é possível tanto concordar com um diagnóstico da situação de
uma dada nação que leve em conta parâmetros partilháveis com
outros países, quanto instituir práticas de controle, cuja eficácia
pode ser medida por meio das mesmas referências que servem
para fixar o diagnóstico.

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Junius Siena
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