Intérpretes do Brasil, Vol. 3

Intérpretes do Brasil, Vol. 3 Caio Prado Júnior
Florestan Fernandes
Sérgio Buarque de Holanda
Silviano Santiago


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Intérpretes do Brasil, Vol. 3





Entre as muitas comemorações dos 500 anos do descobrimento, uma chamou a atenção pela amplitude: a edição, em três grossos volumes e quase 4,5 mil páginas, de clássicos do pensamento brasileiro – Intérpretes do Brasil. O objetivo era o de reunir em uma única coleção a melhor reflexão sobre o que é o Brasil e sua gente. Por isso, na seleção e organização a cargo de Silviano Santiago, havia uma nítida intenção em iluminar o momento histórico, com vistas a refletir sobre o passado e apontar para a construção de novas perspectivas de nação. Farol, no lugar de espelho, como sintetizou Santiago.

Os livros, lançados àquela época, tiveram o destino das efemérides, circulando mais em mãos oficiais que nas dos leitores. Chega agora uma nova edição, expurgada do único romance que fez parte da primeira seleção (Vidas Secas, de Graciliano Ramos, com a excelente introdução de Wander Melo Miranda à obra), com dez títulos clássicos. Na verdade, se desdobrado o nome aglutinador de Introdução à História da Sociedade Patriarcal no Brasil, de Gilberto Freyre, nos independentes Casa-Grande & Senzala; Sobrados e Mucambos; e Ordem e Progresso, trata-se de um conjunto de 12 obras. A sempre criticada ciência social e histórica brasileira considerada atrasada em relação ao trabalho de europeus e americanos, tem uma clara manifestação da qualidade de um gênero aparentemente bem ao gosto nacional: as grandes sínteses interpretativas.

Há uma tradição de livros compostos com superior qualidade literária (Os Sertões, Casa-Grande & Senzala e O Abolicionismo), ousadia conceitual (América Latina, Raízes do Brasil e Formação do Brasil Contemporâneo), psicologia dos povos (Retrato do Brasil, Populações, Meridionais do Brasil e Vida e Morte do Bandeirante), além de estudos de natureza mais acadêmica (Revolução Burguesa no Brasil). Dos livros selecionados por Silviano Santiago há uma ainda uma unidade de projeto: não se trata, em nenhum deles, de obras destinadas à exaltação gratuita de pretensas qualidades tropicais ou exóticas, muito menos de autoglorificação de um destino, Com viés crítico, às vezes até desencantado, são obras que obrigam a olhar com severidade, que não esconde a boa-vontade intelectual ' para o objeto Brasil e sua gente. Entre os personagens há mais trabalhadores (ladrilhadores, faiscadores, escravos, bandeirantes, místicos, senhores de engenho, funcionários públicos etc.) que potentados ou dignatários.

Para cada livro, uma introdução escrita por um especialista. São trabalhos de natureza diferenciada. Em alguns casos, escritos especialmente para a, coleção, há um cuidado em contextualizar a obra e apresentar dados significativos da vida do autor, como o magnífico estudo de Roberto Ventura para Os Sertões, de Euclides da Cunha, ou o elucidativo e erudito texto introdutório de José Murilo de Carvalho para Populações Meridionais do Brasil, de Oliveira Viana. Introdução igualmente competente é a de Ronaldo Vainfas para o melancólico Retrato do Brasil, de Paulo Prado, que propõe interessantes comparações com outras obras que fazem parte da antologia, criando um diálogo entre os autores. A tristeza de Paulo Prado e a alegria de Freyre.Talvez a mais estudada das obras de interpretação do País, os livros de Gilberto Freyre são prefaciados por Eduardo Portela, que destaca aspectos relacionados à linguagem ("a linguagem deixa de ser um dado externo ao conhecimento") e ao método do mestre de Apipucos ("A ultrapassagem do desejo humano conduz a uma espécie de reconstrução da realidade e da razão, para além das barreiras sistêmicas'). Há em Freyre, ao lado do estilo gozoso e da astúcia metodológica, sagacidade interpretativa em uma visão de mundo que, no entanto, não esconde um certo ar nostálgico. A leitura do menos conhecido Ordem e Progresso, no entanto, não deixa de trazer outras revelações atinentes ao Brasil urbano, bem distante do conhecido psicólogo das origens agrárias das sinhazinhas e mucamas de Casa-Grande & Senzala.



Volume 3- Introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil (Ordem e Progresso, Gilberto Freyre), Raízes do Brasil (Sérgio Buarque de Holanda), Formação do Brasil contemporâneo (Caio Prado Júnior), A revolução burguesa no Brasil (Florestan Fernandes).

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