Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Fran Kotipelto 04/02/2011

Little white shadows sparkle and glisten

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago.

Ensaio Sobre a Cegueira conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

O foco principal do livro não é de maneira nenhuma tentar desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado,fazendo com que a os afetados pela epidemia mostrem aquilo que no fundo no fundo todos os seres humanos são: "tremendos filhos da puta".

Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente,voltando a perceber como é doce e suave o cheiro da chuva,o quão valioso é um abraço sincero em um amigo,o sentido de viver em grupo,um mundo cego,porém altruísta,onde chorar não é vergonha,ter medo é uma dádiva,e viver é mais humano.Distante da rotina vagabunda de um cotidiano medíocre que nos habituamos a viver infelizmente.Mas que graças à José Saramago,a cegueira nos fez enxergar!
Alan Ventura 04/02/2011minha estante
O título seria de White Shadows do Coldplay?


Luh Costa 10/02/2011minha estante
Querida, sua resenha está belíssima.
Adoro o Saramago e tenho muita vontade de ler esse livro, depois que li sua resenha a vontade de ler aumentou!
Continue assim.

Abraço


Fran Kotipelto 11/02/2011minha estante
é sim,White Shadows. =)


Jow 14/02/2011minha estante
"O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter."

Belíssima constatação, belíssima resenha!


Gláucia 06/03/2011minha estante
Adoro esse livro, é dos meus preferidos e essa resenha está à altura da beleza da obra. Belas palavras, linda descrição.


Lore 07/10/2011minha estante
Concordo com tudo o que você disse.
Li o livro e agora é um dos meus preferidos.A única coisa ruim foi eu ter assistido o filme antes de ler o livro ,o filme não chega aos pés do livro,mesmo com a atuação de Julianne Moore.


Fernanda 16/05/2012minha estante
Ótima resenha sobre este livro!


GPSLopes 13/09/2012minha estante
O negócio da adaptação é que esse livro é do tipo que não pode ser adaptado, por isso o filme, apesar de ótimo, de jeito nenhum é tão maravilhoso quanto a obra de Saramago.


Don 13/01/2013minha estante
Ainda que talvez não( ainda que sim, esteja) clara, vivemos em uma época carente de humanidade, em uma espécie de "apocalipse zumbi", onde o vírus denominado capitalismo contagia o homem com uma espécie de doença furiosa, onde o homem mata, trai, engana, mente, destrói e o objeto dessa luta feroz, o alimento pelo qual o homem luta é o dinheiro. Por isso essa identificação e o porquê dessas histórias onde em um mundo destruído em que os homens deixados a seus puros instintos animais buscam encontrar a sua "humanidade"! O livro é magnífico, porque sim, isso é algo que como o mundo busca, eu busco e tanto me fascina.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E api abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.


Teco 11/02/2013minha estante
Ensaio Sobre a Cegueira: É T.F.D.P., CBJR. Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar. "Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, *variáveis são as variações e não evolução / mas que passem a diversidade enriquecedora sem esquecer de um essencial que assim os faz, que vem, comcerteza, de estágios de bondade e paz, boa comunicação e energia.



Fah 03/10/2013minha estante

Achei que foi muito horror, muito mais horror do que crítica.
Horrores temos cotidianamente.


newton 11/05/2014minha estante
Fran, comprei este livro hoje. Sua resenha é qualquer coisa de "perfeita" e graças a ela me sinto mais encorajado ainda para iniciar a leitura.


Crisinha 04/07/2014minha estante
Gata sua resenha me fez ter o desejo desesperado de ler esse livro custe o que custar.! obrigada!


Cláudia Matta 25/01/2015minha estante
Eu sofri demais.




Taryne 12/11/2010

Inquietante, claustrofóbico, genial. Este livro revela todas as faces humanas, mostra o que há de mais podre no ser humano. Gera uma reflexão assustadora sobre o que aconteceria se um caos como o "mal branco" se instalasse no mundo, o que de fato aconteceria se de uma hora para outra uma epidemia de cegueira surgisse? Ou será que já somos cegos que podem ver e ainda não nos demos conta disso?

Durante a leitura, nos imaginamos cegos, perdidos, famintos e imundos. Não somos mais nós mesmos, mas aqueles personagens sem rosto, sem olhos, sem nomes. Aflição, falas misturadas... Se trata de uma narrativa poderosa e necessária, onde nos sentimos completamente dentro da história. Meu momento favorito foi o banho das três mulheres, pois pude sentir todo o alívio e compaixão delas.

A escrita de Saramago, criticada por muitos, não me incomodou nem por um segundo, para mim, só ajudou a expressar toda a angústia e asfixia presentes na obra.

Me vi tão conectada com história, tão absorta naquele universo, que a leitura fluiu perfeitamente. Talvez isso se deva ao fato de já ter lido outros livros com a mesma urgência de "Ensaio sobre a Cegueira", como os contos do Caio Fernando Abreu e "As Meninas", da Lygia Fagundes Telles. Você, que está fugindo desse livro por conta da falta de parágrafos e travessões, faça um esforço! Não vai se arrepender.
Ruan 21/08/2010minha estante
Muito bom seu comentário, aprovadíssimo hehehe, ninguém deve fugir de um livro pela dificuldade de ler, eu jamais abandonei um.


Margos 11/02/2011minha estante
Claustrofóbico. AHAH, adorei.


re646 10/03/2011minha estante
adorei seu comentario
eu n vi nenhuma dificuldade em ler o livro e eu tinha 16 anos qdo li
axei super legal tbm


Luciana 17/04/2011minha estante
Aluguei o filme e fiquei paralisada, sem piscar, indignada, perplexa! O filme é muito forte mesmo e agora quero experimentar a leitura do livro.
A resenha está ótima!!!!


Tassiane 07/06/2011minha estante
depois de ler a sua resenha, fiquei mais inquieta para ler o livro. Meus parabéns!


Adimar 07/04/2012minha estante
Putz! abandonei o livro porque foi muito angustiante le-lo, a poucos dias assisti ao filme, mas realmente é uma obra prima...


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.




Jonara 18/04/2010

Poucos livros me fazem chorar, e este me fez chorar três vezes, em três das cenas mais lindas e comoventes que eu já vi descritas:
1 - A hora em que a mulher do médico sai sozinha em busca de comida, e vê os outros cegos andando nas ruas, no meio da chuva
2 - Quando eles brindam em taças de cristais
3 - A cena do banho das três mulheres

Não dou detalhes, porque não quero estragar a leitura de ninguém. É tudo tão comovente que te faz repensar todos os valores de toda a tua vida, te faz redescobrir os sentidos. A visão, o som, o tato, o cheiro, o gosto. Tantas pequenas coisas que de tão banais, ignoramos, mas se nos privam delas, enlouquecemos! Como é importante reaprender a viver. Que responsabilidade tem aqueles que tem olhos, quando todos os outros não tem! Uma metáfora da vida e da nossa cegueira perante ela. Um assombro! Mudou a minha vida para sempre.
Fabricio~Raito 10/09/2010minha estante
Eu tambem chorei muito na parte das taças. É muito comovente, e eu não consigo sentir muito isto em livros.


Lennon 18/07/2013minha estante
A cena do banho é realmente bela. Você fez uma resenha simples e bonita.




Isabella.Lubrano 07/08/2015

Mais cego é aquele que não quer ver
Um acontecimento fantástico e inexplicável toma conta da cidade – subitamente, todas as pessoas começam a ficar cegas.

Mas essa é uma cegueira diferente, branca como um mar de leite, que a ciência não consegue diagnosticar, muito menos curar.

A primeira coisa que o governo faz é mandar os primeiros infectados pruma espécie de quarentena, onde eles ficam isolados, sem comida, e começam um processo de degeneração que chega à barbárie.

Mas isso não resolve, porque logo o mundo do lado de fora começa a ficar cego também, até as pessoas no governo, que vai deixando de existir.

Aos poucos, as ruas são tomadas por milhares de pessoas cegas e perdidas, porque no momento em que ficam cegas, não conseguem mais achar o caminho de casa.

E naturalmente a comida pára de ser produzida nos campos, os supermercados são saqueados por multidões famintas, e em pouco tempo as ruas se enchem lixo, excrementos e outras imundícies – porque não há mais ninguém pra limpar.

Foi esse cenário apocalíptico, e as reflexões que ele traz sobre a natureza humana e a vida em sociedade, que tornaram famoso o autor português José Saramago e o seu premiado livro “Ensaio Sobre a Cegueira”.

Saramago, pra quem não sabe, foi o primeiro e único escritor de língua portuguesa condecorado com um prêmio Nobel de Literatura.

Injustiça com Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros, é verdade, mas é mais do que justo para o Saramago, que faleceu em 2010 e deixou um conjunto de obras fascinantes e transformadoras.

No Ensaio Sobre a Cegueira, que em 2008 virou filme do diretor Fernando Meirelles, a pergunta é: de que adiante ter visão com os olhos, se a humanidade não consegue enxergar as injustiças que estão embaixo do nosso nariz?

Ao perder a visão, os personagens de Saramago deixam escapar da jaula da civilização os animais que ainda habitam nelas. Mas que, com ou sem os olhos, continuam a ser animais.

De certa maneira, Ensaio sobre a cegueira é um soco no nosso estômago – um livro forte, que mete o dedo na ferida, mas ao mesmo tempo hipnotizante.

E você nunca mais vai ouvir do mesmo jeito aquele ditado que “mais cego é aquele que não quer ver”.

Ficou curioso? Assista à resenha completa no meu canal, clicando no link abaixo:

site: https://www.youtube.com/watch?v=AMmS1YX9qgQ
Blésman 08/08/2015minha estante
O que encanta tanto nesse livro? Não consegui terminar.




Alessandro 01/10/2014

Um livro que deveria ser lido com uma postura mais crítica.
Ensaio sobre a Cegueira é um romance de José Saramago, escrito em 1995, logo antes de receber o prêmio Nobel de Literatura em 1998.
Assim o próprio autor definiu o livro:

Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.

E Saramago cumpre o que promete: o leitor sofre bastante lendo esse livro! O pessimismo do autor está em cada página, em cada parágrafo. Mas será que somos tão ruins como Saramago insiste em dizer? Será que o mundo realmente tornou-se um lugar tão horrível? Eu não concordo com o autor e não gosto do seu estilo. Falar mal de Saramago é uma tarefa ingrata, e sei que muitos vão pensar: Quem é você para criticar um dos maiores escritores da língua portuguesa?. Sinto ir contra a esmagadora maioria, mas prefiro ser uma solitária voz dissonante do que fingir que gosto de um autor apenas por que ele é idolatrado pela maioria.
Muitos dirão: É preciso saber separar a obra do escritor de suas ideologias. O problema é que Saramago nunca pretendeu fazer essa distinção em sua obra, portanto irei relacionar esse livro com a militância do autor, mesmo que quase todos prefiram acreditar que o livro foi escrito apenas como um romance e não como uma crítica ao capitalismo e elogio ao comunismo. O próprio autor definia-se como um comunista hormonal, ou seja, o comunismo está entranhado em Saramago, e consequentemente em seus livros, será justo seus defensores esperarem que eu faça alguma distinção entre sua escrita e sua ideologia quando o próprio autor nunca fez?

Saramago, o escritor das longas frases
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Antes de mais nada vamos falar sobre o tipo de escrita de José Saramago. Ele utiliza uma descrição fluida, misturando o discurso direto com o indireto, dispensando recursos como parágrafo, travessão e aspas. O discurso direto fica entre vírgulas e para não confundir muito o leitor ele usa letras maiúsculas para diferenciá-lo do indireto. O resultado são frases longas demais e uma escrita confusa, que inicialmente pode parecer difícil, mas a leitura melhora quando nos acostumamos com ela. Depois que nos acostumamos parece apenas simples deselegância do autor.
Acho essa mistura de discursos e sua sintaxe cansativa e desnecessária. De qualquer forma, essa é a marca registrada do autor, quer se goste ou não. E os admiradores de Saramago acham isso lindo, afinal existe gosto para tudo.
Eu acho que o estilo de Saramago é de um modernismo antiquado, muito forçado e exagerado, e o resultado é desagradável.
Em uma única frase que escolhi ao acaso contei 598 palavras e 3.257 caracteres. Saramago era um sádico mesmo! E não sei dizer se é a maior frase do livro, foi um trecho que escolhi aleatoriamente.
Os personagens são tratados de forma rasteira, eles sequer possuem nomes pois Saramago não pretende construir personagens. Ele apenas atribui características físicas superficiais como: a mulher do médico, o rapazinho estrábico, o ladrão, a rapariga de óculos, o cão das lágrimas, e não se preocupa em construir perfis psicológicos complexos. Com isso o autor pretende que o leitor espelhe-se neles, focando em sua crítica à sociedade capitalista.

A ideologia de Saramago
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Ah. a ideologia de Saramago
Não tenho nada contra um comunista escrever livros, e reconheço que vários escritores comunistas escreveram grandes livros, como é o caso de Graciliano Ramos, mas ao contrário deste Saramago consegue ser muito chato. Ele tenta colocar um sentido moral comunista em tudo que escreve, e o problema é a forma como impõe essa sua moral: com falta de apreço pela ficção e desprezo pela sintaxe e pontuação. Ensaio sobre a Cegueira, a começar pelo título, não pretende ser uma obra de ficção, não pretende mostrar a alma humana, como tantos apregoam. Não passa de uma tentativa de mostrar que o mundo é um lugar horrível, que o capitalismo e o neoliberalismo são os responsáveis pelo mal existente no mundo e que a solução para os males que afligem a humanidade é O COMUNISMO! E usa de um pessimismo exacerbado para deprimir o leitor e assim tentar convencer que o homem é uma criatura mesquinha e egoísta, que precisa de um estado forte e rédeas curtas para mantê-lo na linha.
Não tenho nada contra o pessimismo, muitos livros que admiro são pessimistas em relação a humanidade. Mas o pessimismo de Saramago serve apenas para preparar o leitor para sua ideologia.
Mesmo que em seu livro o capitalismo, neoliberalismo e comunismos apareçam disfarçados na forma de alegorias, e não seja apresentado explicitamente o comunismo como a solução para todos os males, ele indiretamente tenta induzir o leitor a concluir isso. Como ele era um militante do comunismo, até mesmo considerado por muitos como o último grande intelectual marxista, imediatamente seu livro foi adotado por toda gente socialista e comunista como uma espécie de bíblia cheia de revelações sociológicas.

A epidemia de cegueira como crítica ao capitalismo
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Não é um livro sobre uma doença de origem biológica. Não se trata de castigo divino. Não é um livro no estilo Eu Sou a Lenda de Richard Matheson, ou Dança da Morte de Stephen King, onde é preciso lidar com uma doença devastadora e os personagens lutam para manter sua humanidade. Em determinado trecho através da mulher do médico Saramago mostra o que pode significar a cegueira:

a mulher do médico compreendeu que não tinha qualquer sentido, se o havia tido alguma vez, continuar com o fingimento de ser cega, está visto que aqui já ninguém se pode salvar, a cegueira também é isso, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.

Quem enxerga (no livro isso está representado pela figura da mulher do médico), é quem percebe a crueldade do capitalismo e não aceita viver nesse mundo sem esperança. Já os cegos entregam-se de tal forma à desesperança que abandonam qualquer traço de humanidade.
Logo mais ele mostra que não acredita na capacidade do governo de nos conduzir em direção à uma sociedade justa:

Háverá um governo, disse o primeiro cego, Não creio, mas, no caso de o haver, será um governo de cegos a quererem governar cegos, isto é, o nada a pretender organizar o nada, Então não há futuro, disse o velho da venda preta, Não sei se haverá futuro, do que agora se trata é de saber como poderemos viver neste presente, Sem futuro, o presente não serve para nada, é como se não existisse, Pode ser que a humanidade venha a conseguir viver sem olhos, mas então deixará de ser humanidade, o resultado está à vista, qual de nós se considerará ainda tão humano como antes cria ser.

Ou seja, como a cegueira é uma metáfora para mostrar seres humanos que não pensam de acordo com a moral comunista, ele quer dizer que não acredita em governos cegos (capitalistas) e acha que a humanidade até poderia viver sem olhos (num mundo capitalista), mas então perderia sua humanidade e o resultado seria a barbárie e o sofrimento.
Então, através da figura da mulher do médico a única que ainda enxerga num mundo dominado pela cegueira (capitalismo), ele mostra que gostaria de ver reconstruída a ordem social, através da ótica comunista em um diálogo entre a rapariga dos óculos escuros, a mulher do médico e o velho da venda preta:

Tu não estás cega, disse a rapariga dos óculos escuros, por isso tens sido a que manda e organiza, Não mando, organizo o que posso, sou, unicamente, os olhos que vocês deixaram de ter, Uma espécie de chefe natural, um rei com olhos numa terra de cegos, disse o velho da venda preta, Se assim é, então deixem-se guiar pelos meus olhos enquanto eles durarem, por isso o que proponho é que, em lugar de nos dispersarmos, ela nesta casa, vocês na vossa, tu na tua, continuemos a viver juntos

A mulher do médico, por ser a única que enxerga assume o papel de organizar (mas singelamente diz que não manda!) pois é quem possui os olhos que os outros deixaram de ter. O velho da venda preta (um alter ego de Saramago) logo a identifica como a chefe natural em uma terra de cegos. Então ela assume a liderança e inicia a organizar a nova ordem comunitária, guiando-os com seus olhos no estilo de vida comunista onde não existe o indivíduo apenas a coletividade.
Em um trecho a mulher do médico é a única que enxerga um corpo sendo dilacerado e devorado por uma matilha de cães, enquanto os outros cegos não percebem o que acontece, mais uma metáfora sobre a exploração do homem pelo sistema capitalista.
No trecho que transcrevo abaixo Saramago usa a figura da mulher do médico e do velho ditado O pior cego é aquele que não quer ver:

Abramos os olhos, Não podemos, estamos cegos, disse o médico, É uma grande verdade a que diz que o pior cego foi aquele que não quis ver, Mas eu quero ver, disse a rapariga dos óculos escuros, Não será por isso que verás, a única diferença era que deixarias de ser a pior cega

Acho esse trecho muito significativo, e muitos estudiosos consideram tratar-se de um julgamento e a anunciação da nova ordem social. Pode-se ver que Saramago praticamente transcende (ou esquece) a ficção e entra no campo do proselitismo através da mulher do médico que convoca os cegos a abrir os olhos e os acusa de serem responsáveis por sua cegueira.
Próximo do final temos outra amostra nítida de que esse livro é uma crítica ao capitalismo, onde Saramago usa mais uma vez a figura da mulher do médico quando esta retorna ao supermercado em que esteve anteriormente em busca de comida, dessa vez junto com seu marido, e depara-se com um depósito (cave) repleto de cegos mortos e fogos fátuos mostrando-se como uma verdadeira porta para outro mundo:

Fecharam-na com certeza os outros cegos, transformaram a cave num enorme sepulcro, e eu sou a culpada do que aconteceu, quando saí daqui a correr com os sacos suspeitaram de que tratasse de comida e foram à procura, De uma certa maneira, tudo quanto comemos é roubado à boca de outros, e se lhe roubamos demais acabamos por causar-lhes a morte, no fundo somos todos mais ou menos assassinos .

Quem está familiarizado com a Teoria da Exploração (veja meu post anterior) construída por Rodbertus e popularizada por Karl Marx logo nota que trata-se de uma referência à crença dos socialistas de que toda renda obtida por outra fonte que não seja o trabalho é imerecida, e de que a economia capitalista livre submete os assalariados ao poder e ao arbítrio dos industriais ricos que exploram seu trabalho.
Como todo bom comunista não poderiam faltar críticas à religião. Logo depois da cena do supermercado a mulher do médico e seu marido entram em uma igreja, e a mulher percebe que todas as esculturas estão com vendas brancas sobre os olhos e os santos nos quadros com faixas brancas pintadas sobre os olhos, o médico inicia o diálogo abaixo ao considerar estranho que as imagens que não possam ver estejam com olhos cobertos, mas a mulher esclarece:

As imagens não vêem, Engano teu, as imagens vêem com os olhos que as vêem, só agora a cegueira é para todos Se foi o padre quem tapou os olhos das imagens esse padre deve ter sido o maior sacrílego de todos os tempos e de todas as religiões, o mais justo, o mais radicalmente humano, o que veio aqui para declarar finalmente que Deus não merece ver

Ou seja, Saramago deixa bem claro que considera a religião (e não Deus, pois não poderia criticar algo em que não acredita existir) tão cega quanto o resto da humanidade, e o padre que tapou os olhos das imagens estava fazendo justiça ao revelar a religião como cúmplice da cegueira coletiva em que vive a humanidade.
Logo à frente Saramago expõe mais uma vez a Teoria da Exploração com sua crítica à propriedade e a renda obtida por outros meios que não advindos diretamente do trabalho:

O que também não muda é aproveitarem-se uns do mal dos outros, como bem o sabem, desde o princípio do mundo, os herdeiros e os herdeiros dos herdeiros.

Saramago em Ensaio sobre a Cegueira está muito distante de um Cormac McCarthy em A Estrada. Apesar de Mccarthy mostrar personagens em situações desesperadoras e desumanas, ele sabe valorizar o heroísmo inerente à alma humana, e mostrar que mesmo onde não existe mais esperança, nunca deveríamos desistir.

Mostrei na minha crítica que a cegueira é uma alegoria que Saramago utiliza para mostrar a matéria de que nossa sociedade é formada, nada mais que um pretexto utilizado pelo autor para mostrar os horrores em que nossa civilização está assentada. Em sua visão o ser humano, moralmente e culturalmente é selvagem, egoísta e dominado por apetites bárbaros. Para Saramago não existe heroísmo. O autor de Ensaio sobre a Cegueira não apresenta uma resposta no fim do livro, o seu pessimismo quase patológico o impediu de anunciar o comunismo como a redenção para a humanidade, mas quem conhece seu trabalho como militante comunista entende a mensagem que ele quer passar: que o único sistema social justo é o comunismo. Saramago pretende mostrar com esse livro que o ser humano, bárbaro e animalesco, precisa ser controlado, seus apetites precisam ser domados, ele precisa da ordem e da justiça social que apenas o comunismo pode garantir. A cegueira de Saramago mostra que individualmente somos menos que animais irracionais, esses pelo menos são capazes de controlar o esfíncter! Saramago tem uma estranha fixação com as fezes. Os cegos de Saramago sequer são capazes de arriar as calças e sujam suas roupas, camas e onde vivem. A todo momento ele insiste em descrever que existem fezes em toda parte. O único momento em que se limpam é quando a mulher do médico assume a responsabilidade sobre o seu grupo de cegos. Precisava ser tão grotesco?
Acho esse pessimismo e sua visão em relação ao ser humano muito exagerada. Nunca o ser humano viveu tão bem, nunca tantas pessoas foram livres e viveram em prosperidade, com índices de mortalidade infantil baixos, expectativa de vida crescendo em todo o mundo, acesso à tecnologia universalizado entre outras coisas que eu poderia citar aqui. É claro que existem muitos problemas, muitas pessoas principalmente na África enfrentam guerras, genocídios, epidemias e fome, mas a tendência é que isso diminua. Reconheço que os países ricos não fazem muito, que eles deveriam investir mais nos países pobres e assim possibilitar que eles participassem mais na economia global para serem capazes de gerar sua própria riqueza. A corrupção deveria ser melhor combatida, e o estado deveria estimular mais o empreendedorismo e reduzir os impostos ao mesmo tempo que melhorasse os investimentos. Isso é possível de se atingir em um regime democrático e capitalista, garantindo as liberdades individuais, coisa que o comunismo é incapaz de fazer.

Será que estou exagerando ao mostrar viés político de Ensaio sobre a Cegueira? Apesar de Saramago não admitir isso, os socialistas e comunistas foram os primeiros a apontarem que sua obra na verdade é uma crítica ao capitalismo e ao neoliberalismo, não sou eu que estou tentando desqualificar um romance, só mostro outro ponto de vista contrário ao da maioria.

Mas afinal, vale a pena ler Saramago?
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Não gosto de Saramago como escritor. A sua prosa é cansativa e desagradável, suas frases são longas demais, sua sintaxe é feia.
Não é como Marcel Proust (Em Busca do Tempo Perdido) que nos encanta a cada parágrafo com sua sensibilidade e energia rejuvenescedora, e mesmo sendo uma leitura muito mais difícil que a de Saramago ainda assim mostra-se uma experiência muito mais recompensadora.
Não gosto de Saramago como pensador. Como todo comunista ele vê o mundo através de um espelho que distorce a realidade, e flerta com o totalitarismo e o fim das liberdades individuais.
Não conseguiria indicar a leitura de Ensaio sobre a Cegueira para qualquer um, mesmo considerando que talvez seja seu livro mais importante. Acredito tratar-se de um livro que exige uma postura crítica que a maioria das pessoas não é capaz de assumir. Como ficção não é um bom livro, mas pode ser estudado como peça de propaganda comunista (sei que parece um anacronismo, mas ainda existe quem faça propaganda disso). Mas não se preocupem, ele ainda foi capaz de escrever algo ainda pior: O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

(publicado orinalmente no blog Leituras Paralelas http://leiturasparalelas.wordpress.com/)

site: http://leiturasparalelas.wordpress.com/2014/10/01/ensaio-sobre-a-cegueira-jose-saramago/
Rosângela 23/10/2015minha estante
muito bom, joinha pra ti !




Evelyn Ruani 20/01/2011

"Cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança".

Acho que é justamente isso. Era o que Saramago queria que enxergássemos. Que somos cegos a partir do momento em que perdemos as esperanças, em que deixamos nossos medos nos dominar, que não amamos os nossos próximos, que não pensamos em nossas atitudes. Esse livro é um soco no estômago, como Clarice uma vez disse sobre a vida! Cru, na carne, animal cheio de instintos.

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. E não é uma cegueira comum, negra como ouvimos falar. É como um mar de leite, branco. É o primeiro caso de uma epidemia que logo se espalha incontrolavelmente. Inicialmente os "infectados" são resguardados em quarentena em um hospício onde se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem de volta ao primitivo.

A leitura te leva a sentir tudo que os personagens sentem. Lembro que me sentia tão suja, tão incomodada e angustiada como os "cegos" no hospício e quando em certa parte do livro as mulheres tomam banho na chuva, lembro de me sentir limpa junto com elas. É incrível o modo de escrever de Saramago. Perfeito.

Um livo sensacional. Recomendadíssimo!
Mari 22/07/2010minha estante
Eu AMO esse livro! É um dos meus favoritos e o que me fez gostar tanto de Saramago!
É exatamente assim... a gente sente tudo o que os personagens sentem... uma aflição sem fim, e quando todos voltam a enxergar, um alívio... é realmente um soco no estômago!
Ótima resenha!




Cinara 17/06/2010

Claustrofobia
Brilhante, perturbador e claustrofóbico. A possibilidade efetiva da hipótese, ainda que remota, é assustadora, tornando a obra ainda mais intensa e definitiva. O reconhecimento da fragilidade de tudo o que nos envolve é inegável e racionalmente angustiante. Mais uma vez, Saramago consegue, a partir de elementos comuns do cotidiano, nos confrontar com nossa tão esforçadamente mascarada vulnerabilidade. Difícil de ler, difícil de esquecer.
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Limandrade 25/07/2012

Ensaio Sobre a Cegueira
Ensaio sobre a cegueira é sem dúvida um dos livros mais fantásticos da atualidade, não só pela sua estética, estilo, mas também pelo teor temático que o livro carrega. Quando você começa a ler Saramago, você mergulha não só numa atmosfera ficcional incrível, como também, passa a refletir em seus próprios conceitos, pressupostos, ideologias. Ensaio Sobre a Cegueira é uma olhar filosófico sobre o ser humano. Mas vamos ao resumo do livro antes de mais adjetivações.

O livro começa com um homem que está no trânsito e se desespera por do nada estar com a cegueira branca; Um outro homem se oferece para acudi-lo, mas na verdade esse homem tem um só objetivo: assaltá-lo. Após a realização do ato, o assaltante foge e quando menos percebe também passa a possuir a treva branca. Depois de todo esse problema, a esposa do primeiro homem a ser infectado, o leva ao hospital, o médico passa uns exames e em segida o dispensa. Consternado com esta nova epidemia, ele relata a sua esposa o ocorrido e quando menos percebe passa a ter a cegueira branca. Com o perpassar do livro, todos da sociedade, exceto a esposa do médico (que por sinal ajuda os infectados), passam a possuir a cegueira branca. E então o caos se instala sobre a sociedade.

A principio, quando estava pronto para mergulhar na leitura, fiquei com um certo receio, por causa do estilo do texto (romanesco) que até então não tinha tido nenhum tipo de experiência, mas depois que mergulhei, encantei-me e não conseguia mais para de ler. É interessante observar que todo o livro se resume na própria epígrafe "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara".

O reparar não consiste somente aos conceitos que norteiam nossa prática cidadã, mas para o outro; se observarmos bem, notaremos que todos os personagem antes de serem obrigados a conviverem uns com os outros, já tinham se esbarrado antes ,mas, delimitaram-se simplesmente ao olhar e não ao reparar. Outro aspecto que não podeira deixar de falar, é sobre essa treva branca, que segundo a visão deste blogueiro, consiste na incapacidade dos indivíduos de experimentarem outras filosofias, culturas. Essa treva branca impede o ser de adentrar em novos ares,já que estes acreditam que sabem de tudo, correto, erradoe... Em suma, essa cegueira branca consiste na incapacidade de novas percepções filosóficas.

É impossível não relacionar esse livro com o mito da caverna de Platão, que também apresenta a mesma reflexão sobre a natureza humana enquanto busca do conhecimento, novos ares, mundos.

E claro né, não poderia deixar de falar da mulher do médico, que como foi dito acima, foi a única que foi infectada pela epidemia. Como assim? Por que todos da população foram e ela não? Rsrs, é de impressionar como Saramago representou de maneira única a realidade através da arte. A mulher do médico representa dentro da obra, os lúcidos, ou seja, apesar da sociedade atual estar com a treva branca, existe uma minoria, mas existem aqueles que ainda são lúcidos, que buscam novas culturas, que reparam os outros individuos.

Em suma meus caros, Ensaio sobre a cegueira é muito mais que um livro filsófico, é um reflexo real do interior do ser-humano, não só enquanto aos alicerces, ideologias, princípios, mas sobre olhar que o individuo tem sobre o outro. Leitura super recomendada.

"Tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos."

"Uma coisa que não tem nome.Essa é a coisa que somos."

"Se podes olhar,vê.Se podes ver,repara."
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Areba 23/04/2010

'Ensaio sobre a cegueira' é muito bom, Saramago é mestre! Alcança o diferencial simplesmente com seu jeito peculiar de escrever. Enredo cheio de significado; tem-se q 'ver além do que pode ser visto', se aprofundar na história e no que ela quer passar. Um verdadeiro estudo sobre a natureza humana. "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara!" Recomendado!
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Roberta 06/11/2010

Desafio literário
Esse é meu primeiro contato com a obra de José Saramago e devo dizer que em muito me surpreendeu. A narrativa do autor foge completamente aos padrões, de forma que foi preciso uma adaptação com a leitura para que ela pudesse fluir naturalmente. (Saramago bagunça a pontuação. Ele Pode. Você, jovem escritor, nem tente)

Nenhum dos personagens possui nome, o primeiro cego contamina o médico, e a mulher do médico é a protagonista. Todos são tratados por descrições que lhes competem. E de fato o nome não lhes importa, sua identidade é a sua voz.

A história do livro é tensa, carrega o leitor até a mais profunda degradação do ser humano. "Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais" diz a mulher do médico, a única que não foi contaminada pela cegueira, trazendo-lhe o fardo de além de sentir a degradante situação em que vivem, poder vê-la.

Ler Saramago é um desafio literário, reconstruir um texto completamente fora dos padrões e recompor uma nova estrutura na sua cabeça. É uma viagem dentro do mundo da ficção e introspecção.
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Nica 17/11/2010

"Hoje é hoje, amanhã é amanhã, é hoje que tenho a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam."

O Romance Ensaio sobre a cegueira inicia com uma epígrafe retirada do imaginário Livro dos Conselhos:
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.
O fragmento surge como um prenúncio, levando o leitor a conhecer, antecipadamente, as características da obra que tem a mão: o tema, “visão” atribuída ao “ver”, numa dimensão mais profunda que o olhar, na intenção de observar, corrigir, remediar. As últimas palavras do médico, no penúltimo parágrafo do livro, reforçam a epigrafe: “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos, que, vendo, não vêem”.
A cegueira que afeta a sociedade é uma cegueira branca, uma luz forte, que não impede que olhem, mas que eles enxerguem através dela. Na verdade, o povo estava cego antes da cegueira branca, mas não o sabiam. Agora a claridade intensa os obriga a verem o outro sem enxergá-lo. O fio condutor do romance é sempre essa alegoria que leva não só as personagens como também o leitor a refletirem sobre as relações entre o individual e o coletivo, acendendo a luz para a solidariedade.
Alguns aspectos no livro ferem as instituições humanas, e vão além da desconstrução da honra e da dignidade que se abate gradativamente sob os personagens, é quando ocorre o apagamento do tempo, do espaço e da identidade. O tempo é um ícone essencial ao homem, dele depende seu presente, passado, futuro: a sua história. No romance, este tempo, é absorvido pela luz da cegueira, a percepção do tempo se faz sentir apenas na memória de cada um. Não há dia, noite, data, hora, os fragmentos do tempo tornaram-se irrelevantes. O espaço onde ocorre a tragédia também não é informado, assim não há referência de região ou país. O lugar em que o povo ocupa, trabalha e vive foi extraído, desta forma, o homem se torna um ser sem história, sem tradição, já que é do seu espaço que depende sua cultura, o conhecimento de si mesmo, suas referências mais íntimas. Já à identidade, símbolo individual do homem, foi apreendida pelo mal branco, as pessoas passaram a não serem mais o que pensavam ser, e o medo de serem o que eram superava o medo do estado em que estavam, desta forma, passaram a ser identificadas por outros meios: pelas profissões que exerciam antes de ficarem cegas, pelas relações de parentesco ou por traços físicos marcantes. Ao assumirem que os nomes são desnecessários ao seu relacionamento na quarentena, as personagens deixam implícita a trajetória que teriam de seguir, na descoberta dolorosa do eu e do outro. Com o passar dos dias, as máscaras sociais deixam de ser importantes e necessárias na instância de vida dos cegos na camarata.
Os códigos sociais, assim como os nomes, começam a se perder em um mundo governado pelos sentidos. Uma babel de indivíduos sem história, sem cultura e sem individualidade, e de naturezas tão distintas quanto às suas origens, fatores que dão à mulher do médico a impressão que a distância que separam os seres no mundo exterior se encurtara e a diversidade de problemas que afligem os homens se resumem no instinto de sobrevivência. Essa sensação se resume a uma frase: "O mundo está todo aqui dentro". São esses instintos primordiais do homem que revelam aos cegos que os disfarces sociais se fazem desnecessários no mundo, o qual agora vivem; o homem é o que é. Assim, ante a necessidade de estabelecer uma ordem na distribuição da comida, a fim de evitar trapaças, e mediante a afirmação de um dos cegos de que estão a lidar com gente honesta, alguém retruca: "Ó cavalheiro. O que somos de verdade aqui é pessoas com fome".
Saramago deixa sua marca em muitas características do livro como a desconstrução do espaço e do homem. Isso acontece em toda a sua obra, mas outra marca também é percebida na construção dos personagens onde ele consegue colocar o leitor, do narrador e do escritor como participantes da narrativa, estes atuam ativamente em todo o percurso do livro, todos refletindo enquanto cidadãos do mundo, na história da humanidade.
O narrador e o leitor estão no enredo em todos os momentos do discurso, são eles integrantes e sobreviventes do horror da cegueira branca, ambos guiados pela mulher do médico e com ela travaram, por varias vezes, sutis diálogos dignos de atenção pela profundeza das mensagens. “Somos todos passageiros”, como diz o escritor (por ele mesmo). E sobre o escritor, ele escreve a sua própria historia de desconhecimento, alienação e desesperança.
A verossimilhança presente no livro reforça a alcunha de visionário atribuída a José Saramago. O livro é um feixe de violência contra o homem e seus costumes mais íntimos e o autor não poupou o leitor de seus alvos mais grotescos. Nas camaratas, os animais, aos quais os homens se tornaram, estavam protegidos pela estrutura física e fiscal, no entanto ao saírem estavam expostos ao mundo, que se tornou um verdadeiro caos, lembrando alguns momentos trágicos da atualidade como a que abateu o Golfo do México com o furacão Katrina que destruiu a cidade de Nova Orleans, em 2005, ou ainda o terremoto do Haiti no início deste ano, ambos deixando milhares de mortos. As imagens mostradas pela mídia pareciam cinematográficas, ou ainda, o livro Ensaio sobre a cegueira, animais e pessoas mortas espalhados pelas ruas e montanhas de lixos e destroços sendo saqueado pelos sobreviventes famintos, sedentos e cansados de esperarem por resgate, em meio ao mau cheiro dos corpos em putrefação lutavam para sobreviver, ouvindo das autoridades que não teriam tolerância com aqueles que tentassem tirar vantagem da catástrofe.
Tudo isso nos leva a crer, que a tragédia da cegueira coletiva do romance de José Saramago é uma mensagem ao leitor de que não se deve reger a vida com racionalidade, e enquanto usamos a razão contra o senso estamos contra a própria existência. Alerta para que, não pode haver argumentos que nos separe do respeito humano, pois a solidariedade não deve ser exceção, mas regra. O romance lembra ainda, que a inteligência humana se comporta às cegas e não sabe aonde vai nem quer sabê-lo. Pode-se concluir ainda que, nos falta muito para chegar a sermos, autenticamente, humanos e que para isso devemos mudar a direção do nosso caminho.


Arrieiro 21/11/2010minha estante
Posso propor uma discussão? O que é um humano "autêntico"?

Na verdade, o humano autêntico é cada um daqueles que passou pela experiência proposta por Saramago. Altruísta ou egoísta, humanista ou individualista, cedendo a seus sentimentos primitivos ou resistindo a eles. Como diria Nietzsche, assumindo a sua "ruindade".

Artificial é a tendência de padronizar o ser humano, distanciando o indivíduo de suas tendências de autopreservação. O ser animalesco é natural; o humanista é criado e artificial (mudar intencional e racionalmente a direção do nosso caminho).Mas, por isso, se torna menos desejável?

Está aí a proposta.

Ótima leitura.




Radige Hanna 05/06/2011

Crítica sobre o livro: Ensaio sobre a cegueira.
Horrível!
Foi uma grande decepção ler este livro.
Estou espantada de como tantas pessoas conseguem elogiá-lo!
No início a história parecia interessante, mas a medida que fui explorando mais páginas ela foi se tornando extremamente fantasiosa e ridícula.

Já li outro livro de José Saramago que gostei muito:
"O conto da ilha desconhecida". Este eu recomendo.

Mas não recomendo Ensaio sobre a cegueira... quem quiser ler e tirar suas próprias conclusões fique a vontade, mas se você tiver um grande senso crítico como tenho acredito que não vá gostar.
(Corrigindo: se tiver um sendo crítico parecido com o meu. Não desmereço o senso crítico dos outros, afinal, cada um tem sua interpretação das coisas).

Aí podem me perguntar: "Se não gostou porque não abandonou a leitura?"
Porque por pior que seja o livro quando eu começo vou até o final.
Pois tem uns livros que até as últimas páginas acho ruim e quando chega próximo do final a história faz uma volta completa que me faz achar incrível.
Por isso independente do que estou achando durante a leitura do livro vou até a última página, e se não gosto - como detestei este - tenho como dizer que o livro é ruim até a última página!


Autora da Crítica: Radige Hanna.
Guga 17/11/2010minha estante
Horrível? Por que? O que não te agradou? A narração, a estória, ou você não entendeu a metáfora? Você tem senso crítico? Será que as pessoas que escolhem o Nobel não têm senso crítico?



Radige Hanna 18/11/2010minha estante
Eu entendi a metáfora, mas achei muito mal feita e exagerada.
Não importa se ele ganhou Nobel ou não, o que me faz dar esta opinião é o que eu li e achei dele.
Foi uma metáfora mal feita e fantasiosa demais.
Uma 'cegueira' que vem do nada e vai embora do nada sem nenhuma explicação não tem lógica, e mesmo histórias fantasiosas para mim tem que ter um sentido, uma razão de acontecer ou um fim que finalize a história ponto um sentido em toda ela.



Guga 18/11/2010minha estante
Que pena que você não gostou. Mas recomendo que leias outros do autor.


Radige Hanna 18/11/2010minha estante
Eu li 'O conto da ilha desconhecida' e gostei bastante dele.

Na crítica que eu falei aí em cima eu escrevi errado, em vez de perdida(que é o que escrevi) é desconhecida.


Arrieiro 21/11/2010minha estante
Respeito sua opinião. Pensei o mesmo quanto ao livro "O Monge e o Executivo" - estória desnecessária para ilustrar um ponto que poderia ser tratado de forma mais direta.

Há uma frase na sua crítica que incomoda: "[...] senso crítico como [eu] tenho[...]". Se posso sugerir, pondere sobre o fato de que duas pessoas com pleno senso crítico podem divergir completamente em suas opiniões. Ter uma opinião diferente não diminui a capacidade interpretativa de nenhum dos dois leitores - sua ou do outro.

Quanto ao livro, acho uma ótima leitura. Nós vivemos, hoje, o que foi a ficção há poucas décadas atrás. Você está cientificamente equivocada quando pensa que doenças não surgem e desaparecem "do nada". Houve uma época em que não havia conhecimento médico e ainda sim a espécie humana sobreviveu; olhe para os animais e perceberá que adoecem e se curam espontaneamente; leia as pesquisas sobre placebos e perceba pessoas se curando com remédios feitos de açúcar (sem qualquer princípio ativo). Uma doença que afete a visão das pessoas, não nos olhos, mas nas terminações nervosas, seria plenamente possível. E é justamente a criatividade do autor de imaginar uma cena completamente externa à realidade mas plausível que torna o livro interessante.

Acho que o que mais te incomoda no livro é a falta do personagem-deus. Aquele personagem, ou o próprio narrador, que explica tudo, muito comum na literatura e nos cinemas (lembra dos intermináveis discursos dos vilões? risos). Porém, a vida não é assim - não há explicação conhecida para tudo o que ocorre ao seu redor - e a arte está se adequando a essa sensação de falta de explicações ou de propósito presente na perspectiva dos ateístas, como foi Saramago.

Porém, o que é mais plausível no livro, é a narrativa das reações das pessoas: perceba a clareza como o livro trata de questões éticas como a liderança (quando o médico recusa a liderança, permite que uma pessoa moralmente menos adequada assuma o comando) o julgamento de valores (quando matar um indivíduo não se trata de um assassinato? Até que ponto uma pessoa privilegiada tem a obrigação de colocar-se a serviço do próximo, abrindo mão de seus propósitos pessoais?) - tudo só seria possível em um cenário caótico.

Um grande abraço, com todo o respeito.

Ótima leitura

(PS: eu odiei "O SEGREDO" e não tenho a menor idéia de como podem elogiá-lo! risos)


Radige Hanna 21/11/2010minha estante
Fazendo uma pesquisa sobre o que você disse sobre as doenças que podem surgir do nada, até certo ponto eu concordo com você.

Mas uma interpretação sua do que eu disse eu não concordo: O que senti falta no livro não foi da figura de um Deus que explica tudo - porque eu acredito mais no poder da ciência do que no de um suposto poder maior - senti falta de um nexo na história que eu achei fantasiosa demais.

E eu concordo com você, o fato de alguém gostar ou não - desde que seja um motivo pessoal de interpretação - NÃO desmerece a opinião da pessoa como sendo inferior.
E a minha intenção quando eu disse "Tendo o grande senso crítico que tenho" não foi essa. Minha intenção foi dizer que tendo a interpretação crítica que EU tive, também não deve gostar do livro.
Mas desde que seja plausível, eu não desmereço a opinião dos outros.

PS: Eu também achei o livro "O Segredo" ilusório demais... com essa teoria de que basta pensar que consegue que a pessoa conseguirá, no dia-a-dia não é bem assim que funciona né.


Arrieiro 23/11/2010minha estante
Sim, claro.

O personagem-deus não é um DEUS de fato, mas algum dos personagens ou o próprio narrador que conhece todos os fatos e todos os pontos de vista e que, com este conhecimento, explica ao leitor todos os fatos da narrativa.

Vou dar um exemplo: Morpheus no filme MATRIX é constantemente confundido com um personagem-deus, porque ele sabe o que é a Matrix e o que é o mundo real (ou pensa que sabe) e, por meio de seu diálogo com o Neo, explica para o espectador o enredo do filme. (eu digo que ele é quase um personagem-deus porque ele, na verdade, não sabe o que é o mundo real.)

Nesta obra de Saramago, não há um médico, neurologista, espiritualista nem ele próprio, como narrador, explica o surgimento ou o ciclo da doença que atinge aquela população. Não explica a extensão ou o meio de contágio. Não explica o comportamento das pessoas; apenas o descreve. Enfim, o leitor sabe tanto quanto qualquer outro personagem; claro, com a única diferença que o narrador explora, um pouco, o pensamento dos personagens - o que só podemos inferir na vida real.

Ótima leitura.


Radige Hanna 24/02/2011minha estante
Arrieiro.

E é justamente neste ponto que você disse agora, e que se desenvolve o livro, que EU não gostei.

Para mim tem que ter um motivo por trás do surgimento das coisas e uma doença que não tem a menor explicação é ridícula e fantasiosa.
E não só a doença mas o modo como as coisas se desenvolvem e a linguagem que ele usa para descrevê-las não me interessou.

Se você gostou(como muitas outras pessoas) que bom para você, mas eu não gostei e não recomendo.


Sergio Carmach 24/05/2011minha estante
Oi, Radige. Cheia de opinião você, hein! Legal, gosto disso! Tem gente que só sabe repetir o senso comum e não diz nada de novo quando se mete a avaliar algo. Já você tem a capacidade de falar por si. Eu também não achei esse livro as mil maravilhas. Na verdade, tenho certa pinimba com os livros do Saramago, pois acho horrível a forma como ele escreve, colocando os textos em blocos únicos e usando mal a pontuação. Porém, quanto à história em si, acho que ela deve ser interpretada sob um prisma filosófico. Talvez assim você até comece a ver sentido nela. Se tiver paciência, dê uma olhadinha na análise que fiz do livro em meu blog http://sergiocarmach.blogspot.com/2011/01/reflexoes-sobre-cegueira.html .


Radige Hanna 03/09/2011minha estante
Não gostei do modo como ele elaborou a crítica, existem várias maneiras de dizer a mesma coisa. Não me interessou o modo esdrúxulo como ele expõe a narrativa e a solução final para a grande cegueira não me convenceu.

A mensagem que ele quis passar é interessante, mas não o modo como ele a passou.


Alessandro 01/10/2014minha estante
Parabéns pela coragem em criticar Saramago! É difícil encontrar vozes dissonantes em relação a obra dele.
Eu também odiei o livro: muito pessimista, cheio de alegorias apenas para mostrar como o capitalismo é malvado e o comunismo é a solução para todos os males.
Mas fui até o final e estou escrevendo uma resenha que provavelmente irá chocar os admiradores do velho comunista hormonal.




Patty 05/01/2009

Uma leitura realmente fascinante. Nos faz refletir sobre a condição humana e percebermos o quanto podemos ser bons e ruins.
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Priscilla 20/01/2010

Com certeza eu esperava mais desse livro de Saramago. A leitura é difícil devido a falta de pontuação e a história não dá a lição de moral e de vida que eu esperava encontrar no livro.
Juni Radioactiv 15/02/2012minha estante
Lições de moral são bobagens, que só pessoas medíocres exigem dos livros. Livros são entretenimento, antes de serem professores. Acho que um livro não ensinar nada não o torna ruim. Pra falar a verdade, é até mesmo muito bom, quando um livro não tenta passar lição de moral. Coisa que se vê muito em livros e filmes americanos que mais parecem coisa de livro de auto-ajuda, que pra mim, são a forma mais medíocre de literatura, por que ilude as pessoas com um otimismo bobo. Se você é uma pessoa acima da mediocridade, não vai precisar ficar levando lição de moral, nem tentando dar. Pra mim, Saramago faz muito bem, em fazer sua crítica sem esse senso moralista que infesta o mundo, só fazendo com que a humanidade, cada vez mais, regrida, se escondendo dentro de si mesma, se reprimindo, em nome de uma tal "moral". Livro muito bom.




Paty 18/02/2014

Saramago cria um mundo de cegos para mostrar o que é o mundo verdadeiramente. A obra “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago é um convite a fazer-nos perceber nossa própria cegueira e, antes de tentar recuperá-la, que respeitosamente reconheçamos o heroísmo da pobre esposa do oftalmologista expresso no seguinte adágio:

“Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego [...]” (p. 135).
Arsenio Meira 18/02/2014minha estante
Opa, que esse Saramago merece toda luz.
Vou ler, ora pois. (Triste e bela advertência da personagem.)




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