Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Jack Sabino 26/07/2018

Já tinha conhecimento desse livro de Saramago, mas a vontade de ler veio quando, anos atrás, vi o filme do Meireles. Com um ótimo time de atores (Você não, Mark Ruffalo), eu achei o filme super indigesto e com uma mensagem pesadíssima. Mas isso não significa que o achei ruim; muito pelo contrário.

Ambos têm uma narrativa que é um soco no estômago e nos faz ver o quanto as pessoas não revelam a sua verdadeira essência quando todos estão olhando. As pessoas são más quando não tem leis e nem que os governe. Somos cegos no nosso dia a dia ignorando mendigos nas ruas, ignorando vizinhos ou parentes abusadores e até ignoramos nossas próprias mazelas. Como bem pontua as últimas páginas, "Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem".

O livro é recheado de metáforas e deixa livre uma amplitude de pontos de vista. Mas, imagine o que faríamos quando não tivesse ninguém olhando, inclusive nós mesmos? Em terra de cegos, quem tem olhos não necessariamente é rei, como podemos comprovar nesse belíssimo romance de Saramago.
Jonas 29/07/2018minha estante
Ótima resenha, parabéns!
Tive a mesma sensação que descreves!


Jack Sabino 29/07/2018minha estante
Obrigada, Jonas! Sensacional esse livro, neh? Beijos!




Gabriela.Cerqueira 25/07/2018

Perfeito
Saramago tocará de forma diferente cada pessoa que ler esse livro. Não há palavras que definam com exatidão o quanto me agradou, metáforas perfeitas.
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Thayná 20/07/2018

O pior cego é aquele que não quer ver.
Meu Deus que livro !!!!
José Saramago é um autor que escreve de forma muito peculiar, não usando muito de pontuação, não da nomes aos personagens... não sabemos aonde se passa a história se é numa cidade, num bairro, em qual país ? Podendo assim trazer de uma forma mais crua à nossa REALIDADE.
Tudo começa quando de repente uma "cegueira súbita" ataca um homem no sinal. Este é levado para seu apartamento por um estranho que acaba lhe roubando o carro e também ficando cego. Na aflição o homem do sinal vai a um oftalmologista que o avalia e em casa estudando acaba ficando cego também. Nisso o famigerado governo sem saber o que fazer leva a todos incluindo a mulher do oftalmo que NÃO ESTA CEGA a um manicômio e os deixando a própria sorte com o mínimo de alimentos, higiene, etc.. Nesta história vamos encontrar com outros personagens também importantes, mas a moral da história que Saramago queria nos dizer é que a visão quando nos tirada nos força a acreditar em outras pessoas, confiar, ser bondoso, ser fiel, mas também à aqueles que a maldade só aumenta, só vê uma forma de conseguir abusar de alguém e dos outro e usar da fragilidade para continuar a fazer o mal. O pior cego é aquele que não quer ver.
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Taiz 16/07/2018

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Bendita foi a hora em que aproveitei uma promoção e comprei esse livro. Já tinha ouvido falar do filme e via comentários muito positivos sobre a obra, mas não tinha tido oportunidade de ler ainda. Saramago tem uma escrita interessante, não utiliza de muita pontuação, o que dificulta um pouco a leitura, e os personagens não possuíam nome, algo bastante peculiar.

O livro me fez pensar bastante, ele mostra como deixamos de valorizar pequenas coisas, como um simples gole de água ou olhar a chuva cair pode significar tanto. Os personagens precisaram ficar cegos pra poderem enxergar realmente, da maneira certa, enxergar além do que os olhos podem ver. O livro também mostra que, mesmo num apocalipse, no fim dos tempos, algumas pessoas não são possíveis de serem mudadas, não mudam atitudes, não mudam pensamentos, a cegueira não foi capaz de tocar a índole de alguns, a cegueira não anulou a maldade e desumanidade de outros, algo mostrado quando estão em quarentena, onde há brigas, mortes, roubos, estupros - cenas que me deixaram extremamente indignada e enojada - e como a lei tratava aquelas pessoas como se fossem animais ou bem menos que animais. E em meio a um mundo de cegos, apenas uma mulher podia ver, e ela testemunhou a miséria e o caos em que tudo se transformou, em que ela mesma se transformou, enquanto servia de olhos para os que não os tinham.

A frase "o pior cego é aquele que não quer ver" faz ainda mais sentido agora. Sempre que possível, temos de tentar ver além do que estamos vendo, não apenas ver, mas, principalmente, enxergar; valorizar mais - momentos, afetos, gentilezas, pessoas -, agradecer mais, sentir mais, pois os olhos não são a única maneira enxergar a vida.
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julholiterario 10/07/2018

Que sacudida na humanidade...
Esse livro foi uma recomendação da minha prima Luciene e meu Deus, que livro!
José Saramago é um autor que tem um segmento de escrita longo, pesado e difícil (ao meu ver).
No começou foi uma leitura arrastada pois eu queria apenas entender do que se tratava o livro e fim...
Mas lendo e lendo eu consegui entender a mensagem que ele quis passar, o final da mulher do médico... Tudo se encaixou como uma grande crítica voltada a toda a sociedade mundial.
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Kelly.Mattos 09/07/2018

AGONIANTE
Gente! Com o Saramago consegue isso??? Que aflição! Acredito que o fato das personagens não terem nomes, faz com que, de alguma forma, a gente se identifique com características do elenco. E o melhor: Tem o filme, tão incômodo quanto o livro. Fica a dica, excelente pra quem gosta de emoções fortes. Abaixo deixo um link bacana sobre a história.

site: https://www.youtube.com/watch?v=zML5sge3zH8
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Caique AP. 05/07/2018

O QUE VOCÊ REALMENTE VÊ?
Imagine se você perdesse o sentido da visão subitamente, sem explicação aparente e sem nenhum histórico médico por trás disso. Agora, imagine se isso acontecesse de maneira inexplicável e em grande escala? Em Ensaio sobre a Cegueira, nos é apresentado de maneira nua e crua todas as consequências da ausência desse sentido para o ser humano.

Em minha humilde opinião, não foi fácil ler todos os atos que um ser humano é capaz de fazer dentro de um ambiente insalubre e após ter perdido um dos mais importantes sentidos que dão condição para sua independência humana. Para mim, dependendo do tipo de ambiente em que se vive e os estímulos internos/externos e diretos/indiretos, podemos nos tornas hostis, selvagens, enfim, agir como verdadeiros animais sem quaisquer tipos de sentimentos.

Neste livro, pode ser visto (da tum tsss) que a compaixão, o desespero, a insalubridade, a batalha pelo poder, a falta de caráter, a dependência, a fraqueza, a nudez (em sentido figurado ou não), a morte, a sujeira (dos mais variados tipos. Vai por mim), o fim do mundo e a sobrevivência andam lado a lado, página por página. Mesmo em tempos difíceis, ainda tem quem se aproveite da situação. E é nessa parte, em especial, que podemos ver em qual nível o ser humano consegue chegar para conseguir o que quer, e conseguir ter aquilo que é vital para se manter em pé, em detrimento de sua honra e dignidade. Tudo isso às claras, sem poupar à ninguém. Tanto à nós, quanto a mulher do médico, que é a única personagem que enxerga em meios a esse caos e que presencia todo o definhamento da humanidade sem poder revelar sua condição.

Todo o livro foi feito no português de Portugal. Então, não estranhe a ausência de travessões, parágrafos, reticências e áspas nas falas dos personagens, bem como, algumas palavras que aparecerem ao longo dos textos. Outro ponto muito diferente e que trás todo o charme do livro é que nenhum personagem tem nome ou rosto definido por Saramago. São conhecidos apenas por suas características, particularidades, personalidades, enfim, atributos não atrelados a sua fisionomia: o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da venda preta, o rapazinho estrábico, o cego da pistola, o cego que escreve em braile, o ladrão, os soldados, a velha do primeiro andar,o cão de lágrimas, entre outros.

Não é um livro fácil de ser digerido. Não é um livro para ler correndo. Seja pela sua estrutura, seja pelo seu conteúdo. Não é um livro com protagonistas, heróis, vilões, por mais que possa parecer em dados capítulos. Não é um livro de ficção, horror, romance, mesmo que o enredo aparente isso. É um livro para se ler desnudo, sem pudores, sem achismos, sem esperar nada em troca. É um livro para se ver. Em todos os sentidos.

Creio que essa seja a principal mensagem que Saramago quer nos trazer para com esse livro. É ver. Ver muito mais daquilo que se vê. Ver tudo e principalmente a todos com outros olhos. Ver que o mundo é muito maior do que aquilo que nós realmente vemos.

Cada um terá sua forma de ler e enxergar essa história. Mesmo tendo 20 anos, ela ainda é tão atual e mais comum do que nós pensamos.

Leia.
E veja.

Recomendo? Demais.
Vale a pena ter na estante? É quase que uma obrigação.

Boa leitura a todos!
CAIQUE AP.

site: Instagram: @caiqueapcomc
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Alessandra.Rodrigues 04/07/2018

Fantástico
Fantástico!! Um dos melhores livros que já li até o presente momento da minha vida. É assustador, dramático, envolvente, triste, muito triste, pois mostra toda a fragilidade humana. Faz a gente refletir sobre o bom e o mau, sobre o certo e o errado, amor e instintos. Certamente não podemos morrer sem essa leitura. Simplesmente fantástico. O filme também é muito bom.
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Priscila (@priafonsinha) 30/06/2018

Perfeito!
Com a palavra Zezinho: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
Um livro repleto de metáforas, uma reflexão do que realmente somos e não daquilo que pensamos que somos, nossos egoísmos, consumismo, fraquezas, intolerâncias, um mundo que cai abaixo, que nos faz enxergar a fraqueza do mundo individualista que vivemos.
Para quem não leu, o filme é uma cópia fiel ao livro, ambos valem a pena, são obras perfeitas!
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Flávio 19/06/2018

Vê as coisas ruins, é não enxergar! Veja o lado bom, sempre ha(verá)!!!
Saramago é um dos grandes nomes da literatura mundial e amigo do nosso querido, Jorge Amado. Por correspondências, eles comentavam quem seria o primeiro a ganhar o Nobel de Literatura. Infelizmente, para o nosso não deu. Injustiça, que não poderá ser corrigida.
Curiosidades a parte, "Ensaio sobre a cegueira" é daqueles livros que mexe com você, lhe causando sensações perturbadoras, como a metamorfose de Kafka. Acredito que a grande sacada do livro é mostrar as reações humanas frente a um mundo mais sombrio do que o que já vivemos.
O livro não revela o motivo da cegueira geral e dos nomes dos personagens e isso só agrega, pois abre margem para pensar a real mensagem do livro. As pessoas não viam pois tinham uma cegueira irreal, uma cegueira causada por motivos psicológicos e não fisiológicos. As pessoas estavam cegas, pois não viam mais o lado bom das coisas, viviam em uma escuridão que só foi clareada à medida que eles deram importância a coisas simples, um banho, uma refeição, um afeto para com o próximo. O único personagem que não cegara, fora a mulher do médico (lembra que Saramago não deu nome aos personagens?) e acredito que se deva ao fato dela desde o primeiro momento ver as coisas boas e ser entregar a elas. Não teve medo de ficar ao lado do marido cego, mesmo sabendo que isso significava a cegueira dela também.
O livro é sombrio, triste, mostra a que ponto a sociedade pode chegar, mas acredito que por trás de toda essa obscuridade existe uma mensagem bela que Saramago nos deixou de presente, não é porque estamos vendo que estamos enxergando. O que você vê quando se olha no espelho? O que você vê quando olha para o futuro do País? Será que você vê o que de fato você é? Será que você vê o que de fato é o futuro do País?

Viva Saramago!! Ah... E viva Jorge Amado, nosso Jorge Amado, que não ganhou Nobel mas ganhou nossa Gratidão, essa sim eterna.
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Jon O'Brien 04/06/2018

Ensaio sobre o que falta e o que preenche
Denso, instigante e perturbador, Ensaio sobre a cegueira é um livro de primeira que entrou na minha lista de favoritos. Nesta resenha, você vai conhecer detalhes sobre a obra de José Saramago que certamente contribuiu muito para a premiação do autor com o Prêmio Nobel de Literatura, no ano de 1998. Vai também saber o que achei da adaptação que o livro ganhou para o cinema em 2008. Acompanhe.

É o terceiro dia que estou gastando tentando fazer uma boa resenha para esse livro que me surpreendeu tão positivamente. Quando se falava em José Saramago e, mais especificamente, a respeito de Ensaio sobre a cegueira, eu imaginava um livro bom, um livro cruel, mas o que imaginei não chegou à metade da grandiosidade desse livro.
Ensaio sobre a cegueira conta a história de uma epidemia — sem revelar a causa dela, e mais abaixo você saberá sobre a minha teoria com spoilers, embora você não precise se preocupar, pois avisarei até onde você pode ler sem ter medo. O que o autor quer não é que você saiba a causa da epidemia, mas sim que veja como os personagens principais e os demais lidam com o fato de que há uma espécie de cegueira contagiosa.

“Com o andar dos tempos, mais as atividades de convivência e as trocas genéticas, acabamos por meter a consciência na cor do sangue e no sal das lágrimas, e, como se tanto fosse pouco, fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca.”

É muito fácil se apegar aos personagens dessa trama, pelo menos à maioria deles, mesmo não possuindo nome, ou, melhor, não tendo o nome revelado. Isso somado às descrições generalizadas nos diz que esse livro é universal, mostra que ele pode se passar quanto em Portugal quanto nos Estados Unidos quanto em qualquer outro lugar do mundo. A intenção de José Saramago foi justamente essa.

Na trama, encontramos alguns personagens de maior destaque, denominados como: o primeiro cego, o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o rapazinho estrábico e o velho da venda preta. Outros personagens também marcam presença, mas são esses os que estão compondo a maior parte das páginas desse livro. Os personagens são guiados pela mulher do médico, que é a única que consegue enxergar em meio a esse caos.

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.”

A escrita do José Saramago é no mínimo curiosa e bem diferente. Os períodos dispostos no livro são imensos, não há ponto de interrogação ou exclamação e as falas não são marcadas por aspas ou travessões, mas por vírgulas, o que torna difícil o processo de leitura. É algo do tipo:
Ele sentou-se na cama e abriu a boca ao mundo, Eu não quero mais que vocês falem, que pensem ou que qualquer outra coisa, Como assim, perguntou o senhor, Vai nos tirar a liberdade de pensar, Sim, é isso o que eu vou fazer, respondeu-lhe.

Pelo menos, com o passar das páginas você consegue se acostumar ao modo como Saramago escreve e termina o livro pedindo por mais. A narrativa, mesmo sendo por vezes previsível, não se torna chata, mas pode se tornar um tanto cansativa, até porque o autor escreve de uma forma meio repetida, minuciosa. Talvez essa repetição e essa lentidão de explanar os acontecimentos tenham me afastado da leitura a ponto de eu demorar cerca de quatro meses para concluí-la. Entretanto, talvez não fosse isso, visto que eu não sentia muita vontade de pegar o livro para ler, mas quando pegava ficava com vontade de ler bastante.

Quem procura por um livro com um jardim cheio de flores como tema, é bom que passe longe desse livro. A escrita do José Saramago é crua e deliciosa. Ela é capaz de nos verter lágrimas e de fazer o nosso sangue correr, às vezes as duas coisas no mesmo momento. Saramago sofreu ao escrever e queria que sofrêssemos ao ler. Foi o que aconteceu comigo. A falta da considerada “devida” pontuação para as falas dá ao texto uma aparência mais corrida, veloz, e nisso você acaba lendo longos parágrafos sem nem se dar conta.
A adaptação do livro é fiel até certo ponto, mas nada do que foi mudado ou acrescentado ficou, na minha opinião, ruim. As coisas se assentaram bem e a história foi emocionante. As atuações foram boas, na minha opinião. A da mulher do médico foi a que se sobressaiu.

Por fim, eu gostaria de dizer algo que pode ser considerado spoiler. Na verdade, é um spoiler grande misturado a uma teoria minha.


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No final do livro, os cegos voltam a enxergar, o que é muito interessante, considerando que é uma cegueira aparentemente sem motivo e passageira. Mas, na minha opinião, o mundo estava pesado, as pessoas pararam de dar valor ao que realmente importa, e a cegueira veio como uma ferramenta de unir as pessoas, pois às vezes precisamos estar cegos para enxergar. É por isso que no final, quando as pessoas voltam a enxergar, elas já recuperaram o afeto perdido. As que não recuperaram, bem, vão ter muito o que agradecer.

site: https://redipeblog.wordpress.com/2018/06/02/resenha-ensaio-sobre-a-cegueira-jose-saramago/
Rafa P. 05/06/2018minha estante
Ótima resenha rapaz! Eu também fiquei impressionada com a escrita de Saramago. Foi o primeiro livro dele que li e ja fiquei super fã. Intenso, real, perturbador. John vc já viu que ele possui uma sequencia? Na verdade não sei se é uma sequência mesmo, mas parece que se passa no mesmo universo. É o Ensaio sobre a lucidez.


Jon O'Brien 05/06/2018minha estante
Oi, Rafa. Tudo bem? Fico feliz que tenha gostado da resenha. Esse livro do Saramago é espetacular. Eu já sabia do Ensaio sobre a lucidez, mas nunca pensei que poderia ser uma sequência. Obrigado por me falar. Abraços!




Olana - @aleituradehoje 27/05/2018

Ensaio sobre o Ser Humano, eu diria...
Que coincidência cruel ler este livro justamente na semana do caos no Brasil. Seria cômico se não fosse trágico me ver como como uma cega dominada por cegos malvados. E daí a pergunta que não cala em minha consciência: Quem são os cegos malvados?

Saramago em seu premiado Ensaio sobre a Cegueira, apresenta um mundo que entrou em colapso, isto causado pela súbita “cegueira branca” da sociedade. A dificuldade em manter a “pseudo-ordem” em que vivem os seres humanos, aflora nos “doentes” seus instintos mais irracionais (ou mais humanos?) e transforma suas existências para uma nova ordem de sobrevivência.

O que inicialmente transcorreria como um simples acontecimento ou contratempo, Saramago converte, com maestria, numa descrição detalhista, cruel e (eu diria) verdadeira da alma humana. Saramago traduz nosso íntimo. Ele nos esmaga moralmente.

É nesse escrito que Saramago nos lembra que “É dessa massa que somos feitos, metade indiferença, metade ruindade”. É tão isso, tão isso... que mesmo sabendo, dói ler.
Saramago trata de questões de necessidade básicas e situações corriqueiras, que na sua história, ficam tão complicadas e intensas que as descrições assustam, chocam, revoltam... enojam. Em outros casos, a ocorrência causou-me uma tristeza tão profunda que não consegui segurar as lágrimas. Seres humanos reduzidos à nada, à meros seres rastejantes, humilhados, ignorados, esquecidos. E acho que o que mais me enlouqueceu em toda a leitura, é que não é só um livros. Quantos seres humanos vivem nessa condição descrita por Saramago e nós, obviamente cegos (porque a nossa total apatia e indiferença só se explica pela cegueira) não percebemos e não lembramos? Essa cegueira branca do livro, já nos atingiu. Só não sabemos. Como diz Saramago em seu fechar de página: Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem. Cegos que vendo não vêem.

Obviamente, é um livro que só se percebera sua grandiosidade lendo. O que eu posso fazer é dizer que deveria ser uma leitura obrigatória. E como diz @lidosdalu da leitura coletiva a qual participei para este livro: “Terminei! agora com licença, preciso ir ali na varanda gritar.”
Ozania.Martins 19/06/2018minha estante
Olá eu tbm li o livro nessa semana em meio caos,tive o mesmo sentimento que vc foi muito reflexivo. Tive vontade de fazer varios xerox e dar em mãos p que tds lê-sem . Em varios momentos da leitura eu derramei lagrimas penssando exatamente em como somos segos.....


Ozania.Martins 19/06/2018minha estante
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Kelly.Mattos 10/07/2018minha estante
Você conseguiu verbalizar emoções vividas durante a experiência desta leitura. Grande livro, muita emoção!




Jaine Jehniffer 18/05/2018

Soco no Estômago
Você já se perguntou como seria se o mundo todo ficasse cego de repente? Você poderia pensar que o ser humano com sua extrema capacidade de adaptação iria se ajustar e como estavam todos cegos, se ajudariam a construir um mundo melhor, mas unido e solidário. Entretanto, Saramago dá uma resposta diferente.

Talvez isso ocorresse se todos no mundo já tivessem nascidos cegos. Mas para o ser humano que está acostumado a uma vida com acesso bens básicos fundamentais para a sobrevivência como água e alimentos, ver se de repente sem nada disso pode ser um sinal para o lado animalesco dominar, onde a coisa mais importante é sobreviver.
Continuação em: paginasetakes.com.br

site: https://www.paginasetakes.com.br/l/a-revolucao-dos-bichos/
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Vinícius 17/05/2018

Transformador
Ao parar em um semáforo um homem repentinamente perde a visão. Ao constatar a cegueira (que diferente do normal, nesta se enxerga um clarão branco) grita: "Estou cego! Estou cego!". A partir daí, pouco a pouco toda a população começa a ficar cega e toda a sociedade mergulha em um mundo sem visão, onde o ser humano degrada-se ao ponto mais baixo imaginável. Com um estilo de escrita interessantíssimo - sem travessões para as falas - o vencedor do prêmio nobel José Saramago nos presenteia com uma de suas mais perfeitas obras, um livro impactante capaz de nos fazer refletir profundamente do início ao fim da trama.
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Marverosa 10/05/2018

Instigante, envolvente, crítico, emocionante
Não tem como descrever um livro que te comove, te deixa com raiva, te faz pensar sobre diversos aspectos da existência humana.

Um dos melhores livros que já li.

Não foi fácil. A gente sofre. Mas é umas obr prima.
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