A vagabunda

A vagabunda Colette




Resenhas - A vagabunda


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Mariana Dal Chico 08/04/2020

“A Vagabunda” de Colette foi recentemente publicada no Brasil pela Editora Imã que me enviou um exemplar de cortesia.

Ano passado, li da mesma autora “A Ingênua Libertina” — tem post no feed — foi uma leitura “ok” principalmente por eu não ter simpatizado com a protagonista. Em A Vagabunda minha experiência foi completamente diferente, já que a protagonista me cativou logo nas primeiras páginas.

A protagonista se divorciou depois de um relacionamento conturbado no qual ela era frequentemente traída e seu marido tomava para si a autoria de seus livros, julgada pela classe social da qual fazia parte, Renée vai trabalhar no music hall em busca de independência financeira e sentimental.

Quando estava na metade do livro, assisti o filme “Colette”, baseado em um período da vida da autora. A experiência foi muito enriquecedora, a partir dele, pesquisei mais sua biografia e pude identificar melhor os traços autobiográficos de “A Vagabunda”.

As protagonistas de Colette são mulheres que questionam o papel feminino na sociedade, sem soar como um discurso militante panfletário. Elas desafiam os padrões, fazem o que querem sem sofrer castigo ou punição.

Uma característica da escrita da autora que me incomoda, é o excesso de uso de reticências que acaba por quebrar meu ritmo de leitura, ainda assim, finalizei a leitura em poucos dias.

Literatura francesa mais que recomendada. Com certeza, lerei mais livros da autora.

site: https://www.instagram.com/p/B-uVDcwjN6s/
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Mi 19/09/2020

O que aprendi com a obra "A vagabunda", de Colette
Há algumas semanas, assisti ao filme Colette (2018), que retrata parte da vida dessa escritora francesa, em especial o relacionamento abusivo com o marido que ficava com os créditos de sua escrita. Gostei do filme e decidi comprar um dos livros da autora. Acabei optando por "A vagabunda", o qual, pelo que li, trata-se de uma versão romanceada de sua própria vida depois da separação.
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A leitura da obra em si não me chamou muito a atenção e me arrastei pra concluir (e talvez seja mais culpa do meu momento do que do próprio livro, visto que, dia desses, desisti da releitura de Madame Bovary).
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O interessante de tudo isso é: o que eu esperava do livro a partir desse título? Qual foi minha primeira interpretação? Que ela teria se tornado uma vagabunda depois da separação? Qual minha imagem de vagabunda? Qual significado cristalizado para essa palavra?
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V A G A B U N D A...
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Não está em pauta aqui o meu julgamento (cada dia mais inexistente) a respeito da Colette, da personagem Renée, ou de qualquer outra mulher, e sim a auto-observação de uma professora de língua portuguesa sobre seu interesse por etimologia.
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O grande presente que a edição trouxe foram as leituras complementares ao final do livro. Com elas, eu pude entender por que usar esse título num livro que NÃO apresenta uma “mulher de comportamento devasso ou imoral”, como o dicionário classifica o termo, diferentemente do que faz com o adjetivo correspondente masculino (desocupado, nômade, etc.).
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A vagabunda da obra, seja a personagem ou a autora, é uma mulher propensa a andar sem destino. O termo em português equivale a “vagabonde” que, em francês, mantém somente o sentido original, de quem vagueia por aí. Talvez a tradução não tenha sido feliz, ou infeliz fui eu ao me ater ao termo pejorativo com o qual cresci, mas eu cresci e estou reaprendendo a falar/ler/interpretar.
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“Renée é um alento, ainda hoje, mais de um século depois: uma vagabunda redentora que não reproduz padrões tóxicos de relacionamentos amorosos e mostra que nenhuma mulher precisa estar acompanhada por um homem para ter seu lugar no mundo" (Débora Thomé).


site: https://www.instagram.com/p/CDzl1mEjs9k/?utm_source=ig_web_copy_link
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Tamires 25/11/2019

A vagabunda, de Colette
O amor nunca vem sozinho. Amar requer mais que apenas o sentimento que nos deixa de pernas bambas, coração disparado e cérebro ligeiramente ineficiente. Para as mulheres, especialmente as das primeiras décadas do século XX, essa “carga extra” do amor vinha na forma de obrigações quase sempre limitadoras: uma espécie de maternidade ampliada (a criação dos filhos e o “cuidar do marido”) além é claro, dos afazeres domésticos.

Em muitos lares do século XXI essa realidade ainda persiste. A vagabunda (Ímã Editorial, 2019), de Colette, é então um livro muito atual quando pensamos em nossas mães, tias, avós e, porque não, em nós mesmas. Em um primeiro momento, pode parecer que o grande mote do livro é “o medo de amar”. Mas logo fica claro que, quando uma mulher experimenta um relacionamento ruim, ela passa a temer não só pelo “seu coração”, mas também por sua liberdade.

A vagabunda, — uma atriz de teatro, na verdade —, é Renée, uma mulher que amargou um casamento repleto de traições e roubo de propriedade intelectual. Ela resolve sair deste relacionamento ignorando, corajosamente, a posição social que ocupava e passa a viver do próprio sustento, com uma vida muito mais modesta. No entanto, tinha, enfim, liberdade para ser o que quisesse, onde e quando quisesse. Tudo começa a mudar quando um homem rico, Max, se apaixona por ela e deseja tê-la para si como esposa, como manda o figurino das pessoas respeitáveis.

A vagabunda é quase um relato autobiográfico. Narrado em primeira pessoa, é o primeiro livro escrito por Colette após o divórcio de seu marido, que usurpava e assinava como sendo de autoria dele os famosos livros da coleção Claudine. Para quem já assistiu ao filme Colette (2018) muitas situações retratadas neste livro vão ser familiares, a começar pelas primeiras linhas: uma das últimas cenas do filme mostra Colette, interpretada pela atriz Keira Knightley, escrevendo A vagabunda, enquanto aguardava o seu momento de entrar no palco.

“ ‘Ela morre de tristeza… ela morreu de desgosto…’

Quando ouvir tais clichês, balance a cabeça, mas não por piedade: por ceticismo. Mulher nenhuma pode morrer de desgosto. É um animal tão firme, tão duro de matar! Acha que o sofrimento a consome? Nada. Na maioria das vezes, mesmo que nasça frágil e doentia, ela ganha nervos infatigáveis, um orgulho que não se dobra, uma capacidade de aguardar, de dissimular, que a engrandece, e um desdém por aqueles que são felizes. No sofrimento e na dissimulação ela se exercita e torna-se flexível, como em uma arriscada ginástica diária… Porque ela esbarra constantemente na mais pungente, na mais suave, na mais atraente das tentações: a de vingar-se.

Pode acontecer dela chegar — se fraca demais ou se amar demais — a matar… Ela assim pode oferecer ao assombro do mundo inteiro o exemplo dessa desconcertante resistência feminina. Ela fatigará os juízes, os submeterá à provação de intermináveis audiências, os deixará exangues, como as raposas fazem com os cães de caça inexperientes. Tenham certeza que uma longa paciência, formada por mágoas sofregamente guardadas, afinou e endureceu essa mulher de quem se diz:

— Ela é feita de aço!

Ela é feita de mulher, simplesmente. E é o que basta.” (p. 39)

“América do Sul! Essas três palavras provocaram em mim um deslumbramento de analfabeta, que só imagina o Novo Mundo através de uma cascata de estrelas cadentes, de flores gigantes, de pedras preciosas e de beija-flores… Brasil, Argentina… que nomes refulgentes! Margot me contou que foi levada para lá, ainda bem criança, e meu desejo maravilhado se colocou à pueril pintura que ela me fez de uma aranha com ventre prateado e de uma árvore coberta de vagalumes…

Brasil, Argentina, mas… e Max?” (p. 255)

A vagabunda foi o segundo livro que li de Colette e a sensação de “isso sim faz sentido” foi a mesma de quando li A ingênua libertina. Vou percebendo, a cada leitura de livros escritos por mulheres, o quanto campanhas como #leiamulheres são necessárias. A experiência de ler Colette, tendo lido outros autores (homens) do realismo francês é muito enriquecedora. Esqueça os castigos, divinos ou não, destinados às “mulheres ímpias” daquele tempo. Em Colette, para citar apenas e especificamente esta autora, eu li e senti uma verdade tão grande nas páginas que outros autores (homens falando de mulheres e sentimentos femininos) jamais conseguiram (ou vão conseguir) reproduzir com tanta fidelidade. É questão de vestir a mesma pele, sem idealismo exacerbado.

A vagabunda é um ótimo livro, Colette foi mestre nas descrições floreadas na medida certa e com uma narrativa que surpreende positivamente no final (pelo menos na minha humilde opinião!). A edição da Ímã Editorial, integrante da Coleção Meia Azul, tem posfácio de Débora Thomé e Carla Branco, que enriquecem a leitura, contextualizando-a. Recomendo!

site: https://www.tamiresdecarvalho.com/resenha-a-vagabunda-de-colette/
Juliette 22/03/2020minha estante
Resenha maravilhosa! Adorei!


Tamires 26/03/2020minha estante
Obrigada, esse livro é maravilhoso!




Thais 14/02/2020

Achei a história lenta, mas gostei, nunca tinha lido nada dessa autora. Indico
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Samia 17/07/2020

Leia mulheres
Como é diferente quando uma mulher escreve sobre uma mulher transgressora. E, não é só no jeito de mostrar as atitudes, mas tb no jeito de mostrar encarar as escolhas da personagem, sem julgamentos morais ou paternalistas.
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