Notas para a Definição de Cultura

Notas para a Definição de Cultura T. S. Eliot




Resenhas - Notas para uma Definição de Cultura


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Caio.Lobo 12/07/2020

A perspicácia de T.S. Eliott para falar sobre cultura como algo muito maior do que costumamos considerar é essencial para a própria cultura. Não é à toa que Eliott foi uma das influências de Roger Scruton.
Arte, filosofia, ciência, religião, trabalho, costumes, literatura, língua, culinária e outras criações humanas integram a cultura, ou seja, engloba tudo o que uma sociedade produz. A cultura depende da variedade, de seus vizinhos; uma cultura fechada decai e uma cultura extremamente aberta e planificada perde características. A elite que desenvolve, protege e divulga um dos ramos da cultura deve estar sempre em comunicação as elites de outros campos de conhecimento. Então a única unidade cultural que pode se desenvolver é a unidade composta de diversidade. Este é um livro urgente para a modernidade onde a cultura está perdendo vários de seus elementos.
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Filino 29/07/2019

Um livro curto, lúcido e pertinente
T. S. Eliot é mais lembrado como poeta, mas essas "Notas para uma definição de cultura" deixam entrever um pensador fecundo, que se não chegou a desenvolver propriamente as suas ideias (pelo menos nesse livro), faz o seu leitor questionar-se um bocado acerca daquilo que lhe cai sob os olhos. A velha e perene questão da cultura se faz presente nessa obra de poucas páginas mas que suscita profundas reflexões. Trata-se de uma coletânea de textos do famoso poeta sobre esse tema com reflexões que, atualmente, são bastante pertinentes - sobretudo em tempos de "multiculturalismo".

A despeito de não fornecer um conceito pronto e acabado do que seria cultura, Eliot demarca três âmbitos essenciais nos quais ela se faz presente, como expõe no primeiro texto da obra: um indivíduo, um grupo (ou classe) e uma sociedade. Diferencia culturas "superiores" e "inferiores" não a partir de uma perspectiva rasa e colonialista, mas através da complexidade da própria cultura de um povo, que permite a (co)existência de níveis diversos, mas interligados. Igualmente as relações entre cultura, educação e burocracia são enfocados.

Uma das insistências do autor é a imbricação entre cultura e religião, que no seu nascedouro estão de tal modo unidas que não seria possível compreender uma sem a outra. Mesmo no mundo cristão, com todo o laicismo que se seguiu, Eliot ressalta que não é possível simplesmente abandonar essa herança, pois esse mesmo berço é que permitiu, até mesmo, o surgimento de um Voltaire ou um Nietzsche. E sem prescindir, obviamente, dos legados dos gregos e dos romanos. A herança comum europeia, nesse sentido, é algo que deve ser preservado, não significando contudo que as particularidades de cada país devam ser desprezadas. Muito pelo contrário: o autor chama a atenção, em várias passagens, dos perigos que cercam não apenas as culturas que se fecham a quaisquer contatos com outras, como também para aquelas que buscam se impor (mesmo pela força) sobre outras.

É um livro instigante e interessantíssimo. Os pontos negativos residem na falta de uma melhor revisão (os erros ortográficos se repetem excessivamente), mas sobretudo nos dois textos escritos por brasileiros para a edição: o do Jacob Guinsburg, na contracapa, e no prefácio de Nelson Ascher. Em vários momentos, o tom do texto de ambos dão a entender que se "desculpam" perante o leitor brasileiro pelo fato de trazerem essa obra a lume. Guinsburg chega a rotular a posição de Eliot como marcada por "um conservadorismo e reacionarismo estético-político inaceitáveis", mas não fica claro a que ele se refere. Nelson Ascher é mais comedido, mas não deixa de acentuar o fato de Eliot ser um conservador (e em alguns momentos, no prefácio, isso soa como algo que desmerecesse Eliot). Existem polêmicas sobre um possível antissemitismo do autor, mas isso não se faz presente de modo algum nessa obra. Pelo contrário: ele cita claramente a herança de Israel na construção da sociedade ocidental. Então não fica claro o porquê da implicância de Guinsburg e Ascher com o autor. Ou talvez isso seja óbvio demais...
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Milley 13/07/2017

O que é cultura afinal?
T.S Eliot nos traz um debate riquíssimo sobre as definições de cultura difundidas na sociedade. Somos continuamente induzidos a pensar que pessoas que contribuiem em aspectos da manifestação cultural, são "pessoas cultas". Quando na verdade a cultura engloba um universo mais amplo porém bastante simplório quanto a sua explicação. Eliot traduz em simples palavras "... aquilo que torna a vida digna de ser vivida. O modo de vida de um povo particular que vive junto num lugar". Dessa forma, termos como "eventos e manifestações culturais" são aspectos isolados e muitas vezes inadequados, principalmente quando não representa a essência de vida do povo daquele local. O autor defende a permanência das pessoas em seus locais de origem e as famílias, de forma a manter e transferir essas ideias abstratas, nas quais a cultura é alicerçada, para as gerações posteriores e para enriquecer as trocas entre culturas. A religião é base fundamental nesse contexto. Nenhuma cultura sobrevive no longo prazo se não for baseada em uma religião. E a defesa das bases religiosas nas quais foi construída implica também em defesa da cultura local. São interligadas e não é possível separa-lás sem grandes prejuízos.
O autor crítica veementemente a postura dos chamados "planificadores mundias" que tentam vender, ainda que absurdo posso parecer, a ideia de que seria possível a existência de uma "cultura mundial". São esses , se não , uma profunda ameaça as diversidades as quais nos enriquece, enquanto humanidade, a nos sobrepor sob um domínio de um único modelo de vida e sociedade. É portanto absurdo e totalitário esse argumento. Sendo que para se realizar tal ato seria preciso destruir todas as outras culturas e impor a sua própria.
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