Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Ju 21/07/2019

Muito bom como um soco no estômago.
O livro é uma grande alegoria, em que toda a humanidade foi afetada por uma cegueira branca. Nesse mundo de cegos, mais que a falta da visão propriamente dita, começa a haver escassez de gentileza, compaixão, princípios, organização ou qualquer outra coisa que livre nossos dias desse caos que Saramago narra.

"(...) só num mundo de cegos as coisas serão como verdadeiramente são"

Há quem diga que a sátira é inspirada pelo Estado Novo de Portugal (regime autoritário que vigorou no país de 1933-1974), porém não há qualquer ambientação seja de lugar ou data no livro. O autor também não se preocupou em explicar a epidemia ou o porquê de só uma personagem ser imune a ela. O intuito não é nos prender com a curiosidade sobre a cegueira em si, e sim estimular a reflexão sobre as consequências que uma epidemia assim causaria na nossa espécie. É uma leitura pra ser encarada como uma caminhada não uma aventura que vai nos oferecer muitas coisas pra continuar.

Não há também nome dos personagens e cada um é identificado por uma característica. A escrita é sem travessões, aspas, pontos onde deveria ter, mas logo se acostuma a ela.

Saramago investe várias linhas com descrições que ora beiram o supérfluo e massante, ora o inconvenientemente brutal, com trechos repulsantes e desumanos, onde a tentativa dele de causar-nos incômodo e desesperança é bem sucedida e que me fez parar com a leitura por vários dias. Estes detalhes que por muito tempo me pareceram excessivos são, não só os que causam ojeriza em certos momentos muito fortes, mas também são os que nos fazem sentir piedade e uma empatia que nunca antes senti por personagens. O livro é uma experiência humana acima de tudo.
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pelamente.wordpress.com 20/07/2019

(Resenha) Livro - José Saramago - Ensaio Sobre a Cegueira
Acho que ainda me falta um pouco de maturidade literária pra encarar Saramago. É o segundo livro dele que leio e ficam uma série de questões e conflitos durante o livro e na tentativa de entender o fim. (Vou explicar sem spoiler!)

Eu já tinha visto o filme ("incrivelmente", desta vez, gostei um pouco mais do filme!), então já sabia que o que me esperava era denso, brutal e profundo, mas algo me apavorou ao longo do livro: A falta de nome dos personagens, a falta de parágrafos e recursos como aspas.

Eu acredito que isso contribuiu para que a leitura fosse complicada, arrastada e levou tempo pra tomar o ritmo (se é que entrei no ritmo, né?!)

O incrível na obra do Saramago (nas duas que li até agora, pelo menos) é a capacidade que ele tem de expor os piores sentimentos humanos. E refletindo sobre a situação que ele coloca.. será que seríamos muito diferentes daqueles personagens?

A história conta sobre "A Epidemia da Cegueira", o passo a passo de como se alastra por toda uma cidade, o caos, o isolamento, as medidas governamentais e o completo abandono dos doentes. Não é esclarecida a origem da cegueira que os acomete, não há explicação pela ciência ou fé tornando o livro num final reflexivo estilo "Auto Ajuda", mas nos leva a refletir sobre caráter, bondade, soberba, egoísmo.. o quão repugnante alguém pode ser, e em qualquer situação, a infinita busca pelo poder, a premissa de tirar vantagem. Enfim, a inevitável e real face do ser humano.

Selvageria, egoísmo e barbaridade. Talvez essas três palavras resumam os sentimentos e substantivos à flor da pele neste livro.

O filme inspirado na obra, lançado por Fernando Meirelles, foi lançado em 2008. O livro que teve sua primeira publicação em 1995 e levou o autor a receber o prêmio Nobel de Literatura em 1998.
Michel 22/07/2019minha estante
Eu adorei essa obra!!




Amauri Matheus 20/07/2019

Excepcional, cortante e reflexivo
Um livro muito intenso, repleto de reviravoltas e ações inesperadas, Saramago sempre nos pega de surpresa. Uma leitura rápida, direta e cortante, que dilaressa o leitor com desumanidades sem deixar de lado a elegância.
Um livro que pessoalmente me prendeu, por conta do inesperado e do aterrador cenário que nos é apresentado, nos faz refletir e nos coloca no lugar dos personagens deixando no ar a interrogação para nós mesmos respondermos se faríamos o mesmo que o pobre personagem. Em todas essas perguntas, a falta de resposta iluminava minha mente, ao mesmo tempo que aflorava meu lado mais humano, portanto mais imperfeito.
Um livro excepcional, que ao término da leitura faz nós nos perguntarmos se absorvemos tudo que ele tem para nos transmitir.
Obra prima de Saramago.
" Se podes olhar vê, se podes ver, repara!"
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Lari 18/07/2019

sensacional
Amei! Amei! Amei!
Saramago e seu jeito de escrita surpreendem, além das diversas teorias que podemos pensar através dessa obra.
Ensaio sobre a cegueira conta sobre uma "epidemia" de cegos que se alastra por todo um país, deixando todos cegos (porém não nas trevas, mas sim, numa grande claridade). Sendo esse o maior impasse, os cegos precisam lutar para sobreviver, sendo por procurar alimento, moradia, entre outros.
São incríveis os diálogos que se desenvolvem ao longo do livro, cada página é um baque diferente, com filosofias diferentes e uma grande profundidade e humanidade.
Por fim, na minha opinião, a leitura dessa obra nos faz pensar no que vemos, e se realmente vemos, e não só olhamos. Tão acostumados com os olhos e com a visão, deixamos de ver o que é essencial para nós; a alma. Por isso, no encerramento do livro tem-se a seguinte diálogo, entre o médico e sua mulher, após aquele ter recuperado a visão: "Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem".
sem palavras, entrou pra lista dos favoritos
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Hina.Mari 23/06/2019

Extraordinário
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

A primeira vista eu me peguei pensando simplesmente numa tipica história de futuro distópico (sem razão, na realidade) pois embora a frequente ocorrência dos futuros distópicos tenha se tornado até um pouco batida na atualidade (sobretudo a presente na literatura mais teen), essas distopias se configuram como a estrutura da sociedade pós catástrofe, e não reproduzem o evento da catástrofe em si. Confesso que meu único contato com um livro de catástrofe em si se deve ao I Am the Legend, de Richard Matheson, que me prendeu bastante mas sempre rola o lance de não se tratar muito de uma temática que me apeteça profundamente. Aqui, porém, eu fiquei absolutamente eletrizada com o desenrolar animal da narrativa. Pois muito além de um livro sobre um grande evento catastrófico, Ensaio sobre a Cegueira discorre de maneira poderosa sobre a essência da moralidade e aquilo que nos difere dos outros animais. A sociedade local em meio a crise torna-se profundamente animalesca, torpe e abjeta. A ruptura do ser humano moderno e suas estruturas corporativas ante a queda de seu sentido fisiológico mais usual é gradativa, mas uma vez que ocorre, é brutal. Feito uma horda de zumbis, cegos errantes tateiam pelos cantos e arrastam-se pela lama, pelos dejetos e a podridão que despejam nas caóticas vielas, pelos corpos putrefatos e dilacerados dos sujeitos mais fracos. Atropelam-se e batalham por alimento feito feras descontroladas, que a diferir dos amigos zumbis, não tiveram sua consciência entorpecida por um vírus terrível, e sim tiveram sua condição humana, moral e empática minada por sua incapacidade de ver, afinal, num mundo onde o inferno são os outros, a cegueira converte-os em parte indissociável de nós mesmos, personificando o inferno em nós. A indissociabilidade do outro perante o um é onipresente na narrativa, que faz questão de não dar nome a nenhum de seus personagens, mantendo sempre uma alcunha descritiva única e objetiva: temos a rapariga dos óculos escuros, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a mulher do médico, o velho da venda preta, etc. Essa objetividade descritiva permite-nos conhecer quem são pelo que de fato são, em detrimento da indissociabilidade dos muitos cegos errantes, temos a visão de cada um por suas ações que transpõe qualquer cegueira e nos permite sentir na pele seu sofrimento e sua impotência.



"Só num mundo de cegos as coisas serão o que verdadeiramente são."



Ainda sobre a estrutura textual, a alcunha "Ensaio" cai muito bem. A narrativa é crua e profundamente ponderadora. Feito a análise ponderada de eventos que se dão num experimento laboratorial, ela descreve e discute numa verdadeira dialética do comportamento humano. Os diálogos são, assim, parte do corpo dessa dialética, e são atirados sem aviso prévio no texto, que não comporta o uso de travessões. A estrutura é de início um pouco incômoda, mas a adaptação se dá rapidamente e logo o texto se torna muito fluido e fácil de acompanhar. Essa construção textual acaba por se tornar uma característica fundamental pra identidade questionadora da condição humana presente em toda a narrativa.


"Pareceu ao médico que ouvia chorar, um som quase inaudível, como só pode ser o de umas lágrimas que vão deslizando lentamente até às comissuras da boca e aí se somem para recomeçarem o ciclo eterno das inexplicáveis dores e alegrias humanas."


Outra coisa muito legal é ter como protagonista uma mulher. Que, em ruptura de sua descrição como "a mulher do médico" tem o papel mais fundamental em toda a trama. Sua força e sua fragilidade humana são absolutamente fundamentais e nos ensinam de maneira preponderante a responsabilidade de se ter olhos quando os outros os perderam.

Ensaio sobre a Cegueira é um daqueles livros que passam por nós feito um avalanche. Bagunçam seus sentimentos, te assustam, te fazem chorar de ódio, de medo, de tristeza. Questionam aquilo que te fazem ser você mesma. Uma leitura indescritível, forte, extremamente pesada e absolutamente necessária. Afinal:
nós já somos, todos, cegos.
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Letuza 20/06/2019

Simplesmente incrível
Primeiro livro de Saramago que leio... só digo que estou encantada!
A história é intensa, dura, crua, incômoda, em alguns trechos tive que parar para respirar.
Um livro que faz a gente refletir sobre o sentido de coisas do dia à dia. Desde de a óbvia perda de um sentido (visão) até os fundamentos da nossa humanidade. O que nos faz humanos? Como reagimos diante de privações diversas ou diante de ameaças constantes? A leitura nos leva a entender alguns comportamentos, se, e somente se, analisarmos as condições, a situação que levaram a tais comportamentos. Acredito que seja uma leitura que traga diferentes conclusões se for refeita. Recomendo fortemente. E acredito que complementando com a leitura do livro A Peste de Albert Camus a reflexão seja enriquecida! Simplesmente amei!
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Thais 03/06/2019minha estante
Depois dessa resenha eu fiquei com vontade de ler tbm, vou incluir na minha wishlist lol.


Rafael.Augusto 03/06/2019minha estante
Thais, vale muito a pena! Eu havia lido apenas O evangelho segundo Jesus Cristo desse autor e já me apaixonei, então minha expectativa para Ensaio sobre a cegueira era muito boa, e eu não me decepcionei de forma alguma. José Saramago passou a ser meu segundo autor favorito, agora quero ler tudo dele rsrs
Ps. Minha resenha foi bastante sucinta, mas eu precisava falar sabe!? Fiquei feliz que pelo menos algumas pessoas tenham lido, e mais feliz ainda em te despertar o desejo de le-lo! Espero que leia e, acima de tudo, que goste e tire algum aprendizado dessa obra!
Bom dia! ???


Thais 03/06/2019minha estante
Rafael, recentemente eu vi uma resenha desse livro no YouTube no canal da Tati, então eu já estava curiosa aí ontem eu li a sua resenha e só me convenceu de vez mesmo lol com certeza vou ler, já inclui na minha listinha aqui. Obrigada pelo incentivo. Bom dia


Rafael.Augusto 03/06/2019minha estante
Bacana Thais! Somos realmente abençoados por esse universo maravilhoso que é o universo literário! Boas leituras ;-)




. 28/05/2019

Certo homem de ações impiedosas um dia encontrou luz que provocou-lhe cegueira, seguindo-se transformação radical quando percebeu que, mais que a debilidade nos olhos, sua maior cegueira era no coração, referente ao obscurantismo em que vivia. História do apóstolo Paulo em seu encontro com o Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Breve lembrança que misturou-se aos primeiros momentos da leitura e ajudou-me a ter direcionamento em algo aparentemente confuso e caótico. É um livro sobre o obscurantismo, em metáfora para o viver, a história que, em temos gerais, tem se construído na humanidade, onde as primeiras ações daquele homem citado se repetem na indiferença à percepção.

A tal "cegueira-branca", expressa no livro, é como uma página nova diante de cada um dos afetados, onde a vida é reconfigurada na percepção do oportunismo, injustiça, egoísmo, exploração, insensibilidade e barreiras criadas entre as pessoas. Esses e outros elementos determinam histórias de sofrimento, de decadência, de disposições horrendas, tudo numa cegueira insensível para quem as pratica, como se fossem justificáveis. Os olhos então se abrem para essas coisas na experimentação, "ficando cego para ver".

O livro é um tanto pessimista, pois enfatiza esses aspectos intrínsecos à humanidade, "o que somos", revelando-se indistintamente como prática entre todos. Os cegos padecem sob elas, mas também praticam. Uns tem noção, outros não. Será preciso "ficar cego para vê-las"? O livro é oportunidade para que não...

É por aí o que ficou... Com certeza, é obra aberta a outras interpretações, mas essas me satisfazem.

Referências também para o texto, idealizado em estética "alguma coisa está fora da ordem mundial". Um mar de vírgulas que não me pareceu caracterização legal, em verdade, um bocado horrível (para os rasga-seda, vão escrever assim então), mas entendo como mais uma das provocações, na quebra do senso comum.

Não vou dizer que é história maravilhosa, coisa e tal, suspirando amores, mas é uma excelente reflexão sobre o obscurantismo e revelação - conclusão final.

Encerro com o que iniciei: nesse mundo tenebroso, Jesus é a luz que liberta!

"Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida." João 8:12
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Gabriel 22/05/2019

Intrigante
Como estudante de psicologia, pude perceber aos olhos de Saramago sua visao do ser humano. Uma sociedade egoísta. O livro é impressionante e com episódios bastante traumáticos. Uma obra de arte.
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Patrícia Gonçalves 07/05/2019

Fantástico!!
Depois de ter lido as ?Intermintências da morte? o autor ainda conseguiu me surpreender com todas as reflexões sobre a sociedade e as profundezas dos instintos humanos. O que faríamos de de repente todo mundo ficasse cego de uma cegueira puramente branca? O que aconteceria com as cidades, abastecimentos de energia e água, e comida? Estamos tão acostumados a ter tudo pronto em lojas que não percebemos os processos importantes que estão por trás. Mas Saramago não trás esses detalhes, ele foca mais na humanidade de desumanidade do ser humano. Recomendo demais! O estilo do autor é um tanto característico, mas não desista!
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Gimundstock 27/04/2019

É horrível! (Vibe: deus me livre mas quem me dera)
Não me entenda mal, o livro é incrível.

Em termos literários é uma obra inigualável.
Te faz empatizar, refletir, ter sentimentos fortes, sem contar no desafio que é ler um livro onde os personagens não tem nome e todas as falas são intercaladas por vírgula. Enfim, uma experiência literária com tudo que se tem direito.

Mas dá uma bad!!! Se você for uma pessoa mais sensível como eu, você vai ficar na merda com esse livro. Tem que ser forte viu?
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AndrA.BrandAo 22/04/2019

li depois de ter visto o filme. o livro é melhor
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Sasso 15/04/2019

Incrível
Quis ler esse livro depois de ter visto o filme, há muito tempo. Por ser bastante aclamado, o nome sempre ficava na minha listinha de leitura. Sinceramente o ritmo dele achei um pouco confuso no começo, as vezes precisando reler alguns parágrafos ou frases, mas depois que peguei o jeito ficou tranquilo. Em relação ao filme: perfeita a adaptação ao cinema. A história é demaaaais interessante. Há uma frase, no final ("...penso que estamos cegos......") que encerra o livro de maneira espetacular, "resumindo-o todo" nessa afirmação. Um retrato da atual situação das relações humanas. Se o Saramago escreveu isso em 1995, o que ele pensaria hoje do mundo? Recomendo-o e acho que deve ser lido novamente no futuro. E a capa com a caligrafia do Chico Buarque é um charme a parte rs.
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Karin @diariorosaa 11/04/2019

Tem que ter estômago para ler
Olá meus amores tudo bem com vocês???
Os carros parados na esquina e do nada alguém grita to cego,to cego!!!!
O livro que eu mas demorei pra terminar, ensaio sobre a cegueira é um livro com uma linguagem um pouquinho complicada, fala sobre uma cegueira branca que afeta as pessoas, elas são obrigadas a deixar suas casas. Para não afetar quem ainda não está cego eles são mandados para abrigos precários, sem higiene e com racionamento de comida.
É um livro forte, que para ler tem que ter estômago viu!! E como tem que ter ?
As pessoas nesse livro não tem nome, isso mesmo não tem nome.
?A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perdem.
Espero que tenham gostado!!!
Já leu ? Me conta o que achou!!
Bjus Kah?
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