Menina Feita de Estrelas

Menina Feita de Estrelas Ashley Herring Blake




Resenhas - Menina Feita de Estrelas


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Dani @oslivrosdadani 07/02/2020

Leitura maravilhosa
[...] As melhores mentiras ficam disfarçadas sob verdades incontestáveis.

Alguns traumas vivenciados no passado são facilmente superáveis, muitos outros ficam enraizados e ao invés de enfraquecer vão ganhando espaço e oprimindo a sua vítima até que essa não consiga mais resistir.

Mara tem em Owen seu porto seguro.  O irmão que nascera poucos segundos antes dela. Aquele que a acalentava todas as vezes que fosse necessário. Que subia com ela no telhado para contar-lhe histórias olhando as estrelas e a levava as festas para diminuir a tristeza em decorrência ao termino com Charlie, melhor amiga e ex-namorada.
Um garoto no seu colégio é acusado de estupro.  Em decorrência de tudo aquilo que batalha e acredita, Mara sabe que tem como dever apoiar garota. Mas isso não será tão fácil quando o agressor é Owen, seu irmão.

Em uma narrativa extremamente cativante e fluida e com um enredo completamente reflexivo, Ashley Hering Blake nos traz uma história que aborda pontos importantes relacionados a família e amizade, identidade de gênero, e uma aula se sororidade. Uma união e aliança entre as mulheres, extremamente importante para o feminismo, que vem ganhando força a cada dia. E quando encontramos isso em um YA, nos dá uma certa esperança de que estamos enxergando que somos mais fortes quando estamos unidas.

Essa narrativa também reforçar que o abuso sexual não está correlacionado a alguém desconhecidos, e sim a concessão ou não do ato.  O agressor não tem um estereótipo, assim como não há correlação entre a vítima seu comportamento.
O estupro é uma subjugação com um poder devastador, ainda mais ao se deparar com uma sociedade machista que por muitas vezes transforma o agressor em vítima.

Uma leitura com vários pontos fortes, abordados e trabalhados de forma realística, sem romantizar nenhum deles. É assim que defino essa leitura responsável por me fazer pensar e repensar em muitos conceitos errados, e até mesmo sobre o nosso senso de justiça entre o certo e o errado.

Finalizo essa resenha com a seguinte frase;

[...] Ensine o homem a respeitar, e não a mulher a temer.
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Ju 11/05/2020

Um livro que o mundo deveria ler
O livro trata de verdades, tanto as que são mascaradas em meio a mentiras, como as que são completamente omitidas ou até as que são vistas e ignoradas.
Mara e Owen são irmãos gêmeos, Hannah é a namorada de Owen e amiga de Mara do Empodera, um grupo feminista que ambas participam juntas. Após uma festa Hannah é encontrada simplesmente em choque, levada para o hospital. Foi estuprada pelo próprio namorado. Ela disse não, que não queria e foi simplesmente ignorada. Perdeu a confiança no mundo, na vida, mas pessoas em quem acreditava, tudo por causa de uma atitude desprezível de quem ela nunca esperava.
Com isso, Mara começa a relembrar o próprio abuso, sofrido três anos atrás, pelo próprio professor da escola. Mas Mara nunca foi encontrada, ninguém nunca soube, ela não se permitia ser tocada, e não sabiam o porquê disso, sua vida foi completamente alterada, também contra a sua vontade.
Ao lado de quem ela vai ficar? Owen, seu irmão gêmeo, que ela conhece a vida toda, com quem ela dividiu o útero! Ou Hannah, sua amiga, mulher, em quem ninguém acredita, porque eles já eram namorados, já tinham feito isso antes, que todos diziam estar inventando.
Quantas mulheres passam por isso diariamente? Quantas de nós tem menos de estar sozinha com homens? Quantas apertam o passo se estão andando sozinhas na rua a noite, pois só o fato de sermos mulheres nos faz correr esse risco? Mesmo que nem todas já tenham sido abusadas, esse medo é de TODAS, porque é assim que funciona o mundo em que nós vivemos.
Alguém tira a decisão da mulher, faz com ela algo que ela não quer, a obriga, mas quem é taxado é ela, quem é julgado, que perde a confiança em tudo, perde a confiança na vida e ainda se sente culpada por ter tentado denunciar um abuso sofrido, como se de alguma forma a culpa de tal monstruosidade fosse dela.
Da mesma forma, e aquelas que nunca contam? As que ninguém fica sabendo porque tem crises de pânico Sem motivo, pesadelos dos quais acordam aos gritos, não permitem o toque, não se permitem descansar, por viver constantemente com medo.
Esse livro trata de uma das inúmeras verdades duras demais para a qual todos fecham os olhos diariamente. Não queremos ver, não queremos saber e muitos vão dizer que é exagero, mas apenas essas pessoas que sentem na pele essa dor podem entender a mudança que isso trás, pelo resto da vida.
Por sermos quem somos, vivemos sempre olhando por cima do ombro, sempre assustadas por que mesmo que ainda não tenha acontecido conosco, só o fato de ser mulher torna isso uma possibilidade e esse medo, uma realidade constante em nosso a dia.
Vivemos em um mundo onde além de sermos atacadas somos também julgadas e culpadas pela monstruosidade que outro cometeu contra nós.
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Roberto Faria 25/04/2020

Achei incrível este livro. A forma como foi escrito e como a história foi contada. A autora soube muito bem mostrar com é a realidade pra quem sofre abuso sexual e como é difícil pra pessoa. Super recomendo, mas o livro contém possíveis gatilhos.
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Yasmim Braga 07/11/2020

SENSACIONAL
OPINIAO: Que grande presente foi essa leitura! Decidi ler por influencia do meu amigo Dudu @ wolfliterario e me surpreendi. Vamos conhecer Mara e Owen, irmãos gêmeos que possuem uma conexão profunda e são melhores amigos. Eles amam criar historias de aventuras enquanto observam as estrelas. Porem, teremos um grande problema: Owen é acusado de estuprar uma das amigas de Mara: Hannah. Então, Mara fica sofrendo e, ao mesmo tempo, dividida e desconfiada: será que deve confiar em sua amiga ou acreditar no seu gêmeo? Enquanto isso tudo rola, ainda temos a relação complicada da Mara e de sua ex: Charlie - que, a proposito, também é sua melhor amiga.

E olha que isso que contei não é nem o começo de tudo que ainda acontece nessa historia. Eu amei essa leitura, gente! Gostei que o livro exaltou a relevância de termos que falar sobre abuso, sobre estupro, sobre mulheres sofrendo diariamente por conta da nossa sociedade machista e patriarcal. Precisamos sim falar sobre isso tudo e ajudar a conscientizar quem não entende ou sabe sobre. Eu me identifiquei por ser mulher e, acredito que qualquer mulher vai se identificar e se revoltar com essa história. É frustrante nós termos que nos reprimir, tomar cuidado e sentir medo todos os dias, simplesmente por sermos mulheres.

Esse livro aborda muito isso e mostra nossa protagonista, Mara, lutando para que isso não ocorra mais. E para que todas possamos ser ouvidas, sem que duvidem de nossa palavra, sem que nos ridicularizem ou nos culpem. Além de tudo isso, o livro apresenta a importância da amizade, da familia, de lutar por seus direitos, da liberdade de expressão, de buscar ajuda quando voce sofre QUALQUER tipo de abuso. Enfim, são muitos motivos pelos quais voces deveriam dar uma chance a esse livro. Peço que todos leiam. E façam com que seus amigos, familiares, vizinhos leiam. Por favor.

site: https://www.youtube.com/blogliterarte
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clayci 06/02/2020

necessário
Ashley Herring Blake conseguiu apresentar tantos problemas em tão poucas páginas, que eu não sei nem por onde começar. Menina feita de estrelas é um livro sobre laços familiares e amizade, gênero e identidade sexual e traumas enfrentados pelas vítimas de abuso e agressão sexual. Se eu pudesse sairia distribuindo exemplares na rua, pois é um livro extremamente necessário. Entretanto, mesmo com uma linguagem leve, existem gatilhos e é bom deixar claro - que de forma responsável - a autora conversa sobre estupro, agressão sexual, abuso físico, pedofilia, bullying, luto, traumas, ataques de ansiedade e pânico.

A autora consegue mostrar de forma clara como o estupro afeta toda a comunidade. Logo nas primeiras páginas, temos um diálogo carinhoso entre Mara e Owen, por isso quando surge esta acusação, ficamos chocados e queremos acreditar na versão do irmão dela. O Brasil registra mais de 180 estupros por dia (fonte), mas mesmo lendo, acompanhando as notícias e até mesmo conhecendo algumas vítimas, nunca estamos preparados para ver alguém que amamos e confiamos fazer algo tão cruel. Então a autora fez com que eu refletisse e pensasse nas pessoas próximas que convivem com pessoas desse perfil.

Menina feita de estrelas mostra a importância e a necessidade de não se calar. Hoje, mais do que nunca, temos medo de expor o que sentimos e o que nos incomoda. Temos medo de como as pessoas irão reagir e se irão acreditar no que estamos dizendo. É preciso falar sobre consentimento. Não importa se você está em uma relação e se você já fez sexo antes com aquela pessoa. Se não é consensual, é estupro.

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Coisas de Mineira 01/07/2020

Hoje eu vim trazer a resenha de “Menina Feita de Estrelas”, da Plataforma 21. Antes de qualquer coisa quero dizer que esse livro fala sobre algo bem forte e que deve ser discutido pela sociedade. Mas, caso você não se sinta bem lendo, peço que pare por aqui.

“Menina Feita de Estrelas” fala sobre o estupro. Algo forte, não é? Uma violência que várias pessoas sofrem e infelizmente, bateu um recorde no ano de 2018, com 66 mil vítimas no Brasil, segundo estudo publicado em 2019. Pensa nesse número e em quantas vítimas não tiveram coragem de denunciar? Seja por vergonha, por medo e receio de serem julgadas, de ninguém acreditar no que foi dito, entre diversas outras razões.

Esse livro é uma tentativa de dar voz às vítimas, no caso da história, mulheres. Que sofrem com a culpa e a vergonha do que aconteceu e tentam juntar seus pedaços. Antes de começar a resenha, eu só preciso dizer: a culpa não é de nenhuma delas, a culpa não é da sua roupa, dos seus modos e nada disso. A culpa não é sua!

Mara e Owen nasceram em junho, quando a constelação de Gêmeos despontava no céu do hemisfério Norte. Muito unidos, os dois subiam no telhado para observar as estrelas e contarem histórias. Porém, um dia Owen é chamado a diretoria do colégio, isso porque a namorada do garoto, Hannah, o acusou de estupro.

Mara, como amiga de Hannah e fundadora do Empodera – um coletivo feminista na escola -, sabe que tem que apoiá-la. Mas o que fazer quando o agressor é o seu irmão gêmeo? Além de estar dividida, entre a família e o próprio senso de certo e errado, Mara tem que lidar com Charlie, sua melhor amiga e ex-namorada. Para completar, um trauma do passado volta a atormentá-la.

“As melhores mentiras ficam disfarçadas sob verdades incontestáveis”

Essa é a sinopse de “Menina feita de estrelas”, escrito por Ashley Blake e lançado este ano pela Plataforma 21. O livro não é uma leitura fácil. Não falo isso porque a leitura é demorada e sim, porque a autora trata sobre tantos temas difíceis e complicados, fala sobre tantos sentimentos que ele ficou com uma carga emocional muito pesada. Ao menos para mim.

Quando finalizei a leitura, tive que respirar fundo e segurar as lágrimas um pouco. Porque é difícil, até mesmo ao escrever sobre ele sinto as lágrimas começarem a acumular nos olhos. Preciso dizer que eu comecei o livro odiando o Owen. Na primeira linha eu já odiava o garoto e nem tinha lido nada dele ainda, isso tudo por causa da sinopse.

O livro é todo narrado por Mara, muitos podem estranhar e pensar que talvez seria mais impactante se Hannah narrasse. Mas foi tão importante ver a visão de Mara, de tudo o que acontecia. Fora as coisas que estavam acontecendo com seu irmão, ela ainda tinha as próprias cicatrizes para cuidar, os próprios problemas para resolver.

“Meu coração quase para de bater ao ouvir seu tom de desprezo, ao perceber a facilidade com que posso me tornar outra pessoa, um certo tipo de menina para o meu irmão, só por causa da roupa que estou usando.”

A relação entre irmãos, de Mara e Owen, é a coisa mais linda. O fato de subirem no telhado e contarem histórias, é o tipo de relação que eu gostaria de ter com as minhas irmãs. Mara também é uma menina que eu admirei desde a primeira página e essa admiração só foi crescendo.

Ela criou o coletivo feminista, querendo contrariar o patriarcado que existia na escola. Com o apoio da mãe, que também apoiava as iniciativas feministas da filha. E todo momento, enquanto lia sobre a família eu pensava: e quando o que foi prometido na sinopse acontecer, como essa família vai lidar?

E é algo que eu vim pensando em toda a história. Mas vou focar em Mara. Achei a menina bem corajosa e verdadeira. Sabe quando aquele personagem é humano? Com erros e acertos? Essa é Mara, e isso é algo que eu sempre admiro, quando os autores conseguem fazer com que nos identifiquemos com seus personagens.

Hannah é outra personagem bem humana e corajosa. Apesar de tudo o que está acontecendo com ela, tenta manter a cabeça erguida. Mesmo ferida, está lá com Mara e conversa com a amiga, quando um trauma do passado retorna para a vida dela. Apesar de Mara, ser irmã de seu agressor, ela entende o que a amiga está sentindo e não abre mão da amizade.

“(…) – Tipo, as pessoas surtam com questões de gênero.
– Porque certas pessoas são escrotas. Os seus pais não são. Isso tudo… – encostei na testa dela e fui baixando a mão até o seu braço – …também faz parte de quem você é, e os seus pais te amam.”

Apesar do livro falar sobre violência sexual, há alguns outros temas que são retratados também. Por exemplo, a comunidade LGBTQIA+. Mara é bissexual e começou a namorar a melhor amiga. Mas um dia, resolveu terminar, afinal, ela não queria perder a amizade de Charlie. Charlie nasceu menina, mas é não-binária, ou seja, não se identifica como menina e muito menos como menino. Para os fãs de Harry Potter, Charlie é da Grifinória e tem algumas menções à série de livros.

Alex, melhor amigo de Owen, vem trazendo um pouco sobre o tema bullying e lealdade. Afinal, como ficar contra o melhor amigo, aquele que considera família e que o salvou tantas vezes quando sofria bullying mais novo. É nele, que Mara acaba se apoiando durante os momentos de dúvida, afinal, Alex vê Owen como um irmão e o garoto está sofrendo com os mesmos dilemas que ela.

O Empodera é algo que chamou muito a minha atenção. Não apenas porque Mara queria bater na cara do patriarcado, mas porque ter um espaço onde as mulheres podem discutir assuntos importantes é de extrema relevância. É importante também, que as mulheres se unam, lutem pelos seus direitos e se ajudem.

“- Talvez, se eu tivesse dito “não” mais alto – continua a Hannah. – Ou… sei lá, talvez se a gente não tivesse transado antes ou…”

Sororidade, também é um tema tratado na história. Temos algumas meninas que estão do lado de Hannah, afinal, existe o Empodera. Mas ao que pude perceber, muitas julgam a garota e ficam do lado de Owen. Na verdade, várias pessoas na escola começam a julgar Hannah, um dos argumentos utilizados era “os dois namoravam e tinham uma vida sexual ativa”.

Aí entra uma outra coisa que quero dizer, não é NÃO! Independentemente se você namora com alguém e se já teve relações com essa pessoa. Caso você não queira, mesmo que algo já tenha começado, a pessoa tem que respeitar e parar. Caso isso não aconteça, ela te estuprou sim, não é apenas uma “briguinha de namorados” ou um “surtinho” da pessoa que queria que parasse.

Ao final da história, existe uma nota da autora que acho importante todos lerem. Uma coisa que ela fala é que esse, não era o livro que ela queria escrever, mas sim o livro que tinha que escrever. E que ela não esperava que esse fosse o livro que queríamos ler, mas que fosse a história que tínhamos que ler. Obrigada Ashley, essa é a história que eu tinha que ler. Hannah e Mara também me mostraram que existe esperança, apesar de tudo!

“Tem esse peso, de ter sido responsável, de… meu Deus, sei lá. De simplesmente existir. Como se, de alguma maneira, se eu tivesse simplesmente parado de respirar em um dado momento, teria sido melhor para todo mundo.”

A capa de “Menina Feita de Estrelas” é muito bonita e representa muito a história, afinal temos uma garota em um telhado, com estrelas brilhando atrás dela. Apesar disso, a capa original, que está no site da autora, é perfeita. Sem defeito nenhum.

Ashley Herring Blake é leitora, escritora e mãe de dois garotinhos. Ela possui cinco livros e quero dizer para a Plataforma 21 que eu quero ler mais coisas da autora, então podem continuar trazendo livros dela para o Brasil. Ashley também trabalha como agente literária, por isso, no site dela tem uma parte dizendo o que ela está querendo receber e não, além de ter um link para quem quiser enviar o manuscrito. “Menina feita de estrelas” foi finalista do Lambda Literary Award. Uma premiação que foi instituída em 1998 e premia obras com a temática LGBTQIA+.

Ao final do livro, eu tinha mais quotes do que espaço na resenha, então resolvi deixar alguns aqui no final:

“- Você sabe que tenho muito orgulho de você. Só uma pessoa muito corajosa é capaz de desafiar a misoginia institucionalizada do sistema patriarcal.”

“Ela não procura os gêmeos. Em vez disso, busca por Andrômeda, uma menina feita de estrelas, cuja mãe não parava de falar da beleza da filha, e por isso a filha foi punida. Poseidon mandou prendê-la nas rochas à beira do mar, para ser devorada por um monstro. E agora ela mora no céu, uma lembrança constante do tempo em que ficou acorrentada e quase foi sacrificada por causa das atitudes de outra pessoa, da obsessão de outra pessoa, do egoísmo de outra pessoa.”

“Pisco, tentando encaixar essa mulher que está na minha frente com a mulher que, ontem mesmo, ficou com um brilho nos olhos só de pensar que o Empodera sambaria na cara do patriarcado.”

“É uma coisa tão pequena, a saia. Para outras meninas, poderia ser maquiagem ou um esporte ou transar ou não transar ou escrever ou músicas ou arrasar nas notas ou ter o cabelo tão bagunçado quanto os raios do Sol. Acho que toda menina tem uma ou duas coisas, detalhes minúsculos da sua vida que querem dizer “Eu sou assim. Cansei de me esconder. Cansei de sentir vergonha.’”

Por: Ana Elisa Monteiro
Site: www.coisasdemineira.com/menina-feita-de-estrelas/
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Nicoly Mafra - @nickmafra 01/05/2020

Sobre "Menina Feita de Estrelas"!
"Mas eu estava errada de pensar que eu não conseguiria seguir em frente - todas nós somos capazes disso. Eu só não vou seguir andando pelo mundo da mesma maneira que antes. Certas partes de mim morreram. Outras ganharam vida, desesperadas pela necessidade de lutar, de ter relevância, de ser ouvida. Certas partes estão cansadas; outras, com raiva; outras, ainda de coração partido."

Mara e Owen são irmãos gêmeos, melhores amigos e confidentes, porém, quando Owen é acusado de estuprar sua namorada, Hannah - uma das melhores amigas de Mara -, a relação entre os dois é despedaçada. Sabendo da importância de apoiar, ajudar e se unir para lutar contra tal crime, Mara não conta tempo para auxiliar sua amiga a superar o trauma, mesmo que tenha que lutar contra sua família.

Contudo, quem dera que este fosse o único problema na vida da garota. Mara também está sofrendo após o término do seu namoro com Charlie, sua melhor amiga pela qual ainda é apaixonada. Os motivos para o fim deste relacionamento são fortes e muito reais, e na atual situação, precisam urgentemente serem revelados.

Dividida entre seus valores feministas, seus traumas e a lealdade de sua família, Mara precisará percorrer uma jornada de autoconhecimento e empoderamento para curar suas feridas, colocar sua vida de volta aos trilhos e ajudar sua amada colega.

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QUE LIVRO ESPECIAL! "Menina Feita de Estrelas" é um contemporâneo YA importantíssimo que dará voz às vítimas de estupro que são silenciadas e desacreditadas. O feminismo e a sororidade são temas muito bem trabalhados nesta obra que, mesmo abordando assuntos tão sérios, é uma leitura extremamente leve, comovente e marcante.

Outro ponto interessante da leitura é que a bissexualidade da protagonista nunca foi o foco principal da trama, não é tratado como algo para ser discutido, Mara é bissexual e ponto final, o jeito certo de apresentar os personagens.

Uma obra extremamente necessária e poderosa sobre sororidade, sobre a importância de denunciar, buscar ajuda, dar apoio, lutar e viver, mesmo quando o mundo não parece um bom lugar para isso.

site: www.instagram.com/nickmafra
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Nath Correia @bibliotecadanath 10/02/2020

Meninas feita de estrelas l @ashleyhblake l @plataforma21_
"Porque não existe um jeito de seguir em frente de verdade. Nenhuma música, nenhuma amiga compreensiva, nem todo o amor que sinto pelo meu irmão são capazes de mudar isso, e eu fui “burra, burra,burra” de pensar que conseguiria. Não tem como voltar atrás."

Mara e Owen eram inseparáveis. Nascidos sob a constelação de Gêmeos, os irmãos amavam subir no telhado de casa à noite para compartilhar histórias e segredos. No entanto, tudo muda quando Hannah, namorada de Owen, o acusa de estupro e Mara, como fundadora do Empodera e amiga da garota, se vê dividida entre apoiar a amiga ou defender seu irmão gêmeo e permanecer unida com a sua família.

Já começo dizendo que "Menina feita de estrelas" é uma leitura dolorosamente necessária, que aborda temas difíceis que precisam ser discutidos e que deveria ser lida por todos. Uma história que mexeu muito comigo e que me fez sentir todas as dores, incertezas e medos da Mara e Hannah.

Ler sobre violência sexual nunca é fácil, ainda mais em uma sociedade que, muitas vezes, procura desmerecer e ridicularizar o depoimento da mulher agredida e que tenta culpá-la pelo que aconteceu. Aqui, a autora mostra como não existe um estereótipo para o estuprador (ele pode ser a pessoa que você mais confia); que não importa se o sexo consensual já aconteceu antes, se não houve consentimento em qualquer outro momento é estupro; mostra como a sociedade tende a demonizar a vítima e transformar o agressor em mártir e, principalmente, mostra o poder da sororidade e da união feminina, que juntas somos mais fortes e que nunca devemos nos calar (mesmo quando teimam em silenciar a nossa voz).

Além disso, a autora ainda conseguiu inserir representatividade LGBTQ+ na história e abordar a bissexualidade de uma forma leve e simples e, também, trazer uma personagem homossexual e não binária, que enfrenta muitos questionamentos sobre como se assumir para os seus pais.

Terminei a leitura com o coração apertado por saber que existem muitas Hannah por aí, ainda precisando serem ouvidas e acreditadas... que elas saibam que estamos aqui para escutá-las e ampará-las.

Nota: 4/5

Instagram: @bibliotecadanath
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vaness 25/05/2020

As estrelas viraram ossos (no bom sentido)
O livro traz questões importantes para as meninas/mulheres, e como tudo isso é tratado na sociedade.
Ainda tem a dualidade entre o sentimento pela sua família e pela verdade.
Ótimo livro, leitura fácil e indagativa.
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duny 15/01/2021

um emaranhado de liberalismo...
...que me virou do avesso e apertou meu peito. comecei esse livro só com a intenção de me distrair e ele me deixou em frangalhos. as primeiras páginas me faziam revirar os olhos com frases como "acabar com o patriarcado" e "empoderador" dito por mulheres brancas que acham que vestir uma roupa curta faz com que você consiga alguma coisa grandiosa com a sociedade, mas isso nunca ajudou outras mulheres, de qualquer forma é apenas a superfície de algo muito precioso que esse livro me deu; a relação da Mara com o irmão gêmeo dela, o Owen, é de uma construção impecável que me esfaqueou. o pesar de como as coisas mudam e de como algo que foi perdido jamais pode ser recuperado, mas sim, uma construção nova pra se começar do zero. o que quero dizer é que quando algo extremo te divide entre a sua familia e o que é certo, o assunto se torna delicado demais pra ser executado de qualquer forma e esse livro trata de tudo isso com muita maestria. a cada cena depois do furacão da acusação de estrupo, fez com a que a relação de irmãos deles tomasse outro rumo e esse dilema me fez chorar a cada frase q a Mara soltava em relação a seu irmão, o quanto ela o admirava, o amava e sentia falta dele e o quanto ela não o reconhecia, nao confiava mais nele e nem entendia como tudo tinha tomado o rumo q tomou. estupro não é brincadeira e quando isso te divide entre sua familia e a vitima torna tudo mais complexo. estupradores não monstros, nao sao doentes e nem loucos, são homens, sao humanos, é nosso irmão, aquele que nos acolhe; nosso pai que cuida da gente; nosso tio que da carona de volta pra casa depois da festa de familia, porque tudo isso não é sobre o quao amável um homem pode ser (as facetas de um homem que estupra sao muito bem representadas no livro) e sim sobre o poder que eles acham que tem sobre nossos corpos, tal perspectiva que se constrói em cima do sexo quando eles nascem. esse livro é um soco no estomago, por mais que sua linguagem seja infantil as vezes, ele consegue ser grande e poderoso, tão poderoso que conseguiu se acomodar dentro de mim e conversou comigo, me emocionou e chorei demais. eu mudaria muitas coisas nele, tal qual a quantidade de personagens negros e em como o movimento feminista é representado aqui, com uma mãe que bate no peito e fala que é preciso acreditar em mulheres mas quando seu filho comete um crime, ela passa a mão na cabeça dele. ela é mãe antes de ser feminista, é claro, mas isso devia fazer com que ela se preocupasse com o caráter do próprio filho. by the way. me marcou demais. comecei bem as leituras do ano.
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Alana 22/04/2020

"É por isso. É por isso que eu nunca disse nada. Porque ninguém acredita na menina."
“Menina feita de estrelas” é o tipo de livro que entrei esperando apenas por uns tapas, mas que me deu uma belíssima de uma surra.
Acho bom, antes de tudo, avisar que esse é o tipo de história que pode ativar muitos gatilhos em públicos mais sensíveis a temas como: abuso e estupro. Infelizmente ainda não colocam alertas desse tipo em livros YA, já que muitas editoras acreditam que isso seria o mesmo que dar spoiler. (É ridículo, porém não adianta xingar, então é melhor seguir com o baile.)
Com toda certeza eu não conseguiria dar mais spoilers que a própria sinopse, mas também não me sinto apta a falar minuciosamente sobre essa trama, mesmo tendo noção que os assuntos aqui levantados precisam, urgentemente, serem discutidos. (Sério, precisei de muito, muito tempo para conseguir escrever essa resenha e possivelmente vou publicá-la no Skoob sem me sentir satisfeita com a mesma. Então, meus amigos, sem condições...)
Mas uma coisa que posso dizer é que não consigo deixar de olhar para esse livro e pensar o quanto é uma bosta o final dele ser tão fodidamente real. E acho que é por isso que se torna tão difícil falar sobre ele. Pensar em todas as mulheres que passam pela mesma coisa, ou por coisas piores, e continuam silenciadas, faz meu estomago doer. E nem mesmo a incrível nota da autora conseguiu aplacar esse sentimento incômodo e rançoso que parece preencher meu peito quando penso na conclusão dessa história.
Com toda certeza nós, mulheres, precisamos encontrar nossas vozes e, principalmente, usá-las. Para nos defender. Para defendermos umas as outras. Para não continuarmos nesse eterno silencio que protege quem precisa ser punido.
Enfim, é uma leitura “pesada”, mas muito boa. Fica minha indicação.
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suellem 30/03/2020

Menina feita de estrelas
Que livro forte, chocante e maravilhoso.
Impossível não se colocar o tempo todo no lugar da personagem principal. E que decisão difícil, que história difícil.
Me emocionei demais durante a leitura . É um livro muito emocionante e com uma mensagem muito forte
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Alison 17/08/2020

Bom, mas pouco aprofundado
A parte que aborda o abuso sexual é forte e realmente nos faz refletir sobre a misoginia institucionalizada. Contudo, não me peguei cativado pelos personagens, muito menos pelo romance morno entre Charlie e a protagonista.
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Raianne Viana 18/04/2020

Necessário
Um livro que chegou na minha vida quase por acidente, mas já me interessou pela temática. É um livro tenso; passei a leitura inteira com um frio na barriga. É uma leitura dolorosa, mas necessária.

Mostra com muito realismo como uma agressão sexual afeta a vida não só das vítimas, mas de todos ao seu redor, inclusive a família daquele que é culpado. E também podemos ver como a sociedade pode se comportar de forma horrível com a vítima.

"Não tem a ver com coragem ou força. Tem a ver com não ter mais nada a perder"
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