Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Daniel.Schaefer 22/07/2020

TORNOU-SE MEU FAVORITO
Não havia época melhor para ler, do que no meio da pandemia, não é verdade? Deixo registrado que o li na metade de 2020 e que foi muito importante para mim.

Ensaio Sobre a Cegueira é um livro sobre os desastres acometidos pela humanidade, ao não estar preparada para uma avassaladora epidemia, onde as pessoas ficam cegas. Ninguém estava preparado para algo desse porte e o caos se estabelece entre todos. Temos os personagens definidos de forma que muitas vezes, a sociedade os reduz, como por exemplo "A Mulher do Médico" ou "O Ladrão de Carros", e esses personagens são extremamente bem construídos, especialmente A Mulher do Médico, que para mim é a melhor personagem da obra, e devo arriscar dizer, uma das melhores que já vi na Literatura. O questionamento dela, quando comete uma atrocidade (que não revelarei por motivos de não entregar a trama), é certamente a parte chave, fundamental da obra.

José Saramago tenta nos colocar sobre a pergunta "Mas e a nossa sociedade atual, já não estamos cegos?" Para quantos assuntos sociais nós estamos cegos? Pego como exemplo, o fato de termos enquadrado assuntos importantíssimos como a Sexualidade, reduzindo-o como se fosse uma pauta política? E quando nos deixamos cegar, concordando com essas opiniões? A respeito da quarentena atual, quantas vezes ficamos cegos perante atitudes alheias e principalmente, as nossas atitudes. E será que estávamos preparados para um isolamento? Pois é...

A cegueira é uma metáfora belíssima, e tratar do assunto de como o ser humano se comporta em uma situação extrema, é algo complicado ao meu ver. O escritor aqui faz de forma impecável. Tudo nesse livro é bem construído, e até a mudança nas regras gramaticais são como um deboche do autor, assim como uma certa licença poética, revelando o quão estamos regrados a todos os dogmas que nos foi ensinado.

OBRA GENIAL! Putz, não importa o gênero literário que você curte, leia esse livro. Porém devo te alertar, sobre dois gatilhos dentro do livro: abuso sexual e suicídio. É um livro pesadíssimo, e quem tem o mínimo de estômago, deve apreciar a obra como um todo. Ela se dispõe a mostrar de forma nua e crua, o que o ser humano é capaz, e das consequências do que ele não se prepara para enfrentar.

Se gostaram, segue no Insta, pretendo falar mais dela em breve: @escritordanielschaefer

site: https://www.instagram.com/escritordanielschaefer/
Carol.Cuofano 22/07/2020minha estante
Meu livro preferido da vida. A adaptação cinematográfica vale a pena ser vista, caso ainda não tenha feito


Dan 22/07/2020minha estante
Ótima resenha! ?????


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Ainda não assisti Carol, fiquei sabendo do filme depois que terminei o livro (ainda bem). Sei que foi esnobado nas premiações, uma pena, pois a obra literária ganho um merecido Nobel.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Vou correr assistir quando esquecer um pouco dele, para experienciar alguns eventos (especialmente os mais pesados).


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Valeu Dan


Sasaki 22/07/2020minha estante
Realmente um livro maravilhoso, me surpreendi quando li, se tornou um dos meus favoritos também


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Você pega o livro, já sabendo sobre a epidemia, o desastre. Mas aí vai lendo e ficando cada vez mais boquiaberto com os acontecimentos, com as filosofias dos personagens, e com a narrativa que possui muito suspense.


Amanda 22/07/2020minha estante
Depois dessa resenha quero muito ler, parabéns!!


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Aaaah tô tão feliz com seu comentário Amanda, sinal que devo investir nas resenhas, tenho muito o que falar sobre as coisas que eu leio, mas um pouco de timidez, sabe? kkkk' é a minha primeira resenha, então muito obrigado.


Carol.Cuofano 22/07/2020minha estante
Sim, o filme foi esnobado nas premiações. O próprio Saramago elogiou muito o filme. Alguns eventos muito pesados do livro foram suavizados na tela para ser possível assistir.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Eu já estava pensando a respeito disso Carol, e digo AINDA BEM.
Acho que as premiações estavam procurando um certo modelo de filme para alavancar, uma certa crítica social. Naquela época, eram artistas, figuras importantes e injustiçadas, creio eu. Depois veio outras febres, como a questão do racismo, da homossexualidade, de autocriticar a indústria do cinema, e etc. Uma pena, a perda é do público que não ficou sabendo. Pelo menos na Literatura ele é muito requisitado.


Carol.Cuofano 22/07/2020minha estante
Ainda bem mesmo! Na época li que algumas cenas bem pesadas chegaram a ser filmadas e algumas pessoas convidadas a assistir, como forma de teste e não foi possível mantê-las. Eu conheço muito do universo do cinema para entender a não premiação.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
O meu filme favorito da vida foi esnobado em todas as premiações possíveis, e até hoje é esnobado do canone: Mulholland Drive ou Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Também, olha só a coincidência, tem uma personagem feminina incrível, com bastante ambiguidade e complexidade, e é uma autocrítica a sociedade, a indústria, etc. E tem um molde bem estranho, quebrando várias regras do próprio cinema, como a linearidade da narrativa cinematográfica. Caso não tenha assistido, fica minha indicação Carol.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Ai ai, ainda bem que as Academias não ditam tudo, como a qualidade. O que mais me irrita são os boicotes para as atrizes indicadas, sempre há uma deixada de fora, como o caso da Toni Collette por Hereditary. Vitórias questionáveis também... muito problemático, espero que isso um dia melhore. Acho as escolhas do Emmy, que premia séries de TV, algumas das que mais dou crédito, porém eles cometem exageros, como o caso de Game of Thrones na sua última temporada.


Nice (book.is.nice) 22/07/2020minha estante
Parabéns pela ótima resenha. Essa obra é maravilhosa e também gostei muito da adaptação dela para as telas. As questões que o livro aborda são muitos pesadas, nunca me esquecerei do "rei", de como ele "conquistou" o poder e de como conseguia ditar as regras, simplesmente por ter a posse dos suprimentos do local.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Oba, mais alguém curtindo minha resenha. Muito obrigado Nice! E nossa, essa parte me dá um embrulho no estômago, argh que ódio, que asco. Me deixaram bem curioso sobre a adaptação.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Não esperem a quarentena acabar pra ler o livro, não há hora melhor de lê-lo e refletir sobre a nossa sociedade.


Eliana 23/07/2020minha estante
Que resenha incrível, preciso ler urgente! Tão boa quanto o livro é a tua resenha. Parabéns!


Daniel.Schaefer 23/07/2020minha estante
Resenha nota máxima então? kkkk' Obrigado Eliana, fico bobo de ler esses elogios. Leia mesmo, obra impecável!


Mariana 23/07/2020minha estante
Nossa, que resenha!!! Fiquei com vontade de ler o livro pela sua resenha! Parabéns!


Daniel.Schaefer 23/07/2020minha estante
Obrigado Mari, leia mesmo, é tudo isso e mais um pouco.


Raya 24/07/2020minha estante
Saramago é sensacional


Daniel.Schaefer 24/07/2020minha estante
É o primeiro e por enquanto o único dele que eu li. Já estou pensando em ir para um próximo, ainda não sei qual.


Raya 25/07/2020minha estante
Sou suspeita ele é um dos meus autores preferidos... talvez "as Intermitências da morte" livro curtinho, rápido e com nível Saramago.


Daniel.Schaefer 25/07/2020minha estante
Só de ler a sinopse desse livro que você me indicou, já fiquei todo arrepiado. Acrescentei na minha lista de Quero Ler, obrigado Raya.


Raya 25/07/2020minha estante
Reli a sinopse e me deu vontade de ler novamente rs ?


Daniel.Schaefer 25/07/2020minha estante
kkkkkkkkkk se não fosse por tantos livros na minha lista, eu relia 1984 e Grande Sertão Veredas, dois livros que tenho muita vontade de ler novamente, só com a sinopse, mas tenho tantos novos que é difícil


Raya 25/07/2020minha estante
Sei exatamente como é hahshahshahahs




Fran Kotipelto 04/02/2011

Little white shadows sparkle and glisten

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago.

Ensaio Sobre a Cegueira conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

O foco principal do livro não é de maneira nenhuma tentar desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado,fazendo com que a os afetados pela epidemia mostrem aquilo que no fundo no fundo todos os seres humanos são: "tremendos filhos da puta".

Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente,voltando a perceber como é doce e suave o cheiro da chuva,o quão valioso é um abraço sincero em um amigo,o sentido de viver em grupo,um mundo cego,porém altruísta,onde chorar não é vergonha,ter medo é uma dádiva,e viver é mais humano.Distante da rotina vagabunda de um cotidiano medíocre que nos habituamos a viver infelizmente.Mas que graças à José Saramago,a cegueira nos fez enxergar!
Alan Ventura 04/02/2011minha estante
O título seria de White Shadows do Coldplay?


Luh Costa 10/02/2011minha estante
Querida, sua resenha está belíssima.
Adoro o Saramago e tenho muita vontade de ler esse livro, depois que li sua resenha a vontade de ler aumentou!
Continue assim.

Abraço


Fran Kotipelto 11/02/2011minha estante
é sim,White Shadows. =)


Jow 14/02/2011minha estante
"O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter."

Belíssima constatação, belíssima resenha!


Gláucia 06/03/2011minha estante
Adoro esse livro, é dos meus preferidos e essa resenha está à altura da beleza da obra. Belas palavras, linda descrição.


Lore 07/10/2011minha estante
Concordo com tudo o que você disse.
Li o livro e agora é um dos meus preferidos.A única coisa ruim foi eu ter assistido o filme antes de ler o livro ,o filme não chega aos pés do livro,mesmo com a atuação de Julianne Moore.


Fernanda 16/05/2012minha estante
Ótima resenha sobre este livro!


GPSLopes 13/09/2012minha estante
O negócio da adaptação é que esse livro é do tipo que não pode ser adaptado, por isso o filme, apesar de ótimo, de jeito nenhum é tão maravilhoso quanto a obra de Saramago.


Don 13/01/2013minha estante
Ainda que talvez não( ainda que sim, esteja) clara, vivemos em uma época carente de humanidade, em uma espécie de "apocalipse zumbi", onde o vírus denominado capitalismo contagia o homem com uma espécie de doença furiosa, onde o homem mata, trai, engana, mente, destrói e o objeto dessa luta feroz, o alimento pelo qual o homem luta é o dinheiro. Por isso essa identificação e o porquê dessas histórias onde em um mundo destruído em que os homens deixados a seus puros instintos animais buscam encontrar a sua "humanidade"! O livro é magnífico, porque sim, isso é algo que como o mundo busca, eu busco e tanto me fascina.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E api abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.


Teco 11/02/2013minha estante
Ensaio Sobre a Cegueira: É T.F.D.P., CBJR. Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar. "Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, *variáveis são as variações e não evolução / mas que passem a diversidade enriquecedora sem esquecer de um essencial que assim os faz, que vem, comcerteza, de estágios de bondade e paz, boa comunicação e energia.



Fah 03/10/2013minha estante

Achei que foi muito horror, muito mais horror do que crítica.
Horrores temos cotidianamente.


newton 11/05/2014minha estante
Fran, comprei este livro hoje. Sua resenha é qualquer coisa de "perfeita" e graças a ela me sinto mais encorajado ainda para iniciar a leitura.


Crisinha 04/07/2014minha estante
Gata sua resenha me fez ter o desejo desesperado de ler esse livro custe o que custar.! obrigada!


Cláudia Matta 25/01/2015minha estante
Eu sofri demais.


Vagner 22/07/2020minha estante
Há tempos "Ensaio sobre a Cegueira" estava na minha lista de leitura. Somente agora em tempos de pandemia, tive coragem de me aventurar pelo caos da cegueira. Qualquer similaridade é pura ficção.


Lorena 29/05/2021minha estante
Resenha sensacional.


Mari 31/08/2021minha estante
Não li esse livro e não pretendo ler, mas a sua resenha ficou tão incrível que eu precisei falar aqui.




RH 05/06/2011

Crítica sobre o livro: Ensaio sobre a cegueira.
Horrível!
Foi uma grande decepção ler este livro.
Estou espantada de como tantas pessoas conseguem elogiá-lo!
No início a história parecia interessante, mas a medida que fui explorando mais páginas ela foi se tornando extremamente fantasiosa e ridícula.

Já li outro livro de José Saramago que gostei muito:
"O conto da ilha desconhecida". Este eu recomendo.

Mas não recomendo Ensaio sobre a cegueira... quem quiser ler e tirar suas próprias conclusões fique a vontade, mas se você tiver um grande senso crítico como tenho acredito que não vá gostar.
(Corrigindo: se tiver um sendo crítico parecido com o meu. Não desmereço o senso crítico dos outros, afinal, cada um tem sua interpretação das coisas).

Aí podem me perguntar: "Se não gostou porque não abandonou a leitura?"
Porque por pior que seja o livro quando eu começo vou até o final.
Pois tem uns livros que até as últimas páginas acho ruim e quando chega próximo do final a história faz uma volta completa que me faz achar incrível.
Por isso independente do que estou achando durante a leitura do livro vou até a última página, e se não gosto - como detestei este - tenho como dizer que o livro é ruim até a última página!


Autora da Crítica: Radige Hanna.
Guga 17/11/2010minha estante
Horrível? Por que? O que não te agradou? A narração, a estória, ou você não entendeu a metáfora? Você tem senso crítico? Será que as pessoas que escolhem o Nobel não têm senso crítico?



RH 18/11/2010minha estante
Eu entendi a metáfora, mas achei muito mal feita e exagerada.
Não importa se ele ganhou Nobel ou não, o que me faz dar esta opinião é o que eu li e achei dele.
Foi uma metáfora mal feita e fantasiosa demais.
Uma 'cegueira' que vem do nada e vai embora do nada sem nenhuma explicação não tem lógica, e mesmo histórias fantasiosas para mim tem que ter um sentido, uma razão de acontecer ou um fim que finalize a história ponto um sentido em toda ela.



Guga 18/11/2010minha estante
Que pena que você não gostou. Mas recomendo que leias outros do autor.


RH 18/11/2010minha estante
Eu li 'O conto da ilha desconhecida' e gostei bastante dele.

Na crítica que eu falei aí em cima eu escrevi errado, em vez de perdida(que é o que escrevi) é desconhecida.


Arrieiro 21/11/2010minha estante
Respeito sua opinião. Pensei o mesmo quanto ao livro "O Monge e o Executivo" - estória desnecessária para ilustrar um ponto que poderia ser tratado de forma mais direta.

Há uma frase na sua crítica que incomoda: "[...] senso crítico como [eu] tenho[...]". Se posso sugerir, pondere sobre o fato de que duas pessoas com pleno senso crítico podem divergir completamente em suas opiniões. Ter uma opinião diferente não diminui a capacidade interpretativa de nenhum dos dois leitores - sua ou do outro.

Quanto ao livro, acho uma ótima leitura. Nós vivemos, hoje, o que foi a ficção há poucas décadas atrás. Você está cientificamente equivocada quando pensa que doenças não surgem e desaparecem "do nada". Houve uma época em que não havia conhecimento médico e ainda sim a espécie humana sobreviveu; olhe para os animais e perceberá que adoecem e se curam espontaneamente; leia as pesquisas sobre placebos e perceba pessoas se curando com remédios feitos de açúcar (sem qualquer princípio ativo). Uma doença que afete a visão das pessoas, não nos olhos, mas nas terminações nervosas, seria plenamente possível. E é justamente a criatividade do autor de imaginar uma cena completamente externa à realidade mas plausível que torna o livro interessante.

Acho que o que mais te incomoda no livro é a falta do personagem-deus. Aquele personagem, ou o próprio narrador, que explica tudo, muito comum na literatura e nos cinemas (lembra dos intermináveis discursos dos vilões? risos). Porém, a vida não é assim - não há explicação conhecida para tudo o que ocorre ao seu redor - e a arte está se adequando a essa sensação de falta de explicações ou de propósito presente na perspectiva dos ateístas, como foi Saramago.

Porém, o que é mais plausível no livro, é a narrativa das reações das pessoas: perceba a clareza como o livro trata de questões éticas como a liderança (quando o médico recusa a liderança, permite que uma pessoa moralmente menos adequada assuma o comando) o julgamento de valores (quando matar um indivíduo não se trata de um assassinato? Até que ponto uma pessoa privilegiada tem a obrigação de colocar-se a serviço do próximo, abrindo mão de seus propósitos pessoais?) - tudo só seria possível em um cenário caótico.

Um grande abraço, com todo o respeito.

Ótima leitura

(PS: eu odiei "O SEGREDO" e não tenho a menor idéia de como podem elogiá-lo! risos)


RH 21/11/2010minha estante
Fazendo uma pesquisa sobre o que você disse sobre as doenças que podem surgir do nada, até certo ponto eu concordo com você.

Mas uma interpretação sua do que eu disse eu não concordo: O que senti falta no livro não foi da figura de um Deus que explica tudo - porque eu acredito mais no poder da ciência do que no de um suposto poder maior - senti falta de um nexo na história que eu achei fantasiosa demais.

E eu concordo com você, o fato de alguém gostar ou não - desde que seja um motivo pessoal de interpretação - NÃO desmerece a opinião da pessoa como sendo inferior.
E a minha intenção quando eu disse "Tendo o grande senso crítico que tenho" não foi essa. Minha intenção foi dizer que tendo a interpretação crítica que EU tive, também não deve gostar do livro.
Mas desde que seja plausível, eu não desmereço a opinião dos outros.

PS: Eu também achei o livro "O Segredo" ilusório demais... com essa teoria de que basta pensar que consegue que a pessoa conseguirá, no dia-a-dia não é bem assim que funciona né.


Arrieiro 23/11/2010minha estante
Sim, claro.

O personagem-deus não é um DEUS de fato, mas algum dos personagens ou o próprio narrador que conhece todos os fatos e todos os pontos de vista e que, com este conhecimento, explica ao leitor todos os fatos da narrativa.

Vou dar um exemplo: Morpheus no filme MATRIX é constantemente confundido com um personagem-deus, porque ele sabe o que é a Matrix e o que é o mundo real (ou pensa que sabe) e, por meio de seu diálogo com o Neo, explica para o espectador o enredo do filme. (eu digo que ele é quase um personagem-deus porque ele, na verdade, não sabe o que é o mundo real.)

Nesta obra de Saramago, não há um médico, neurologista, espiritualista nem ele próprio, como narrador, explica o surgimento ou o ciclo da doença que atinge aquela população. Não explica a extensão ou o meio de contágio. Não explica o comportamento das pessoas; apenas o descreve. Enfim, o leitor sabe tanto quanto qualquer outro personagem; claro, com a única diferença que o narrador explora, um pouco, o pensamento dos personagens - o que só podemos inferir na vida real.

Ótima leitura.


RH 24/02/2011minha estante
Arrieiro.

E é justamente neste ponto que você disse agora, e que se desenvolve o livro, que EU não gostei.

Para mim tem que ter um motivo por trás do surgimento das coisas e uma doença que não tem a menor explicação é ridícula e fantasiosa.
E não só a doença mas o modo como as coisas se desenvolvem e a linguagem que ele usa para descrevê-las não me interessou.

Se você gostou(como muitas outras pessoas) que bom para você, mas eu não gostei e não recomendo.


Sergio Carmach 24/05/2011minha estante
Oi, Radige. Cheia de opinião você, hein! Legal, gosto disso! Tem gente que só sabe repetir o senso comum e não diz nada de novo quando se mete a avaliar algo. Já você tem a capacidade de falar por si. Eu também não achei esse livro as mil maravilhas. Na verdade, tenho certa pinimba com os livros do Saramago, pois acho horrível a forma como ele escreve, colocando os textos em blocos únicos e usando mal a pontuação. Porém, quanto à história em si, acho que ela deve ser interpretada sob um prisma filosófico. Talvez assim você até comece a ver sentido nela. Se tiver paciência, dê uma olhadinha na análise que fiz do livro em meu blog http://sergiocarmach.blogspot.com/2011/01/reflexoes-sobre-cegueira.html .


RH 03/09/2011minha estante
Não gostei do modo como ele elaborou a crítica, existem várias maneiras de dizer a mesma coisa. Não me interessou o modo esdrúxulo como ele expõe a narrativa e a solução final para a grande cegueira não me convenceu.

A mensagem que ele quis passar é interessante, mas não o modo como ele a passou.


Alessandro 01/10/2014minha estante
Parabéns pela coragem em criticar Saramago! É difícil encontrar vozes dissonantes em relação a obra dele.
Eu também odiei o livro: muito pessimista, cheio de alegorias apenas para mostrar como o capitalismo é malvado e o comunismo é a solução para todos os males.
Mas fui até o final e estou escrevendo uma resenha que provavelmente irá chocar os admiradores do velho comunista hormonal.




Taryne 12/11/2010

Inquietante, claustrofóbico, genial. Este livro revela todas as faces humanas, mostra o que há de mais podre no ser humano. Gera uma reflexão assustadora sobre o que aconteceria se um caos como o "mal branco" se instalasse no mundo, o que de fato aconteceria se de uma hora para outra uma epidemia de cegueira surgisse? Ou será que já somos cegos que podem ver e ainda não nos demos conta disso?

Durante a leitura, nos imaginamos cegos, perdidos, famintos e imundos. Não somos mais nós mesmos, mas aqueles personagens sem rosto, sem olhos, sem nomes. Aflição, falas misturadas... Se trata de uma narrativa poderosa e necessária, onde nos sentimos completamente dentro da história. Meu momento favorito foi o banho das três mulheres, pois pude sentir todo o alívio e compaixão delas.

A escrita de Saramago, criticada por muitos, não me incomodou nem por um segundo, para mim, só ajudou a expressar toda a angústia e asfixia presentes na obra.

Me vi tão conectada com história, tão absorta naquele universo, que a leitura fluiu perfeitamente. Talvez isso se deva ao fato de já ter lido outros livros com a mesma urgência de "Ensaio sobre a Cegueira", como os contos do Caio Fernando Abreu e "As Meninas", da Lygia Fagundes Telles. Você, que está fugindo desse livro por conta da falta de parágrafos e travessões, faça um esforço! Não vai se arrepender.
Ruan 21/08/2010minha estante
Muito bom seu comentário, aprovadíssimo hehehe, ninguém deve fugir de um livro pela dificuldade de ler, eu jamais abandonei um.


Marcoux 11/02/2011minha estante
Claustrofóbico. AHAH, adorei.


re646 10/03/2011minha estante
adorei seu comentario
eu n vi nenhuma dificuldade em ler o livro e eu tinha 16 anos qdo li
axei super legal tbm


Luciana 17/04/2011minha estante
Aluguei o filme e fiquei paralisada, sem piscar, indignada, perplexa! O filme é muito forte mesmo e agora quero experimentar a leitura do livro.
A resenha está ótima!!!!


Tassiane 07/06/2011minha estante
depois de ler a sua resenha, fiquei mais inquieta para ler o livro. Meus parabéns!


Adimar 07/04/2012minha estante
Putz! abandonei o livro porque foi muito angustiante le-lo, a poucos dias assisti ao filme, mas realmente é uma obra prima...


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.


Raquel.Araujo 31/01/2020minha estante
A escrita sem parágrafos e pontuação me ajudou a ler muito mais do que estou acostumada, quem dera os livros fossem todos assim! Minha parte favorita também foi a das três mulheres se banhando na chuva, o que nos mostra a iniciativa substancial do corpo feminino, me fez refletir nos mínimos rituais de autocuidado com o corpo que fazemos diariamente não nos damos conta do privilégio que temos ao alcance das mãos. Assim como, me deixou fascinada a o ato de bravura da mulher do médico na ala dos cegos malvados, momento de glória e respiração aliviada.




@aprendilendo_ 02/05/2021

Resenha de Ensaio sobre a Cegueira
Escrita por José Saramago e publicada pela primeira vez em 1995, Ensaio sobre a Cegueira, a obra-prima de seu autor português, o qual venceu o Prêmio Nobel da Literatura, tem como trama a pandemia de uma doença chamada “mal branco”. Nesse contexto, a enfermidade, com uma capacidade de contágio e características nunca vistas antes, torna a pessoa contaminada cega por uma luz leite-pastosa. Como consequência, rapidamente, o mundo entra em um completo caos, fazendo com que o governo tome medidas drásticas e céleres, como levar os primeiros pacientes para um manicômio a fim de impedir a disseminação da lástima. A partir disso, acompanhamos uma triste e traumatizante história sobre a profundidade de uma sociedade em decadência.

De início, com um estilo de escrita excêntrico, caracterizado por parágrafos prolongados e diálogos separados apenas por vírgulas, a narrativa começa com um bom tom de mistério e urgência. Nesse sentido, Saramago consegue desenvolver bem a sensação de desespero e confusão, a qual é causada pela repentina pandemia. Tal elemento, ainda, é ressaltado quando, no decorrer dos momentos no manicômio, há toda uma construção claustrofóbica do ambiente, a qual, a cada palavra, torna a história mais densa e sufocante, fazendo com que os acontecimentos realmente pesem na narrativa. Sobre tais momentos, temos aqui uma visceral demonstração de extremos. O escritor, sem pensar duas vezes, toma o caminho mais impactante possível, em uma clara busca pelo estudo do ser-humano em situações animalescas. Como consequência, o desconforto persegue o leitor da primeira à última página.

Sobre os personagens, apesar de não haver uma contextualização, no sentido de explicar o passado de cada um, ou sequer seus nomes, a obra sai-se muito bem em criar uma boa imersão entre o leitor e cada indivíduo, responsável por gerar empatia entre ambos. Nesse contexto, o real foco narrativo é encontrado na “Mulher do Médico”, única pessoa não contaminada pela doença e responsável por engrenar os pontos mais importantes da história. Por meio dessa personagem com a visão inalterada, o escritor, de maneira inteligente, faz um bom jogo para que, gradualmente, sintamo-nos em seu lugar e presenciemos a total desordem do mundo cego na pele. Por claro, isso apenas reforça a dolorosa experiência de acompanhar os acontecimentos da trama e novamente, a característica de desconforto literário surge como elemento inerente do livro de Saramago.

Ensaio sobre a Cegueira é impactante, visceral e desconfortável, mas, igualmente, capaz de gerar inúmeras reflexões sobre o ideal da dignidade humana, o “ser” e a sociedade. Por claro, não é uma leitura agradável no sentido estrito da palavra, mas nunca, podendo ser caracterizada como ruim, apenas um livro desafiador e envolvente, o qual causa sentimentos diversos no decorrer de suas páginas.
Nota: 9.0
Instagram: @aprendilendo_
Lolo 02/05/2021minha estante
Este livro vale a pena ler mais que uma vez!


@aprendilendo_ 02/05/2021minha estante
Com certeza!


Carol 02/05/2021minha estante
Esse livro é maravilhoso! Cada vez que eu penso nele meu prestígio pelo autor só aumenta...


@aprendilendo_ 02/05/2021minha estante
Simm, exatamente


Lolo 02/05/2021minha estante
Se ainda não leu, leia ?as intermitências da morte?, é igualmente maravilhoso!


Ka 03/05/2021minha estante
Vou começar a ler esse mês!


Camila 03/05/2021minha estante
No começo você fica perdido com as falas separadas só por vírgulas, eu até "me perdia" em algumas coisas, nem sabia quem tinha dito mais, e daqui a pouco a leitura estava fluindo e eu colocando minha própria entonação nas falas, loucura!


Stuart.Gregory 01/08/2021minha estante
lê esse livro nesse período q vivemos, é um ato de coragem. vale a pena. um dos melhores q ali neste ano.




Agnaldo 11/04/2021

Estamos cegos a todo momento
Confesso que tive um pouco de dificuldade para acompanhar os diálogos. O Saramago tem uma escrita diferente de tudo que já li e mesmo com a diferença a gente se acostuma e passa apreciar ainda mais esse obra prima do escritor.
Jéssica 18/05/2021minha estante
Muitas cenas "pesadas"? Tô protelando essa leitura por medo de não conseguir seguir por essas cenas... Digo isso porque a adaptação do filme eu achei bem pesada. Me impactou muito.


Agnaldo 19/05/2021minha estante
Pois é, o livro torna ainda mais pesada as cenas. Mexe bastante com a imaginação e faz nosso psicológico ir a mil.


Jéssica 19/05/2021minha estante
Vixi. Eu acho que vou continuar protelando ele por mais um tempo então. Acho que ainda não tô preparada pra essa leitura.


Agnaldo 19/05/2021minha estante
Kkkk é realmente ele pede uma preparação psicológica


Jéssica 19/05/2021minha estante
Num ta tendo essa preparação ultimamente não kkkkkkk. Vai ficar na listinha de espera




Mariana 07/06/2021

Uma grande parábola sobre a cegueira humana
Ensaio sobre a Cegueira tem um quê de distopia, mas no final mais me pareceu uma grande parábola sobre a cegueira e sobre o lado decadente do ser humano.

Saramago nos conduz com maestria ao longo do texto, misturando o discurso direto com o indireto de forma tão natural, que é possível ouvir as vozes de suas personagens (das quais sequer sabemos os nomes)! É um grande contador de histórias, que já passa a ter minha admiração, com suas descrições que fazem a nossa imaginação trabalhar, sem nem nos darmos conta da extensão de seus longos parágrafos.

Ao mesmo tempo que me questionei por que diabos não tinha lido nada do autor ainda, fiquei feliz em saber que ainda tenho todo um universo de Saramago a descobrir. ??
Nazrat 09/06/2021minha estante
Sim! Comecei por este livro também e me fiz a mesma pergunta! Haha


Mariana 09/06/2021minha estante
Bom pra gente... Ainda temos vários pra incluir na lista! kkkkkk


re.aforiori 10/10/2021minha estante
Mariana, estou exatamente nesta situação que tu te encontravas, antes de ler este livro; pois não li ainda nenhum livro do autor; nem sei porquê.

Mas, um amigo que ama Saramago, passou me cobrar amiúde para ler o autor e me recomenda iniciar pelo ?Ensaio sobre a cegueira?. No entanto, decidi que deste ano o mesmo não passa!

E espero também ter esta experiência de leitura incrível, que tu, este meu amigo, e muitos dizem que tiveram.

??


Mariana 11/10/2021minha estante
Espero que a leitura também seja uma grande experiência para você! Para mim foi uma surpresa boa... Já incluí mais um livro de Saramago na minha lista de leituras de 2022 ??


re.aforiori 11/10/2021minha estante
Obrigado, Mariana! ?

Tenho muitos livros de Saramago; no entanto, caso eu o aprecie o quanto espero, passarei a ler um livro dele por ano ? ao menos ? como faço com outros autores.

?¯\_(?)_/¯




Eduardo.Silva 12/02/2021

Ensaio sobre a chatice
Me sentindo um solitário em meio a um mar de gente que ama esse livro, simplesmente não consegui gostar. Fui ler com grandes expectativas esperando um livro incrível, bruto e chocante. Acabei encontrando um livro chato e maçante.

Primeiramente vamos falar da escrita do Saramago que simplesmente detestei. parágrafos enormes e quase não possui pontuação e nem travessão para as falas, elas ficam perdidas no meio do paragrafo e você que se vire. A história até os 50% é extremamente repetitiva e parada. Somente na metade do livro que teve acontecimentos emocionantes e chocantes, mas após voltamos a monotonia.

Com certeza um livro que pretendo esquecer. Mas recomendo a leitura, afinal sou um dos pouquíssimos que não gostou dessa historia.
Michel 14/02/2021minha estante
Ah que triste!! Estou com tanta expectativa para ler.


Eduardo.Silva 14/02/2021minha estante
Mas não deixe de ler, que parece que sou o único que não gostou kkkkk


Gabriel.Oliveira 19/02/2021minha estante
Eu também não achei essa grande coisa como dizem. Acho que fui com muita expectativa . Achei um pouco chato também, mas não é ruim.


Eduardo.Silva 19/02/2021minha estante
Pois é, fui traído pela expectativa também


Fabio 14/10/2021minha estante
Concordo contigo plenamente!
Iniciei a leitura com uma expectativa gigantesca, porém o livro por mais que tenha uma mensagem a cheia de apontamentos, repleto de metáforas, alegorias e referencias aos sentimentos humanos, eu posso dizer com certeza que o livro a mim não serviu. Denso demais, rápido e superficial demais na minha opinião. E sobre o Nobel que ele ganhou, só posso presumir que tenha servido a outros, não como a mim.




Codinome 02/12/2017

Um pouco sobre "Ensaio sobre a cegueira"
José Saramago é realmente um grande escritor: reconheço isso nesse segundo livro que leio dele, anteriormente havia lido "Ensaio sobre a lucidez", esse que já vou colocar para ser relido em breve. Aqui venho falar sobre "Ensaio sobre a cegueira", um nome curioso, pois se trata de um romance, indo bastante além de um ensaio; talvez esse título já tenha algo de poético misturado com o português de Portugal.

A história gira em torno de uma série de pessoas que ficam subitamente cegas: por meio do primeiro cego ela vai se espalhando tal como uma epidemia. Uma cegueira diferente das outras, por ser toda branca, mas ainda sim uma cegueira tão ruim como qualquer outra. Ao se perceber isso, o governo junto com o ministério da saúde decidem colocar os cegos juntos em quarentena, em que, como diz o narrador, pode ser de 40 dias, 40 meses ou 40 anos. Essa falta de apreço e compaixão das autoridades é bem evidente, vamos compreendendo isso ainda mais ao longo da narrativa. A força armada representa sentimentos ainda piores em relação aos condenados pela cegueira branca.

Como diz uma das personagens, a esposa do médico, que é o único ser humano que se vê no livro que não fica cego: "descemos todos os degraus da indignidade, todos, até atingirmos a abjeção."

São várias as qualidades que Saramago traz com esse romance: primeiramente é a ótima ideia de mostrar um sociedade em que todos ficam cegos e como ela se comportará para viver, ou sobreviver, nessa condição. E como se não bastasse apenas uma ótima ideia, o retrato que ele faz de tudo isso é riquíssimo com sua ótima escrita, muitas vezes com um tom muito crítico e também seco, outras vezes com uma ironia finíssima e de uma poesia que consegue sobreviver.

A forma do conteúdo dispensa sinais de interrogação, travessão ou exclamação. É uma escrita corrida que se reduz no mínimo a pontos e vírgulas, em que as falas são marcadas pela maiúscula inicial e nada mais. É um formato muito experimental, mas acredito que muito comum em toda sua literatura, e que dá uma satisfação imensa de saber a língua portuguesa e poder ler algo tão bom.

Ótimo também aprender as palavras do português de Portugal, tornando a experiência mais rica. Uma leitura incrível, provocativa, perturbadora e cruel. Me fez lembrar de "A peste", de Albert Camus, que também retrata uma epidemia que destrói uma sociedade e como a sociedade lida com isso ou deveria lidar, mas parece que Saramago dá um passo a mais com essa problemática. Colocando um mau que não destrói definitivamente as pessoas, mas que as deixa em uma situação em que terão que reaprender tudo para terem uma vida digna. São com livros assim que a gente compreende melhor por que alguém ganha um Nobel de literatura.
Amanda 07/12/2017minha estante
Nossa esse livro é top! Gosto muito dele!


Codinome 07/12/2017minha estante
:) Que legal, Amanda! Foi o melhor livro que li esse ano.


Amanda 07/12/2017minha estante
Se tiver a oportunidade de ver o filme também, veja... É excelente!


Codinome 07/12/2017minha estante
Eu já vi também, infelizmente vi antes do livro. Mas é muito bom mesmo pelo que me lembro, pois faz um tempão que vi.




Margô 03/01/2017

Uma cegueira que vai além dos olhos
Demorei uns dias para enfim conseguir escrever/falar sobre ele, muito embora acredite que ainda não foram suficientes os dias corridos desde que terminei a leitura e este presente momento.

Saramago, neste livro, desnuda a alma humana, expondo como nós somos falhos e frágeis e, quaisquer simples mudanças – não tão simples na história – podem nos desumanizar. Ele nos desperta questões interináveis do começo ao fim do livro, nos faz sentir um turbilhão de sensações, desde empatia até mesmo à repulsa. Seres humanos que somos, acreditamos que em qualquer momento de fraqueza em massa podemos nos colocar acima de todos – e isto vem acontecendo com a humanidade sempre... não fica fora nesta narrativa.
O Ensaio Sobre a Cegueira não fala apenas de pessoas que ficaram cegas, atingidas pelo “mal-branco”, isto é apenas uma alegoria para todas as nossas cegueiras individuais, sobre como nos cegamos perante tantas coisas, tantas situações. Por que uma comunidade de cegos, alocadas em um manicômio nos causa tanto horror e repugnância? Como não nos sentirmos revoltados com o tratamento que é dirigido àqueles privados da liberdade apenas por terem sido, supostamente, contagiados? Como não nos enojarmos com como as mulheres são tratadas em determinada parte do livro? Cada lágrima, cada desespero que cada um daqueles internos passa, é nossa. Do leitor como criatura capaz de sentir empatia. Vemos criaturas transformarem-se, vemos uma redenção acontecer. Somos capazes de ver o que nossos olhos não veem, o que nosso julgamento nos faz ocultar por conveniência. Vemos que a prostituta, tão desvalida, tem um coração tão bom, tão grande. Vemos um gesto de bondade transformar-se em um ato de grande desumanização, mas, em contrapartida vemos este mesmo ser desumanizado retomar a sua humanidade. E não falo de “ver” como forma de frisar o tempo inteiro a ausência de olhos daqueles personagens que nem têm nome, mas porque a cegueira, como é sabida, aguça outros sentidos. E Saramago nos faz ver com o coração. Nos faz querer acreditar que há diversas formas de vermos de fato que não só com os olhos. Não escapa a ninguém a angústia de cegar, porque não escapa a nenhum ser humano a sua cegueira seletiva. Desde médico, ao mendigo. Desde donos de bancos, militares... todos eles cegos. De que vale suas riquezas se esta não pode dar-te novamente os olhos? Melhor, de que vale seu diploma e especialização em medicina oftalmológica se você, cego, não pode fazer ninguém ao seu redor voltar a ver, nem mesmo você?

Enfim, lutei muito em 2014 para fazer esta leitura, abandonei pelo estilo impresso da história (sem separação dos diálogos), mas agora em 2016 consegui brindar-me com este grande livro, fechando um ano de pouquíssimas, mas maravilhosas leituras.

Um livro recomendadíssimo a todos aqueles que conseguem ver com o coração, ou até mesmo para aqueles que ainda não sabem fazê-lo, talvez aprendam com a leitura.
Camila 06/01/2017minha estante
Já disse que arrasou, né?


Margô 06/01/2017minha estante
Olha, nunca é demais, heheh. o/


Crys 07/01/2017minha estante
Que nível! Belíssima resenha.


Margô 07/01/2017minha estante
Obrigada, Crys!




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Thais 03/06/2019minha estante
Depois dessa resenha eu fiquei com vontade de ler tbm, vou incluir na minha wishlist lol.


Rafael.Augusto 03/06/2019minha estante
Thais, vale muito a pena! Eu havia lido apenas O evangelho segundo Jesus Cristo desse autor e já me apaixonei, então minha expectativa para Ensaio sobre a cegueira era muito boa, e eu não me decepcionei de forma alguma. José Saramago passou a ser meu segundo autor favorito, agora quero ler tudo dele rsrs
Ps. Minha resenha foi bastante sucinta, mas eu precisava falar sabe!? Fiquei feliz que pelo menos algumas pessoas tenham lido, e mais feliz ainda em te despertar o desejo de le-lo! Espero que leia e, acima de tudo, que goste e tire algum aprendizado dessa obra!
Bom dia! ???


Thais 03/06/2019minha estante
Rafael, recentemente eu vi uma resenha desse livro no YouTube no canal da Tati, então eu já estava curiosa aí ontem eu li a sua resenha e só me convenceu de vez mesmo lol com certeza vou ler, já inclui na minha listinha aqui. Obrigada pelo incentivo. Bom dia


Rafael.Augusto 03/06/2019minha estante
Bacana Thais! Somos realmente abençoados por esse universo maravilhoso que é o universo literário! Boas leituras ;-)




Gui 13/03/2018

Uma cegueira Moral
Um livro maravilhoso, incrivel com cenas tão fortes que você não vai conseguir ler todo sem pausar para respirar. Porquê essa é a sensação transmitida ao leitor. Uma angústia causada pela falta de humanidade. Um mundo onde cães darramam lágrimas e as pessoas se devoram. Um nível de brutalidade indescritível. E você, o que faria se despertasse em um mundo apocalíptico onde a cegueira é a causa da destruição dos valores humanos. O autor trás personagens alegóricos, que pode ser aplicado a cada um de nós. Nesse mundo em que ruas não tem nome, não há um país específico. As pessoas são representadas por suas posições. A mulher do médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a prostituta, o ladrão, o médico, o jovem estrábico. Etc..., todos num mesmo lugar com a mesmo problema, a cegueira branca. Um livro que explora o lado mas obscuro do ser humano. Até quando as leis morais regem o nosso caráter. Até que ponto somos idôneos? Saramago trás atona um mundo onde o certo e o errado se fundem. E a racionalidade se esvai como uma artéria rompida violentamente.
Gui 13/03/2018minha estante
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Gui 13/03/2018minha estante
Esqueci de dizer que não há pessoas definidas. São personagens alegóricos. Não há ruas nem lugares específicos. A história pode se passar no Brasil ou no Japão. E a famosa citação" o pior cego é aquele que não quer ver!"


Rafael_POA 13/03/2018minha estante
Interessante, mas agora vou ter que esperar no mínimo 1 ano antes de ler, para dar tempo de eu esquecer os spoilers que VC mandou no áudio do Whats :(


Gui 13/03/2018minha estante
Nem dei spoilers, nem foi um min de áudio ?




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Eduardo 06/02/2020minha estante
Fé no pai que o meu Saramago em 2020 sai!


César 06/02/2020minha estante
Vai sair sim ??


Fabrício 06/02/2020minha estante
Em vida Saramago deveria ter sido preso. Inventar uma história dessa acaba com que lê. Rss


César 07/02/2020minha estante
Pior que é, o único resquício de fé que eu tinha na humanidade ele terminou de destruir kkkk




Julie 18/03/2020

Uma leitura um tanto difícil, dado ao estilo de escrever de Saramago, que joga as informações e diálogos em parágrafos intermináveis separados, muitas vezes, por vírgulas. Mas não deixa de ser formidável. Através da cegueira física e repentina, o livro nos faz pensar na essência (muitas vezes animal e egoísta) do ser humano e em como não só os olhos da carne podem ser cegos. Os da alma também.
Martita 18/03/2020minha estante
Estamos vivendo muito desse livro nesse momento no mundo. ?


Julie 18/03/2020minha estante
Eu pensei exatamente a mesma coisa, terminei de ler assim que começaram as quarentas na Europa.


Martita 18/03/2020minha estante
Triste... num mundo onde a palavra empatia está tão na moda, a verdadeira empatia fica apenas nas palavras mesmo. Pq nas atitudes pouco se vê. Salve-se quem puder pq empatia está longe de virar Pandemia.


Julie 18/03/2020minha estante
Exatamente. É em situações como essa que a essência do ser humano finalmente dá as caras.




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