Petaluma

Petaluma Tiago Velasco


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Dentre as virtudes deste livro de contos, o segundo de Tiago Velasco, destaca-se em Petaluma o olhar sensível às questões do homem contemporâneo. Na narrativa que abre o livro, Em pedaços, acompanhamos o andar fraturado de um homem que acorda numa cama de hospital e que, com uma doença que desconhece, não tem o que fazer senão caminhar a esmo. A fragmentação de tempo e espaço e do próprio território psíquico do personagem trazem uma atmosfera becketiana que fisga o leitor já nas primeiras páginas.
Mais adiante, em Reflexo temos o homem niilista, sartreano, que abdica (por transgressão ou egoísmo?, se perguntará o leitor) de seu lugar social para viver conforme suas pulsões e demandas mais essenciais.
Tiago Velasco caminha, com destreza, (e esta é outra virtude deste livro), por diferentes gêneros e formatos narrativos: da sátira de costumes (A morta de São José) ao tragicômico (Andrezza/ Ernesto); do nanoconto (Reflexo) à narrativa mais longa, que incorpora ao texto de forma suplementativa, os registros jornalístico, cinematográfico e publicitário, o autor traz uma escrita polifônica e sintonizada com as aflições do homem (pós-)moderno.
Por fim, temos Petaluma, o conto (também novela, também poema, também autoficção) que fecha e dá nome ao livro. Um restaurante em que cidadãos de todos os lugares do mundo vão trabalhar como busboys é o cenário em que se desdobrarão as seculares e ásperas relações de classe, atualizadas aqui pela condição contemporânea ultraglobalizada.
Metáfora da condição desterritorializada do homem hoje, e escrito com linguagem econômica, direta e cortante, Petaluma irá te desterritorializar; na medida em que ser tocado e em entrar em contado verdadeiro com o outro (experiência que Tiago nos proporciona) já é sair de si.

Contos / Literatura Brasileira

Edições (1)

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Resenhas para Petaluma (4)

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on 13/1/15


Tiago Velasco apresenta ao leitor oito contos curtos e um aforismo/miniconto/poema (que remete a Carlos Drummond de Andrade, penso eu). A edição é da carioca Oito e meio. São histórias urbanas e contemporâneas. "Petaluma", o conto mais longo e que dá nome ao livro, é franca autoficção, o resultado da transformação em narrativa ficcional de sua experiência como expatriado. Claro, podemos entender assim pois o narrador do conto se apresenta com o mesmo nome do autor do livro e o autor d... leia mais

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Desejam4
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Gisele Eberspäc
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06/10/2014 09:39:29
Domenica Mendes
editou em:
12/01/2015 16:45:16