Procurar o mar é exercício noturno

Procurar o mar é exercício noturno Érika Santos


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Procurar o mar é exercício noturno





Tem coisa que dá pra remendar, pra tudo o que não se sabe onde dói existe a poesia da Érika Santos, sondando a alta noite. Na minha estante tem um busto da Nefertiti, hoje ela caiu e quebrou o pescoço, tropecei nela sem querer no escuro. No escuro é onde se encontram coisas que você não sabia que podiam estar lá. bell hooks conta que quando menina ficava deitada na cama e conversava com o espírito divino sobre a natureza do amor, não imaginava que um dia teria coragem de falar sobre o amor sem a proteção solitária do sigilo ou da noite. Como fazer de um livro de poesia um exercício noturno? Essa é a coragem de Érika. Em “procurar o mar é exercício noturno” a gente encontra a matéria grave da vida cortada em versos cuidadosos. Com inteligência e sensibilidade Érika monta – a partir de sonhos, descrições inusitadas e quebras inesperadas de verso – poemas nos quais tudo existe sem hierarquia. Tudo “que existe só porque existe” é do reino da noite. Tudo são pessoas: fenômenos naturais, pedaços de corpos, animais: até o azul da noite respira como cor e como cor cheira e sente e vive. À noite, no lugar do meio em que não estamos acordadas, mas também ainda não despertas, “procurar o mar é exercício noturno” encontra o que está depois da beleza: o melaço que gruda, que escorre de uma conversa corajosa sobre o amor radical. O amor lambuzando tudo desde dentro. “O céu [da noite de Érika] é cheio de imortalidades”.
Julia Raiz

Poemas, poesias

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