Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Alessandra.Rodrigues 04/07/2018

Fantástico
Fantástico!! Um dos melhores livros que já li até o presente momento da minha vida. É assustador, dramático, envolvente, triste, muito triste, pois mostra toda a fragilidade humana. Faz a gente refletir sobre o bom e o mau, sobre o certo e o errado, amor e instintos. Certamente não podemos morrer sem essa leitura. Simplesmente fantástico. O filme também é muito bom.
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Priscila (@priafonsinha) 30/06/2018

Perfeito!
Com a palavra Zezinho: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso."
Um livro repleto de metáforas, uma reflexão do que realmente somos e não daquilo que pensamos que somos, nossos egoísmos, consumismo, fraquezas, intolerâncias, um mundo que cai abaixo, que nos faz enxergar a fraqueza do mundo individualista que vivemos.
Para quem não leu, o filme é uma cópia fiel ao livro, ambos valem a pena, são obras perfeitas!
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Flávio 19/06/2018

Vê as coisas ruins, é não enxergar! Veja o lado bom, sempre ha(verá)!!!
Saramago é um dos grandes nomes da literatura mundial e amigo do nosso querido, Jorge Amado. Por correspondências, eles comentavam quem seria o primeiro a ganhar o Nobel de Literatura. Infelizmente, para o nosso não deu. Injustiça, que não poderá ser corrigida.
Curiosidades a parte, "Ensaio sobre a cegueira" é daqueles livros que mexe com você, lhe causando sensações perturbadoras, como a metamorfose de Kafka. Acredito que a grande sacada do livro é mostrar as reações humanas frente a um mundo mais sombrio do que o que já vivemos.
O livro não revela o motivo da cegueira geral e dos nomes dos personagens e isso só agrega, pois abre margem para pensar a real mensagem do livro. As pessoas não viam pois tinham uma cegueira irreal, uma cegueira causada por motivos psicológicos e não fisiológicos. As pessoas estavam cegas, pois não viam mais o lado bom das coisas, viviam em uma escuridão que só foi clareada à medida que eles deram importância a coisas simples, um banho, uma refeição, um afeto para com o próximo. O único personagem que não cegara, fora a mulher do médico (lembra que Saramago não deu nome aos personagens?) e acredito que se deva ao fato dela desde o primeiro momento ver as coisas boas e ser entregar a elas. Não teve medo de ficar ao lado do marido cego, mesmo sabendo que isso significava a cegueira dela também.
O livro é sombrio, triste, mostra a que ponto a sociedade pode chegar, mas acredito que por trás de toda essa obscuridade existe uma mensagem bela que Saramago nos deixou de presente, não é porque estamos vendo que estamos enxergando. O que você vê quando se olha no espelho? O que você vê quando olha para o futuro do País? Será que você vê o que de fato você é? Será que você vê o que de fato é o futuro do País?

Viva Saramago!! Ah... E viva Jorge Amado, nosso Jorge Amado, que não ganhou Nobel mas ganhou nossa Gratidão, essa sim eterna.
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Jon O'Brien 04/06/2018

Ensaio sobre o que falta e o que preenche
Denso, instigante e perturbador, Ensaio sobre a cegueira é um livro de primeira que entrou na minha lista de favoritos. Nesta resenha, você vai conhecer detalhes sobre a obra de José Saramago que certamente contribuiu muito para a premiação do autor com o Prêmio Nobel de Literatura, no ano de 1998. Vai também saber o que achei da adaptação que o livro ganhou para o cinema em 2008. Acompanhe.

É o terceiro dia que estou gastando tentando fazer uma boa resenha para esse livro que me surpreendeu tão positivamente. Quando se falava em José Saramago e, mais especificamente, a respeito de Ensaio sobre a cegueira, eu imaginava um livro bom, um livro cruel, mas o que imaginei não chegou à metade da grandiosidade desse livro.
Ensaio sobre a cegueira conta a história de uma epidemia — sem revelar a causa dela, e mais abaixo você saberá sobre a minha teoria com spoilers, embora você não precise se preocupar, pois avisarei até onde você pode ler sem ter medo. O que o autor quer não é que você saiba a causa da epidemia, mas sim que veja como os personagens principais e os demais lidam com o fato de que há uma espécie de cegueira contagiosa.

“Com o andar dos tempos, mais as atividades de convivência e as trocas genéticas, acabamos por meter a consciência na cor do sangue e no sal das lágrimas, e, como se tanto fosse pouco, fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca.”

É muito fácil se apegar aos personagens dessa trama, pelo menos à maioria deles, mesmo não possuindo nome, ou, melhor, não tendo o nome revelado. Isso somado às descrições generalizadas nos diz que esse livro é universal, mostra que ele pode se passar quanto em Portugal quanto nos Estados Unidos quanto em qualquer outro lugar do mundo. A intenção de José Saramago foi justamente essa.

Na trama, encontramos alguns personagens de maior destaque, denominados como: o primeiro cego, o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o rapazinho estrábico e o velho da venda preta. Outros personagens também marcam presença, mas são esses os que estão compondo a maior parte das páginas desse livro. Os personagens são guiados pela mulher do médico, que é a única que consegue enxergar em meio a esse caos.

“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.”

A escrita do José Saramago é no mínimo curiosa e bem diferente. Os períodos dispostos no livro são imensos, não há ponto de interrogação ou exclamação e as falas não são marcadas por aspas ou travessões, mas por vírgulas, o que torna difícil o processo de leitura. É algo do tipo:
Ele sentou-se na cama e abriu a boca ao mundo, Eu não quero mais que vocês falem, que pensem ou que qualquer outra coisa, Como assim, perguntou o senhor, Vai nos tirar a liberdade de pensar, Sim, é isso o que eu vou fazer, respondeu-lhe.

Pelo menos, com o passar das páginas você consegue se acostumar ao modo como Saramago escreve e termina o livro pedindo por mais. A narrativa, mesmo sendo por vezes previsível, não se torna chata, mas pode se tornar um tanto cansativa, até porque o autor escreve de uma forma meio repetida, minuciosa. Talvez essa repetição e essa lentidão de explanar os acontecimentos tenham me afastado da leitura a ponto de eu demorar cerca de quatro meses para concluí-la. Entretanto, talvez não fosse isso, visto que eu não sentia muita vontade de pegar o livro para ler, mas quando pegava ficava com vontade de ler bastante.

Quem procura por um livro com um jardim cheio de flores como tema, é bom que passe longe desse livro. A escrita do José Saramago é crua e deliciosa. Ela é capaz de nos verter lágrimas e de fazer o nosso sangue correr, às vezes as duas coisas no mesmo momento. Saramago sofreu ao escrever e queria que sofrêssemos ao ler. Foi o que aconteceu comigo. A falta da considerada “devida” pontuação para as falas dá ao texto uma aparência mais corrida, veloz, e nisso você acaba lendo longos parágrafos sem nem se dar conta.
A adaptação do livro é fiel até certo ponto, mas nada do que foi mudado ou acrescentado ficou, na minha opinião, ruim. As coisas se assentaram bem e a história foi emocionante. As atuações foram boas, na minha opinião. A da mulher do médico foi a que se sobressaiu.

Por fim, eu gostaria de dizer algo que pode ser considerado spoiler. Na verdade, é um spoiler grande misturado a uma teoria minha.


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No final do livro, os cegos voltam a enxergar, o que é muito interessante, considerando que é uma cegueira aparentemente sem motivo e passageira. Mas, na minha opinião, o mundo estava pesado, as pessoas pararam de dar valor ao que realmente importa, e a cegueira veio como uma ferramenta de unir as pessoas, pois às vezes precisamos estar cegos para enxergar. É por isso que no final, quando as pessoas voltam a enxergar, elas já recuperaram o afeto perdido. As que não recuperaram, bem, vão ter muito o que agradecer.

site: https://redipeblog.wordpress.com/2018/06/02/resenha-ensaio-sobre-a-cegueira-jose-saramago/
Rafa P. 05/06/2018minha estante
Ótima resenha rapaz! Eu também fiquei impressionada com a escrita de Saramago. Foi o primeiro livro dele que li e ja fiquei super fã. Intenso, real, perturbador. John vc já viu que ele possui uma sequencia? Na verdade não sei se é uma sequência mesmo, mas parece que se passa no mesmo universo. É o Ensaio sobre a lucidez.


Jon O'Brien 05/06/2018minha estante
Oi, Rafa. Tudo bem? Fico feliz que tenha gostado da resenha. Esse livro do Saramago é espetacular. Eu já sabia do Ensaio sobre a lucidez, mas nunca pensei que poderia ser uma sequência. Obrigado por me falar. Abraços!




Olana - @aleituradehoje 27/05/2018

Ensaio sobre o Ser Humano, eu diria...
Que coincidência cruel ler este livro justamente na semana do caos no Brasil. Seria cômico se não fosse trágico me ver como como uma cega dominada por cegos malvados. E daí a pergunta que não cala em minha consciência: Quem são os cegos malvados?

Saramago em seu premiado Ensaio sobre a Cegueira, apresenta um mundo que entrou em colapso, isto causado pela súbita “cegueira branca” da sociedade. A dificuldade em manter a “pseudo-ordem” em que vivem os seres humanos, aflora nos “doentes” seus instintos mais irracionais (ou mais humanos?) e transforma suas existências para uma nova ordem de sobrevivência.

O que inicialmente transcorreria como um simples acontecimento ou contratempo, Saramago converte, com maestria, numa descrição detalhista, cruel e (eu diria) verdadeira da alma humana. Saramago traduz nosso íntimo. Ele nos esmaga moralmente.

É nesse escrito que Saramago nos lembra que “É dessa massa que somos feitos, metade indiferença, metade ruindade”. É tão isso, tão isso... que mesmo sabendo, dói ler.
Saramago trata de questões de necessidade básicas e situações corriqueiras, que na sua história, ficam tão complicadas e intensas que as descrições assustam, chocam, revoltam... enojam. Em outros casos, a ocorrência causou-me uma tristeza tão profunda que não consegui segurar as lágrimas. Seres humanos reduzidos à nada, à meros seres rastejantes, humilhados, ignorados, esquecidos. E acho que o que mais me enlouqueceu em toda a leitura, é que não é só um livros. Quantos seres humanos vivem nessa condição descrita por Saramago e nós, obviamente cegos (porque a nossa total apatia e indiferença só se explica pela cegueira) não percebemos e não lembramos? Essa cegueira branca do livro, já nos atingiu. Só não sabemos. Como diz Saramago em seu fechar de página: Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem. Cegos que vendo não vêem.

Obviamente, é um livro que só se percebera sua grandiosidade lendo. O que eu posso fazer é dizer que deveria ser uma leitura obrigatória. E como diz @lidosdalu da leitura coletiva a qual participei para este livro: “Terminei! agora com licença, preciso ir ali na varanda gritar.”
Ozania.Martins 19/06/2018minha estante
Olá eu tbm li o livro nessa semana em meio caos,tive o mesmo sentimento que vc foi muito reflexivo. Tive vontade de fazer varios xerox e dar em mãos p que tds lê-sem . Em varios momentos da leitura eu derramei lagrimas penssando exatamente em como somos segos.....


Ozania.Martins 19/06/2018minha estante
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Kelly.Mattos 10/07/2018minha estante
Você conseguiu verbalizar emoções vividas durante a experiência desta leitura. Grande livro, muita emoção!




Jaine Jehniffer 18/05/2018

Soco no Estômago
Você já se perguntou como seria se o mundo todo ficasse cego de repente? Você poderia pensar que o ser humano com sua extrema capacidade de adaptação iria se ajustar e como estavam todos cegos, se ajudariam a construir um mundo melhor, mas unido e solidário. Entretanto, Saramago dá uma resposta diferente.

Talvez isso ocorresse se todos no mundo já tivessem nascidos cegos. Mas para o ser humano que está acostumado a uma vida com acesso bens básicos fundamentais para a sobrevivência como água e alimentos, ver se de repente sem nada disso pode ser um sinal para o lado animalesco dominar, onde a coisa mais importante é sobreviver.
Continuação em: paginasetakes.com.br

site: https://www.paginasetakes.com.br/l/a-revolucao-dos-bichos/
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Vinícius 17/05/2018

Transformador
Ao parar em um semáforo um homem repentinamente perde a visão. Ao constatar a cegueira (que diferente do normal, nesta se enxerga um clarão branco) grita: "Estou cego! Estou cego!". A partir daí, pouco a pouco toda a população começa a ficar cega e toda a sociedade mergulha em um mundo sem visão, onde o ser humano degrada-se ao ponto mais baixo imaginável. Com um estilo de escrita interessantíssimo - sem travessões para as falas - o vencedor do prêmio nobel José Saramago nos presenteia com uma de suas mais perfeitas obras, um livro impactante capaz de nos fazer refletir profundamente do início ao fim da trama.
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Marverosa 10/05/2018

Instigante, envolvente, crítico, emocionante
Não tem como descrever um livro que te comove, te deixa com raiva, te faz pensar sobre diversos aspectos da existência humana.

Um dos melhores livros que já li.

Não foi fácil. A gente sofre. Mas é umas obr prima.
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Marília 06/05/2018

Escolhas
O pior cego ora é aquele que não quer ver ora aquele que escolhe ver pelos olhos alheios. Na mais branda das hipóteses, é por ignorância; mas, a mais comum e pior é por um terrível comodismo humano que a não percepção da realidade traz.
A passagem pela praça onde havia discursos pregadores e a ida na igreja revelam muitas coisas.
Beatriz.Ferreira 28/09/2018minha estante
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Maria 03/05/2018

PERFEIÇÃO
Única palavra que posso falar sobre esse livro!
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rapha 27/04/2018

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
“Tenho de abrir os olhos, pensou a mulher do médico. Através das pálpebras fechadas, quando por várias vezes acordou durante a noite, percebera a mortiça claridade das lâmpadas que mal iluminavam a camarata, mas agora parecia-lhe notar uma diferença, uma outra presença luminosa, poderia ser o efeito do primeiro lusco-fusco da madrugada, poderia ser já o mar de leite a afogar-lhe os olhos. Disse a si mesma que ia contar até dez e que no fim da contagem descerraria as pálpebras, duas vezes o disse, duas vezes contou, duas vezes não as abriu. (...) Como estará a perna daquele, perguntou-se, mas sabia que neste momento não tratava de uma compaixão verdadeira, o que queria era fingir outra preocupação, o que queria era não ter de abrir os olhos.”

José Saramago adora escrever ensaios. Ele busca, na maioria de suas obras, partir duma premissa “e se...?”. No caso deste livro, temos “E se todos de repente ficassem cegos?”. E, diferente da cegueira comum, onde você é cercado pela escuridão, aqui no livro os personagens são acometidos pela ‘cegueira branca’, descrita como um mar de leite diante dos olhos.

O livro começa com o primeiro cego (Yusuke Iseya), um homem comum dirigindo seu carro, e fica cego de repente. Começa toda aquela confusão estressante de um veículo parado no meio da rua até que um ‘bom samaritano’ ajuda o primeiro cego a ir para casa. Já é legal acompanhar esse personagem pelas suas inseguranças, medo de ter sua visão tirada sem mais nem menos, e como ele se torna assustando e dependente da esposa (Yoshino Kimura), que o leva no oftalmologista assim que chega em casa.

Já no consultório, passamos a acompanhar mais personagens, que estão lá por motivos diversos: o velho da catarata (Danny Glover), o menino estrábico, a rapariga dos óculos escuros (a maravilhosa Alice Braga) com conjuntivite, além do próprio médico (o queridinho Mark Ruffalo). Este, ao chegar em casa, comenta com a esposa (Julianne Moore) o estranho caso que teve hoje com o paciente da cegueira branca, que perdeu a visão de uma hora pra outra. Ao acordar no dia seguinte, entra em choque, pois cegou também. E assim vai se alastrando a cegueira branca, que diferente da normal, parece se propagar por contágio nas pessoas.

A cegueira branca então se alastra como gripe pela cidade, e o governo rapidamente toda uma decisão: mandar todos os novos cegos para quarentena, que se dá num hospício abandonado. Cercados e contidos por militares, eles recebem refeições em determinada hora do dia, mas tudo o que acontece dentro do hospício (como limpeza e organização de espaço) fica por conta dos cegos.

Vamos aqui destacar a personagem, que pra mim é a principal, dada como mulher do médico. Sim, ela não tem nome, assim como todos os outros personagens do Saramago, ele não costuma nomear as coisas (a própria cidade em que acontece essa catástrofe é só “cidade”, então você fica livre pra imaginar qualquer lugar do mundo). Ela, após saber que todos os cegos estavam sendo mandados para a quarentena, fingiu que ficou cega para ir junto do marido. Então ao chegar no hospício, ela começa a ser a grande organizadora do espaço, uma vez que é a única que ainda vê, começa a amarrar cordas entre as câmaras, ensina os caminhos até o banheiro e muito mais.

Talvez a personagem mais complexa do livro, a gente vai acompanhando seu desenvolvimento, aonde ela deixa de viver para si e passa a viver cuidado de todos os cegos, a cada dia mais numerosos, jogados ali à própria sorte.

O filme Blindness foi lançado em 2008, e produzido pelo Japão, Brasil e Canadá. Isto talvez explique o elenco bem diversificado, que conta com brasileiro, mexicano, japoneses e norte-americanos. E ganhou uma caralhada de prêmios do cinema brasileiro, como maquiagem, fotografia, direção de artes e efeitos especiais. Tudo muito bem merecido, já que o filme tem esse tom claro de luz branca que nos ‘cega’ por uns momentos, grande sacada.

Bem fiel à obra, tem um ritmo lento que lembra o livro, mas mesmo aos poucos muita coisa acontece. Os atores conseguem passar bem toda a confusão, medo, insegurança e desespero que tais situações trazem.

A única cena que me deixou querendo mais foi a do supermercado, aonde a mulher do médico entra em desespero ao se ver sozinha num escuro armazém, aonde sua visão, que até agora era sua única vantagem, a deixa na mão e ela precisa se virar sem isto. Todo o desespero dessa cena te deixa angustiado.

E os vários debates que Saramago trás por entrelinhas, que muito me lembra uma música do Capital Inicial: “O que você faz quando/ Ninguém te vê fazendo/ O que você queria fazer/ Se ninguém pudesse te ver?”

Num mundo aonde todos são cegos, como se organizar? Qual vantagem você teria sobre o outro? E como controlar aquilo que é seu, se você não o vê? Definitivamente um livro que te deixa pensando dias e dias.

A minha dificuldade maior foi sem dúvida o jeito que Saramago escreve, desenfreado, sem travessões ou parágrafos, que deixa a leitura um pouco cansativa. É difícil achar pontos para parar e retomar depois, o que exige uma leitura contínua que não é fácil por ser densa. Muitas vezes me vi perdida sem saber o que tinha acabado de ler e fui obrigada a voltar. Mas mesmo assim, a proposta do livro é excelente, e mal posso esperar para ler outras obras do autor.

site: https://elefantenaestante.wixsite.com/blog/inicio/livro-x-filme-ensaio-sobre-a-cegueira-jos%C3%A9-saramago
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Mila.Mesquita 26/04/2018

Real...
Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não veem.?


Através de uma cegueira física, Saramago ilustra a cegueira da nossa própria alma.
A História retrata o egoísmo do ser humano e sua capacidade de machucar outras pessoas, vemos o ser humano "pedindo" favores em troca de "atos de generosidade". Nos faz perceber como um mundo sem esperança, sem respeito ao próximo, sem uma reflexão em nossas atitudes, nossos gestos,isso sim, nos faz cegos.
É algo delicado para se encontrar em um livro, mas mostra a verdadeira essência humana.
Estou nunca ressaca incrível.

Um dos melhores livros que li na vida. Sensacional!
Andresa 26/04/2018minha estante
Show! Quero muito ler!


Charlene 26/04/2018minha estante
Uma amiga levou muiiito tempo pra se recuperar dessa leitura!


Mila.Mesquita 02/05/2018minha estante
Lee é incrível a forma descrita por saramago e estou encantada quero ler tudo desse autor agora. Kkkk
Ps: mesmo sendo pesado alguns pontos, foi um tapa na cara a realidade vivida hje de certa forma( e uma obra q é da época q nasci, rs).
Leia acredito q irá gostar.


Char ia pegar para ler algum clássico, mais só consigo ler livros de romance e q sejam mega fluidos de como a história me pegou.




Livro a Bordo 23/04/2018

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago
O livro resenhado de hoje é do Nobel de Literatura (1998) José Saramago, escritor português, que possui em sua extensa obra, romances, crônicas, peças teatrais, contos e poesias. Saramago é autor de romances como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caim e Ensaio sobre a Lucidez. Outro livro bastante aclamado pela crítica e por leitores de todo o mundo é Ensaio sobre a Cegueira que foi publicado em 1995 e narra a história de habitantes de uma cidade que é acometida por uma epidemia de cegueira branca subitamente.

Essas pessoas são trancafiadas em um local, em quarentena, e é lá que a história assume os contornos mais selvagens do ser humano, levando os personagens a mostrarem seu lado mais sombrio. Assim podemos vivenciar entre eles, a ganância, a violência, e a cegueira do ser humano frente aos outros.

A marca registrada de Saramago é a sua escrita. Sem parágrafos e sem muitas pontuações a não ser vírgulas e pontos, é assim que o autor constrói uma narrativa fluida e envolvente.

Sobre o livro, o autor certa vez escreveu: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”

A obra de Saramago nos leva a reflexão sobre a perca da humanidade em um mundo onde prevalece às injustiças e a luta pelo poder. O livro ganhou uma adaptação para o cinema em 2008 que foi dirigida por Fernando Meirelles.

A edição é da @companhiadasletras e possui 300 páginas de uma história angustiante, reflexiva e contundente.
É impossível ser a mesma pessoa depois de ler esse livro. Confesso que a história ainda ecoa em minha mente e já está na minha lista de releituras.

E que tal começar a leitura da obra desse grande autor por esse livro arrebatador?
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Bruna Baggio 03/04/2018

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
“O médico suspirou, a convivência ia ser difícil. Encaminhava-se já para a camarata quando sentiu uma forte necessidade de evacuar. No sítio onde se encontrava, não tinha a certeza de ser capaz de chegar às latrinas, mas decidiu aventurar-se. Esperava que alguém, ao menos, tivesse tido a lembrança de levar para lá o papel higiénico que viera com as caixas da comida. Enganou-se no caminho duas vezes, angustiado porque a necessidade apertava cada vez mais, e já estava nas últimas instancias da urgência quando pôde enfim baixar as calças e agachar-se na retrete turca. O fedor asfixiava. Tinha a impressão de haver pisado uma pasta mole, os excrementos de alguém que não acertara com o buraco da retrete ou que resolvera aliviar-se sem querer saber mais de respeitos. Tentou imaginar como seria o lugar onde se encontrava, para ele era tudo branco, luminoso, resplandecente, que o eram as paredes e o chão que não podia ver, e absurdamente achou-se a concluir que a luz e a brancura, ali, cheiravam mal Vamos endoidecer de horror, pensou. Depois quis limpar-se, mas não havia papel. Apalpou a parede atrás de si, onde deveriam estar os suportes dos rolos ou os pregos em que, à falta de melhor, se teriam espetado uns bocados de papel qualquer. Nada. Sentiu-se infeliz, desgraçado a mais não poder, ali com as pernas arqueadas, amparando as calças que roçavam no chão nojento, cego, cego, cego, e, sem poder dominar-se, começou a chorar...”p.97
ANIMAIS. Nossa higiene, nossos costumes, nossa personalidade, QUEM SOMOS, isso não é nada quando estamos frente à fome, a necessidade de sobrevivência, ou a falta de coisas essenciais como a visão, que passam tão despercebidas em nossas vidinhas privilegiadas e limpas. SOMOS SIMPLES ANIMAIS. A certeza de sabemos o que somos, o que somos capazes ou não de fazer aos outros e com nós mesmos se dissolve se nos colocarmos por um minuto na distopia de Saramago. A “mulher do médico” foi capaz de matar uma pessoa. A “Rapariga” foi capaz de assumir os cuidados de uma criança. O ladrão de carros foi capaz de perdoar.
Mas também, somos capazes de cuidar uns dos outros em meio os destroços. Nós mulheres, mais ainda. A sororidade retratada no livro é impecável. "Surdas, cegas, caladas, aos tombos, apenas com vontade suficiente para não largarem a mão da que seguia à frente, a mão, não o ombro, como quando tinham vindo, certamente nenhuma saberia responder se lhe perguntassem, ror que vão vocês de mãos dadas, tinha calhado assim, há gestos para que nem sempre se pode encontrar uma explicação fácil, algumas vezes nem a difícil pôde ser encontrada." p.178.
Por fim, ficou mais que esclarecido que os cegos já eram cegos antes de cegarem. Todos nós também somos cegos, pois a cegueira de Saramago é o medo. Mas, quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira?
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Edu 03/04/2018

No limiar entre a tristeza e a esperança
A forma como a história é narrada é muito particular. Aproveitando linhas de ponta a ponta, sem uma só brecha, o livro não só ? bem aproveitado esteticamente mas bem aproveitado em termos de desenvolvimento. É uma leitura de inserção, por algumas 300 páginas você também experimenta a cegueira e experimenta aquela sensação nervosa de, "meu, nada de bom pode sair daqui" enquanto sente os personagens se afogarem cada vez mais num mar de lama. É um livro pra ler com calma, no silêncio e na paz por que só assim, sua mensagem tão evidente e ao mesmo tempo tão metafórica surge através da cegueira. Somos todos cegos, afinal.
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