Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Fran Kotipelto 04/02/2011

Little white shadows sparkle and glisten

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago.

Ensaio Sobre a Cegueira conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

O foco principal do livro não é de maneira nenhuma tentar desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado,fazendo com que a os afetados pela epidemia mostrem aquilo que no fundo no fundo todos os seres humanos são: "tremendos filhos da puta".

Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente,voltando a perceber como é doce e suave o cheiro da chuva,o quão valioso é um abraço sincero em um amigo,o sentido de viver em grupo,um mundo cego,porém altruísta,onde chorar não é vergonha,ter medo é uma dádiva,e viver é mais humano.Distante da rotina vagabunda de um cotidiano medíocre que nos habituamos a viver infelizmente.Mas que graças à José Saramago,a cegueira nos fez enxergar!
Alan Ventura 04/02/2011minha estante
O título seria de White Shadows do Coldplay?


Luh Costa 10/02/2011minha estante
Querida, sua resenha está belíssima.
Adoro o Saramago e tenho muita vontade de ler esse livro, depois que li sua resenha a vontade de ler aumentou!
Continue assim.

Abraço


Fran Kotipelto 11/02/2011minha estante
é sim,White Shadows. =)


Jow 14/02/2011minha estante
"O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter."

Belíssima constatação, belíssima resenha!


Gláucia 06/03/2011minha estante
Adoro esse livro, é dos meus preferidos e essa resenha está à altura da beleza da obra. Belas palavras, linda descrição.


Lore 07/10/2011minha estante
Concordo com tudo o que você disse.
Li o livro e agora é um dos meus preferidos.A única coisa ruim foi eu ter assistido o filme antes de ler o livro ,o filme não chega aos pés do livro,mesmo com a atuação de Julianne Moore.


Fernanda 16/05/2012minha estante
Ótima resenha sobre este livro!


GPSLopes 13/09/2012minha estante
O negócio da adaptação é que esse livro é do tipo que não pode ser adaptado, por isso o filme, apesar de ótimo, de jeito nenhum é tão maravilhoso quanto a obra de Saramago.


Don 13/01/2013minha estante
Ainda que talvez não( ainda que sim, esteja) clara, vivemos em uma época carente de humanidade, em uma espécie de "apocalipse zumbi", onde o vírus denominado capitalismo contagia o homem com uma espécie de doença furiosa, onde o homem mata, trai, engana, mente, destrói e o objeto dessa luta feroz, o alimento pelo qual o homem luta é o dinheiro. Por isso essa identificação e o porquê dessas histórias onde em um mundo destruído em que os homens deixados a seus puros instintos animais buscam encontrar a sua "humanidade"! O livro é magnífico, porque sim, isso é algo que como o mundo busca, eu busco e tanto me fascina.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E api abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.


Teco 11/02/2013minha estante
Ensaio Sobre a Cegueira: É T.F.D.P., CBJR. Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar. "Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, *variáveis são as variações e não evolução / mas que passem a diversidade enriquecedora sem esquecer de um essencial que assim os faz, que vem, comcerteza, de estágios de bondade e paz, boa comunicação e energia.



Fah 03/10/2013minha estante

Achei que foi muito horror, muito mais horror do que crítica.
Horrores temos cotidianamente.


newton 11/05/2014minha estante
Fran, comprei este livro hoje. Sua resenha é qualquer coisa de "perfeita" e graças a ela me sinto mais encorajado ainda para iniciar a leitura.


Crisinha 04/07/2014minha estante
Gata sua resenha me fez ter o desejo desesperado de ler esse livro custe o que custar.! obrigada!


Cláudia Matta 25/01/2015minha estante
Eu sofri demais.




Radige Hanna 05/06/2011

Crítica sobre o livro: Ensaio sobre a cegueira.
Horrível!
Foi uma grande decepção ler este livro.
Estou espantada de como tantas pessoas conseguem elogiá-lo!
No início a história parecia interessante, mas a medida que fui explorando mais páginas ela foi se tornando extremamente fantasiosa e ridícula.

Já li outro livro de José Saramago que gostei muito:
"O conto da ilha desconhecida". Este eu recomendo.

Mas não recomendo Ensaio sobre a cegueira... quem quiser ler e tirar suas próprias conclusões fique a vontade, mas se você tiver um grande senso crítico como tenho acredito que não vá gostar.
(Corrigindo: se tiver um sendo crítico parecido com o meu. Não desmereço o senso crítico dos outros, afinal, cada um tem sua interpretação das coisas).

Aí podem me perguntar: "Se não gostou porque não abandonou a leitura?"
Porque por pior que seja o livro quando eu começo vou até o final.
Pois tem uns livros que até as últimas páginas acho ruim e quando chega próximo do final a história faz uma volta completa que me faz achar incrível.
Por isso independente do que estou achando durante a leitura do livro vou até a última página, e se não gosto - como detestei este - tenho como dizer que o livro é ruim até a última página!


Autora da Crítica: Radige Hanna.
Guga 17/11/2010minha estante
Horrível? Por que? O que não te agradou? A narração, a estória, ou você não entendeu a metáfora? Você tem senso crítico? Será que as pessoas que escolhem o Nobel não têm senso crítico?



Radige Hanna 18/11/2010minha estante
Eu entendi a metáfora, mas achei muito mal feita e exagerada.
Não importa se ele ganhou Nobel ou não, o que me faz dar esta opinião é o que eu li e achei dele.
Foi uma metáfora mal feita e fantasiosa demais.
Uma 'cegueira' que vem do nada e vai embora do nada sem nenhuma explicação não tem lógica, e mesmo histórias fantasiosas para mim tem que ter um sentido, uma razão de acontecer ou um fim que finalize a história ponto um sentido em toda ela.



Guga 18/11/2010minha estante
Que pena que você não gostou. Mas recomendo que leias outros do autor.


Radige Hanna 18/11/2010minha estante
Eu li 'O conto da ilha desconhecida' e gostei bastante dele.

Na crítica que eu falei aí em cima eu escrevi errado, em vez de perdida(que é o que escrevi) é desconhecida.


Arrieiro 21/11/2010minha estante
Respeito sua opinião. Pensei o mesmo quanto ao livro "O Monge e o Executivo" - estória desnecessária para ilustrar um ponto que poderia ser tratado de forma mais direta.

Há uma frase na sua crítica que incomoda: "[...] senso crítico como [eu] tenho[...]". Se posso sugerir, pondere sobre o fato de que duas pessoas com pleno senso crítico podem divergir completamente em suas opiniões. Ter uma opinião diferente não diminui a capacidade interpretativa de nenhum dos dois leitores - sua ou do outro.

Quanto ao livro, acho uma ótima leitura. Nós vivemos, hoje, o que foi a ficção há poucas décadas atrás. Você está cientificamente equivocada quando pensa que doenças não surgem e desaparecem "do nada". Houve uma época em que não havia conhecimento médico e ainda sim a espécie humana sobreviveu; olhe para os animais e perceberá que adoecem e se curam espontaneamente; leia as pesquisas sobre placebos e perceba pessoas se curando com remédios feitos de açúcar (sem qualquer princípio ativo). Uma doença que afete a visão das pessoas, não nos olhos, mas nas terminações nervosas, seria plenamente possível. E é justamente a criatividade do autor de imaginar uma cena completamente externa à realidade mas plausível que torna o livro interessante.

Acho que o que mais te incomoda no livro é a falta do personagem-deus. Aquele personagem, ou o próprio narrador, que explica tudo, muito comum na literatura e nos cinemas (lembra dos intermináveis discursos dos vilões? risos). Porém, a vida não é assim - não há explicação conhecida para tudo o que ocorre ao seu redor - e a arte está se adequando a essa sensação de falta de explicações ou de propósito presente na perspectiva dos ateístas, como foi Saramago.

Porém, o que é mais plausível no livro, é a narrativa das reações das pessoas: perceba a clareza como o livro trata de questões éticas como a liderança (quando o médico recusa a liderança, permite que uma pessoa moralmente menos adequada assuma o comando) o julgamento de valores (quando matar um indivíduo não se trata de um assassinato? Até que ponto uma pessoa privilegiada tem a obrigação de colocar-se a serviço do próximo, abrindo mão de seus propósitos pessoais?) - tudo só seria possível em um cenário caótico.

Um grande abraço, com todo o respeito.

Ótima leitura

(PS: eu odiei "O SEGREDO" e não tenho a menor idéia de como podem elogiá-lo! risos)


Radige Hanna 21/11/2010minha estante
Fazendo uma pesquisa sobre o que você disse sobre as doenças que podem surgir do nada, até certo ponto eu concordo com você.

Mas uma interpretação sua do que eu disse eu não concordo: O que senti falta no livro não foi da figura de um Deus que explica tudo - porque eu acredito mais no poder da ciência do que no de um suposto poder maior - senti falta de um nexo na história que eu achei fantasiosa demais.

E eu concordo com você, o fato de alguém gostar ou não - desde que seja um motivo pessoal de interpretação - NÃO desmerece a opinião da pessoa como sendo inferior.
E a minha intenção quando eu disse "Tendo o grande senso crítico que tenho" não foi essa. Minha intenção foi dizer que tendo a interpretação crítica que EU tive, também não deve gostar do livro.
Mas desde que seja plausível, eu não desmereço a opinião dos outros.

PS: Eu também achei o livro "O Segredo" ilusório demais... com essa teoria de que basta pensar que consegue que a pessoa conseguirá, no dia-a-dia não é bem assim que funciona né.


Arrieiro 23/11/2010minha estante
Sim, claro.

O personagem-deus não é um DEUS de fato, mas algum dos personagens ou o próprio narrador que conhece todos os fatos e todos os pontos de vista e que, com este conhecimento, explica ao leitor todos os fatos da narrativa.

Vou dar um exemplo: Morpheus no filme MATRIX é constantemente confundido com um personagem-deus, porque ele sabe o que é a Matrix e o que é o mundo real (ou pensa que sabe) e, por meio de seu diálogo com o Neo, explica para o espectador o enredo do filme. (eu digo que ele é quase um personagem-deus porque ele, na verdade, não sabe o que é o mundo real.)

Nesta obra de Saramago, não há um médico, neurologista, espiritualista nem ele próprio, como narrador, explica o surgimento ou o ciclo da doença que atinge aquela população. Não explica a extensão ou o meio de contágio. Não explica o comportamento das pessoas; apenas o descreve. Enfim, o leitor sabe tanto quanto qualquer outro personagem; claro, com a única diferença que o narrador explora, um pouco, o pensamento dos personagens - o que só podemos inferir na vida real.

Ótima leitura.


Radige Hanna 24/02/2011minha estante
Arrieiro.

E é justamente neste ponto que você disse agora, e que se desenvolve o livro, que EU não gostei.

Para mim tem que ter um motivo por trás do surgimento das coisas e uma doença que não tem a menor explicação é ridícula e fantasiosa.
E não só a doença mas o modo como as coisas se desenvolvem e a linguagem que ele usa para descrevê-las não me interessou.

Se você gostou(como muitas outras pessoas) que bom para você, mas eu não gostei e não recomendo.


Sergio Carmach 24/05/2011minha estante
Oi, Radige. Cheia de opinião você, hein! Legal, gosto disso! Tem gente que só sabe repetir o senso comum e não diz nada de novo quando se mete a avaliar algo. Já você tem a capacidade de falar por si. Eu também não achei esse livro as mil maravilhas. Na verdade, tenho certa pinimba com os livros do Saramago, pois acho horrível a forma como ele escreve, colocando os textos em blocos únicos e usando mal a pontuação. Porém, quanto à história em si, acho que ela deve ser interpretada sob um prisma filosófico. Talvez assim você até comece a ver sentido nela. Se tiver paciência, dê uma olhadinha na análise que fiz do livro em meu blog http://sergiocarmach.blogspot.com/2011/01/reflexoes-sobre-cegueira.html .


Radige Hanna 03/09/2011minha estante
Não gostei do modo como ele elaborou a crítica, existem várias maneiras de dizer a mesma coisa. Não me interessou o modo esdrúxulo como ele expõe a narrativa e a solução final para a grande cegueira não me convenceu.

A mensagem que ele quis passar é interessante, mas não o modo como ele a passou.


Alessandro 01/10/2014minha estante
Parabéns pela coragem em criticar Saramago! É difícil encontrar vozes dissonantes em relação a obra dele.
Eu também odiei o livro: muito pessimista, cheio de alegorias apenas para mostrar como o capitalismo é malvado e o comunismo é a solução para todos os males.
Mas fui até o final e estou escrevendo uma resenha que provavelmente irá chocar os admiradores do velho comunista hormonal.




Taryne 12/11/2010

Inquietante, claustrofóbico, genial. Este livro revela todas as faces humanas, mostra o que há de mais podre no ser humano. Gera uma reflexão assustadora sobre o que aconteceria se um caos como o "mal branco" se instalasse no mundo, o que de fato aconteceria se de uma hora para outra uma epidemia de cegueira surgisse? Ou será que já somos cegos que podem ver e ainda não nos demos conta disso?

Durante a leitura, nos imaginamos cegos, perdidos, famintos e imundos. Não somos mais nós mesmos, mas aqueles personagens sem rosto, sem olhos, sem nomes. Aflição, falas misturadas... Se trata de uma narrativa poderosa e necessária, onde nos sentimos completamente dentro da história. Meu momento favorito foi o banho das três mulheres, pois pude sentir todo o alívio e compaixão delas.

A escrita de Saramago, criticada por muitos, não me incomodou nem por um segundo, para mim, só ajudou a expressar toda a angústia e asfixia presentes na obra.

Me vi tão conectada com história, tão absorta naquele universo, que a leitura fluiu perfeitamente. Talvez isso se deva ao fato de já ter lido outros livros com a mesma urgência de "Ensaio sobre a Cegueira", como os contos do Caio Fernando Abreu e "As Meninas", da Lygia Fagundes Telles. Você, que está fugindo desse livro por conta da falta de parágrafos e travessões, faça um esforço! Não vai se arrepender.
Ruan 21/08/2010minha estante
Muito bom seu comentário, aprovadíssimo hehehe, ninguém deve fugir de um livro pela dificuldade de ler, eu jamais abandonei um.


Margos 11/02/2011minha estante
Claustrofóbico. AHAH, adorei.


re646 10/03/2011minha estante
adorei seu comentario
eu n vi nenhuma dificuldade em ler o livro e eu tinha 16 anos qdo li
axei super legal tbm


Luciana 17/04/2011minha estante
Aluguei o filme e fiquei paralisada, sem piscar, indignada, perplexa! O filme é muito forte mesmo e agora quero experimentar a leitura do livro.
A resenha está ótima!!!!


Tassiane 07/06/2011minha estante
depois de ler a sua resenha, fiquei mais inquieta para ler o livro. Meus parabéns!


Adimar 07/04/2012minha estante
Putz! abandonei o livro porque foi muito angustiante le-lo, a poucos dias assisti ao filme, mas realmente é uma obra prima...


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.




Gui 13/03/2018

Uma cegueira Moral
Um livro maravilhoso, incrivel com cenas tão fortes que você não vai conseguir ler todo sem pausar para respirar. Porquê essa é a sensação transmitida ao leitor. Uma angústia causada pela falta de humanidade. Um mundo onde cães darramam lágrimas e as pessoas se devoram. Um nível de brutalidade indescritível. E você, o que faria se despertasse em um mundo apocalíptico onde a cegueira é a causa da destruição dos valores humanos. O autor trás personagens alegóricos, que pode ser aplicado a cada um de nós. Nesse mundo em que ruas não tem nome, não há um país específico. As pessoas são representadas por suas posições. A mulher do médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a prostituta, o ladrão, o médico, o jovem estrábico. Etc..., todos num mesmo lugar com a mesmo problema, a cegueira branca. Um livro que explora o lado mas obscuro do ser humano. Até quando as leis morais regem o nosso caráter. Até que ponto somos idôneos? Saramago trás atona um mundo onde o certo e o errado se fundem. E a racionalidade se esvai como uma artéria rompida violentamente.
Gui 13/03/2018minha estante
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Gui 13/03/2018minha estante
Esqueci de dizer que não há pessoas definidas. São personagens alegóricos. Não há ruas nem lugares específicos. A história pode se passar no Brasil ou no Japão. E a famosa citação" o pior cego é aquele que não quer ver!"


Rafael_POA 13/03/2018minha estante
Interessante, mas agora vou ter que esperar no mínimo 1 ano antes de ler, para dar tempo de eu esquecer os spoilers que VC mandou no áudio do Whats :(


Gui 13/03/2018minha estante
Nem dei spoilers, nem foi um min de áudio ?




Codinome 02/12/2017

Um pouco sobre "Ensaio sobre a cegueira"
José Saramago é realmente um grande escritor: reconheço isso nesse segundo livro que leio dele, anteriormente havia lido "Ensaio sobre a lucidez", esse que já vou colocar para ser relido em breve. Aqui venho falar sobre "Ensaio sobre a cegueira", um nome curioso, pois se trata de um romance, indo bastante além de um ensaio; talvez esse título já tenha algo de poético misturado com o português de Portugal.

A história gira em torno de uma série de pessoas que ficam subitamente cegas: por meio do primeiro cego ela vai se espalhando tal como uma epidemia. Uma cegueira diferente das outras, por ser toda branca, mas ainda sim uma cegueira tão ruim como qualquer outra. Ao se perceber isso, o governo junto com o ministério da saúde decidem colocar os cegos juntos em quarentena, em que, como diz o narrador, pode ser de 40 dias, 40 meses ou 40 anos. Essa falta de apreço e compaixão das autoridades é bem evidente, vamos compreendendo isso ainda mais ao longo da narrativa. A força armada representa sentimentos ainda piores em relação aos condenados pela cegueira branca.

Como diz uma das personagens, a esposa do médico, que é o único ser humano que se vê no livro que não fica cego: "descemos todos os degraus da indignidade, todos, até atingirmos a abjeção."

São várias as qualidades que Saramago traz com esse romance: primeiramente é a ótima ideia de mostrar um sociedade em que todos ficam cegos e como ela se comportará para viver, ou sobreviver, nessa condição. E como se não bastasse apenas uma ótima ideia, o retrato que ele faz de tudo isso é riquíssimo com sua ótima escrita, muitas vezes com um tom muito crítico e também seco, outras vezes com uma ironia finíssima e de uma poesia que consegue sobreviver.

A forma do conteúdo dispensa sinais de interrogação, travessão ou exclamação. É uma escrita corrida que se reduz no mínimo a pontos e vírgulas, em que as falas são marcadas pela maiúscula inicial e nada mais. É um formato muito experimental, mas acredito que muito comum em toda sua literatura, e que dá uma satisfação imensa de saber a língua portuguesa e poder ler algo tão bom.

Ótimo também aprender as palavras do português de Portugal, tornando a experiência mais rica. Uma leitura incrível, provocativa, perturbadora e cruel. Me fez lembrar de "A peste", de Albert Camus, que também retrata uma epidemia que destrói uma sociedade e como a sociedade lida com isso ou deveria lidar, mas parece que Saramago dá um passo a mais com essa problemática. Colocando um mau que não destrói definitivamente as pessoas, mas que as deixa em uma situação em que terão que reaprender tudo para terem uma vida digna. São com livros assim que a gente compreende melhor por que alguém ganha um Nobel de literatura.
Amanda 07/12/2017minha estante
Nossa esse livro é top! Gosto muito dele!


Codinome 07/12/2017minha estante
:) Que legal, Amanda! Foi o melhor livro que li esse ano.


Amanda 07/12/2017minha estante
Se tiver a oportunidade de ver o filme também, veja... É excelente!


Codinome 07/12/2017minha estante
Eu já vi também, infelizmente vi antes do livro. Mas é muito bom mesmo pelo que me lembro, pois faz um tempão que vi.




Margô 03/01/2017

Uma cegueira que vai além dos olhos
Demorei uns dias para enfim conseguir escrever/falar sobre ele, muito embora acredite que ainda não foram suficientes os dias corridos desde que terminei a leitura e este presente momento.

Saramago, neste livro, desnuda a alma humana, expondo como nós somos falhos e frágeis e, quaisquer simples mudanças – não tão simples na história – podem nos desumanizar. Ele nos desperta questões interináveis do começo ao fim do livro, nos faz sentir um turbilhão de sensações, desde empatia até mesmo à repulsa. Seres humanos que somos, acreditamos que em qualquer momento de fraqueza em massa podemos nos colocar acima de todos – e isto vem acontecendo com a humanidade sempre... não fica fora nesta narrativa.
O Ensaio Sobre a Cegueira não fala apenas de pessoas que ficaram cegas, atingidas pelo “mal-branco”, isto é apenas uma alegoria para todas as nossas cegueiras individuais, sobre como nos cegamos perante tantas coisas, tantas situações. Por que uma comunidade de cegos, alocadas em um manicômio nos causa tanto horror e repugnância? Como não nos sentirmos revoltados com o tratamento que é dirigido àqueles privados da liberdade apenas por terem sido, supostamente, contagiados? Como não nos enojarmos com como as mulheres são tratadas em determinada parte do livro? Cada lágrima, cada desespero que cada um daqueles internos passa, é nossa. Do leitor como criatura capaz de sentir empatia. Vemos criaturas transformarem-se, vemos uma redenção acontecer. Somos capazes de ver o que nossos olhos não veem, o que nosso julgamento nos faz ocultar por conveniência. Vemos que a prostituta, tão desvalida, tem um coração tão bom, tão grande. Vemos um gesto de bondade transformar-se em um ato de grande desumanização, mas, em contrapartida vemos este mesmo ser desumanizado retomar a sua humanidade. E não falo de “ver” como forma de frisar o tempo inteiro a ausência de olhos daqueles personagens que nem têm nome, mas porque a cegueira, como é sabida, aguça outros sentidos. E Saramago nos faz ver com o coração. Nos faz querer acreditar que há diversas formas de vermos de fato que não só com os olhos. Não escapa a ninguém a angústia de cegar, porque não escapa a nenhum ser humano a sua cegueira seletiva. Desde médico, ao mendigo. Desde donos de bancos, militares... todos eles cegos. De que vale suas riquezas se esta não pode dar-te novamente os olhos? Melhor, de que vale seu diploma e especialização em medicina oftalmológica se você, cego, não pode fazer ninguém ao seu redor voltar a ver, nem mesmo você?

Enfim, lutei muito em 2014 para fazer esta leitura, abandonei pelo estilo impresso da história (sem separação dos diálogos), mas agora em 2016 consegui brindar-me com este grande livro, fechando um ano de pouquíssimas, mas maravilhosas leituras.

Um livro recomendadíssimo a todos aqueles que conseguem ver com o coração, ou até mesmo para aqueles que ainda não sabem fazê-lo, talvez aprendam com a leitura.
Camila 06/01/2017minha estante
Já disse que arrasou, né?


Margô 06/01/2017minha estante
Olha, nunca é demais, heheh. o/


Crys 07/01/2017minha estante
Que nível! Belíssima resenha.


Margô 07/01/2017minha estante
Obrigada, Crys!




spoiler visualizar
Thais 03/06/2019minha estante
Depois dessa resenha eu fiquei com vontade de ler tbm, vou incluir na minha wishlist lol.


Rafael.Augusto 03/06/2019minha estante
Thais, vale muito a pena! Eu havia lido apenas O evangelho segundo Jesus Cristo desse autor e já me apaixonei, então minha expectativa para Ensaio sobre a cegueira era muito boa, e eu não me decepcionei de forma alguma. José Saramago passou a ser meu segundo autor favorito, agora quero ler tudo dele rsrs
Ps. Minha resenha foi bastante sucinta, mas eu precisava falar sabe!? Fiquei feliz que pelo menos algumas pessoas tenham lido, e mais feliz ainda em te despertar o desejo de le-lo! Espero que leia e, acima de tudo, que goste e tire algum aprendizado dessa obra!
Bom dia! ???


Thais 03/06/2019minha estante
Rafael, recentemente eu vi uma resenha desse livro no YouTube no canal da Tati, então eu já estava curiosa aí ontem eu li a sua resenha e só me convenceu de vez mesmo lol com certeza vou ler, já inclui na minha listinha aqui. Obrigada pelo incentivo. Bom dia


Rafael.Augusto 03/06/2019minha estante
Bacana Thais! Somos realmente abençoados por esse universo maravilhoso que é o universo literário! Boas leituras ;-)




João Luiz 19/07/2017

Uma cegueira repentina transforma toda a vida de uma cidade. Levados para uma quarentena, as primeiras vitimas desse mal irão passar os maiores horrores possíveis. Um livro impressionante, comovedor, que nos faz refleti sobre diversas questões. Único detalhe é que foi mantida a ortografia vigente em Portugal, nada que atrapalhe a leitura. Um livro que todos deveriam ler!
Alcione 19/07/2017minha estante
Linda resenha.Parabens.Essa foi a dificuldade que tive com O homem duplicado.Mas o talento dele vale a pena.


João Luiz 20/07/2017minha estante
Muito obrigado! Pois é, esse foi o primeiro livro que li dele, em algumas palavras eu travei um pouco. Mas da pra ler! kkk


Alcione 20/07/2017minha estante
Também tive dificuldade. Mas quando se acostuma à falta de parágrafo,pontos,dialogos...aí flui.




Mila.Mesquita 26/04/2018

Real...
Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não veem.?


Através de uma cegueira física, Saramago ilustra a cegueira da nossa própria alma.
A História retrata o egoísmo do ser humano e sua capacidade de machucar outras pessoas, vemos o ser humano "pedindo" favores em troca de "atos de generosidade". Nos faz perceber como um mundo sem esperança, sem respeito ao próximo, sem uma reflexão em nossas atitudes, nossos gestos,isso sim, nos faz cegos.
É algo delicado para se encontrar em um livro, mas mostra a verdadeira essência humana.
Estou nunca ressaca incrível.

Um dos melhores livros que li na vida. Sensacional!
Andresa 26/04/2018minha estante
Show! Quero muito ler!


Charlene 26/04/2018minha estante
Uma amiga levou muiiito tempo pra se recuperar dessa leitura!


Mila.Mesquita 02/05/2018minha estante
Lee é incrível a forma descrita por saramago e estou encantada quero ler tudo desse autor agora. Kkkk
Ps: mesmo sendo pesado alguns pontos, foi um tapa na cara a realidade vivida hje de certa forma( e uma obra q é da época q nasci, rs).
Leia acredito q irá gostar.


Char ia pegar para ler algum clássico, mais só consigo ler livros de romance e q sejam mega fluidos de como a história me pegou.




Alan Martins 05/11/2017

Sem se fingir de cego sobre os pontos negativos
“[…] mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos” (SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. Companhia das Letras, 1995, p. 243)

Em termos mundiais, o português não é um idioma cultuado, nem valorizado. Isso influencia a literatura, com autores lusófonos pouco conhecidos em países que falam outras línguas. Existem algumas exceções, como José Saramago, único autor, escrevendo em língua portuguesa, a vencer um Prêmio Nobel de literatura. Seu livro mais conhecido, ‘Ensaio sobre a cegueira’, é uma história pós-apocalíptica, com grandes debates filosóficos sobre ética e uma humanidade sem regras.

UM CRÍTICO DA IGREJA
Antes de atingir o sucesso literário, o português José Saramago trabalhou como serralheiro e funcionário público. Seu primeiro romance, ‘Terra do pecado’, foi publicado em 1947, aos 25 anos. Voltou a publicar apenas em 1977, com ‘Manual de pintura e caligrafia’, e desde então criou uma vasta obra, até sua morte, em 2010.

Foi um cidadão de grande engajamento político, um membro ativo do Partido Comunista Português. Foi, também, um grande crítico da igreja Católica. A tensão entre o autor e a instituição religiosa aumentou após a publicação do polêmico livro ‘O evangelho segundo Jesus Cristo’, que apresenta um Jesus humano, com desejos humanos e não como o filho de Deus. Saramago teve que deixar Portugal e ir viver nas Ilhas Canárias, devido à enorme pressão e vontade de censura que a igreja estava exercendo sobre o governo português.

Deixou um grande legado para os escritores da língua portuguesa, levando o idioma ao reconhecimento mundial, mostrando que o povo lusófono é capaz de contribuir, e muito, para a literatura.

“[…] se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar” p.84

UMA EPIDEMIA DE CEGUEIRA
Logo na primeira cena, já temos ideia de como o livro será. Com o carro parado, esperando a luz verde do semáforo acender, um homem fica cego e entra em desespero. Não é uma cegueira comum, ele vê tudo branco, não o breu. Há um surto de cegueira, que logo se torna uma epidemia. O governo precisa tomar alguma providência e decide criar zonas de quarentena. Nossos protagonistas não nomeados (o narrador se refere a eles por suas características físicas, ou por suas respectivas profissões, ou pelo estado civil) se encontrarão em uma dessas zonas, fortemente guardadas. Temos um cenário pós-apocalíptico, com muita destruição — física e moral —, assim como tempos de grandes dificuldades.

Como seria o mundo se ninguém pudesse enxergar? Como as pessoas agiriam? Haveria organização? Ética? Regras? São questões que Saramago discute ao longo da narrativa, com grande maestria e, às vezes, com humor negro. Ele não tem pena das personagens que criou. O ritmo é constante. Desde a abertura até o final, o livro apresenta cenas que chocam, parece que a desgraça dos protagonistas nunca para de crescer. Algo positivo, que deixa a leitura menos monótona.

Cada leitor interpretará o romance de uma forma diferente. É um texto muito metafórico, com os fatos funcionando como símbolos. O que a cegueira significa, afinal? Talvez represente a humanidade fechando os olhos para os problemas do mundo. Ou, talvez, represente a falta de ética que assola a sociedade moderna. A interpretação é de cada um. Leitura que nos faz pensar sobre o bem e o mal, em como podemos nos assemelhar a animais em situações extremas, viver sem pudor, na sujeira. Não é um livro fácil, mas um que nos faz refletir sobre a vida.

“[…] a alegria e a tristeza podem andar unidas, não são como a água e o azeite […]” p. 67

NO MEIO DESSA CEGUEIRA, AVISTEI PROBLEMAS
Não é só porque o autor venceu um Nobel que ele fica livre de críticas. O enredo é bom e reflexivo, inteligente, porém, a forma na qual é narrado não é muito amigável. O narrador já sabe de tudo, ele fala sobre algo que já ocorreu, não vai desenvolvendo a história junto ao leitor. Frases do tipo, “mas falaremos sobre isso adiante”, são pouco animadoras. É uma análise feita sobre fatos passados, essa é a impressão que dá.

Trata-se de um escritor português, que utiliza a maneira de escrever de Portugal. Muitas palavras são diferentes entre o português do Brasil e o de lá. Isso não atrapalha, é compreensível, mas causa estranheza em alguns momentos (considero nossa maneira de escrever muito mais bonita). Todavia, a estrutura do texto é incomum, essa pode atrapalhar. Saramago não pontua os diálogos, eles estão enfiados dentro das orações, sabemos que é um diálogo porque o narrador explica e pelo uso de maiúscula. Isso faz com que a leitura não flua tão bem, ao menos para quem não está acostumado.

O autor subestima a inteligência e a capacidade interpretativa do leitor em certas passagens, com explicações óbvias e desnecessárias sobre o que está ocorrendo na história. Há o uso do recurso deus ex machina, apresentando soluções pontuais, que caem do céu sobre o colo dos protagonistas. São soluções que tiram o brilho da narrativa, pois aparecem apenas para que a história continue, ao acaso, sem uma explicação.

Existe um debate sobre o bem e o mal. Há os mocinhos e os malvados. Os mocinhos são críveis, não são perfeitos, apresentam seus defeitos, como todo ser humano. Mas os malvados, esses são um retrato caricato da maldade. Apenas fazem o mal por fazer, já que o mundo do enredo está sem regras, nada irá impedir seus atos. São antagonistas que causam nojo, apenas, não são vilões que possuem um outro lado que não o mau.

Pode-se criticar algumas escolhas de certas personagens, que não fazem muito sentido, já que uma adversidade poderia ser resolvida muito antes. Como a parte em que uma das protagonistas encontra uma tesoura (que, por acaso, surgiu na história). Ela poderia tê-la usado muito antes para resolver um problema, entretanto, Saramago resolveu que não, e quando o utensílio entrou em ação, foi de maneira menos impactante.

Falando em ação, há pouca nesse livro, não é ruim, mas deixaria a história mais empolgante. As divagações do narrador cansam um pouco. E por fim, o enredo é um pouco previsível (os atos dos malvados se encaixam aqui), chocando muito mais do que surpreendendo.

“Provavelmente, só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são” p. 128

SOBRE A EDIÇÃO
Este é um livro editado pela Companhia das Letras desde 1995. Não houve muita mudança na parte física. Capa comum, com orelhas, brochura, miolo em papel Pólen Soft e boa diagramação (margens largas, mas com pouco espaçamento entre linhas). Sem erros ortográficos, o que faz sentido, muitas revisões foram feitas após vinte anos da primeira publicação. A imagem da capa é simples, mas representa bem o enredo, a forma em que os relevos estão espalhados. A cor branca faz boa alusão à cegueira branca.

“[…] diante das adversidades, tanto as provadas quanto as previsíveis, é que se conhecem os amigos” p. 107

CONCLUSÃO
Saramago é um autor de inegável talento. Sua visão sobre um mundo sem regras é perspicaz, nos fazendo refletir sobre a sociedade e sua ética. A desolação desse mundo é ricamente detalhada, mostrando um inferno na Terra. Protagonistas muito bem construídos. Os pontos negativos atrapalham, com uma estrutura textual estranha, mesmo que essa seja uma característica do autor, além de uma linguagem muito formal em situações onde isso não se encaixa. Leitura interessante, mas um tanto quanto cansativa. Vale a pena conhecer esse grande autor, mas, dificilmente colocaria este como um dos melhores livros do mundo.

“Como está, senhor doutor, é o que dizemos quando não queremos dar parte de fraco, dissemos, Bem, e estávamos a morrer, a isto chama o vulgo fazer das tripas coração, fenómeno de conversão visceral que só na espécie humana tem sido observado” p. 41

Minha nota (de 0 a 5): 3,5

Alan Martins

P. S. O livro foi adaptado para o cinema em 2008, com direção do brasileiro Fernando Meirelles. Saramago não queria vender os diretos de sua obra para uma adaptação cinematográfica, mas acabou cedendo, e até gostou do resultado final.

Visite o blog para mais resenhas, poemas e psicologia.

site: https://anatomiadapalavra.wordpress.com/2017/11/05/minhas-leituras-41/
Damares H. 05/11/2017minha estante
Gostei muito de tua resenha;já assisti o filme...não li o livro ainda, mas estou curiosa,pois gosto de comparar minha opinião com outras.


Alan Martins 06/11/2017minha estante
Me disserem que o filme é bem fiel, eu não assisti ainda. Leia, se você gostou do filme, então vai se identificar bastante com o livro. Só esteja atenta para a linguagem, diferente, e a estrutura textual, um pouco difícil.
Obrigado, fico feliz que tenha gostado!


Damares H. 06/11/2017minha estante
??




Ju 12/01/2014

Ensaio sobre a cegueira
Eu não tenho nenhuma formação em literatura. Acredito que, no caso específico de falar sobre esse livro, tal formação seria útil. Claro, eu poderia pesquisar sobre Saramago na internet antes de fazer a resenha. Mas não é essa a proposta do blog. Gosto de falar simplesmente da minha experiência como leitora, e dessa vez não será diferente.

Estranhei bastante a estrutura do livro no início. O autor usa a pontuação de um modo peculiar. Diálogos, às vezes diálogos longos, são colocados no meio dos parágrafos e só contam com vírgulas para separá-los - as vírgulas são colocadas tanto no meio da frase de uma personagem, quanto para separar a fala de uma pessoa e de outra. Levei um certo tempo para me habituar, e claro que essa estrutura demanda mais atenção que o normal na leitura, mas no fim deu tudo certo, e eu consegui ler como se houvesse travessões.

Em Ensaio sobre a cegueira, um homem perde a visão de repente enquanto espera o sinal abrir. O caso logo dá início a uma epidemia de cegueira. As pessoas atingidas são colocadas em quarentena, separadas do resto do mundo. Quem conviveu com os cegos também é isolado. As condições em que essas pessoas precisam viver são completamente absurdas. Ninguém aceitaria se aproximar delas, então são alojadas em um antigo manicômio, em que caixas de comida são colocadas algumas vezes ao dia (pelo menos isso deveria acontecer). Não existe ninguém para auxiliá-los nas necessidades mais básicas, ou para limpar o lugar. Os cegos também são avisados de que não serão fornecidos remédios de qualquer espécie, nem socorro médico em emergências. Eles mesmos devem se organizar como acharem melhor.

"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais."

No meio de tantas pessoas que não conseguem enxergar, uma mulher finge ter sido atingida pela epidemia para poder acompanhar o marido, o médico que atendeu o primeiro cego. É pelos olhos dela que vemos todos os seres humanos perderem a humanidade pouco a pouco, se renderem a seus instintos animais e mostrarem o seu melhor ou o seu pior lado.

Gostei bastante da leitura, embora o livro tenha uns trechos bem nojentos. Quase vomitei em momentos nos quais essa única mulher que conservou a visão vomitou. As descrições são muito bem feitas e houve partes bem difíceis de ler, mas foi uma experiência de leitura diferente e super enriquecedora. Com certeza vou querer conhecer outras obras do autor.

"Se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."

site: http://entrepalcoselivros.blogspot.com.br/2013/12/resenha-companhia-das-letras-ensaio.html
Karinne 12/01/2014minha estante
Saramago para mim é o melhor autor brasileiro,sou apaixonada pelos livros dele e esse é o meu preferido. Realmente,a leitura dele é bem complicadinha,a primeira vez que li um livro dele fiquei totalmente perdida,mas agora já me acostumei.Quem não curte muito essa leitura complicada,super recomendo o filme que tem o mesmo nome do livro,muito impactante e bem fiel ao livro! Beijos


Juh 14/01/2014minha estante
Noossa eu amo o Saramago e este livro ( que ainda não li ) está na minha lista faz um tempinho!!!
Achei super interessante o tema central do livro, creio que é uma mensagem e tanto para a sociedade excludente que nós temos.
Outra coisa que me chamou atenção foi a estrutura do livro, acredito que seja um tipo de recado do autor ( O saramago adora fazer isso), já que ele vai retratar um mundo tão excludente e possamos dizer tão desorganizado, a escrita do livro não deveria ser diferente, uma forma de situar o leitor ao que ele vai encontrar no decorrer do enredo!!!
Amei de verdade!!!

Beijos!!!

meudiariojk.blogspot.com.br


Sarah 10/02/2014minha estante
Saramago é um dos meus escritores favoritos (se não o mais mais!). Ele tem mesmo um estilo de escrita único, ninguém consegue fazer igual. É sim uma leitura que demanda mais atenção, não é do tipo que se lê rapidamente. E esse estilo se mantêm em todos os livros dele.

Ensaio sobre a Cegueira é um livraço, eu amei. Tinha grandes expectativas com o filme, e achei que ficou bem bom. Você soube que, quando Saramago assistiu a premiére com Fernando Meirelles, até chorou de tanto que gostou? :)




Olana - @aleituradehoje 27/05/2018

Ensaio sobre o Ser Humano, eu diria...
Que coincidência cruel ler este livro justamente na semana do caos no Brasil. Seria cômico se não fosse trágico me ver como como uma cega dominada por cegos malvados. E daí a pergunta que não cala em minha consciência: Quem são os cegos malvados?

Saramago em seu premiado Ensaio sobre a Cegueira, apresenta um mundo que entrou em colapso, isto causado pela súbita “cegueira branca” da sociedade. A dificuldade em manter a “pseudo-ordem” em que vivem os seres humanos, aflora nos “doentes” seus instintos mais irracionais (ou mais humanos?) e transforma suas existências para uma nova ordem de sobrevivência.

O que inicialmente transcorreria como um simples acontecimento ou contratempo, Saramago converte, com maestria, numa descrição detalhista, cruel e (eu diria) verdadeira da alma humana. Saramago traduz nosso íntimo. Ele nos esmaga moralmente.

É nesse escrito que Saramago nos lembra que “É dessa massa que somos feitos, metade indiferença, metade ruindade”. É tão isso, tão isso... que mesmo sabendo, dói ler.
Saramago trata de questões de necessidade básicas e situações corriqueiras, que na sua história, ficam tão complicadas e intensas que as descrições assustam, chocam, revoltam... enojam. Em outros casos, a ocorrência causou-me uma tristeza tão profunda que não consegui segurar as lágrimas. Seres humanos reduzidos à nada, à meros seres rastejantes, humilhados, ignorados, esquecidos. E acho que o que mais me enlouqueceu em toda a leitura, é que não é só um livros. Quantos seres humanos vivem nessa condição descrita por Saramago e nós, obviamente cegos (porque a nossa total apatia e indiferença só se explica pela cegueira) não percebemos e não lembramos? Essa cegueira branca do livro, já nos atingiu. Só não sabemos. Como diz Saramago em seu fechar de página: Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem. Cegos que vendo não vêem.

Obviamente, é um livro que só se percebera sua grandiosidade lendo. O que eu posso fazer é dizer que deveria ser uma leitura obrigatória. E como diz @lidosdalu da leitura coletiva a qual participei para este livro: “Terminei! agora com licença, preciso ir ali na varanda gritar.”
Ozania.Martins 19/06/2018minha estante
Olá eu tbm li o livro nessa semana em meio caos,tive o mesmo sentimento que vc foi muito reflexivo. Tive vontade de fazer varios xerox e dar em mãos p que tds lê-sem . Em varios momentos da leitura eu derramei lagrimas penssando exatamente em como somos segos.....


Ozania.Martins 19/06/2018minha estante
null


Kelly.Mattos 10/07/2018minha estante
Você conseguiu verbalizar emoções vividas durante a experiência desta leitura. Grande livro, muita emoção!




Dri 15/02/2018

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
A obra aqui em destaque se inicia em um trânsito, ao abrir o sinal um carro continua parado, anunciando o início de uma cegueira denominada treva branca. Esta treva branca surgiu sem motivos aparentes, visto que o primeiro homem a cegar sempre enxergou muito bem e nunca precisou usar óculos. A partir daí muitas outras pessoas começar a cegar e as pessoas que estão em contato com estas, posteriormente também cegam. A cegueira se alastra fazendo o governo tomar medidas drásticas.
Aqui, a maldade humana chega a um nível extremo. “O senhor doutor é optimista, Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver, Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau [...].”
Detalhes que são relevantes citar para um melhor entendimento da obra são a falta de números nos inícios dos capítulos e falta de nomes de personagens. As junções destes dois itens corroboram para a sensação de cegueira se propagar para o leitor, visto que pode causar desconforto não situar-se dentro da leitura por não saber em qual capítulo a história anda ou não saber os nomes reais dos personagens. José Saramago busca trabalhar em sua obra questões que vão além da cegueira visual. Trata questões humanas como foco principal, como os humanos são, mesmo sem visão, maus por natureza. Como estes só pensam em seu próprio bem e ignoram as necessidades alheias, mas como contraponto apresenta a mulher do médico, que mesmo sozinha decide ajudar a todos que estão com ela, trazendo esta mulher como um fio condutor de esperança para a humanidade.
Jefinho 17/02/2018minha estante
Muito bem! Gostei!

A obra, realmente, é explendorosa..


Dri 18/02/2018minha estante
Realmente, é uma boa obra, mas quando os acontecimentos realmente bons acontecem a obra já está no fim hahaha. Por isso dei três estrelas.


Jefinho 19/02/2018minha estante
Entendo!




Lu Manzano / Leitura com pipoca 05/08/2018

Ensaio sobre a cegueira
Resenhar um livro de Saramago é tarefa complexa, pois tudo o que eu disser, parecerá banal diante da dimensão da literatura deste grande autor.
Acho que a frase deste livro que melhor traduz o sentido da história é essa, “ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra”.
Uma inexplicável epidemia de cegueira, a qual chamam de cegueira branca, atinge uma cidade, o primeiro a ser contaminado por assim dizer, é um homem que está dirigindo no trânsito e de repente se depara com uma superfície branca, daí o nome, e pouco a pouco vai se espalhando. Alguns deles se encontram no consultório do Dr. oftalmologista, que também acaba cegando, a única a não cegar é a mulher do médico. O governo achando se tratar de um mal contagioso, começa isolar todos os cegos num sanatório desativado da cidade, onde passam a viver sob condições subumanas, sem comida, sem roupas limpas, água e etc… Nessas condições as pessoas vivem como animais realmente e se relacionam sem quaisquer resquícios de vaidade ou julgamento. Um dia depois de uma grande confusão acontece um incêndio e eles se veem livres dessa prisão. Há um grupo de personagens peculiares que permanecem juntos, porém o mundo lá fora já não é o mesmo...
Resenha completa no blog

site: https://leituracompipoca.wordpress.com/?s=ensaio+sobre+a+cegueira
Lary @momento_literario 10/08/2018minha estante
Resenha maravilhosa '-'


Lu Manzano / Leitura com pipoca 11/08/2018minha estante
Muito obrigada!


Lary @momento_literario 27/08/2018minha estante
:-)




Manu 14/07/2010

Pior cego aquele que não vê
Não gostei. Sensacionalista, caótico; o homem como o lobo do homem, essencialmente mau! Me deu ânsias...náuseas!
Guga 27/07/2010minha estante
Esse é o objetivo.


Ruan 21/08/2010minha estante
Pior cego aquele que não vê? o_O E eu achava que nenhum cego via LOL.... Pior cego é aquele que não quer ver =)

Como o Guga disse, essa é a intenção do livro, o lado animal do ser humano é revalado página à página, o livro é replete de detalhes justamente para chocar os leitores, deveria olhar o livro com outros olhos, é uma oportunidade fascinante imaginar um mundo como o descrito no livro e vivenciá-lo junto da personagem principal.


Manu 21/08/2010minha estante
O que agrada a alguns não necessariamente agrada a todos. Se assim fosse, viveríamos num lugar melhor, hã?!
Guardo, com todo respeito aos fãs elogiosos do livro e do Saramago, o meu direito de não gostar do que apeteceu à maioria. E ainda assim, sentir que fiz uma leitura bem feita. Não gostar não significa não ter lido, entendido e, de certa forma, apreciado!




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