Gramática Pedagógica do Português Brasileiro

Gramática Pedagógica do Português Brasileiro Marcos Bagno


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Gramática Pedagógica do Português Brasileiro





Essa obra pretende contribuir para a formação docente, para que as professoras e os professores de português e de outras disciplinas conheçam mais profundamente e com melhores bases teóricas o seu objeto de trabalho, o português brasileiro. As propostas contemporâneas de educação em língua materna rejeitam veementemente o tradicional “ensino de gramática”, no qual a maior parte do tempo dedicado às aulas de língua era gasto com fixação de nomenclatura e análises de frases soltas e descontextualizadas. É preciso levar os aprendizes a refletir sobre a língua que usam, mas isso pode ser feito de maneira intuitiva, por meio de atividades que chamamos de epilinguísticas, sem o emprego de terminologia gramatical e sem a obsessão classificatória tradicional. É claro que a classificação pode ser apresentada, mas não como a finalidade em si mesma da educação em língua materna. Em resumo: não se deve ensinar gramática na escola (no sentido tradicional de “gramática”), mas quem vai ensinar na escola deve conhecer muito bem a gramática da língua.

Assim como outras obras recentes dedicadas ao estudo e à descrição do português brasileiro contemporâneo, a Gramática pedagógica do português brasileiro exibe um projeto epistemológico próprio, uma concepção de língua e de linguagem que abraça determinados construtos teóricos e rejeita outros. Além disso, traz uma inovação na produção de obras gramaticais: ela não separa a descrição histórica da descrição atual da língua, isto é, não separa a diacronia da sincronia, mas faz uma abordagem dos fenômenos linguísticos que podemos chamar de pancrônica, em que passado e presente se fundem em busca das explicações mais razoáveis para os fatos linguísticos.

A obra está dividida em cinco partes, cada qual com seus capítulos específicos.

A primeira parte apresenta uma concepção de língua baseada nas atuais investigações que definem a linguagem como um fenômeno sociocognitivo.
A segunda parte se dedica à investigação do fenômeno da mudança linguística: como e por que as línguas mudam
Na terceira parte da obra, o leitor encontra a história da fonologia da língua, mostrando as principais mudanças ocorridas desde o latim até o português brasileiro atual. Em seguida, vem uma discussão sobre as relações entre língua falada e língua escrita, relações ainda muito sujeitas a visões pouco consistentes que tentam separar esses dois usos da língua como se fossem radicalmente diferentes, quando de fato não são.
Na quarta parte, a história da disciplina gramatical, como, onde e por que surgiram as classes gramaticais, os conceitos e as definições que usamos até hoje. Passa-se daí a uma análise de alguns conceitos fundamentais para o entendimento das línguas humanas em geral. Finalmente, entra-se na descrição da gramática do português brasileiro, com nove capítulos dedicados às diferentes classes gramaticais, que são apresentadas aqui segundo uma divisão muito pouco convencional, precisamente para mostrar que a língua é um objeto de estudo sempre sujeito a teorizações diversas e que a abordagem tradicional é apenas uma (e nem de longe a melhor) das possibilidades de fazer essa teorização.
Na abordagem de cada classe gramatical, o autor explicita como se deve agir em sala de aula no tratamento dos fenômenos linguísticos em análise. Há vários momentos em que ele se dirige aos docentes com indicações claras sobre o que fazer na prática pedagógica.
A quinta parte tem finalidades claramente didáticas. O cap. 20 trata do fenômeno da “hipercorreção”, isto é, a tentativa de aplicar as regras tradicionais de modo exagerado, indo além do que está previsto na própria tradição normativa. Por fim, um capítulo chamado “O que (não) ensinar na escola”, resume as discussões feitas ao longo da obra, sugerindo que se deixe de gastar tempo com o ensino de regras irrelevantes, já caídas em desuso, para se concentrar no ensino explícito de usos que realmente fazem parte das normas urbanas de prestígio atuais.
Por ser uma gramática do português brasileiro, essa obra é ilustrada por fotos da época da construção de Brasília. Obtivemos as fotos por gentileza do Arquivo Público do Distrito Federal e do Centro de Documentação da Universidade de Brasília. Por sua história política e social, Brasília representa um excelente laboratório para a investigação linguística. Sendo um ponto de convergência de brasileiros vindos das mais diferentes regiões do país, é também um caldeirão linguístico, onde se encontram e se entrecruzam as mais diversas variedades linguísticas regionais e sociais. É um lugar onde está se constituindo, neste exato momento, uma nova maneira de falar o português brasileiro. Daí a nossa homenagem à cidade, aos operários que a construíram e aos que vivem nela, como o próprio autor da obra.

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Carol
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22/01/2012 10:14:23