Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Edu 03/04/2018

No limiar entre a tristeza e a esperança
A forma como a história é narrada é muito particular. Aproveitando linhas de ponta a ponta, sem uma só brecha, o livro não só ? bem aproveitado esteticamente mas bem aproveitado em termos de desenvolvimento. É uma leitura de inserção, por algumas 300 páginas você também experimenta a cegueira e experimenta aquela sensação nervosa de, "meu, nada de bom pode sair daqui" enquanto sente os personagens se afogarem cada vez mais num mar de lama. É um livro pra ler com calma, no silêncio e na paz por que só assim, sua mensagem tão evidente e ao mesmo tempo tão metafórica surge através da cegueira. Somos todos cegos, afinal.
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Kleiton 01/04/2018

Maravilhosa Surpresa
SARAMAGO. Texto corrido. Literalmente. Narrativa fluida e dinâmica. É preciso se acostumar à escrita do autor. Mas após um breve período de adaptação o gosto pela tipo de leitura torna-se único.
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João 31/03/2018

Devastador
É sempre bom ir ler livros de autores muito famosos e cultuados com um ''pé atrás'', comecei a ler este livro justamente por há muito tempo ouvir falar do autor. Apesar de todo o hype, fui com poucas expectativas, não sei se foi o certo, mas que foi surpreendente foi. Saramago justificou toda sua fama para mim com esse livro. Realmente, uma história a primeira vista mirabolante, mas que a cada palavra realista mostrou a fragilidade do comportamento humano e mesmo sua fragilidade física e que aquilo não é algo impossível de acontecer. A cada passagem a degradação moral e das condições mínimas de vivência provavam de diversas formas e de inúmeras analogias ao cotidiano como estamos alheios aos outros, talvez uma forma de cegueira. A forma como o governo tratava os cegos não difere em nada em como nossa sociedade trata seus apenados ou as pessoas que vivem à margem da sociedade. Ao jogar os cegos em um mesmo local para viverem a própria sorte sem comida ou mínimas condições de salubridade nos mostra a monstruosidade pela qual muitas pessoas vivem mundo a fora. Esse tratamento indiferente é como diariamente em nossas dificuldades por muitas vezes ou somos ignorados ou isolados e tratados como algo que possa ser descartado. No apanhado de tudo fica a reflexão da qual devemos abrir bem os nossos olhos e enxergar toda as situações e procurar entender a todos de forma que não passemos despercebidos como os cegos passavam a tudo o que acontecia ao seu redor.
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Dani | @aliteratar 28/03/2018

Entrou para meus favoritos!
Como começar uma resenha sobre um livro que até agora não encontro palavras para o descrever? Como classificar essa obra e suas intenções, sem passar por todos os tipos de sensações? Com toda certeza, “Ensaio Sobre a Cegueira” foi o melhor livro que li do Saramago até agora (desculpe Claraboia, você caiu para segunda colocação), e sem hesitar, um dos melhores que já li na vida! Sim, ele entrou para meus favoritos!

A princípio, o livro aborda o primeiro caso da cegueira de um homem que se encontrava no trânsito e sem mais explicações, ficou cego instantaneamente. Com toda confusão e pavor, o Primeiro Cego é descolado para o consultório de um oftamologista e relata detalhadamente o que lhe ocorreu. Consequentemente, o próprio Doutor esclarece que seus olhos e afins, estão em perfeito estado! Não obstante, o Primeiro Cego continua a afirmar: “Vejo uma cegueira branca doutor. Como se a luz nunca acabasse“. Embora, não encontre nada grave e sem motivos, o Doutor começa a investigar as possíveis causas dessa cegueira instantânea em sua casa após o expediente, e como se não bastasse, no mesmo momento a cegueira se alastra ao próprio Doutor.

Dessa maneira, começamos a profunda e cruel realidade do livro. Minutos após minutos, a cegueira começa a se espalhar como fumaça, sendo considerada uma “cegueira coletiva” sem causas e razões. Todas as pessoas que tiveram contato com o Primeiro Cego e assim sucessivamente, começam a cegar e o pânico vira generalizado. Na medida que a população começa a entrar em colapso, os primeiros cegos foram enviados à um isolamento, sendo escolhido um manicômio abandonado destinado a quarentena daqueles afetados. Com um fio de esperança e correndo contra o tempo, o Governo começa a investigar as possíveis intervenções e qual seria a epedemia para tal acontecimento. No entanto, apenas uma única pessoa não foi diagnosticada com a cegueira: a Mulher do Doutor. E sem demonstrar que ainda vê perfeitamente, a mesma finge estar cega junto com o marido e ambos são enviados para a quarentena sem destino. E lá que o Inferno começa…

Um ponto brilhante que achei no livro foi o modo como Saramago descreve os personagens: eles não possuem nomes. Exatamente! São apenas apresentados como “Primeiro Cego“, “Doutor“, “Mulher do Doutor“, “Homem da Venda Preta“, “Mulher dos Óculos Escuros” etc… De fato, esse mero detalhe engrandesse imensamente o livro, pois ao decorrer da leitura percebemos que um cego é igual ao outro, sem mais. Ter um nome naquele momento não faria nenhuma diferença. Eles não era “alguém” e sim “mais um cego” entre milhões. Na decorrência disso, a leitura começa a ser fluída ao mesmo tempo que sentimos o limite do ser humano, uma dicelaração de dentro para fora, capítulos angustiantes com um toque magnifíco. Sentimos como se nós mesmo estivéssemos cegos comos os personagens, isso foi de tal modo surreal.

Em vista disso, Saramago consegue com clareza manifestar sua opinião e crítica sobre uma sociedade egoísta e hipócrita, dando-nos a visão da miséria humana e sua crueldade. A necessidade das pessoas em encontrar novamente a sua humanização, os seus princípios e ordem. Apesar de ser somente uma “cegueira”, o país inteiro encontra-se ao fim, sem esperança, sem controle e higiene. Pessoas tornando-se animais irracioinais, animais tornando-se seres sobreviventes. Um Governo que apenas pensanva em si mesmo, mas que ao longo da calamidade, se vê em ruínas e igualmente desgraçado como seu povo. A falta de alimentação e locais apropriados para pernoitar são uma das lutas diárias desses sobreviventes ao caos. Sobretudo, o livro não mostra a busca da cura da cegueira, e sim, a busca da nossa própria dignidade como humanos e a volta de autoconhecimento consigo próprio.

Entretanto, mesmo ao meio de todo Inferno e dor, a única pessoa responsável e capaz de orientá-los ao meio do pandemônio é a Mulher do Doutor – àquela que com sua generosidade e bondade, sua determinação em ajudar o próximo e força de conseguir uma saída – é representada divinamente, tornando-se uma personagem essencial e inspiradora!

Agora, como será que a população irá sair desse fim? Como a única pessoa a enxergar conseguirá cuidar de todas aquelas pessoas ao seu redor? Será que no fnal, haverá uma cura ou a humanidade padecerá sobre este mal?

Outro ponto incrível é o livro não ter uma base temporal! A história pode ser no passado, presente ou futuro. Não há nome, não se sabe onde e como. É um livro que transcede qualquer espaço de tempo e local. Ele poderia ser um relato do passado, como uma previsão do futuro. Além disso, não podemos esquecer a escrita ímpar do autor, que de todo o modo, está fascinante!
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Sanoli 21/03/2018

http://surteipostei.blogspot.com.br/2018/03/ensaio-sobre-cegueira.html
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site: http://surteipostei.blogspot.com.br/2018/03/ensaio-sobre-cegueira.html
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Alan 19/03/2018

É preciso cegar-se para poder enxergar a alma do outro
Este livro é simplesmente maravilhoso, é muito pesado e grotesco, definitivamente não é uma leitura para todos.
Pelo menos duas vezes pensei em parar de lê-lo, nos leva a pensar como somos apenas animais em busca de se manter vivos. Obrigado Saramago por ter existido e ter me proporcionado tal leitura, ganhou mais um fã
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Grace 16/03/2018

Fiquei pensando o que falar desse livro, sem entregar a história, porque apesar de achar que todo mundo já sabe o enredo ou ter assistido ao filme baseado no livro nada nos prepara para essa viagem ao inferno, esse sentimento de claustrofobia que se instala conforme avançamos na história, como sempre Saramago é maravilhoso. A história começa quando um homem de carro, grita "estou cego", de repente, outras pessoas começam a cegar e esse mal passa a ser chamado de a "treva branca", a partir disso pessoas são colocadas em quarentena, e o que acontece quando é tirado de nós um dos sentidos e mesmo assim temos que comer, fazer nossas necessidades, sobreviver, nos transformamos em animais? E se só você pode enxergar no meios dos cegos? Com todos cegos, teria uma organização? Teria uma classe dominante? O que seria da humanidade? São muitas questões levantadas por Saramago nesse livro, não dá para falar todas, mas dá para pensarmos nessa história por um bom tempo.
"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
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Evandrojr. 14/03/2018

Se nós fossemos todos cegos? Mas nós ja estamos todos cegos. Cegos da razão!
“Se nós fossemos todos cegos? Mas nós já estamos todos cegos. Cegos da razão, porque não a usamos para defender a vida, usamos a razão para destruí-la. Por isso escrevi esse livro”. Através das palavras do próprio Saramago tem-se a dimensão desta grandiosa obra de ficção aclamada no mundo inteiro, fazendo jus ao único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de literatura até hoje. Ensaio sobre a cegueira é de uma crueza admirável, angustiante, aflitivo, desesperador. Incrível como Saramago vai direto ao ponto, te leva para dentro do drama, te faz estar ali convivendo com a degradação humana diante de uma cegueira repentina que acomete toda uma população gerando o caos e o primitivismo cada vez mais crescentes a cada página, te fazendo refletir a todo o momento o que nós realmente somos, interna e externamente. A identificação com a dor e o sofrimento de cada personagem é tão intensa que o mais ilógico acontece na narrativa de Saramago: simplismente os infelizes protagonistas não tem nome nem sobrenome, sequer apelido. São retratados apenas como “a mulher do médico”, “o primeiro cego”, “o garoto estrábico” e assim por diante, do começo ao fim da obra, e incrivelmente você não consegue jamais esquecê-los. Das melhores leituras em toda a minha vida!
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Gui 13/03/2018

Uma cegueira Moral
Um livro maravilhoso, incrivel com cenas tão fortes que você não vai conseguir ler todo sem pausar para respirar. Porquê essa é a sensação transmitida ao leitor. Uma angústia causada pela falta de humanidade. Um mundo onde cães darramam lágrimas e as pessoas se devoram. Um nível de brutalidade indescritível. E você, o que faria se despertasse em um mundo apocalíptico onde a cegueira é a causa da destruição dos valores humanos. O autor trás personagens alegóricos, que pode ser aplicado a cada um de nós. Nesse mundo em que ruas não tem nome, não há um país específico. As pessoas são representadas por suas posições. A mulher do médico, o primeiro cego, a mulher do primeiro cego, a prostituta, o ladrão, o médico, o jovem estrábico. Etc..., todos num mesmo lugar com a mesmo problema, a cegueira branca. Um livro que explora o lado mas obscuro do ser humano. Até quando as leis morais regem o nosso caráter. Até que ponto somos idôneos? Saramago trás atona um mundo onde o certo e o errado se fundem. E a racionalidade se esvai como uma artéria rompida violentamente.
Gui 13/03/2018minha estante
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Gui 13/03/2018minha estante
Esqueci de dizer que não há pessoas definidas. São personagens alegóricos. Não há ruas nem lugares específicos. A história pode se passar no Brasil ou no Japão. E a famosa citação" o pior cego é aquele que não quer ver!"


Rafael_POA 13/03/2018minha estante
Interessante, mas agora vou ter que esperar no mínimo 1 ano antes de ler, para dar tempo de eu esquecer os spoilers que VC mandou no áudio do Whats :(


Gui 13/03/2018minha estante
Nem dei spoilers, nem foi um min de áudio ?




Carolina.Pontin 11/03/2018

acho que dá pra dividir a experiência de ler esse livro por 3 etapas: a primeira certamente é a perturbação, eu me senti cega a cada frase que eu lia, as pessoas iam cegando e eu também; a segunda foi imersão, eu mergulhei na história de uma forma que eu tava me vendo a cada acontecimento; e a terceira foi a reflexão, eu tirei tanta coisa pra minha vida, escrevi textos, trabalhos e fiz fotos que me remetiam a cegueira.
li no tempo certo, mas tenho certeza de que se eu ler novamente, o tempo vai continuar certo.
Gui 13/03/2018minha estante
Eu me senti assim como se fosse cegar também eu tinha essa sensação. Porém se certo modo somos cegos. Nossa visão é limitada. Nosso governo é cego e o pior cego é o que não quer ver


Luciana 21/03/2018minha estante
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Lismar 10/03/2018

Perturbador
Acabei de ler Ensaio sobre a cegueira e que livraço esse do saramago, Hein?!
Obra em que quase toda a população de uma cidade torna-se cega inexplicavelmente, criando um ambiente propício para um cenário pós apocalíptico.
E o negócio é grotesco mesmo. Altas descrições de merda, sexo, merda, estupros, merda, fuzilamentos, merda, pilhagem, merda, degolamento, já falei de merda?? É inacreditável a quantidade de fezes nesse livro, a cada capítulo tinha uma diarreia, uma cagada nas calças, nos chão, na cama, etc. Isso, junto com a fome, a arbitrariedade do Governo, as restrições de comida e água retrata muito bem a condição subumana total pretendida pelo livro. Você se sente sujo só de lê-lo, o que, pelo que li das intenções do autor sobre esse livro, foi o pretendido por ele: O asco, o nojo, a perturbação.
Os personagens não possuem identidade, são sempre referenciados por seus físicos, situações ou profissões, há o primeiro cego, o médico, a esposa do médico, o ladrão, e por aí vai; ocasionando uma bela imersão, pois dá a impressão que estamos cegos também, apenas nos situando quanto aos personagens pelas características já citadas anteriormente.
A escrita do português é o de sempre: Poucos parágrafos e os diálogos não estão evidenciados com travessões, nem aspas. Como já tinha lido O Evangelho Segundo Jesus Cristo, já estava preparado para sua estrutura e a leitura fluiu muito boa.
Apocalipse zumbi é fichinha se comparado a que acontece aqui.
Gui 13/03/2018minha estante
Cara eu tive que pausar algumas vezes respirar e voltar a leitura. Li ano passado. Vi o filme depois. E tive a oportunidade de fazer uma apresentação sobre ele. Uma prova e realmente foi show


Lismar 13/03/2018minha estante
Assisti ao filme 2 dias após terminar de ler o livro. E apesar de achar o filme muito bom, fica bem atrás do livro. Este é bem mais impactante, mais forte e visceral; sem falar que o filme não possui a passagem da velha dos coelhos e o retorno da esposa do médico ao Supermercado, que achei-os bem forte.


Gui 13/03/2018minha estante
Sim, verdade mas mesmo assim o filme foi bem tenso para quem não leu o livro. Imagine quem leu o livro que captou muitos detalhes como a descrição do estupro das mulheres. A nojeira a qual estavam acostumados




mathew5150 01/03/2018

Curabruxo ataca novamente!
Acabo nesse exato momento minha leitura de "Ensaio Sobre a Cegueira", a segunda obra de Saramago que tenho o privilégio de ler. Que escritor hábil, de uma mente ímpar, onde a simples frase "e se a humanidade ficasse cega" se torna uma ferramenta de análise do cerne comportamental e filosófico do ser humano. Nada mais me vêm a mente além da belíssima (e profunda) mensagem que abre o livro:
"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
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Dri 15/02/2018

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
A obra aqui em destaque se inicia em um trânsito, ao abrir o sinal um carro continua parado, anunciando o início de uma cegueira denominada treva branca. Esta treva branca surgiu sem motivos aparentes, visto que o primeiro homem a cegar sempre enxergou muito bem e nunca precisou usar óculos. A partir daí muitas outras pessoas começar a cegar e as pessoas que estão em contato com estas, posteriormente também cegam. A cegueira se alastra fazendo o governo tomar medidas drásticas.
Aqui, a maldade humana chega a um nível extremo. “O senhor doutor é optimista, Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver, Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau [...].”
Detalhes que são relevantes citar para um melhor entendimento da obra são a falta de números nos inícios dos capítulos e falta de nomes de personagens. As junções destes dois itens corroboram para a sensação de cegueira se propagar para o leitor, visto que pode causar desconforto não situar-se dentro da leitura por não saber em qual capítulo a história anda ou não saber os nomes reais dos personagens. José Saramago busca trabalhar em sua obra questões que vão além da cegueira visual. Trata questões humanas como foco principal, como os humanos são, mesmo sem visão, maus por natureza. Como estes só pensam em seu próprio bem e ignoram as necessidades alheias, mas como contraponto apresenta a mulher do médico, que mesmo sozinha decide ajudar a todos que estão com ela, trazendo esta mulher como um fio condutor de esperança para a humanidade.
Jefinho 17/02/2018minha estante
Muito bem! Gostei!

A obra, realmente, é explendorosa..


Dri 18/02/2018minha estante
Realmente, é uma boa obra, mas quando os acontecimentos realmente bons acontecem a obra já está no fim hahaha. Por isso dei três estrelas.


Jefinho 19/02/2018minha estante
Entendo!




Jaqueline.Menezes 25/01/2018

Em terra de cego quem tem um olho é rei ou louco?

Isso é um ensaio, um teste, um treino. É exatamente o que o título evoca.
Em um livro experimental, diferentão, José Saramago o quebrador de regra me apresentou a um novo jeito de entender a literatura, primeiramente, que seu livro foi proibido de ser traduzido e a ortografia ainda é a vigente em Portugal. Isso não se mostra como um grande obstáculo, na verdade, essa é uma boa oportunidade de leitores brasileiros estreitarem os laços com a língua que um dia foi a nossa.
Os parágrafos são completamente esquecidos, um pouco de dispersão e o leitor acaba embaralhando os diálogos, misturando as personagens e até mesmo se perdendo na narrativa. Todo cuidado é pouco.
Por outro lado a leitura é fluida e solta, fica parecendo que o narrador lhe fala aos ouvidos e não que as palavras estão presas em uma página de um livro.

Sobre o tema, o autor quis evidenciar que os personagens estavam passando por um teste, e a metáfora aparece quando o narrador deixa saber que a cegueira que acomete os personagens não é a mesma cegueira que se tem conhecimento, não é a cegueira de escuridão que as pessoas com deficiência visual relatam, é como se estivesse mergulhado em um mar de leite. O caos de uma cegueira repentina e em massa se torna uma verdadeira expurgação, onde pecadores e inocentes vão ser medidos pela mesma régua. Um leitor mais sensível consegue até mesmo sentir algumas das dores ou pelo menos imaginá-las, os mais dotados de empatia podem ter uma experiência bem perturbadora em alguns momentos, devo ressaltar aqui que o livro traz alguns gatilhos que tomei por cuidado para não soar como spoiler, há cenas de estupros e muitas outras misérias que acometem a convivência humana quando instalado o caos ou não.

José Saramago consegue trazer uma discussão muito atemporal que é a cegueira em suas várias formas, sendo palavras do próprio narrador que para nós se traduziu em alguns ditados muito populares como em terra de cego quem tem olho é rei – aqui destaca-se o valor da visão sea ela a propriamente dita ou vestida de metáfora-, pior cego é aquele que tem olhos e não quer ver- aqui a crítica é para todos que podem melhorar sua condição humana e sua contribuição individual para uma sociedade melhor, mas por algum motivo não enxerga ou não quer enxergar as ferramentas para o trabalho, ou também aquela pessoa que vive de criar expectativas ou que só vê o que lhe é conveniente de alguma forma. A temática nos chama para prestar atenção nos diversos tipos de cegueira, pois ficou claro que depois de estabelecido o caos, os outros sentidos são de mínima ajuda para um alguém que a cegueira pegou de assalto.
Como o autor disse certa vez sobre seu livro, já estamos todos cegos.

Minha contribuição é apenas um conselho. Uma das melhores formas de se evitar a forma metafórica da cegueira que o autor quis mostrar é com conhecimento e pensamento crítico, se você for capaz de construir suas próprias ideias a partir de todo tipo de conhecimento que você venha a absorver, isso será muito útil para manter sua visão segura, leia, vá aos teatros, museus, estude, viaje se puder, assista aos jornais, dê mais opções à si mesmo, saia da sua zona de conforto, mantenha seu cérebro com constantes sinapses, evolua seu entendimento sobre si mesmo e sobre o meio no qual você está inserido. Não se deixe cegar, não deixe de ouvir com imparcialidade e não se deixe calar.

site: https://aestantecontato.wixsite.com/aestante/single-post/2018/01/23/Resenha---Ensaio-Sobre-a-Cegueira---Jos%C3%A9-Saramago
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