Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Guaranádoamazonasémassa 14/02/2019

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara." Livro dos sossegos. Saramago coloca essa citação no início desse romance; e no final, uma de suas últimas frases que nos causam certa reflexão é "Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
Já li outras obras do autor mas eu ainda não me atrevo dizer que o conheço, por isso temo errar e ainda assim me atrevo dizer que está sintetizada nessas duas frases a tese que o autor quis passar a seus leitores. A ideia de que as pessoas vêem, mas não enxergam. Olham e não percebem. E nos provoca com essas contradições que a primeira vista pode ser sem sentido mas está vestida de reflexões e questionamentos filosóficos. Um ponto que me chamou atenção no autor é o quanto o romance será inesquecível para mim. Alguns livros que li hoje nem me recordo e só relendo para refrescar a memória. Este aaui, em especial, eu conseguiria dizer etapa por etapa os acontecimentos do livro. Foram 310 páginas elaboradas de um modo muito fáci l- para mim - de se absorver. Sobre coisas que o autor coloca em evidência, uma que se tornou corriqueira é a imundície humana. Sempre falando de fezes que se espalham, de um mau cheiro que os humanos espalham por onde passam. A merda e fazê-la (que é inquestionavelmente uma condição humana) são fatos que o autor esfrega como que dizendo "é assim que somos". Em determinado momento o livro teria assumido um caráter meio clichê do cinema em ficção científica: aquela coisa de uma cidade fantasma, suja, carros abandonados, sobreviventes em busca de comida em supermercados bagunçados e revirados; um cenário já batido nos filmes zumbis, e outros aspectos como Bird Box, a quinta onda, e companhia. Mas o livro se salva quando lembramos que ele foi publicado em 1922, várias décadas antes de começar a febre que esse cenário cinematográfico de tornou. Ah, como falei no histórico que fiz quando estava na metade do livro, o autor não deu exatamente nomes aos personagens, todos são intitulados por alguma referência, entretanto o que me causou um certo desconforto foi o Saramago dar palco a "mulher do médico" Mas não tirá-la da sombra de seu marido. A protagonista teve Sempre seu lugar de destaque na obra mas foi intitulada à sombra de seu marido. Isso foi desnecessário e poderia ter sido evitado sem muito esforço. No mais, foi uma boa leitura. Saramago não decepciona - mais que 10%.
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Natalia.Araujo 09/02/2019

Livro Incrível!
A história não tem especificação de lugar e os personagens no têm nomes. Ainda assim, parece que se passa bem aqui e com tantos conhecidos, inclusive com a pessoa que vemos no espelho. Um homem está parado no trânsito quando, de repente, cega. Passa a ver tudo branco e, a partir disso, as pessoas que entram em contato com ele, o primeiro cego, ficam cegas também. Ao saber da estranha epidemia o governo decide colocar todos os envolvidos em quarentena, afastados de tudo e todos. Um lugar que começou com dois terminou com seus trezentos e tantos. Dentro desse lugar, os habitantes tiveram que aprender a conviver e, pior, sob condições que até então desconheciam. No meio deles há, no entanto, uma mulher que consegue ver e sentir o caos gerado pelo desgoverno, pelo medo e pela indiferença. Aliás, é sobre isso que o livro se trata. O que sentimos ou deixamos de sentir quando paramos de enxergar o outro e a nós, quando paramos ter esperança e o medo é o nosso guia. Apesar de se tratar de uma distopia, Saramago retrata metaforicamente muito da sociedade de ontem e de hoje. Em alguns momentos, vemos a natureza humana de desordem, sujeira e ruindade (visão mais ligada a Hobbes). É importante lembrar, no entanto, que a situação não é em si o estado de natureza, já que a história é precedida pela sociedade atual, tal qual já a conhecemos.
O procedimentos de escrita do autor são perturbadores no início, mas depois é bem gostoso de ler. Recomendo muito a leitura para ver tudo por uma nova perspectiva.
Essa edição da Companhia das Letras faz parte de uma coleção das obras do Saramago, lançadas por essa mesma editora. Achei o livro lindíssimo (e com a caligrafia do Chico Buarque!!!).
🎬 No canal, vou falar mais sobre minhas impressões.

site: https://www.youtube.com/channel/UCThEZZXQbPeC7SwBHL0HWyQ?view_as=subscriber
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Val | @livre_se_clube 08/02/2019

Notas: Ensaio sobre a cegueira de José Saramago
"Pode ser que a humanidade venha a conseguir viver sem olhos, mas então deixará de ser humanidade".
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Esse é, sem dúvidas, um clássico da literatura daqueles que todo mundo deveria ler. Eu adiei bastante essa leitura porque sabia que deveria estar pronta para ela e acredito que li no tempo certo, quando meus olhos já são capazes de compreender sua beleza em meio a tanta crueldade narrada em suas páginas.
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O livro conta a história de uma epidemia de cegueira que se abate sobre uma cidade e se estende sobre um país. .
Os primeiros a cegar são colocados em quarentena numa tentativa inútil de conter o "mal branco". Entre eles, um médico oftalmologista, alguns de seus pacientes e sua esposa que decide fingir-se de cega para não deixar seu esposo sozinho.
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Com a epidemia se alastrando, o número de cegos se multiplicam e as condições subumanas a que são expostos, pouco a pouco vão revelando os aspectos animalescos de cada um.
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A desumanização não tarda a acontecer, a perda dos vínculos afetivos e morais modificam drasticamente as personagens (todas sem nomes próprios) que têm de aprender a viver em um novo mundo. Um mundo de cegos, representado com maestria por Saramago nos mínimos detalhes (desde a pontuação inesperada que não nos deixa respirar).
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Você, dificilmente, encontrará na literatura uma personagem feminina mais forte e altruísta que "a mulher do médico", então se apresse para conhecê -la.
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Impossível resenhar esse livro em tão poucos caracteres, mas a leitura de Ensaio sobre a cegueira é um imperativo para quem deseja fazer uma leitura crítica e reflexiva sobre a sociedade moderna. A metáfora da cegueira nos leva em tantos momentos da leitura a repensar quem somos e para onde iremos em meio a tantas cegueiras que se abatem sobre nós. .
Beijos literários
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Lorrine 07/02/2019

O livro que incomoda
Ensaio sobre a cegueira é um livro que incomoda, não do tipo que parece uma pedra no sapato, mas o tipo de incomodo que te faz sair da zona de conforto, porque tudo incomoda e é preciso que haja uma reconfiguração em nós para acompanhar Saramago, desde a maneira de escrever até todos os acontecimentos que se sucedem na leitura. A escrita sem paragrafação, com descontinuidade de diálogos é apenas o início da nossa reconfiguração. Nos inserimos nessa mudança social de uma cegueira branca, em que nos mostra o quanto nossa evolução humana é volátil e quão facilmente podemos retroceder em nossos avanços. Diversas discussões entram em voga, como o abuso de poder, o local da mulher na sociedade, medo do que não se conhece e o quanto, nós videntes, sobrecarregamos todas nossas ações em nossa visão. Será então essa cegueira real ou uma cegueira de quem não quer ver? Saramago proporciona nesse livro diversas reflexões. Um livro que precisa ser lido com calma e merece ser lido mais de uma vez.
Renato 18/02/2019minha estante
Tô lendo As Intermitências da Morte, muito top!




Guynaciria 03/02/2019

Acredito que muitos já conhecem a história desse livro, afinal ele teve uma adaptação cinematográfica de grande sucesso a alguns anos.

Imaginem que de repente toda a população mundial se viu acometida de uma epidemia de cegueira branca, e que nenhuma justificativa plausível estava sendo encontrada para o surto, não podendo assim as autoridades mundiais encontrarem uma cura para o mal que os acometia.

Diante de tal cenário a estrutura social foi abalada, e já não eram aplicadas regras simples de certo ou errado.

Os militares se viam livres para assassinar a sangue frio pessoas acometidas pela doença, as pessoas saqueavam os doentes que nada podiam fazer para se defender e esses por fim, se viam obrigados a invadir casas em busca de abrigo e alimento. Enfim, o caos reinava e o medo era o único a ditar regras. 

"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

Saramago faz uma ferrenha critica social a cegueira que nos acomete diariamente, onde nos estamos apáticos em relação aos acontecimentos mundiais e a dor do próximo, nos acomodamos e deixamos que o fluxo diário de informações nos carreguem, sem opor nenhuma resistência.

Em meio a vários cegos, encontram-se poucos que se rebelam contra o sistema. No livro essa figura é representada por duas pessoas: A mulher do médico que sendo a única que ainda possuía o dom da visão, se sacrificou diariamente em prol do demais, mostrando assim que nenhuma adversidade era capaz de destruir seu caráter.

E o cego contabilista, que sendo cego de nascença já  se encontrava adaptado aquela situação, e com essa pequena vantagem resolveu se aproveitar da fragilidades dos demais para lucrar e cometer atos inomináveis. 

Saramago escreveu uma história visceral, que vai mexer com âmago de vocês, fazendo com que reflitam sobre o posicionamento que expressam diante da vida, Boa leitura!
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Laura 02/02/2019

"José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver."
"Ensaio sobre a Cegueira" é um livro profundo, com uma história envolvente e que irá tocar no fundo do seu âmago.


Citação preferida:

"Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
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Marly Cruz 02/02/2019

O mal branco, a dependência e o pertencimento
Assim que terminei de ler, vi um vídeo de José Saramago chorando depois de ter assistido o filme e dizendo que se sentia muito feliz, exatamente como se sentia quando acabou de escrever o livro.
Sinceramente, mesmo que os personagens não consigam enxergar, esse livro muda um pouco nossa forma de ver as coisas. A descrição detalhada de cada momento e as falas sem travessão e sem ponto de interrogação deixam a narrativa com mais informações pra você desenvolver.
Meus amigos caracterizaram a história como algo "nojento" enquanto todas as vezes que coçava meus olhos achava que ia cegar também.
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Wellington Rodrigues 17/01/2019

"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem, cegos que vendo, não vêem."
Este é daqueles livros que mexem com você, aquele que muda todo o seu modo de pensar e ver as coisas ao seu redor.
Imagine-se cego, completamente cego. Uma cegueira onde as pessoas vêem tudo branco, "branco como o leite".

O autor explora, com maestria, a fragilidade da vida humana. O que as pessoas são capazes de fazer quando estão morrendo de fome? Qual o limite desta "linha-tênue" entre ser humano e ser animal?
As pessoas ao ficarem cegas, perderam-se também a humanidade.

A história proporciona uma série de reflexões sobre quem realmente somos. Sobre a "cegueira" que cada um vive. Cegueira que não vê dinheiro ou patamares sociais, ela atinge a todos.

Leiam, leiam e leiam!
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Fabiola 10/01/2019

Ensaio Sobre a Cegueira
Uma leitura profunda e sensível. Com minuciosas e impactantes descrições.
Uma experiência incrível e muito reflexiva.
Foi preciso parar, reler e refletir.

Saramago é espetacular!
"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem. Cegos que vendo não veem."
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Bárbara 09/01/2019

Genial!
Demorei a pegar o ritmo desse livro. Pensei em desistir visto que já tinha quase um mês que estava parada nele, mas quando ultrapassei a fase da descrição pros acontecimentos percebi o quão genial foi Saramago e como as pessoas estão certas em falarem tanto sobre o Ensaio Sobre a Cegueira. Ele fez um livro desses sem nem dar nomes aos personagens, só ?a mulher do médico? ou ?o menino estrábico? porque não importava, afinal todos eram cegos.
Se tiverem a oportunidade, leiam!
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Igor.Lima 09/01/2019

Um soco no estômago
Saramago conseguiu o que queria com esse romance: incomodar o máximo possível o leitor. E como ele fez isso. Cada página é um soco no estômago e não há, como de costume na obra do Saramago, momentos divertidos ou algo do tipo. É uma viagem a selvageria humana e aos limites do instinto de sobrevivência humana. Não só isso: tudo isso funciona como uma sátira a tantos aspectos da sociedade contemporânea.

Imperdível!
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Júlia Cavagnolli 07/01/2019

A responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam
Os parágrafos longos, a pontuação fora do padrão, os diálogos que se perdem no meio deles mesmos, tudo isso faz fluir uma narrativa única e impressionante, que te faz sentir a ?névoa-branca?, o chão sujo, os odores, a vergonha, as lambidas do ?cão das lágrimas?. Uma das experiências literárias mais intensas da minha vida. ?Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem.?
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Malu Drummond 04/01/2019

Genial
Olha, começo do ano e eu duvido muito que algum livro consiga chegar ao nível desse. Talvez tenha estragado as leituras de um ano inteiro lendo de cara um livro tão genial. Acabei de acabar e vou demorar um tempo pra digerir tudo. É visceral, é sensível... Por favor faça essa favor a você mesmo e leia. Com certeza uma das melhores experiências de leitura da minha vida.
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