As boas filhas

As boas filhas Joyce Maynard


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As boas filhas





Nascidas no mesmo dia, 4 de julho de 1950, e no mesmo hospital de uma pequena comunidade rural de New Hampshire, nos Estados Unidos, Ruth Plank e Dana Dickerson não poderiam ser mais diferentes. A primeira tem alma de artista e sua imaginação forte destoa da pacata e monótona rotina dos Plank, gente estável como a fazenda que eles comandam há gerações. A segunda sonha com segurança e raízes, algo que os Dickerson jamais poderão oferecer. Indiferentes uma à outra, por vezes ressentidas com o fato de suas vidas serem entrelaçadas, essas “duas irmãs de aniversário” são o fio condutor de As boas filhas, segundo romance de Joyce Maynard publicado pela Rocco.

Acompanhando a trajetória de Ruth e Dana por mais de 50 anos, da infância à velhice, a autora apresenta aos leitores mais que uma história recheada de paixões e dores: faz, também, o relato de uma América em transformação, sacudida pela morte de John F. Kennedy, a chegada do homem à Lua, o festival de Woodstock, a Guerra do Vietnã. Um país em ebulição com questões como a emancipação feminina, as relações do mesmo sexo e as novas configurações econômicas, que fazem com que as pequenas propriedades rurais, como a dos Plank, enfrentem grandes dificuldades para sobreviver às corporações do agronegócio.

É nesse cenário que Joyce Maynard, alternando a narrativa entre Ruth e Dana, traça um retrato pungente de duas jovens com um profundo sentimento de inadequação e um desejo visceral de pertencer a um mundo que, embora não saibam qual é, com certeza não é aquele em que cresceram. Ruth nutre um grande afeto pelo pai, o dócil Edwin, apaixonado pela vida no campo e pela natureza, mas não consegue se entender com as quatro irmãs ou com a mãe, Connie, conservadora, beata e repressora. Sua ambição é deixar a fazenda e uma existência norteada estação após estação pelo plantio e pela colheita, para virar uma artista, livre e descolada como Val Dickerson, mãe de Dana.

Sua “irmã de aniversário” almeja justamente o oposto. Criada por um pai ausente, George, sempre com um projeto supostamente genial para deixá-los ricos, e uma mãe com a qual não tem qualquer tipo de afinidade, Dana é pé no chão, realista e corre atrás da estabilidade que ela e o irmão, o charmoso e inteligente Ray, nunca tiveram. Ela quer deixar no passado a infância e a adolescência de mudanças ditadas pelos delírios de grandeza da família e ter um cotidiano como o dos Plank: previsível e pragmático, mas sem grandes riscos.

Quando Ruth vai para a faculdade de Arte e Dana para a de Agricultura, as duas podem, finalmente, ser quem sempre quiseram. Mas a jornada para a realização é longa e tortuosa. Ruth se envolve com Ray, em um relacionamento que começa em uma noite de drogas e sexo e tem um desenrolar surpreendente, afetando suas ambições artísticas de forma permanente. Dana constrói uma união com a professora Clarice e trabalha arduamente na carreira de cientista. Lentamente, os caminhos das duas “irmãs de aniversário” voltam a se aproximar, em uma trama tocante sobre relações familiares, amor e crescimento pessoal.

Ficção / Literatura Estrangeira / Romance

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on 8/2/13


Duas meninas de famílias muito diferentes nascem no mesmo dia no mesmo hospital em uma cidadezinha rural. Embora não pareçam ter nada em comum além do seu nascimento, suas vidas se cruzam ao longo dos anos numa história contada ora por uma, ora por outra. Este é o enredo de "As boas filhas". Alguns livros são assim: embora não causem um impacto imediato e possam parecer muito comuns, deixam exemplos que nos acompanham pela vida afora. A vida que a gente vive e a vida que a gente queri... leia mais

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Desejam79
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Yasmin
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Jenifer
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