Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Alan 19/03/2018

É preciso cegar-se para poder enxergar a alma do outro
Este livro é simplesmente maravilhoso, é muito pesado e grotesco, definitivamente não é uma leitura para todos.
Pelo menos duas vezes pensei em parar de lê-lo, nos leva a pensar como somos apenas animais em busca de se manter vivos. Obrigado Saramago por ter existido e ter me proporcionado tal leitura, ganhou mais um fã
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Grace 16/03/2018

Fiquei pensando o que falar desse livro, sem entregar a história, porque apesar de achar que todo mundo já sabe o enredo ou ter assistido ao filme baseado no livro nada nos prepara para essa viagem ao inferno, esse sentimento de claustrofobia que se instala conforme avançamos na história, como sempre Saramago é maravilhoso. A história começa quando um homem de carro, grita "estou cego", de repente, outras pessoas começam a cegar e esse mal passa a ser chamado de a "treva branca", a partir disso pessoas são colocadas em quarentena, e o que acontece quando é tirado de nós um dos sentidos e mesmo assim temos que comer, fazer nossas necessidades, sobreviver, nos transformamos em animais? E se só você pode enxergar no meios dos cegos? Com todos cegos, teria uma organização? Teria uma classe dominante? O que seria da humanidade? São muitas questões levantadas por Saramago nesse livro, não dá para falar todas, mas dá para pensarmos nessa história por um bom tempo.
"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
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Evandrojr. 14/03/2018

Se nós fossemos todos cegos? Mas nós ja estamos todos cegos. Cegos da razão!
“Se nós fossemos todos cegos? Mas nós já estamos todos cegos. Cegos da razão, porque não a usamos para defender a vida, usamos a razão para destruí-la. Por isso escrevi esse livro”. Através das palavras do próprio Saramago tem-se a dimensão desta grandiosa obra de ficção aclamada no mundo inteiro, fazendo jus ao único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de literatura até hoje. Ensaio sobre a cegueira é de uma crueza admirável, angustiante, aflitivo, desesperador. Incrível como Saramago vai direto ao ponto, te leva para dentro do drama, te faz estar ali convivendo com a degradação humana diante de uma cegueira repentina que acomete toda uma população gerando o caos e o primitivismo cada vez mais crescentes a cada página, te fazendo refletir a todo o momento o que nós realmente somos, interna e externamente. A identificação com a dor e o sofrimento de cada personagem é tão intensa que o mais ilógico acontece na narrativa de Saramago: simplismente os infelizes protagonistas não tem nome nem sobrenome, sequer apelido. São retratados apenas como “a mulher do médico”, “o primeiro cego”, “o garoto estrábico” e assim por diante, do começo ao fim da obra, e incrivelmente você não consegue jamais esquecê-los. Das melhores leituras em toda a minha vida!
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Gui 13/03/2018

Uma cegueira Moral
Um livro maravilhoso, incrivel com cenas tão fortes que você não vai conseguir ler todo sem pausar para respirar. Porquê essa é a sensação transmitida ao leitor. Uma angústia causada pela falta de humanidade. Um mundo onde cães darramam lágrimas e as pessoas se devoram. Um nível de brutalidade indescritível. E você, o que faria se despertasse em um mundo apocalíptico onde a cegueira é a causa da destruição dos valores humanos. O autor trás personagens alegóricos, que pode ser aplicado a cada um de nós. Nesse mundo em que ruas não tem nome, não há um país específico. As pessoas são representadas por suas posições. A mulher do médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a prostituta, o ladrão, o médico, o jovem estrábico. Etc..., todos num mesmo lugar com a mesmo problema, a cegueira branca. Um livro que explora o lado mas obscuro do ser humano. Até quando as leis morais regem o nosso caráter. Até que ponto somos idôneos? Saramago trás atona um mundo onde o certo e o errado se fundem. E a racionalidade se esvai como uma artéria rompida violentamente.
Gui 13/03/2018minha estante
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Gui 13/03/2018minha estante
Esqueci de dizer que não há pessoas definidas. São personagens alegóricos. Não há ruas nem lugares específicos. A história pode se passar no Brasil ou no Japão. E a famosa citação" o pior cego é aquele que não quer ver!"


Rafael_POA 13/03/2018minha estante
Interessante, mas agora vou ter que esperar no mínimo 1 ano antes de ler, para dar tempo de eu esquecer os spoilers que VC mandou no áudio do Whats :(


Gui 13/03/2018minha estante
Nem dei spoilers, nem foi um min de áudio ?




Carolina.Pontin 11/03/2018

acho que dá pra dividir a experiência de ler esse livro por 3 etapas: a primeira certamente é a perturbação, eu me senti cega a cada frase que eu lia, as pessoas iam cegando e eu também; a segunda foi imersão, eu mergulhei na história de uma forma que eu tava me vendo a cada acontecimento; e a terceira foi a reflexão, eu tirei tanta coisa pra minha vida, escrevi textos, trabalhos e fiz fotos que me remetiam a cegueira.
li no tempo certo, mas tenho certeza de que se eu ler novamente, o tempo vai continuar certo.
Gui 13/03/2018minha estante
Eu me senti assim como se fosse cegar também eu tinha essa sensação. Porém se certo modo somos cegos. Nossa visão é limitada. Nosso governo é cego e o pior cego é o que não quer ver


Luciana 21/03/2018minha estante
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Lismar 10/03/2018

Perturbador
Acabei de ler Ensaio sobre a cegueira e que livraço esse do saramago, Hein?!
Obra em que quase toda a população de uma cidade torna-se cega inexplicavelmente, criando um ambiente propício para um cenário pós apocalíptico.
E o negócio é grotesco mesmo. Altas descrições de merda, sexo, merda, estupros, merda, fuzilamentos, merda, pilhagem, merda, degolamento, já falei de merda?? É inacreditável a quantidade de fezes nesse livro, a cada capítulo tinha uma diarreia, uma cagada nas calças, nos chão, na cama, etc. Isso, junto com a fome, a arbitrariedade do Governo, as restrições de comida e água retrata muito bem a condição subumana total pretendida pelo livro. Você se sente sujo só de lê-lo, o que, pelo que li das intenções do autor sobre esse livro, foi o pretendido por ele: O asco, o nojo, a perturbação.
Os personagens não possuem identidade, são sempre referenciados por seus físicos, situações ou profissões, há o primeiro cego, o médico, a esposa do médico, o ladrão, e por aí vai; ocasionando uma bela imersão, pois dá a impressão que estamos cegos também, apenas nos situando quanto aos personagens pelas características já citadas anteriormente.
A escrita do português é o de sempre: Poucos parágrafos e os diálogos não estão evidenciados com travessões, nem aspas. Como já tinha lido O Evangelho Segundo Jesus Cristo, já estava preparado para sua estrutura e a leitura fluiu muito boa.
Apocalipse zumbi é fichinha se comparado a que acontece aqui.
Gui 13/03/2018minha estante
Cara eu tive que pausar algumas vezes respirar e voltar a leitura. Li ano passado. Vi o filme depois. E tive a oportunidade de fazer uma apresentação sobre ele. Uma prova e realmente foi show


Lismar 13/03/2018minha estante
Assisti ao filme 2 dias após terminar de ler o livro. E apesar de achar o filme muito bom, fica bem atrás do livro. Este é bem mais impactante, mais forte e visceral; sem falar que o filme não possui a passagem da velha dos coelhos e o retorno da esposa do médico ao Supermercado, que achei-os bem forte.


Gui 13/03/2018minha estante
Sim, verdade mas mesmo assim o filme foi bem tenso para quem não leu o livro. Imagine quem leu o livro que captou muitos detalhes como a descrição do estupro das mulheres. A nojeira a qual estavam acostumados




mathew5150 01/03/2018

Curabruxo ataca novamente!
Acabo nesse exato momento minha leitura de "Ensaio Sobre a Cegueira", a segunda obra de Saramago que tenho o privilégio de ler. Que escritor hábil, de uma mente ímpar, onde a simples frase "e se a humanidade ficasse cega" se torna uma ferramenta de análise do cerne comportamental e filosófico do ser humano. Nada mais me vêm a mente além da belíssima (e profunda) mensagem que abre o livro:
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
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Dri 15/02/2018

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
A obra aqui em destaque se inicia em um trânsito, ao abrir o sinal um carro continua parado, anunciando o início de uma cegueira denominada treva branca. Esta treva branca surgiu sem motivos aparentes, visto que o primeiro homem a cegar sempre enxergou muito bem e nunca precisou usar óculos. A partir daí muitas outras pessoas começar a cegar e as pessoas que estão em contato com estas, posteriormente também cegam. A cegueira se alastra fazendo o governo tomar medidas drásticas.
Aqui, a maldade humana chega a um nível extremo. “O senhor doutor é optimista, Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver, Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau [...].”
Detalhes que são relevantes citar para um melhor entendimento da obra são a falta de números nos inícios dos capítulos e falta de nomes de personagens. As junções destes dois itens corroboram para a sensação de cegueira se propagar para o leitor, visto que pode causar desconforto não situar-se dentro da leitura por não saber em qual capítulo a história anda ou não saber os nomes reais dos personagens. José Saramago busca trabalhar em sua obra questões que vão além da cegueira visual. Trata questões humanas como foco principal, como os humanos são, mesmo sem visão, maus por natureza. Como estes só pensam em seu próprio bem e ignoram as necessidades alheias, mas como contraponto apresenta a mulher do médico, que mesmo sozinha decide ajudar a todos que estão com ela, trazendo esta mulher como um fio condutor de esperança para a humanidade.
Jefinho 17/02/2018minha estante
Muito bem! Gostei!

A obra, realmente, é explendorosa..


Dri 18/02/2018minha estante
Realmente, é uma boa obra, mas quando os acontecimentos realmente bons acontecem a obra já está no fim hahaha. Por isso dei três estrelas.


Jefinho 19/02/2018minha estante
Entendo!




Jaqueline.Menezes 25/01/2018

Em terra de cego quem tem um olho é rei ou louco?

Isso é um ensaio, um teste, um treino. É exatamente o que o título evoca.
Em um livro experimental, diferentão, José Saramago o quebrador de regra me apresentou a um novo jeito de entender a literatura, primeiramente, que seu livro foi proibido de ser traduzido e a ortografia ainda é a vigente em Portugal. Isso não se mostra como um grande obstáculo, na verdade, essa é uma boa oportunidade de leitores brasileiros estreitarem os laços com a língua que um dia foi a nossa.
Os parágrafos são completamente esquecidos, um pouco de dispersão e o leitor acaba embaralhando os diálogos, misturando as personagens e até mesmo se perdendo na narrativa. Todo cuidado é pouco.
Por outro lado a leitura é fluida e solta, fica parecendo que o narrador lhe fala aos ouvidos e não que as palavras estão presas em uma página de um livro.

Sobre o tema, o autor quis evidenciar que os personagens estavam passando por um teste, e a metáfora aparece quando o narrador deixa saber que a cegueira que acomete os personagens não é a mesma cegueira que se tem conhecimento, não é a cegueira de escuridão que as pessoas com deficiência visual relatam, é como se estivesse mergulhado em um mar de leite. O caos de uma cegueira repentina e em massa se torna uma verdadeira expurgação, onde pecadores e inocentes vão ser medidos pela mesma régua. Um leitor mais sensível consegue até mesmo sentir algumas das dores ou pelo menos imaginá-las, os mais dotados de empatia podem ter uma experiência bem perturbadora em alguns momentos, devo ressaltar aqui que o livro traz alguns gatilhos que tomei por cuidado para não soar como spoiler, há cenas de estupros e muitas outras misérias que acometem a convivência humana quando instalado o caos ou não.

José Saramago consegue trazer uma discussão muito atemporal que é a cegueira em suas várias formas, sendo palavras do próprio narrador que para nós se traduziu em alguns ditados muito populares como em terra de cego quem tem olho é rei – aqui destaca-se o valor da visão sea ela a propriamente dita ou vestida de metáfora-, pior cego é aquele que tem olhos e não quer ver- aqui a crítica é para todos que podem melhorar sua condição humana e sua contribuição individual para uma sociedade melhor, mas por algum motivo não enxerga ou não quer enxergar as ferramentas para o trabalho, ou também aquela pessoa que vive de criar expectativas ou que só vê o que lhe é conveniente de alguma forma. A temática nos chama para prestar atenção nos diversos tipos de cegueira, pois ficou claro que depois de estabelecido o caos, os outros sentidos são de mínima ajuda para um alguém que a cegueira pegou de assalto.
Como o autor disse certa vez sobre seu livro, já estamos todos cegos.

Minha contribuição é apenas um conselho. Uma das melhores formas de se evitar a forma metafórica da cegueira que o autor quis mostrar é com conhecimento e pensamento crítico, se você for capaz de construir suas próprias ideias a partir de todo tipo de conhecimento que você venha a absorver, isso será muito útil para manter sua visão segura, leia, vá aos teatros, museus, estude, viaje se puder, assista aos jornais, dê mais opções à si mesmo, saia da sua zona de conforto, mantenha seu cérebro com constantes sinapses, evolua seu entendimento sobre si mesmo e sobre o meio no qual você está inserido. Não se deixe cegar, não deixe de ouvir com imparcialidade e não se deixe calar.

site: https://aestantecontato.wixsite.com/aestante/single-post/2018/01/23/Resenha---Ensaio-Sobre-a-Cegueira---Jos%C3%A9-Saramago
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Rafaela 24/01/2018

Frases que me marcaram
'"A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança."
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gauchenavida 11/01/2018

Foi um dos primeiros livros que me forçaram a tomar notas: vários trechos que me chamavam a atenção. Depois de terminado, é um livro que pede releitura: vários trechos misteriosos onde tudo é dado e quase nada é dito.
Como se o leitor também tivesse um certo grau de cegueira, Saramago brinca com o espaço e o sentido da obra... e o interior dos personagens: são todos imprevissíveis, tristes, egocêntricos e frios. Tem um certo existencialismo único: a vida é bela, mas o homem pós-moderno, que se cega para os outros, pode foder tudo quando menos se espera. Enfim, é uma das maiores loucuras e um dos livros mais pesados que li. Não indicaria para deprimidos diagnosticados nem esperançosos.
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Bis 06/01/2018

É uma
Bosta
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Gladston Mamede 04/01/2018

Seria possível dizer que o "ensaio sobre a cegueira" diz respeito a uma epidemia que deixa as pessoas cegas (elas veem tudo branco). Mas é muito mais e, justo por isso, é bárbaro. A cegueira dos olhos (a epidemia) permite a Saramago escrever um ensaio sobre a cegueira do espírito: cegueira ética, cegueira moral, cegueira das implicações de nossos atos, tornando-nos tragicamente egoístas e imediatistas. Um dos grande livros da minha vida.
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Sarah 26/12/2017

Incrível! Mudou minha vida
Ensaio Sobre a Cegueira é uma história sobre empatia.

A cegueira branca ocorre a um homem no trânsito e, ao longo da história, acomete a várias outras pessoas e chega a contagiar toda a cidade... exceto a uma mulher. A cegueira modifica todas as relações já estabelecidas e subverte a ordem das coisas: relações interpessoais, propriedade privada, Governo, abastecimento de comida, energia, água etc. A cidade vira um caos e a falta de organização aflora o lado ruim das pessoas. Saramago é genial, simplesmente genial, em ter escrito a história de modo que o leitor possa acompanhar o desenvolvimento de todas as ações sucessivas e a mudança dos personagens, que se mostram capazes de fazer muito mais do que esperavam.

A lição sobre empatia me impactou bastante e me vejo no dia a dia me perguntando: o que a mulher do médico faria se estivesse no meu lugar?

Saramago não deu nenhum nome aos seus personagens e em vários momentos os cegos questionam a sua própria humanidade - às vezes se auto descrevendo como animais, outras como meio mortos. É uma história impactante e muito bem escrita. Entrou para a lista de livros favoritos que marcaram a minha vida e recomendo fortemente a todos!
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Marise 21/12/2017

"já éramos cegos no momento em que cegamos"
José Saramago, em seu livro Ensaio sobre a cegueira, situa o leitor diante da complexidade do deslumbramento moderno: a opacidade do excesso imagético. Por conta disso, utiliza a imagem da cegueira branca como forma de sintetizar a descomedida e multicolorida experiência cotidiana do mundo moderno como causa para essa luminosidade que cega, como se o excesso de cores, coisas, seres, imagens e sensações ocasionasse uma impossibilidade de olhar verdadeiramente para a luz de cada uma delas. O autor enfatiza, em diversas passagens (a exemplo da epígrafe), a diferença entre a cegueira comum, que oculta a luz dos olhos, e essa cegueira branca, que surgiu como epidemia e causa uma espécie de brancura nos olhos, como se estivessem diante de um mar de leite. Nesse sentido, o autor aloca a cegueira não como uma impossibilidade de ver causada pela falta de luz, mas como a dificuldade de olhar para as coisas devido à luminosidade excedente.
A trajetória dos personagens é caótica e insólita: a partir da cegueira começam a se ver diante de episódios de degradação e de abandono, em condições mortificantes que se tornam desastrosas e colocam as peculiaridades do ser humano em questão a todo o momento. Vivemos o horror junto com eles, nos tornamos o olho que vê na terra de cegos e, por isso, ler este livro é, sem dúvidas, passar por uma experiência brutal.
Apesar de ser a única personagem que continua vendo, o modo como a mulher do médico enxerga as coisas ao seu redor se modifica ao longo da narrativa, enfatizando ainda mais a ideia de que ver é um ato que transcende a própria visão, sendo assim, algo muito mais complexo do que isso. Ademais, os próprios cegos criam novos métodos para ver, seja através do tato, em suas inúmeras tentativas de se localizarem a partir das mãos, que estão sempre à procura do ambiente seguro e do apoio, seja do olfato, que os avisa sobre as sujidades dos locais por ondem passam ou sobre a comida, seja da audição, já que passam a reconhecer uns aos outros e ao mundo pela voz, pelo ruído, pelo altifalante e pelo rádio.
A cegueira branca funciona como uma abordagem que busca problematizar a excessiva coloração imagética da modernidade, já tão bem trabalhada pelo modernismo português, e, agora, colocada em questão por José Saramago. A experiência moderna é tão difusa, multicolor, excessiva, que causa, aos poucos, a impossibilidade de ver realmente, de se enxergar uma verdadeira luz na realidade. E, nesse sentido, a leitura nos faz refletir sobre o que vemos, sobre nossa necessidade de sermos vistos, sobre o caráter dialético da visão, além de nos fazer repensar novas formas de enxergar o que está diante de nossos olhos, mas que muitas vezes o excesso de visão nos impede de ver de forma fidedigna.



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