Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Fran Kotipelto 04/02/2011

Little white shadows sparkle and glisten

"Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso." José Saramago.

Ensaio Sobre a Cegueira conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença.

O foco principal do livro não é de maneira nenhuma tentar desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado,fazendo com que a os afetados pela epidemia mostrem aquilo que no fundo no fundo todos os seres humanos são: "tremendos filhos da puta".

Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente,voltando a perceber como é doce e suave o cheiro da chuva,o quão valioso é um abraço sincero em um amigo,o sentido de viver em grupo,um mundo cego,porém altruísta,onde chorar não é vergonha,ter medo é uma dádiva,e viver é mais humano.Distante da rotina vagabunda de um cotidiano medíocre que nos habituamos a viver infelizmente.Mas que graças à José Saramago,a cegueira nos fez enxergar!
Alan Ventura 04/02/2011minha estante
O título seria de White Shadows do Coldplay?


Luh Costa 10/02/2011minha estante
Querida, sua resenha está belíssima.
Adoro o Saramago e tenho muita vontade de ler esse livro, depois que li sua resenha a vontade de ler aumentou!
Continue assim.

Abraço


Fran Kotipelto 11/02/2011minha estante
é sim,White Shadows. =)


Jow 14/02/2011minha estante
"O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter."

Belíssima constatação, belíssima resenha!


Gláucia 06/03/2011minha estante
Adoro esse livro, é dos meus preferidos e essa resenha está à altura da beleza da obra. Belas palavras, linda descrição.


Lore 07/10/2011minha estante
Concordo com tudo o que você disse.
Li o livro e agora é um dos meus preferidos.A única coisa ruim foi eu ter assistido o filme antes de ler o livro ,o filme não chega aos pés do livro,mesmo com a atuação de Julianne Moore.


Fernanda 16/05/2012minha estante
Ótima resenha sobre este livro!


GPSLopes 13/09/2012minha estante
O negócio da adaptação é que esse livro é do tipo que não pode ser adaptado, por isso o filme, apesar de ótimo, de jeito nenhum é tão maravilhoso quanto a obra de Saramago.


Don 13/01/2013minha estante
Ainda que talvez não( ainda que sim, esteja) clara, vivemos em uma época carente de humanidade, em uma espécie de "apocalipse zumbi", onde o vírus denominado capitalismo contagia o homem com uma espécie de doença furiosa, onde o homem mata, trai, engana, mente, destrói e o objeto dessa luta feroz, o alimento pelo qual o homem luta é o dinheiro. Por isso essa identificação e o porquê dessas histórias onde em um mundo destruído em que os homens deixados a seus puros instintos animais buscam encontrar a sua "humanidade"! O livro é magnífico, porque sim, isso é algo que como o mundo busca, eu busco e tanto me fascina.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem.


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E api abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.


Teco 11/02/2013minha estante
Ensaio Sobre a Cegueira: É T.F.D.P., CBJR. Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar. "Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, *variáveis são as variações e não evolução / mas que passem a diversidade enriquecedora sem esquecer de um essencial que assim os faz, que vem, comcerteza, de estágios de bondade e paz, boa comunicação e energia.



Fah 03/10/2013minha estante

Achei que foi muito horror, muito mais horror do que crítica.
Horrores temos cotidianamente.


newton 11/05/2014minha estante
Fran, comprei este livro hoje. Sua resenha é qualquer coisa de "perfeita" e graças a ela me sinto mais encorajado ainda para iniciar a leitura.


Crisinha 04/07/2014minha estante
Gata sua resenha me fez ter o desejo desesperado de ler esse livro custe o que custar.! obrigada!


Cláudia Matta 25/01/2015minha estante
Eu sofri demais.


Vagner 22/07/2020minha estante
Há tempos "Ensaio sobre a Cegueira" estava na minha lista de leitura. Somente agora em tempos de pandemia, tive coragem de me aventurar pelo caos da cegueira. Qualquer similaridade é pura ficção.




Daniel.Schaefer 22/07/2020

TORNOU-SE MEU FAVORITO
Não havia época melhor para ler, do que no meio da pandemia, não é verdade? Deixo registrado que o li na metade de 2020 e que foi muito importante para mim.

Ensaio Sobre a Cegueira é um livro sobre os desastres acometidos pela humanidade, ao não estar preparada para uma avassaladora epidemia, onde as pessoas ficam cegas. Ninguém estava preparado para algo desse porte e o caos se estabelece entre todos. Temos os personagens definidos de forma que muitas vezes, a sociedade os reduz, como por exemplo "A Mulher do Médico" ou "O Ladrão de Carros", e esses personagens são extremamente bem construídos, especialmente A Mulher do Médico, que para mim é a melhor personagem da obra, e devo arriscar dizer, uma das melhores que já vi na Literatura. O questionamento dela, quando comete uma atrocidade (que não revelarei por motivos de não entregar a trama), é certamente a parte chave, fundamental da obra.

José Saramago tenta nos colocar sobre a pergunta "Mas e a nossa sociedade atual, já não estamos cegos?" Para quantos assuntos sociais nós estamos cegos? Pego como exemplo, o fato de termos enquadrado assuntos importantíssimos como a Sexualidade, reduzindo-o como se fosse uma pauta política? E quando nos deixamos cegar, concordando com essas opiniões? A respeito da quarentena atual, quantas vezes ficamos cegos perante atitudes alheias e principalmente, as nossas atitudes. E será que estávamos preparados para um isolamento? Pois é...

A cegueira é uma metáfora belíssima, e tratar do assunto de como o ser humano se comporta em uma situação extrema, é algo complicado ao meu ver. O escritor aqui faz de forma impecável. Tudo nesse livro é bem construído, e até a mudança nas regras gramaticais são como um deboche do autor, assim como uma certa licença poética, revelando o quão estamos regrados a todos os dogmas que nos foi ensinado.

OBRA GENIAL! Putz, não importa o gênero literário que você curte, leia esse livro. Porém devo te alertar, sobre dois gatilhos dentro do livro: abuso sexual e suicídio. É um livro pesadíssimo, e quem tem o mínimo de estômago, deve apreciar a obra como um todo. Ela se dispõe a mostrar de forma nua e crua, o que o ser humano é capaz, e das consequências do que ele não se prepara para enfrentar.

Se gostaram, segue no Insta, pretendo falar mais dela em breve: @escritordanielschaefer

site: https://www.instagram.com/escritordanielschaefer/
Carol.Cuofano 22/07/2020minha estante
Meu livro preferido da vida. A adaptação cinematográfica vale a pena ser vista, caso ainda não tenha feito


Dan 22/07/2020minha estante
Ótima resenha! ?????


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Ainda não assisti Carol, fiquei sabendo do filme depois que terminei o livro (ainda bem). Sei que foi esnobado nas premiações, uma pena, pois a obra literária ganho um merecido Nobel.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Vou correr assistir quando esquecer um pouco dele, para experienciar alguns eventos (especialmente os mais pesados).


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Valeu Dan


Sasaki 22/07/2020minha estante
Realmente um livro maravilhoso, me surpreendi quando li, se tornou um dos meus favoritos também


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Você pega o livro, já sabendo sobre a epidemia, o desastre. Mas aí vai lendo e ficando cada vez mais boquiaberto com os acontecimentos, com as filosofias dos personagens, e com a narrativa que possui muito suspense.


Amanda 22/07/2020minha estante
Depois dessa resenha quero muito ler, parabéns!!


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Aaaah tô tão feliz com seu comentário Amanda, sinal que devo investir nas resenhas, tenho muito o que falar sobre as coisas que eu leio, mas um pouco de timidez, sabe? kkkk' é a minha primeira resenha, então muito obrigado.


Carol.Cuofano 22/07/2020minha estante
Sim, o filme foi esnobado nas premiações. O próprio Saramago elogiou muito o filme. Alguns eventos muito pesados do livro foram suavizados na tela para ser possível assistir.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Eu já estava pensando a respeito disso Carol, e digo AINDA BEM.
Acho que as premiações estavam procurando um certo modelo de filme para alavancar, uma certa crítica social. Naquela época, eram artistas, figuras importantes e injustiçadas, creio eu. Depois veio outras febres, como a questão do racismo, da homossexualidade, de autocriticar a indústria do cinema, e etc. Uma pena, a perda é do público que não ficou sabendo. Pelo menos na Literatura ele é muito requisitado.


Carol.Cuofano 22/07/2020minha estante
Ainda bem mesmo! Na época li que algumas cenas bem pesadas chegaram a ser filmadas e algumas pessoas convidadas a assistir, como forma de teste e não foi possível mantê-las. Eu conheço muito do universo do cinema para entender a não premiação.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
O meu filme favorito da vida foi esnobado em todas as premiações possíveis, e até hoje é esnobado do canone: Mulholland Drive ou Cidade dos Sonhos, do David Lynch. Também, olha só a coincidência, tem uma personagem feminina incrível, com bastante ambiguidade e complexidade, e é uma autocrítica a sociedade, a indústria, etc. E tem um molde bem estranho, quebrando várias regras do próprio cinema, como a linearidade da narrativa cinematográfica. Caso não tenha assistido, fica minha indicação Carol.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Ai ai, ainda bem que as Academias não ditam tudo, como a qualidade. O que mais me irrita são os boicotes para as atrizes indicadas, sempre há uma deixada de fora, como o caso da Toni Collette por Hereditary. Vitórias questionáveis também... muito problemático, espero que isso um dia melhore. Acho as escolhas do Emmy, que premia séries de TV, algumas das que mais dou crédito, porém eles cometem exageros, como o caso de Game of Thrones na sua última temporada.


Nice (book.is.nice) 22/07/2020minha estante
Parabéns pela ótima resenha. Essa obra é maravilhosa e também gostei muito da adaptação dela para as telas. As questões que o livro aborda são muitos pesadas, nunca me esquecerei do "rei", de como ele "conquistou" o poder e de como conseguia ditar as regras, simplesmente por ter a posse dos suprimentos do local.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Oba, mais alguém curtindo minha resenha. Muito obrigado Nice! E nossa, essa parte me dá um embrulho no estômago, argh que ódio, que asco. Me deixaram bem curioso sobre a adaptação.


Daniel.Schaefer 22/07/2020minha estante
Não esperem a quarentena acabar pra ler o livro, não há hora melhor de lê-lo e refletir sobre a nossa sociedade.


Eliana 23/07/2020minha estante
Que resenha incrível, preciso ler urgente! Tão boa quanto o livro é a tua resenha. Parabéns!


Daniel.Schaefer 23/07/2020minha estante
Resenha nota máxima então? kkkk' Obrigado Eliana, fico bobo de ler esses elogios. Leia mesmo, obra impecável!


Mariana 23/07/2020minha estante
Nossa, que resenha!!! Fiquei com vontade de ler o livro pela sua resenha! Parabéns!


Daniel.Schaefer 23/07/2020minha estante
Obrigado Mari, leia mesmo, é tudo isso e mais um pouco.


Raya 24/07/2020minha estante
Saramago é sensacional


Daniel.Schaefer 24/07/2020minha estante
É o primeiro e por enquanto o único dele que eu li. Já estou pensando em ir para um próximo, ainda não sei qual.


Raya 25/07/2020minha estante
Sou suspeita ele é um dos meus autores preferidos... talvez "as Intermitências da morte" livro curtinho, rápido e com nível Saramago.


Daniel.Schaefer 25/07/2020minha estante
Só de ler a sinopse desse livro que você me indicou, já fiquei todo arrepiado. Acrescentei na minha lista de Quero Ler, obrigado Raya.


Raya 25/07/2020minha estante
Reli a sinopse e me deu vontade de ler novamente rs ?


Daniel.Schaefer 25/07/2020minha estante
kkkkkkkkkk se não fosse por tantos livros na minha lista, eu relia 1984 e Grande Sertão Veredas, dois livros que tenho muita vontade de ler novamente, só com a sinopse, mas tenho tantos novos que é difícil


Raya 25/07/2020minha estante
Sei exatamente como é hahshahshahahs




Taryne 12/11/2010

Inquietante, claustrofóbico, genial. Este livro revela todas as faces humanas, mostra o que há de mais podre no ser humano. Gera uma reflexão assustadora sobre o que aconteceria se um caos como o "mal branco" se instalasse no mundo, o que de fato aconteceria se de uma hora para outra uma epidemia de cegueira surgisse? Ou será que já somos cegos que podem ver e ainda não nos demos conta disso?

Durante a leitura, nos imaginamos cegos, perdidos, famintos e imundos. Não somos mais nós mesmos, mas aqueles personagens sem rosto, sem olhos, sem nomes. Aflição, falas misturadas... Se trata de uma narrativa poderosa e necessária, onde nos sentimos completamente dentro da história. Meu momento favorito foi o banho das três mulheres, pois pude sentir todo o alívio e compaixão delas.

A escrita de Saramago, criticada por muitos, não me incomodou nem por um segundo, para mim, só ajudou a expressar toda a angústia e asfixia presentes na obra.

Me vi tão conectada com história, tão absorta naquele universo, que a leitura fluiu perfeitamente. Talvez isso se deva ao fato de já ter lido outros livros com a mesma urgência de "Ensaio sobre a Cegueira", como os contos do Caio Fernando Abreu e "As Meninas", da Lygia Fagundes Telles. Você, que está fugindo desse livro por conta da falta de parágrafos e travessões, faça um esforço! Não vai se arrepender.
Ruan 21/08/2010minha estante
Muito bom seu comentário, aprovadíssimo hehehe, ninguém deve fugir de um livro pela dificuldade de ler, eu jamais abandonei um.


Marcoux 11/02/2011minha estante
Claustrofóbico. AHAH, adorei.


re646 10/03/2011minha estante
adorei seu comentario
eu n vi nenhuma dificuldade em ler o livro e eu tinha 16 anos qdo li
axei super legal tbm


Luciana 17/04/2011minha estante
Aluguei o filme e fiquei paralisada, sem piscar, indignada, perplexa! O filme é muito forte mesmo e agora quero experimentar a leitura do livro.
A resenha está ótima!!!!


Tassiane 07/06/2011minha estante
depois de ler a sua resenha, fiquei mais inquieta para ler o livro. Meus parabéns!


Adimar 07/04/2012minha estante
Putz! abandonei o livro porque foi muito angustiante le-lo, a poucos dias assisti ao filme, mas realmente é uma obra prima...


Teco 05/02/2013minha estante
É T.F.D.P., CBJR.
Coração vago, o de espinho, é o que tem a verdadeira indiferença. É um agir brutal e indiferente, seco, gelado. Os aflitos que comandem e caminhem a não hipocrisia, a verdade, o altruísmo, o sentimento de dor constante em busca do bem, que serena, que descobre o amor como a maior força e acima de tudo, e tem um acalmar em viver em alegria e não pressionado por aparência e artimanhas seja só de um espírito em estado ruim ou em medo coletivo; artimanhas para arte e manha de humanização. Construiremos, descobrindo as vidas iguais e sonhos de mesmo valor. O homem cresce não em endurecimento de cinismo, mas em bondade e estados mais pertos disso e desta descoberta que pode ser mais constante ou uma luz, diferenciando os que vivem e os que não. Duro e difícil, mas a maioria é engolida pelo mal enquanto que pensa que o que engolir e é realmente, o bem. Não fazem uma nem outra, seres de não seres, cegos. Mas há bondade de coração e os assim já valem. Também há iluminados e verdadeiramente presentes sem as formas de ser e "maquinário" seculares, sob formas diversas em diversaas eras, mas tão parecidas. Que sejamos guiados pelo bem, como um "ceguinho" os é. E ai abriremos os olhos, pra MUITA coisa, dentro de si, mas únicamente aprofundados, variáveis são as variações e não evolução. Bom livro, excelente, que metáfora, e que nos guie, torcendo pra melhores situações e estágios, trabalhando o bem pro dia do enxergar ou mesmo acordar.


Raquel.Araujo 31/01/2020minha estante
A escrita sem parágrafos e pontuação me ajudou a ler muito mais do que estou acostumada, quem dera os livros fossem todos assim! Minha parte favorita também foi a das três mulheres se banhando na chuva, o que nos mostra a iniciativa substancial do corpo feminino, me fez refletir nos mínimos rituais de autocuidado com o corpo que fazemos diariamente não nos damos conta do privilégio que temos ao alcance das mãos. Assim como, me deixou fascinada a o ato de bravura da mulher do médico na ala dos cegos malvados, momento de glória e respiração aliviada.




Jonara 18/04/2010

Poucos livros me fazem chorar, e este me fez chorar três vezes, em três das cenas mais lindas e comoventes que eu já vi descritas:
1 - A hora em que a mulher do médico sai sozinha em busca de comida, e vê os outros cegos andando nas ruas, no meio da chuva
2 - Quando eles brindam em taças de cristais
3 - A cena do banho das três mulheres

Não dou detalhes, porque não quero estragar a leitura de ninguém. É tudo tão comovente que te faz repensar todos os valores de toda a tua vida, te faz redescobrir os sentidos. A visão, o som, o tato, o cheiro, o gosto. Tantas pequenas coisas que de tão banais, ignoramos, mas se nos privam delas, enlouquecemos! Como é importante reaprender a viver. Que responsabilidade tem aqueles que tem olhos, quando todos os outros não tem! Uma metáfora da vida e da nossa cegueira perante ela. Um assombro! Mudou a minha vida para sempre.
Fabricio~Raito 10/09/2010minha estante
Eu tambem chorei muito na parte das taças. É muito comovente, e eu não consigo sentir muito isto em livros.


Lennon 18/07/2013minha estante
A cena do banho é realmente bela. Você fez uma resenha simples e bonita.




Day 15/07/2020

Adorei a leitura! De início achei a forma que Saramago escreve estranha, depois me acostumei. Esse livro retrata como estar à frente de situações de calamidade pode trazer a tona sentimentos altuistras em uns e egoístas em outros. E nada mais verdadeiro do que a atual situação do Brasil pra comparar a isso, enquanto alguns pensam no coletivo e tentam frear a epidemia, se ajudam, ajudam as pessoas de grupo de risco para que não se exponham, por outro lado tem os que não estão nem ai se vai morrer gente, não tá nem ai pra fazer sua parte, pegam auxílio sem precisar, cobraram pra ajudar famílias carentes a se cadastrar, só pensam em si mesmo e, talvez, nos seus.
Cada página uma surpresa, fiquei louca pra saber o final, se iam conseguir se alimentar, se iam conseguir ficar bem.
Pra quem já está muito sensível psicologicamente não recomendo, aos demais, vão fundo.
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spoiler visualizar
Eduardo 06/02/2020minha estante
Fé no pai que o meu Saramago em 2020 sai!


César 06/02/2020minha estante
Vai sair sim ??


Fabrício 06/02/2020minha estante
Em vida Saramago deveria ter sido preso. Inventar uma história dessa acaba com que lê. Rss


César 07/02/2020minha estante
Pior que é, o único resquício de fé que eu tinha na humanidade ele terminou de destruir kkkk




Thaís | @analiseliteraria 08/06/2020

Digno de um Prêmio Nobel...
José Saramago, escritor português, foi o único a escrever em língua portuguesa e ganhar um Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Dentre suas obras, a mais lida trata-se de Ensaio sobre a Cegueira, publicada em 1995.
Em Ensaio sobre a Cegueira, uma cegueira branca acomete inexplicavelmente a população. Tudo começa quando um motorista está parado no sinal vermelho e de repente fica cego, um mar de leite submete sua visão. Logo várias pessoas vão cegando. Sem explicação para o fenômeno, o governo coloca de quarentena todos os “novos cegos” em um manicômio. Diariamente o lugar recebe novos acometidos. Dentre todos eles, havia uma mulher que enxergava, mas não ousava dizê-lo, foi até lá junto do marido, para que pudesse cuidá-lo. Neste ponto, qual a responsabilidade de ter olhos quando mais ninguém pode ver?
São tantos os aspectos que tornam essa obra única, que corro o risco de ser simplista ou reduzi-la a pouco.
Poderia dizer que essas pessoas são reduzidas a animais. Perde-se a dignidade e a civilidade, qualquer senso de organização não existe mais e estão todos “no mesmo barco”. No entanto, entre os próprios cegos, surge um outro cego para explorá-los. Roubando toda a comida, começa a exigir pagamento para que ceda o alimento aos outros. Mas que dinheiro haveriam eles de ter ali, naquelas condições? Primeiro, cedem todos os bens de valores que ainda guardam consigo. Depois cedem as mulheres para serem estupradas em troca do alimento. Qual animal faz isso? E algo muito semelhante não acontece na nossa chamada civilidade?
Não se trata apenas das dificuldades em não ter um dos sentidos. “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem”. O livro é sobre isso, sobre podendo ver, escolher não ver. Em uma entrevista à Folha de São Paulo, Saramago disse que o instinto serve melhor aos animais que a razão ao homem, que estamos todos cegos, cegos da razão, que não usamos a razão para defender a vida, mas para destruí-la de todas as maneiras, no plano privado e coletivo. É sobre isso o caráter dos acontecimentos da obra e o paralelo com a realidade.

site: @analiseliteraria
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Isabella.Lubrano 07/08/2015

Mais cego é aquele que não quer ver
Um acontecimento fantástico e inexplicável toma conta da cidade – subitamente, todas as pessoas começam a ficar cegas.

Mas essa é uma cegueira diferente, branca como um mar de leite, que a ciência não consegue diagnosticar, muito menos curar.

A primeira coisa que o governo faz é mandar os primeiros infectados pruma espécie de quarentena, onde eles ficam isolados, sem comida, e começam um processo de degeneração que chega à barbárie.

Mas isso não resolve, porque logo o mundo do lado de fora começa a ficar cego também, até as pessoas no governo, que vai deixando de existir.

Aos poucos, as ruas são tomadas por milhares de pessoas cegas e perdidas, porque no momento em que ficam cegas, não conseguem mais achar o caminho de casa.

E naturalmente a comida pára de ser produzida nos campos, os supermercados são saqueados por multidões famintas, e em pouco tempo as ruas se enchem lixo, excrementos e outras imundícies – porque não há mais ninguém pra limpar.

Foi esse cenário apocalíptico, e as reflexões que ele traz sobre a natureza humana e a vida em sociedade, que tornaram famoso o autor português José Saramago e o seu premiado livro “Ensaio Sobre a Cegueira”.

Saramago, pra quem não sabe, foi o primeiro e único escritor de língua portuguesa condecorado com um prêmio Nobel de Literatura.

Injustiça com Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros, é verdade, mas é mais do que justo para o Saramago, que faleceu em 2010 e deixou um conjunto de obras fascinantes e transformadoras.

No Ensaio Sobre a Cegueira, que em 2008 virou filme do diretor Fernando Meirelles, a pergunta é: de que adiante ter visão com os olhos, se a humanidade não consegue enxergar as injustiças que estão embaixo do nosso nariz?

Ao perder a visão, os personagens de Saramago deixam escapar da jaula da civilização os animais que ainda habitam nelas. Mas que, com ou sem os olhos, continuam a ser animais.

De certa maneira, Ensaio sobre a cegueira é um soco no nosso estômago – um livro forte, que mete o dedo na ferida, mas ao mesmo tempo hipnotizante.

E você nunca mais vai ouvir do mesmo jeito aquele ditado que “mais cego é aquele que não quer ver”.

Ficou curioso? Assista à resenha completa no meu canal, clicando no link abaixo:

site: https://www.youtube.com/watch?v=AMmS1YX9qgQ
Blésman 08/08/2015minha estante
O que encanta tanto nesse livro? Não consegui terminar.


Douglas Marques 21/09/2020minha estante
Excelente resenha, princesa.




Juliette 04/04/2020

Abramos os olhos.
"Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara."

É uma história que retrata o surto epidêmico de uma cegueira branca que se espalha pela cidade atingindo a todos, causando medo, pânico e colapso social em todas as esferas da sociedade.

"Estou cego."

Os primeiros habitantes atingidos pelo mal branco e as pessoas que tiveram contato com os mesmos, são colocados pelo Governo em isolamento, de quarentena num manicômio abandonado e isolado. No entanto, a população atingida pela cegueira aumenta, e consequentemente, lota o manicômio com centenas de cegos negligenciados e depois esquecidos pelo poder público, vivendo enormes conflitos: falta de espaço e comida, sede, etc.. Um verdadeiro inferno.

"Com mil diabos? A cegueira não se pega, A morte também não se pega, e apesar disso todos morremos."

Saramago soube explorar de maneira magnífica a verdadeira essência humana e a sua degradação. Ao acompanharmos os personagens principais dessa história, vemos o que o ser humano é capaz de fazer para sobreviver em um lugar em que cada um tem de se adaptar se quiser se manter vivo, se importando ou não se as suas escolhas vão prejudicar ou ajudar o próximo. Somos apresentados à situações-limite, à capacidade humana de superar as adversidades e de se organizar socialmente.

"Os cegos estão sempre em guerra, sempre estiveram em guerra."

A escrita de Saramago é única na sua forma própria de usar as pontuações e assimalar os diálogos, demanda atenção e foco do leitor, como também produz um efeito diferente na leitura, mais íntimo. É também uma escrita nua e crua, sem floreios e rodeios, mas intensa, fazendo com que seja quase impossível você não ser tocado por suas palavras e pela tensão e profundidade da história. É um convite à reflexão.

"A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança."

""Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos, que vendo, não veem."

^^
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Taissa 27/08/2020

Livro incrivelmente perturbador
A escrita de Saramago é peculiar, mas a temática do livro é tão interessante que a leitura flui. O enredo é perturbador, ainda mais em tempos de pandemia como o que vivemos. Todos os habitantes daquela cidade - que não foi nomeada, tampouco seus personagens - ficam cegos e são reduzidos a uma condição animalesca em um ambiente infernal. É necessário estômago forte para a leitura. Mas se trata de um livro espetacular!
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hayssahossoe 26/04/2020

Maravilhoso
História incrível, te faz parar várias vezes pra pensar, às vezes cruel que chega a doer, porém a escrita é um pouco maçante, mas no decorrer do livro acaba-se acostumando.
Alydia 26/04/2020minha estante
Assino em baixo em tudo que disse




Indria 26/05/2020

Gostei
Gostei do livro, não é um dos melhores que já li mas entendi pq é tão famoso, é uma escrita única
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Fer Paimel 11/07/2020

Extremamente impactante
Gostei demais! É interessante perceber a similaridade do cenário bárbaro do livro com a atual pandemia.
Saramago não é um dos maiores nomes da literatura à toa. O livro é cativante, os personagens são muito bem inventados e o texto é muito impactante, o que torna a leitura bem prazeirosa.
Particularmente, preferiria que a escrita não fosse tão corrida, que os diálogos fossem separados como se faz normalmente. Talvez eu ainda não tenha maturidade literária para apreciar essa forma de escrita, mas ainda assim, o livro não deixou nada a desejar. Recomendo demais!!
Angélica 12/07/2020minha estante
Tbm gostei muito desse livro. Mas tive essa mesma dificuldade que você sobre a forma da escrita.


Fer Paimel 13/07/2020minha estante
Pois é! Antes de eu ler, alguns colegas me disseram que tiveram essa dificuldade... tem gente que gostou, mas eu achei que ficaria um pouco menos cansativo se fosse espaçado normalmente...
Apenas para facilitar a leitura. Do conteúdo não há o que mudar, o livro é incrível, na minha opinião!!




Vivi BenZem 03/08/2020

Sair da zona de conforto
Saramago com sua escrita peculiar e suas provocações, nos traz incômodos e nos tira da zona de conforto. É um livro que "não acaba", são muitas reflexões, muitos pontos que podem ser vistos e revistos, entendidos e questionados.
Livro intenso, incômodo e profundo.
Fer Paimel 03/08/2020minha estante
Senti a mesma coisa! Fui ler outro livro, logo após terminar este, mas a leitura nova não fluiu, pq eu continuava pensando no Ensaio sobre a Cegueira kkkk livro incrível demais!


Vivi BenZem 03/08/2020minha estante
Sim, exatamente, estou digerindo ele ainda. A outra leitura iniciei de leve.




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