Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Elisabete Bastos @betebooks 04/09/2018

A cegueira irracional e egoísta
O livro é sobre uma epidemia de cegueira, que acomete, o primeira vítima um homem que conduzia um automóvel e para do semáforo e fica cego. A cegueira tem como peculiaridade uma névoa branca.

Não existem nomes os personagens e sim, características ou cargos.

Mas, uma coisa é certa logo o médico que atendeu o homem, todos do consultório estão cegos.

À medida que mais contaminados surgem o O Governo "mantem em quarentena" as pessoas sem qualquer condições de limpeza, assepsia, apenas um controle selvagem de manter afastados da coletividade.

Por uma questão especial e inexplicada é preservada a prisão da esposa do médico, que mentirá, para ficar com o marido em tal lugar inóspito.

Neste albergue, os cegos também aterrorizam os demais, roubam, estupram são desumanos, mesmo estando nas mesmas condições.

Quando conseguem fugir encontram a cidade praticamente deserta, sem água potável, luz, e a visão da esposa do médico continuará a salvar a todos.

A cegueira irracional existe inobstante haver a possibilidade de enxergar. É uma questão que transpassa o egoísmo e chega na solidariedade e aos sentimentos mais profundos.



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Marcelo.Alencar 30/08/2018

Espetacular
Não há palavras para descrever como Saramago cria suas histórias mirabolantes, ataques paicologicos certeiros.
Imagine que de repente todos ficam cegos: a fúria da idiotice humana surge, mas a também a solidariedade.
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Fabricio.Fracaro 29/08/2018

Cegos
Que livro fantástico, uma população inteiramente cega, e apenas uma pessoa vê, e ela vê o que as pessoas são capazes de fazer, o que podem fazer no máximo do caos.
Livro com uma história muito impactante.
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Gabriela Leite 23/08/2018

Livro fantástico
Reflexão de valores do início ao fim. Não somos nada e em situações extremas, todos somos animais. O livro não leva 5 estrelas porque essa edição com ortografia portuguesa cansa bastante. Tenho interesse em outras obras do Saramago, mas vou buscar edições com o nosso português brasileiro.
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Rodrigo.Queiroz 22/08/2018

O tipo de livro que te molda
A profundidade do livro nos faz pensar em quão bom e quão mal podemos ser... é muito impactante!
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Marcos 09/08/2018

Inquietante, belo, horrível e talvez mais real do que parece
Os longos parágrafos, a pontuação completamente fora de padrão e a quase ausência de organização do texto nem chegam a arranhar o fluir e o prazer da leitura da obra. Quanto mais se lê, maior a vontade de prosseguir e descobrir o que acontece em seguida. Quanto mais eu me aprofundava na leitura, mais me perguntava “como o autor vai resolver essa situação?”.
Uma bela história pela profundidade do significado, mergulhando fundo no sentimento humano e na loucura da necessidade de sobreviver, da natureza egoísta e tirânica de uns e no desapego de outros, tudo em meio a um cenário grotesco e horroroso. Belo e apavorante e inquietante por não ser algo tão inverossímil. Indo além das aparências e mergulhando no sentido mais profundo da obra, talvez a cegueira retratada na história já se tenha instalado há tempos, com a diferença de que, fora da ficção, ainda não temos consciência desse estado.
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Silvana (@delivroemlivro) 08/08/2018

E se fôssemos todos cegos?
"Deus disse: "Faça-se a luz!" E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas." (Gênesis, 1)


O mais nobre dos sentidos.

Na natureza é raro encontrar uma espécie animal cega. As que existem são compostas por répteis de pequeno porte, insetos, alguns peixes. São mais raros ainda entre os mamíferos, talvez a única categoria seja a dos morcegos. Os homens são animais, mamíferos e os desafortunados que não podem enxergar, uma exceção.

O mal-branco. Uma cegueira coletiva e inexplicada. Um problema de saúde, sanitário, de sanidade. De sociedade.


Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe uma tragédia. As catástrofes, os extremos revelam as pessoas. A aglomeração, a claustrofobia, a fome, a falta de higiene e, especialmente, o medo, libertam o animal. Os instintos de sobrevivência do bicho que somos rasgam o véu da civilidade. Não há mais Estado para controlar, vigiar, proteger e punir os ímpetos violentos naturais do ser humano. Ninguém está vendo.

Mas e a razão? Salvo engano, o processo evolutivo dotou os seres humanos com inteligência.

"Se não formos capazes de viver inteiramente como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais, tantas vezes o repetiu, que o resto da camarata acabou por transformar em máxima, em sentença, em doutrina, em regra de vida, aquelas palavras, no fundo simples e elementares."


Felizmente há alguém que enxerga, sempre há. Essa exceção à regra é uma mulher, uma mulher que vê. Assim como os outros personagens ela não tem nome, é a mulher do médico.

"(...) em milhões de anos de evolução, homens e mulheres desenvolveram estratégias diferentes de sobrevivência e de reprodução. Como os homens competiam entre si pela oportunidade de engravidar mulheres férteis, a chance de reprodução de um indivíduo dependia, acima de tudo, de sua capacidade de superar em desempenho e derrotar outros homens. Com o decorrer do tempo, os genes masculinos que conseguiam passar para a geração seguinte eram aqueles pertencentes aos homens mais ambiciosos, agressivos e competitivos. Uma mulher, por outro lado, não tinha dificuldade em encontrar um homem disposto a engravidá-la. No entanto, se quisesse que seus filhos lhe dessem netos, precisava carregá-los no útero durante nove árduos meses e depois cuidar deles durante anos. Durante esse período, tinha poucas oportunidades de obter comida e necessitava de muita ajuda. Precisava de um homem. Para garantir sua própria sobrevivência e a de seus filhos, a mulher não tinha muita escolha além de concordar com quaisquer condições que o homem estipulasse para ficar por perto e dividir o fardo. Com o tempo, os genes femininos que chegaram à geração seguinte pertenciam a mulheres de caráter cuidador e submisso. Mulheres que passavam tempo excessivo em disputas por poder não deixaram nenhum desses genes poderosos para as gerações futuras." (Sapiens: Uma breve história da humanidade – Yuval Noah Harari)


A sobrevivência do grupo depende dessa mulher assim como a sobrevivência da espécie sempre dependeu das mulheres e, aqui, não me refiro à funções reprodutivas mas a outras, mais delicadas, sutis.


"(...) são obrigadas a desenvolver suas habilidades sociais e aprender a cooperar e apaziguar. Elas constroem redes sociais totalmente femininas que ajudam cada um dos membros a criar seus filhos. Os machos, enquanto isso, passam o tempo lutando e competindo. Suas habilidades e laços sociais permanecem subdesenvolvidos." (Sapiens: Uma breve história da humanidade – Yuval Noah Harari)


Esse ensaio é sobre uma cegueira mas é um livro que pode afetar o estômago. Atingiu o meu, pela primeira vez a literatura me causou náusea. É uma obra impactante, pesada mas, não diria que é pessimista: é realista e nos adverte que a civilização é uma conquista. A estrutura social, sanitária que nos mantém é frágil, precisa de cuidados. Que, por exemplo, abrir uma torneira e ver sair água limpa e potável é um privilégio, uma realização da espécie. Que somos escravos de nossos corpos, condenados a atender suas necessidades biológicas e suas respectivas manifestações escatológicas. E, que mesmo depois de mortos, ainda sofremos uma última indignidade: a putrefação.

Em contraponto, trata-se de uma homenagem à civilização, à razão, ao respeito, à importância de haver leis que nos protegem uns dos outros. O valor da empatia, da compaixão, da compreensão, do amor: a luz!


"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
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Lu Manzano / Leitura com pipoca 05/08/2018

Ensaio sobre a cegueira
Resenhar um livro de Saramago é tarefa complexa, pois tudo o que eu disser, parecerá banal diante da dimensão da literatura deste grande autor.
Acho que a frase deste livro que melhor traduz o sentido da história é essa, “ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra”.
Uma inexplicável epidemia de cegueira, a qual chamam de cegueira branca, atinge uma cidade, o primeiro a ser contaminado por assim dizer, é um homem que está dirigindo no trânsito e de repente se depara com uma superfície branca, daí o nome, e pouco a pouco vai se espalhando. Alguns deles se encontram no consultório do Dr. oftalmologista, que também acaba cegando, a única a não cegar é a mulher do médico. O governo achando se tratar de um mal contagioso, começa isolar todos os cegos num sanatório desativado da cidade, onde passam a viver sob condições subumanas, sem comida, sem roupas limpas, água e etc… Nessas condições as pessoas vivem como animais realmente e se relacionam sem quaisquer resquícios de vaidade ou julgamento. Um dia depois de uma grande confusão acontece um incêndio e eles se veem livres dessa prisão. Há um grupo de personagens peculiares que permanecem juntos, porém o mundo lá fora já não é o mesmo...
Resenha completa no blog

site: https://leituracompipoca.wordpress.com/?s=ensaio+sobre+a+cegueira
Lary @momento_literario 10/08/2018minha estante
Resenha maravilhosa '-'


Lu Manzano / Leitura com pipoca 11/08/2018minha estante
Muito obrigada!


Lary @momento_literario 27/08/2018minha estante
:-)




Whesley Nunes 02/08/2018

Precisamos ficar cegos para enxergarmos
"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."
Agora eu entendi porque o mago Saramago ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 1998. Genial. Realista. Atemporal. Assombroso. Angustiante. Um livro de tirar o fôlego, camaradas. Confesso que foi uma leitura desafiadora, pois Saramago tem um estilo de escrita autêntico, eu não tinha visto nada do tipo antes. Não é um livro fácil de ser digerido. Não é um livro que tem protagonistas ou vilões. Não é um livro que você quer saber o final da história. É um livro que você simplesmente explora a geografia da parte de dentro da sua alma. É um livro que apresenta a essência do ser humano!
Com Saramago aprendi que precisamos ficar cegos para enxergarmos.

Whesley Nunes do Nascimento
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Amanda 31/07/2018

Cegos que, vendo, não veem
Intenso, Forte, marcante, tenso, inquietante, angustiante, pesado, grotesco, crítico, reflexivo, impressionante, comovente, extremo, assombroso, tocante. Parece redundante esta série de adjetivos empregados na tarefa de descrever uma obra literária. Mas ciente de não haver existência de sinônimos perfeitos, cada palavra aqui citada colabora de forma única, algumas com mais traços que outras, na caracterização da experiência de leitura deste livro. Saramago: ame ou odeie. Não é o que dizem? Talvez por seu estilo de escrita completamente inovador e curioso, as peripécias com seu método de pontuação e descrição de personagens dividem opiniões. Porém, uma vez entendida sua proposta, torna-se impossível desgostar de sua escrita impregnada de significações, ainda mais no que concerne aos temas trilhados pelo autor, em especial nesta obra . Aquele que toca na ferida, que descreve o ser humano em seu âmago, instinto mais selvagem e irracional atingível em situações extremas. Eis que uma súbita ?cegueira branca" passa a acometer a população de uma cidade, transformando o que era pacífico e civilizado em caos e trevas, no qual o ser humano se vê relegado e sujeito ao limite das ações que lhe garantem a sobrevivência. E o questionamento que nasce acerca deste contexto faz refletir: A que ponto o ser humano pode chegar em função de seu próprio ego e benefício? Ao enxergar apenas o que lhe convém e fingir cegueira àquilo que não lhe diz respeito? São tantos temas sociais abordados indireta e metaforicamente pelo autor que por diversas vezes me peguei com os olhos marejados, pele arrepiada e batimentos acelerados, que me fizeram vibrar, sentir e mais importante, refletir sobre a atual situação mundial e compreender que a mudança começa por mim, de dentro pra fora; primeiro o coração que se abre, depois os olhos que, uma vez cegos, voltam a enxergar aquilo que realmente importa.
?... o médico disse, Se eu voltar a ter olhos, olharei verdadeiramente os olhos dos outros, como se estivesse a ver-lhes a alma, (...) Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.?
Milena 31/07/2018minha estante
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Jack Sabino 26/07/2018

Já tinha conhecimento desse livro de Saramago, mas a vontade de ler veio quando, anos atrás, vi o filme do Meireles. Com um ótimo time de atores (Você não, Mark Ruffalo), eu achei o filme super indigesto e com uma mensagem pesadíssima. Mas isso não significa que o achei ruim; muito pelo contrário.

Ambos têm uma narrativa que é um soco no estômago e nos faz ver o quanto as pessoas não revelam a sua verdadeira essência quando todos estão olhando. As pessoas são más quando não tem leis e nem que os governe. Somos cegos no nosso dia a dia ignorando mendigos nas ruas, ignorando vizinhos ou parentes abusadores e até ignoramos nossas próprias mazelas. Como bem pontua as últimas páginas, "Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que veem. Cegos que, vendo, não veem".

O livro é recheado de metáforas e deixa livre uma amplitude de pontos de vista. Mas, imagine o que faríamos quando não tivesse ninguém olhando, inclusive nós mesmos? Em terra de cegos, quem tem olhos não necessariamente é rei, como podemos comprovar nesse belíssimo romance de Saramago.
Jonas 29/07/2018minha estante
Ótima resenha, parabéns!
Tive a mesma sensação que descreves!


Jack Sabino 29/07/2018minha estante
Obrigada, Jonas! Sensacional esse livro, neh? Beijos!




Gabriela.Cerqueira 25/07/2018

Perfeito
Saramago tocará de forma diferente cada pessoa que ler esse livro. Não há palavras que definam com exatidão o quanto me agradou, metáforas perfeitas.
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Thayná 20/07/2018

O pior cego é aquele que não quer ver.
Meu Deus que livro !!!!
José Saramago é um autor que escreve de forma muito peculiar, não usando muito de pontuação, não da nomes aos personagens... não sabemos aonde se passa a história se é numa cidade, num bairro, em qual país ? Podendo assim trazer de uma forma mais crua à nossa REALIDADE.
Tudo começa quando de repente uma "cegueira súbita" ataca um homem no sinal. Este é levado para seu apartamento por um estranho que acaba lhe roubando o carro e também ficando cego. Na aflição o homem do sinal vai a um oftalmologista que o avalia e em casa estudando acaba ficando cego também. Nisso o famigerado governo sem saber o que fazer leva a todos incluindo a mulher do oftalmo que NÃO ESTA CEGA a um manicômio e os deixando a própria sorte com o mínimo de alimentos, higiene, etc.. Nesta história vamos encontrar com outros personagens também importantes, mas a moral da história que Saramago queria nos dizer é que a visão quando nos tirada nos força a acreditar em outras pessoas, confiar, ser bondoso, ser fiel, mas também à aqueles que a maldade só aumenta, só vê uma forma de conseguir abusar de alguém e dos outro e usar da fragilidade para continuar a fazer o mal. O pior cego é aquele que não quer ver.
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Taiz 16/07/2018

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
Bendita foi a hora em que aproveitei uma promoção e comprei esse livro. Já tinha ouvido falar do filme e via comentários muito positivos sobre a obra, mas não tinha tido oportunidade de ler ainda. Saramago tem uma escrita interessante, não utiliza de muita pontuação, o que dificulta um pouco a leitura, e os personagens não possuíam nome, algo bastante peculiar.

O livro me fez pensar bastante, ele mostra como deixamos de valorizar pequenas coisas, como um simples gole de água ou olhar a chuva cair pode significar tanto. Os personagens precisaram ficar cegos pra poderem enxergar realmente, da maneira certa, enxergar além do que os olhos podem ver. O livro também mostra que, mesmo num apocalipse, no fim dos tempos, algumas pessoas não são possíveis de serem mudadas, não mudam atitudes, não mudam pensamentos, a cegueira não foi capaz de tocar a índole de alguns, a cegueira não anulou a maldade e desumanidade de outros, algo mostrado quando estão em quarentena, onde há brigas, mortes, roubos, estupros - cenas que me deixaram extremamente indignada e enojada - e como a lei tratava aquelas pessoas como se fossem animais ou bem menos que animais. E em meio a um mundo de cegos, apenas uma mulher podia ver, e ela testemunhou a miséria e o caos em que tudo se transformou, em que ela mesma se transformou, enquanto servia de olhos para os que não os tinham.

A frase "o pior cego é aquele que não quer ver" faz ainda mais sentido agora. Sempre que possível, temos de tentar ver além do que estamos vendo, não apenas ver, mas, principalmente, enxergar; valorizar mais - momentos, afetos, gentilezas, pessoas -, agradecer mais, sentir mais, pois os olhos não são a única maneira enxergar a vida.
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julholiterario 10/07/2018

Que sacudida na humanidade...
Esse livro foi uma recomendação da minha prima Luciene e meu Deus, que livro!
José Saramago é um autor que tem um segmento de escrita longo, pesado e difícil (ao meu ver).
No começou foi uma leitura arrastada pois eu queria apenas entender do que se tratava o livro e fim...
Mas lendo e lendo eu consegui entender a mensagem que ele quis passar, o final da mulher do médico... Tudo se encaixou como uma grande crítica voltada a toda a sociedade mundial.
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