Sorte

Sorte Nara Vidal




Resenhas - Sorte


1 encontrados | exibindo 1 a 1


Euler 30/04/2020

Hi Brasil
Parece ser uma tendência da literatura contemporânea, narrativas históricas feministas, narrativas que voltam no tempo para mostrar de fato a perversidade que acontecia/acontece com as mulheres que não eram tratadas como musas como nos livros do José de Alencar. Foi inevitável para mim não traçar o diálogo com o livro Carta à rainha louca, já que nas duas histórias, mulheres brancas pobres e desafortunadas tem seu destino destroçado por serem mulheres, sendo confinadas em conventos, revelando a perversidade que existiam nesses espaço que deveria ser de solidariedade. Em Sorte, Margareth e sua família vem da Irlanda em busca de um Brasil idílico, mas o que encontram aqui é algo completamente o contrário. Margareth após sofrer com o machismo do pai e dos irmãos acaba sendo abandonada por eles por ter engravidado, sendo recolhida num convento que atendia mulheres caídas. Do calvário da casa, para o calvário do convento o que temos é a hipocrisia de uma sociedade que pune apenas as mulheres, negando o aborto ao mesmo tempo que não permitem que sejam mães. Outra personagem importante é a Mariava, mulher escravizada que sofre infortúnios ainda piores que o da protagonista. O destino das duas se entrelaçam em desgraças. Sorte é um livro curto, com uma linguagem extremamente poética, na qual só se diz o necessário e as lacunas são os rompimentos que são feitos violentamente em vidas como a das personagens. Dentro da narrativa, a micro narrativa da ilha Hy-Brasil, demonstra o quanto essa visão fantasiada de nós só nos deu Azar.
comentários(0)comente



1 encontrados | exibindo 1 a 1