Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Vanessa @LarLiterario 25/10/2018

Recomendo!!
E se toda a população cegasse? Saramago trata tudo na base na hipótese e vai fazer você questionar junto com ele.


O mundo foi atingido por uma inexplicável cegueira branca, começando aos poucos e se espalhando em massa e a população vai ter que se virar da maneira que pode para se adaptar a novidade. Nós vamos acompanhar esse cenário caótico pelos olhos da Mulher do médico, única pessoa que consegue ver. Quando os primeiros cegos surgem, o governo decide coloca-los em quarentena julgando ser contagioso e ela, para acompanhar o marido e primeiro a cegar, fingiu estar cega.


"será um governo de cegos a quererem governar cegos, isto é, o nada a pretender organizar o nada, Então não há futuro"


A mulher do médico é de longe a personagem mais interessante do livro, o fato dela torna tudo ainda mais doloroso. A única pessoa que sabe que ela consegue ver é seu marido e, por isso, ela vai fingir para todos nesse grupo em quarentena. Mas em nenhum momento ela acha que o fato de enxergar é uma dádiva, e eu particularmente, vi como um maldição. Mas, essa personagem é tão carregada de empatia que vai usar essa vantagem para ajudar a todos, quando poderia apenas se ajudar. Além de ser um exemplo de mulherão da porra, porque a força que ela carrega é inacreditável.


Saramago não nomeia seus personagens e nem mesmo a cidade a qual está acontecendo esse caos, nos levando a acreditar que isso poderia estar acontecendo com qualquer pessoa e em qualquer lugar. Todas as críticas refletidas nesse livro e questões humanas são jogadas na cara do leitor de uma maneira tão crua e realista que você vai passar muito tempo do seu dia pensando sobre elas. Pensando no que faria no lugar dessas pessoas.


Chega um momento nesse livro que você pensa que não há saída para tal situação e você quer de qualquer maneira que haja uma solução. Tanto é que ao finalizar esse livro eu fiquei horas refletindo, Saramago conseguiu fechar esse livro com maestria, capaz de deixar cada parte do livro na mente do leitor por muito tempo.


Não pense que você vai encontrar algum alívio cômico durante a leitura desse livro, não há. Vi uma entrevista do autor após finalizar a leitura onde ele diz que queria fazer o leitor sofrer tanto quanto ele sofreu ao escrever e de fato, ele conseguiu. Ainda não tive oportunidade de ver a adaptação, mas saber que Saramago se emocionou diante dela, sabendo o quão difícil ele é para vender os direitos de suas obras, me deixa ainda mais curiosa e talvez até, apreensiva. Levando em consideração o quão pesado esse livro é, sei que a adaptação vai me fazer sofrer tanto quanto.


Li esse livro por recomendação da Mosona @umaestudantedeletras e disse a ela, que houve uma parte que eu li querendo vomitar de tão pesada que a cena era. E não foi só uma, foi boa parte dessa história. Não há como você ler esse livro com um olhar superficial, ele trás reflexões muito atuais e é chocante quando você para pra sentir na pele tal coisa.


"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."


É uma leitura densa, uma escrita diferente e no português de Portugal, isso vai dificultar um pouco a leitura, mas vale muito a pena. Recomendo demais!
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Cândida Bernardi 23/10/2018

FANTÁSTICO!
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos".
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Psicodelia Literária 14/10/2018

Ensaio sobre a cegueira
Certamente, um dos livros mais pesados que já li em toda a minha vida. Algumas cenas desse texto estão impregnadas em minha memória. Dói, dói tanto que, vez ou outra, pego-me a imaginar o tamanho do sofrimento de Saramago ao escrever Ensaio sobre a cegueira.

Que escritor!
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Guta 08/10/2018

Sobre futuros distópicos.
Talvez seja isso mesmo que estamos vivendo, a última mensagem da última página do livro: uma cegueira coletiva; porém não é sobre isso que eu quero falar. Quero falar aqui da montagem de um cenário distópico que eu nunca havia pensado antes, tão mundano e ao mesmo tempo tão feroz quando zumbis querendo comer nossas carnes ou um governo autoritário que obriga nossos jovens a lutarem entre si até a morte. E se todos ficassem cegos? Como se daria nossa humanidade, nossas organizações? Apesar de o governo da estória ter tomado medidas drásticas e até pouco prováveis para o nosso universo é perceptível como as pessoas cegas de hoje só podem ser independentes por causa de uma corrente de pessoas que enxergam ao redor delas. E se todos tivessem perdido a capacidade de andar? E se todos estivessem surdos? Creio que embora a mensagem do livro seja sobre uma certa cegueira social metafórica, tudo que consegui pegar é a ideia de como nossa estrutura social é frágil e apenas vivemos porque a maioria trabalha em coletividade para que você receba água limpa na torneira, energia elétrica e os super mercados estejam abastecidos com comida ao seu dispor.
Uma das características do livro que mais me chamou a atenção é a questão que o autor faz de desumanizar as pessoas em sua obra, a começar não lhes dando nomes. A mulher do médico, o médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta, a cega das insônias, o cão das lágrimas. Ninguém era tão importante a ponto de ter um nome, aliás, a própria situação de cegueira fazia-se dispensável o uso de nomes. Além disso, é impossível não fazer menção à constante situação da imundície em que as personagens se encontram, de hora em hora citando a podridão dos excrementos, urina, vômitos e outros fluídos corporais numa tentativa de nos lembrar o quão patéticos somos vivendo em nosso ambiente artificial tão saneado. Particularmente eu lembro do que fazemos muitas vezes com os animais que comemos, como deixamos porcos e galinhas confinados em espaços pequenos andando em seus próprios dejetos.
Para finalizar a resenha, eu só posso dizer que o livro não é cheio de reflexões acerca dessa cegueira metafórica que todos clamam, talvez seja porque não prestei atenção como deveria ou porque o autor só queria mesmo era contar uma história, deixando para a última página algum tipo de contemplação de toda essa desventura vivida pelo nosso grupo de cegos principal.
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Argh, critique-me se quiser, mas odiei a falta de espaços no livro para indicar as falas e até mesmo outras marcações pontuais como "?". Vocês irão entender quando lerem.
Ana Clara 11/11/2018minha estante
que lindo! parabéns pela resenha!


Guta 19/11/2018minha estante
obrigada de mais :D




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giovana 24/09/2018

mano...
wtf. sinceramente, esse livro é um exemplo perfeito da ironia fina q o saramago usa pra criticar problemas da sociedade atual. ele é sensacional. acabou me fazendo perceber tmb o quanto a nossa sociedade depende da visão. e o quanto homens podem ser estúpidos. recomendo trilhões de vezes.
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Raphael 06/09/2018

Um ótimo livro
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Elisabete Bastos @betebooks 04/09/2018

A cegueira irracional e egoísta
O livro é sobre uma epidemia de cegueira, que acomete, o primeira vítima um homem que conduzia um automóvel e para do semáforo e fica cego. A cegueira tem como peculiaridade uma névoa branca.

Não existem nomes os personagens e sim, características ou cargos.

Mas, uma coisa é certa logo o médico que atendeu o homem, todos do consultório estão cegos.

À medida que mais contaminados surgem o O Governo "mantem em quarentena" as pessoas sem qualquer condições de limpeza, assepsia, apenas um controle selvagem de manter afastados da coletividade.

Por uma questão especial e inexplicada é preservada a prisão da esposa do médico, que mentirá, para ficar com o marido em tal lugar inóspito.

Neste albergue, os cegos também aterrorizam os demais, roubam, estupram são desumanos, mesmo estando nas mesmas condições.

Quando conseguem fugir encontram a cidade praticamente deserta, sem água potável, luz, e a visão da esposa do médico continuará a salvar a todos.

A cegueira irracional existe inobstante haver a possibilidade de enxergar. É uma questão que transpassa o egoísmo e chega na solidariedade e aos sentimentos mais profundos.



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Marcelo.Alencar 30/08/2018

Espetacular
Não há palavras para descrever como Saramago cria suas histórias mirabolantes, ataques paicologicos certeiros.
Imagine que de repente todos ficam cegos: a fúria da idiotice humana surge, mas a também a solidariedade.
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Fabricio.Fracaro 29/08/2018

Cegos
Que livro fantástico, uma população inteiramente cega, e apenas uma pessoa vê, e ela vê o que as pessoas são capazes de fazer, o que podem fazer no máximo do caos.
Livro com uma história muito impactante.
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Gabriela Leite 23/08/2018

Livro fantástico
Reflexão de valores do início ao fim. Não somos nada e em situações extremas, todos somos animais. O livro não leva 5 estrelas porque essa edição com ortografia portuguesa cansa bastante. Tenho interesse em outras obras do Saramago, mas vou buscar edições com o nosso português brasileiro.
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Rodrigo.Queiroz 22/08/2018

O tipo de livro que te molda
A profundidade do livro nos faz pensar em quão bom e quão mal podemos ser... é muito impactante!
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Karla 18/08/2018

E se um dia todos cegassem menos você?
E se um dia um homem cegasse e desse início a uma epidemia de cegueira branca? O que você faria?
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Este é o cenário que encontramos na obra Ensaio sobre a cegueira de José Saramago onde uma cegueira branca atinge à todos, e se espalha de forma repentina e sem qualquer alarme. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O medo de ser "contagiado" domina, e aqueles que foram atingidos ficam reclusos da sociedade, sujeitos às mazelas e o desprezo de uma população que os temem. ⠀
⠀⠀⠀
É nesse caos de uma epidemia sem explicação que é questionado: o que as pessoas são capazes de fazer para não cegar? E os que cegaram, como vivem quando lhe tiram também a liberdade e dignidade? Até onde somos capazes de ir para sobreviver?

E é em meio a tudo isso apenas uma personagem sairá ilesa nesse mar branco, e ela será os nossos olhos, e assim como ela, nós iremos pedir que não tenhamos mais essa capacidade cognitiva, e que fiquemos tão cegos quanto aqueles que ali estão.

"vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos, não sou rainha, não, sou simplesmente a que nasceu para ver o horror"
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Saramago é um autor singular, desde a sua forma de escrita às críticas sociais, políticas, religiosas que ele traz de uma forma genial em suas obras, e com um sarcasmo que é característico dele. Uma das minhas melhores leituras do ano (e a que mais me incomodou), o que me leva a ter um bloqueio para falar sobre uma obra tão rica e importante. Quem sabe um dia eu terei a capacidade de falar abertamente sobre Saramago, mas por enquanto eu os deixo com a minha indicação em forma de súplica: leiam Saramago. Leiam Ensaio sobre a cegueira. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
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Marcos 09/08/2018

Inquietante, belo, horrível e talvez mais real do que parece
Os longos parágrafos, a pontuação completamente fora de padrão e a quase ausência de organização do texto nem chegam a arranhar o fluir e o prazer da leitura da obra. Quanto mais se lê, maior a vontade de prosseguir e descobrir o que acontece em seguida. Quanto mais eu me aprofundava na leitura, mais me perguntava “como o autor vai resolver essa situação?”.
Uma bela história pela profundidade do significado, mergulhando fundo no sentimento humano e na loucura da necessidade de sobreviver, da natureza egoísta e tirânica de uns e no desapego de outros, tudo em meio a um cenário grotesco e horroroso. Belo e apavorante e inquietante por não ser algo tão inverossímil. Indo além das aparências e mergulhando no sentido mais profundo da obra, talvez a cegueira retratada na história já se tenha instalado há tempos, com a diferença de que, fora da ficção, ainda não temos consciência desse estado.
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Silvana (@delivroemlivro) 08/08/2018

E se fôssemos todos cegos?
"Deus disse: "Faça-se a luz!" E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas." (Gênesis, 1)


O mais nobre dos sentidos.

Na natureza é raro encontrar uma espécie animal cega. As que existem são compostas por répteis de pequeno porte, insetos, alguns peixes. São mais raros ainda entre os mamíferos, talvez a única categoria seja a dos morcegos. Os homens são animais, mamíferos e os desafortunados que não podem enxergar, uma exceção.

O mal-branco. Uma cegueira coletiva e inexplicada. Um problema de saúde, sanitário, de sanidade. De sociedade.


Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe uma tragédia. As catástrofes, os extremos revelam as pessoas. A aglomeração, a claustrofobia, a fome, a falta de higiene e, especialmente, o medo, libertam o animal. Os instintos de sobrevivência do bicho que somos rasgam o véu da civilidade. Não há mais Estado para controlar, vigiar, proteger e punir os ímpetos violentos naturais do ser humano. Ninguém está vendo.

Mas e a razão? Salvo engano, o processo evolutivo dotou os seres humanos com inteligência.

"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais, tantas vezes o repetiu, que o resto da camarata acabou por transformar em máxima, em sentença, em doutrina, em regra de vida, aquelas palavras, no fundo simples e elementares."


Felizmente há alguém que enxerga, sempre há. Essa exceção à regra é uma mulher, uma mulher que vê. Assim como os outros personagens ela não tem nome, é a mulher do médico.

"(...) em milhões de anos de evolução, homens e mulheres desenvolveram estratégias diferentes de sobrevivência e de reprodução. Como os homens competiam entre si pela oportunidade de engravidar mulheres férteis, a chance de reprodução de um indivíduo dependia, acima de tudo, de sua capacidade de superar em desempenho e derrotar outros homens. Com o decorrer do tempo, os genes masculinos que conseguiam passar para a geração seguinte eram aqueles pertencentes aos homens mais ambiciosos, agressivos e competitivos. Uma mulher, por outro lado, não tinha dificuldade em encontrar um homem disposto a engravidá-la. No entanto, se quisesse que seus filhos lhe dessem netos, precisava carregá-los no útero durante nove árduos meses e depois cuidar deles durante anos. Durante esse período, tinha poucas oportunidades de obter comida e necessitava de muita ajuda. Precisava de um homem. Para garantir sua própria sobrevivência e a de seus filhos, a mulher não tinha muita escolha além de concordar com quaisquer condições que o homem estipulasse para ficar por perto e dividir o fardo. Com o tempo, os genes femininos que chegaram à geração seguinte pertenciam a mulheres de caráter cuidador e submisso. Mulheres que passavam tempo excessivo em disputas por poder não deixaram nenhum desses genes poderosos para as gerações futuras." (Sapiens: Uma breve história da humanidade – Yuval Noah Harari)


A sobrevivência do grupo depende dessa mulher assim como a sobrevivência da espécie sempre dependeu das mulheres e, aqui, não me refiro à funções reprodutivas mas a outras, mais delicadas, sutis.


"(...) são obrigadas a desenvolver suas habilidades sociais e aprender a cooperar e apaziguar. Elas constroem redes sociais totalmente femininas que ajudam cada um dos membros a criar seus filhos. Os machos, enquanto isso, passam o tempo lutando e competindo. Suas habilidades e laços sociais permanecem subdesenvolvidos." (Sapiens: Uma breve história da humanidade – Yuval Noah Harari)


Esse ensaio é sobre uma cegueira mas é um livro que pode afetar o estômago. Atingiu o meu, pela primeira vez a literatura me causou náusea. É uma obra impactante, pesada mas, não diria que é pessimista: é realista e nos adverte que a civilização é uma conquista. A estrutura social, sanitária que nos mantém é frágil, precisa de cuidados. Que, por exemplo, abrir uma torneira e ver sair água limpa e potável é um privilégio, uma realização da espécie. Que somos escravos de nossos corpos, condenados a atender suas necessidades biológicas e suas respectivas manifestações escatológicas. E, que mesmo depois de mortos, ainda sofremos uma última indignidade: a putrefação.

Em contraponto, trata-se de uma homenagem à civilização, à razão, ao respeito, à importância de haver leis que nos protegem uns dos outros. O valor da empatia, da compaixão, da compreensão, do amor: a luz!


"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
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