Léxico familiar

Léxico familiar Natalia Ginzburg




Resenhas - Léxico Familiar


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Jacy.Antunes 07/10/2021

Viver para contar.
Natália abre as portas da casa dos Levy e apresenta a sua familia: o pai metódico, a mãe amorosa, os irmãos que discutem Proust e a busca pelo tempo perdido.
Pelos olhos dela acompanhamos a vida da família entre 1925 a 1950 , quando a Itália viu Mussolini tomar o poder e a perseguição aos judeus afetar a vida da família Levy.
Léxico Familiar é o livro que precisamos ler e escrever para preservar a nossa estória nesses tempos de barbarie.
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Mario Miranda 06/10/2021

Léxico Familiar é uma autobiografia distante da Natalia Ginzburg. Apesar de ser uma autobiografia, a autora o faz com uma narrativa literária, se deslocando muitas vezes do posto de personagem principal de sua própria vida - ver por outra legando a posição a pessoa de personalidade forte que foi o seu pai.

Contudo o atrativo principal do livro não é a história em si de Natalia, que em muito se assemelha a vidas comuns que tanto encontramos. O principal aqui é a naturalidade que ela apresenta no âmbito familiar do avanço do Fascismo - e aqui podemos incluir qualquer outro autoritarismo - na vida cotidiana. Cada vez mais isolada, a família anti-fascista vê a política influenciar e determinar suas vidas, de uma maneira contundente.

Mesmo que não haja nenhum interesse especial do leitor pela vida da escritora, a leitura torna-se rica quando analisada o impacto da alteração político-social na vida cotidiana.

Para os que se interessam, fica a sugestão de leitura sobre a época: M, o filho do Século, de Scurati.
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Giovanna 26/09/2021

Uma leitura muito especial, léxico familiar apresenta a vida dos integrantes da família Levi durante o período do fascismo na Itália em meio aos acontecimentos rotineiros. Achei muito interessante o fato de a autora ter escrito sobre a própria família, e ter se colocado mais como mera espectadora do que como personagem. O fato de eles, e todos os outros personagens, serem reais, traz outro tom ao texto. O pano de fundo histórico é muito interessante e bastante sutil, mostrando as dificuldades enfrentadas por famílias judias, e também pelos membros da resistência do fascismo italiano. Uma das melhores leituras do ano!
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Karin 05/07/2021

Um retrato da família e do passar do tempo. Recomendo!
?Viviam assim, em estreita amizade, dividindo entre o pouco que tinham, e sem se apoiar em nenhum grupo, sem fazer projetos para o futuro, porque não havia nenhum futuro possível; provavelmente a guerra estouraria e seria vencida pelos idiotas; porque, dizia Mario, os idiotas sempre venciam.?
Devo admitir que eu não estava muito empolgada para ler Léxico Familiar. Eu havia lido outro livro de memórias no início deste ano, Anarquistas, Graças a Deus, da Zélia Gattai e, embora tenha gostado, não estava empolgada para outra temporada do gênero. Mas a reunião do Lendo Mulheres Brasília me forçou a isso, e quão grata eu sou...
Embora pareça, por causa das citações que já juntei por aqui, o livro não é sobre o fascismo, mas sobre uma família que resiste a ele. Assim, a política de Mussolini serve somente como pano de fundo, para mostrar como a resistência a regime autoritário pode mudar a rotina e o destino de uma família. Iniciando nos primeiros anos de Mussolini, vamos acompanhando a cada vez menor distância entre o particular e o privado, conforme ocorre o endurecimento da ditadura e crescem os filhos do Sr. e da Sra. Levi.
O livro causa discordância na reunião do Lendo Mulheres. Algumas, como eu, amaram o livro. Achei a escrita de uma sensibilidade profunda. Natália se coloca em segundo plano, deixando claro que não é um livro autobiográfico, mas um retrato da sua família e de como suas falas e tradições moldaram aquele pequeno grupo ligado pelo sangue, por isso o léxico do título. Ao longo da leitura, me senti íntima e parte da família, ri, chorei, me angustiei, e percebi mais uma vez o poder da passagem do tempo.
Outros acharam o livro parado, maçante. Embora eu tenha achado isso um crime, leitura é particular, não tem jeito. Mas se eu fosse você leria e depois formaria minha própria opinião.
Recomendadíssimo!
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Carol 17/06/2021

Impressões da Carol
Livro: Léxico Familiar {1963}
Autora: Natalia Ginzburg {Itália, 1916-1991}
Tradução: Homero Freitas de Andrade
Editora: Companhia das Letras
256p.

Natalia Ginzburg é uma das vozes mais representativas da literatura italiana do pós-guerra. Escritora, crítica literária, ensaísta, tradutora, ativista, teve a vida marcada pelo fascismo, o que deixou traços evidentes em sua literatura, voltada aos temas da memória, da perda e da família.

O que me atrai em sua escrita é essa mistura de uma linguagem poética, minuciosa na escolha de cada palavra e a linguagem coloquial, do cotidiano, cheia de ditos populares e frases feitas.

Em "Léxico Familiar", ela se apropria das expressões usadas por seu pai e por sua mãe que passaram a constituir uma forma particular de comunicação familiar. 'Surge um novo astro', 'Não reconheço mais a minha Alemanha', 'Farolagens', 'Parvoíces', são alguns exemplos deliciosos.

"Somos cinco irmãos. Moramos em cidades diferentes, alguns de nós estão no exterior: e não nos correspondemos com frequência. Quando nos encontramos, podemos ser, um com o outro, indiferentes ou distraídos. Mas, entre nós, basta uma palavra. Basta uma palavra, uma frase: 'Não viemos a Bergamo para nos divertir ou 'Do que é que o ácido sulfídrico tem cheiro', para restabelecer de imediato nossas antigas relações, nossa infância e juventude, ligadas indissoluvelmente a essas frases, a essas palavras." p. 37

É instigante compreender o papel desse léxico na construção da memória dessa narradora que retoma a infância. A memória é escorregadia, ao escrever somente o que nos lembramos, não podemos aspirar à verdade. Isso resta claro na 'Advertência', que abre o "Léxico Familiar".

Natalia Ginzburg ao descrever esse vocabulário próprio de sua família acaba por descrever o quadro coletivo e histórico onde essas lembranças infantis estão inseridas. O tempo particular e o tempo histórico são indissociáveis.

Reli "Léxico Familiar, no #projetoferranteindica, junto com as apoiadoras do Canal Chave de Leitura, da @alineaimee. Feliz em ver tantas amigas queridas tendo contato com a minha escritora favorita. Leiam Natalia Ginzburg, gostoso demais.
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Gabriella 30/05/2021

fui curiosa por estar na lista da elena ferrante, mas não gostei. não sei o que eu tava esperando, mas não era isso. achei muito arrastado. empurrei a leitura até o final
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Lívia 22/03/2021

Léxico familiar
"Neste livro, lugares, fatos e pessoas são reais. Não inventei nada: e toda vez que, nas pegadas do meu velho costume de romancista, inventava, logo me sentia impelida a destruir tudo o que inventara."
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Steph Mostav 16/03/2021

A alegria do relato
Léxico familiar é um relato autobiográfico não sobre a própria autora em si, mas os que a cercam. Seu papel é o de narradora ausente que recorda e observa. É a história de uma família judia e antifascista que foca na família e no vocabulário próprio que eles mantinham dentro desse círculo doméstico, sem a idealização da ficção e sim através da simplicidade do resgate da memória. Um dos maiores valores do texto está na autenticidade da história daquela família, dos acontecimentos mais banais aos mais únicos. Mais que isso, é impossível não sentir a satisfação da escritora com aquele relato do que a história oficial sempre descarta como supérfluo e não notar o contraste entre esse núcleo familiar monótono e período turbulento da história. Ginzburg nos transmite o léxico próprio da família Levi, que morreria com o tempo se não fosse eternizado através da literatura pelas mãos de uma narradora que ao mesmo tempo em que é uma testemunha confiável, também manipula a realidade que vivenciou através do seu olhar. O fato de que o livro se inicia e se encerra com a mesma história contada pela mãe reforça a ideia de que a tarefa de levar histórias adiante sempre foi uma característica da família.

"Contar e recontar sempre a mesma história, usar e continuar usando sempre a mesma linguagem particular: é esta, afinal, a maneira de resistir a um tempo vertiginoso e trágico, e permanecer num lugar certo e 'nosso', nesse espaço desmedido e cheio de ruínas que costumamos chamar de moderno."
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Flá Costa 20/02/2021

Um livro para amantes das letras
E das palavras. E das memórias. É um lindo bonito que nos mostra o quanto as expressões compõem uma família e a imagem que temos das pessoas. É bonito, cru... mas fiquei com a sensação de que poderia ser maravilhoso e não foi.
Lucy 21/02/2021minha estante
Fiquei exatamente com essa impressão de que a ideia e a intenção eram bem melhores do que o livro. Mas entendo a ousadia, a delicadeza e o apreço aos detalhes como transgressoras, num livro que narra tempos de guerra :)




Carla Verçoza 12/02/2021

Léxico Familiar faz um retrato de uma família de judeus de esquerda, vivendo principalmente em um período onde se vê o crescimento do fascismo e durante a guerra. No entanto não é exatamente um relato sobre os horrores da guerra. A autora conta de forma coesa e sem muito sentimentalismo, a dinâmica familiar, suas personagens, com suas manias, chatices, preconceitos, violências. Há sempre alguma identificação com as histórias, não exatamente com os fatos, mas com a dinâmica, as piadas internas. Em um trecho a autora comenta que se algumas frases forem ditas em meio a uma multidão, os membros da família conseguiriam se identificar facilmente, creio que muitos temos algo parecido com isso, em relação à família ou alguns membros dela.
A história, desde a infância dela e seus irmãos, vai se desenvolvendo e os elementos políticos vão sendo inseridos e mostrando como impactam na vivência dessas pessoas. O pai socialista, uma pessoa que considerei extremamente desagradável, grosseira, ingrata (tem tudo na mão e só reclama e ofende), racista, violenta, que não consegui encarar com humor seus momentos que talvez fossem para mostrar como o pai era "uma figura". Pra mim não funcionou, fiquei bastante irritada lendo as coisas que ele fazia.
Enfim, os filhos vão crescendo, o fascismo também, vem a guerra, as prisões, as perseguições, as fugas, bombardeios, em meio disso a vida vai seguindo, casamentos, filhos, carreiras.
Gostei do livro, daria uma nota 8/10 (o que pra mim são 3 estrelas e meia aqui no skoob). Tem alguns trechos bem interessantes e pretendo ler outros da Natalia pra conhecer melhor a autora.

"Nós achávamos que a guerra iria virar e revirar imediatamente a vida de todos. Durante anos, ao contrário, muita gente permaneceu sem ser incomodada em sua casa, continuando a fazer o que sempre fizera. De repente, quando cada um já achava que no fundo se livrara por pouco e não haveria nenhum transtorno, nem casas destruídas, nem fugas ou perseguições, explodiram bombas e minas por toda parte e as casas desabaram, as ruas se encheram de ruínas, de soldados e de fugitivos. E não havia mais ninguém que pudesse fingir que nada estava acontecendo, fechar os olhos e tapar os ouvidos, enfiar a cabeça embaixo do travesseiro, não havia. Na Itália, a guerra foi assim."

"E o tempo que se seguiu foi como o tempo que se segue à embriaguez, e que é de náusea, de langor e de tédio; e todos, de um modo ou de outro, sentiram-se enganados e traídos: seja os que habitavam a realidade, seja os que possuíam, ou acreditavam possuir, os meios para narrá-la. Desse modo, sozinho e descontente, cada um retomou o seu caminho."
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Sarah 31/01/2021

Um inventário de afetos familiares
Em "Léxico Familiar", a escritora Natalia Ginzburg, um dos principais nomes da literatura moderna da Itália, se propõe a tarefa de, por meio de expressões usadas dentro do lar onde cresceu, fazer um inventário de suas memórias familiares - um relicário de seus afetos.

No livro, que me lembrou muito "Anarquistas Graças a Deus", de Zélia Gattai, Natalia nos leva aos poucos para dentro do universo de uma família judia de alta classe na Itália do começo do século passado até o período do pós-guerra.

No prefácio o escritor chileno Alejandro Zambra já nos alerta que é muito difícil o leitor não se identificar, trocando apenas algumas palavras e casos da própria família. Afinal, esse sentimento de pertencimento a uma comunidade com seus ritos e falas próprias é quase universal. Somos quem somos como consequência daquilo que vivemos, mas nem todos tem o talento da autora para colocar isso em palavras.

"A enorme originalidade desta obra reside em sua tremenda simplicidade. Qualquer um, a partir do exercício de recordar as frases em sua própria família, poderia escrever um livro como este", conclui Zambra.

Preciso admitir que meu amor pelo livro não foi a primeira vista. Não foi arrebatador. Foi aos poucos. Demorou para eu entender a escrita de Natalia. Muito distante da minha realidade, ela não dá explicações muito efusivas sobre nomes e lugares - isso tudo você encontra em um glossário ao fim do livro, informação que descobri tarde demais.

O jornal britânico "The Guardian" explica melhor, segundo o periódico, a escrita de Natalia sempre foi diferente. É fria ao expor falsos sentimentalismos enquanto é calorosamente atenta aos detalhes da vida em família.

Ela não floreia a história. Ela alerta já na primeira página: "lugares, fatos e pessoas são reais. Não inventei nada: e toda vez que, nas pegadas do meu velho costume de romancista, inventava, logo me sentia impelida a destruir tudo que inventara".

É interessante, no entanto, perceber o tom idílico que permeia o livro até sua metade, quando Natalia ainda é criança. São lembranças de passeios nas montanhas, da avó, dos parentes de Florença, do nascimento da protagonista em Palermo. Apesar de escrever esse livro já adulta, nesse momento a narradora volta a ter um tom infantil.

Mas, aos poucos, essas memórias vão se enchendo de referências ao fascismo, discussões políticas e prisões. Dessa forma, o livro pode ser separado em duas partes, o antes e o depois da ascensão de Mussolini ao Poder e da II Guerra Mundial. Aqueles que sobreviveram não são os mesmos. A família não é a mesma. Ninguém sai ileso desses anos de conflito.

Nessa parte, "Léxico Familiar" me lembrou outra obra literária brasileira, "Éramos Seis", de José Maria Dupré, que aos poucos vai tomando um tom melancólico quando os irmãos se dispersam e cada toma seu rumo.

Outro ponto de destaque é a forma comovente como Natalia descreve a Itália no período do pós-guerra. Uma euforia seguida de um sentimento quase de vazio.

Ela, no entanto, quase sempre se coloca como observadora e poucas vezes protagoniza alguma das historietas narradas. Parece que ela evitou ao máximo entrar naquelas páginas. Mesmos fatos trágicos de sua trajetória parecem ser minimizados.

Como jornalista e muita apegada aos fatos que sou, senti falta de mais informações de algumas pessoas que passam pelas páginas. Beppino, o pai da protagonista, por exemplo, não é ninguém menos do que Giuseppe Levi, grande biólogo italiano que lecionou três ganhadores do Prêmio Nobel.

Em contrapartida penso que isso poderia destoar do tom do livro. Natalia era filha de Beppino, seria irreal e pouco provável que ela falasse em termos de admiração por sua ilustre carreira acadêmica. O mesmo se dá para amigos de seus genitores. Apesar de serem nomes famosos da história política italiana, eram recebidos em seu lar como colegas.

Considerada uma das principais escritoras da literatura moderna italiana, Natalia tem, de forma bastante tardia, ganhado fama mundialmente de carona na "febre ferrante".

site: www.instagram.com/invasoesgermanicas
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Lucy 31/01/2021

Teoria melhor que a prática, mas vale pela sensibilidade
Entendo a importância histórica e da resistência deste tipo de relato autobiográfico, da qualidade e sensibilidade da autora que recupera as pequenas coisas do cotidiano de sua família - as histórias contadas e recontadas à mesa, as viagens em família, a personalidade raivosa e terna do pai, as amizades, a mãe que era o elo de tudo, seus quatro irmãos e algumas janelas para o que se passava lá fora. Passado boa parte na época da segunda guerra, falar de mil nadas e tantas coisas miúdas poderia ser um contraponto interessante: a manutenção de uma vida privada, uma existência sem rompantes em um núcleo familiar em meio àquele caos. Cotidiano às vezes interrompido pela emergência dos grandes acontecimentos, especialmente em uma família judia e comunista (imagine).

Não gostaria de ser injusta. Contudo, na prática a leitura para mim foi um tanto arrastada, em muitos momentos desinteressantes. Conversas miúdas aqui e ali, acontecimentos importantes como algumas mortes que não duram mais que um parágrafo, em uma excessiva economia de emoções. A conclusão é que muita coisa acontece mas nada te importa, muitos personagens surgem e você não se envolve.

Sem dúvida, é preciso treino e disposição para aprender a enxergar o valor desses aparentes vazios, dessa coleção de pequenos acontecimentos. Estamos viciados em sobressaltos, fato. E esse é um livro calmo em meio à guerra.

Certamente a qualidade de observadora e contadora de histórias da Natalia Ginzburg é notável e pretendo ler mais algum livro dela. Talvez sem altas expectativas, conhecendo seu estilo de narrativa... No fim das contas, gostei de ter conhecido sua família e mergulhado nos seus hábitos, mas uma leitura tão plana foi desafiadora e sem grandes recompensas. Por enquanto.

E também é interessante como esse olhar para o que há de mais insignificante pode ter influenciado seu filho: Carlo Ginzburg, historiador conhecido pelo seu método indiciário. Ele foi um dos grandes nomes da micro história, que eleva os indícios, os subterrâneos, os silêncios e tudo o que está aquém dos grandes fatos para desenhar objetos/sujeitos de estudo de forma primorosa.

Destaco ainda a qualidade do prefácio e do posfácio dessa edição, fundamentais para contextualizar o livro.
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@fernandajfguimaraes 29/12/2020

Eu já era fã da Natalia e agora sou ainda mais. Recomendo a leitura sem medo.
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otxjunior 25/11/2020

Léxico Familiar, Natalia Ginzburg
A advertência que abre o livro pode ser ilusória para alguns leitores. Quando Natalia Gainzburg recomenda a leitura de seu Léxico Familiar "como se fosse um romance", provavelmente para diluir a decepção de quem espera uma narrativa tradicional de docudrama de guerra sobre uma família judia na Itália de Mussolini, não funciona absolutamente para mim. Sendo meu gênero favorito e conhecendo seu potencial, exigo do romance sempre mais do que pode oferecer. Lido talvez como memórias, preciso dizer que me diverti bastante durante a leitura, que se não frenética, regularmente periódica. Mas para um romance falta variação sobre o tema. A impressão que ficou é a de que poderia abrir o livro em qualquer página que daria no mesmo. Às vezes até esquecendo a quem pertence o nome da personagem que a autora se debruçava naquele momento, tamanho é o número de parentes e conhecidos que povoam o livro. Sendo a probabilidade baixa de ser a própria narradora, sobre quem se fala pouco, apesar de pertencer a família, e a conhecemos quase que em negativo em relação aos que a cercam, nomeada inclusive apenas depois da primeira metade!
O protagonismo portanto pertence aos pais da pequena Natalia e seus quatro irmãos, casal cujo único ponto de interesse comum é o socialismo, com destaque para a figura autoritária, e por vezes contraditória, patriarcal. Giuseppe Levi é intolerante e estúpido, e fascinante e perspicaz. Diferente de qualquer pai, não quer ver um filho médico ou advogado, mas se orgulha do operário ou preso político. Contrário ao casamento tanto quanto ao fascismo, é responsável pelos momentos mais engraçados da obra. E apesar de tão particular, é igual a todos o pais, e como eles amado. Aí que mora o trunfo de Léxico Familiar para mim, é afetuoso e altamente relacionável. Fazendo com que pareça possível o relato da família de todo leitor, como o autor do prefácio sugere, com seu vocabulário específico e diferentes guerras contemporâneas, estas sempre em segundo plano ante o universo infinito familiar. Mas o que Ginzburg faz não é de nenhuma forma fácil. E ela não demonstra ressentimento, nem para com os efeitos da grande guerra. Estes surgem e somem em pequenos parágrafos, nunca perdendo o foco no que realmente importa, as pessoas. Ainda sem pieguices! Ou, para citar a língua dos Levi, parvoíces. Que burra!
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Carol Vidal 02/11/2020

Interessante, mas não me cativou por completo
No início da leitura, achei o ritmo excessivamente arrastado e demorei pra me sentir cativada pelos personagens. Quando senti que conhecia melhor os personagens, a leitura se tornou mais interessante e adorei entender a dinâmica daquela família. Essa ideia de contar uma história num período grave da história mundial escolhendo direcionar o olhar pra dentro do lar foi algo que me cativou e me deu outra perspectiva.

Porém, a narração mais afastada, com ela falando da própria família como se não fizesse parte daquela dinâmica, me incomodou e fez com que eu não me envolvesse tanto emocionalmente.
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