Há mundo por vir?

Há mundo por vir? Eduardo Viveiros de Castro


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Há mundo por vir?


Ensaio sobre os medos e os fins




O fim do mundo é um tema aparentemente interminável — pelo menos, é claro, até que ele aconteça. O registro etnográfico consigna uma variedade de maneiras pelas quais as culturas humanas têm imaginado a desarticulação dos quadros espaciotemporais da história. Algumas dessas imaginações ganharam uma nova vida a partir dos anos 90 do século passado, quando se formou o consenso científico a respeito das transformações em curso do regime termodinâmico do planeta. Os materiais e análises sobre as causas (antrópicas) e as consequências (catastróficas) da “crise” planetária vêm se acumulando com extrema rapidez, mobilizando tanto a percepção popular quanto a reflexão acadêmica. Este livro é uma tentativa de levar a sério os discursos atuais sobre o “fim do mundo”, tomando-os como experiências de pensamento acerca da virada da aventura antropológica ocidental para o declínio, isto é, como tentativas de invenção, não necessariamente deliberadas, de uma mitologia adequada ao presente.

“Aquilo que Isabelle Stengers chama de intrusão de Gaia é algo que nos faz perder todas as nossas referências. Sim, Gaia é uma intrusa, no sentido de que nada havia sido preparado, pensado, planejado, previsto, instituído para vivermos sob seu signo. Nada, ao menos, durante aquele período histórico que não cabe mais chamar de Modernidade. Havia, decerto, a Natureza, aquela grande figura fria, eterna e distante, capaz de ditar suas leis a todas as ações humanas — inclusive as leis da economia. Mas essa divindade nos parece, hoje, demasiado antiquada, de um antropocentrismo excessivamente ingênuo. De qualquer modo, ela também acabou por ser secularizada. Como então poderemos nos familiarizar com Gaia, a Intrusa? É aqui que intervêm os dois autores deste ensaio de mitocosmologia: um antropólogo meio filósofo, uma filósofa meio ecologista. E, claro, eles não começam pelo começo (como se fosse preciso ir do Big Bang até a crise ecológica, passando por Lucy, Lascaux…), mas pelo único ponto pelo qual é possível começar, a saber, pelo fim. Não o fim dos tempos, ao modo de São João, mas com a suspensão das maneiras como o tempo costumava passar. O ensaio principia como um inventário, uma espécie de visita guiada ao pátio dos milagres das monstruosidades filosóficas e literárias em curso, algumas delas bastante em voga, outras menos conhecidas, mas todas sintomáticas do estado de alarme atual. Em seguida, passa-se à antropologia, àqueles mundos indígenas que nunca precisaram se dotar nem de uma Natureza, nem de uma Cultura. O tom muda, porque mudam os mundos. Finalmente, é preciso passar à política. É com ela e por ela que o livro conclui, evocando a mobilização febril de todos os coletivos que sabem que já não têm mais o tempo a seu favor. E assim tudo recomeça — ou tudo recomeçará, deixando para trás muito daquilo em que nos habituáramos a acreditar. Este livro deve ser lido como se toma uma ducha gelada. Para nos acostumarmos. Para nos prepararmos. Esperando o pior.” (Bruno Latour)

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on 16/12/15


A apresentação de tantas teorias envolvendo o fim do mundo e o que poderia vir depois dele mergulha o leitor em um amplo fluxo de ideias, reflexões e questionamentos desencadeados pelos diferentes pontos de vista abordados no texto sobre essa questão. A sensação, proporcionada pela leitura do ensaio, de ser submetido a um grande número de informações e de novas perspectivas reflete bem um dos conceitos mais sensíveis à nossa sociedade exposto pelo texto: aquele de que o avanço científi... leia mais

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Daniel Cunha
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Aione
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