Asterios Polyp

Asterios Polyp David Mazzucchelli




Resenhas - Asterios Polyp


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Cilmara 12/08/2018

Levarei em minhas andanças...
Muito dessa obra, o quanto ela influenciou artistas e até mesmo vidas.
Tudo é real, logo de imediato eu sabia que em minhas mãos havia uma preciosidade.
Enquanto lia, já tinha o desejo de reler, com certeza é algo que carregarei em minhas andanças.
Asterios é um arquiteto e professor muito prestigiado por seus inúmeros eloquentes projetos, mas aos 50 anos sua percepção de si mesmo vai para outros rumos? Quem, realmente, é Asterios? O que ocorreu em sua vida?
Mazucchelli reinventa, com uma arte ousada e um roteiro perspicaz, tece sobre as vicissitudes da vida.
É um trabalho muito engenhoso e primoroso.
Esse campo aqui é limitado demais para mostrar ao menos 1/3 do quanto essa leitura foi significativa para mim.
Resumindo meu parecer:
Lemos tanta coisa e de repente nos deparamos com algo que supera a maioria, ou se não, todas as coisas que já leu.
Rebeka 12/08/2018minha estante
É uma pena esse livro estar esgotado. Queria muito ler, só boas críticas ele tem.


Cilmara 17/08/2018minha estante
É praticamente um crime não relançarem ele... \o/
Mas, vai acompanhando no skoob..sebos e mercado livre...foi assim que consegui e ainda por um bom preço.




Gladston Mamede 12/11/2017

Surpresa
Nunca pensei que uma história em quadrinhos pudesse ser tão filosófica, tão humana, tão profunda, tão poética. Comecei a ler por que ganhei e, logo, estava mergulhado num texto que me remeteu aos meus estudos de filosofia e - por que não? - um texto que ecoava na minha vida: meu passado, meu presente, minhas esperanças e medos de futuro. Amei.
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glhrmdias 13/06/2017

5.0
Asterios Polyp é daquelas obras que escancaram as peculiaridades dos quadrinhos enquanto forma autônoma de arte. Sensível do início ao fim, a história do sisudo sabe-tudo que se depara com uma situação limite para mudar a própria vida é contada sem sentimentalismo barato e exala criatividade através de diversas camadas de apreciação e interpretação, tanto do texto quanto das ilustrações. Brilhante a habilidade narrativa de Mazzucchelli, num dos melhores quadrinhos que já tive o prazer de ler.
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Marverosa 11/03/2017

Surpreendente
Comecei e não parei mais...
a estrutura do HQ, bom como o formato e até utilização das cores pra expressão presente/passado e personagem me surpreenderam.
Recomendo pra quem gosta de um bom graphic Novel autoral
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Matheus G. 16/12/2016

APENAS MARAVILHOSO!
Peguei como quem não quer nada na biblioteca e comecei a ler, não larguei mais!
É uma obra de arte, a maneira como o autor organiza os quadros, os balões de diálogos, as cores, formas e traços, tudo contribui para a narrativa, tudo é pensando. Além disso, é uma história sensível, sobre convivência, paixões e conflitos que permeiam relacionamentos.
Enfim, grata surpresa, recomendadíssimo!
Daquele tipo de obra que me deixa feliz por ter a oportunidade de ter lido, de ter conhecido em algum momento da vida e que com certeza irei revisitar,
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Jose.Silva 13/10/2016

Genial
Melhor gibi que li nos últimos 5 anos.
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Natalia.Goncalves 08/02/2016

A vida é estressante. É por isso que se diz descanse em paz
Asterios é um professor de arquitetura da universidade de Ithaca. Famoso como arquiteto de papel, é reconhecido na área por seus projetos que nunca chegaram a ser construídos . Ele é casado com Hanna, uma artista plástica que é seu total oposto. Juntos vamos conhecendo a vida dos dois intercalado com a vida presente de Asterios. Quadrinho incrível com vários tapas na cara do leitor. Para ler e reler várias vezes.
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Paulo Eduardo 09/06/2015

Asterios Polyp é uma obra difícil de ser descrita. Pra início de conversa, apesar deu não dar uma nota 10 (Dei nota 9!), se trata de uma obra-prima da arte gráfica. O fato deu não ter dado uma nota máxima é mais por razões de gosto, do que de por falta de reconhecimento.
A obra de David Mazzucchelli é a representação perfeita da maturidade das histórias em quadrinho. Para todos os personagens o autor empregou traços e cores meio diferentes, adequado à personalidade de cada um. Só daí já dá pra ver que tudo foi muito bem pensado. Mas Mazzuchelli vai além: os elementos de cada página tem um bom motivo para estar ali, como descrito por Bruno Zago, do Pipoca e Nanquim nada é gratuito, seja o menor objeto de um cenário ou a posição de um personagem. Por exemplo, as mudanças ocorridas com o arquiteto são evidenciadas até mesmo em suas pequenas atitudes, como quando ele mata um mosquito que encontra descanso em seu rosto, logo que se acomoda na casa nova, e tempos depois já não se incomoda mais com o repouso do inseto, ou quando ele está dirigindo um carro que se alimenta de energia solar, o único em uma longa sequência de transito com um veículo que não emite fumaça. Os balões e a tipologia também são personalizados, o casal central contrasta até nisso, ele com balões quadrados e ela com redondos. Todas essas observações estão aí pra deixar logo de cara toda a genialidade do autor como quadrinista, que explorou as mais diversas possibilidades, seja na palheta de cores, no uso de formas e diálogos, etc., e explicar porque a obra angariou tantos prêmios. Mas vamos ao que de fato me fisgou.
Pra começar, o roteiro. Asterios Polyp é um renomado arquiteto, um profissional estimado por projetos incríveis, mas que nunca chegaram a ser construídos. Ele é professor em uma universidade, autor de alguns livros e dono de uma personalidade sufocante, que enxerga nos outros uma forma de relacionar-se consigo mesmo. Está sempre destilando conhecimento e informação para os demais, inflexível quanto a admitir um erro ou mudar de opinião, característica que se torna insuportável com o tempo. Então, no dia em que completou 50 anos de idade, um raio desceu dos céus e acertou o edifício de seu apartamento, incendiando todos os bens que não escaparam consigo. A partir daí ele inicia uma jornada de transformação e evolução em busca de uma nova realidade. E a jornada de Asterios é muito gostosa de de se acompanhar. Me identifiquei muito com alguns traços de sua personalidade e com situações descritas nas páginas, e talvez isso seja algo bem pessoal, mas me fizeram apreciar ainda mais o quadrinho, e refletir acerca de várias atitudes que costumo tomar.
Outro ponto que me fisgou é a questão da dualidade presente ao longo de toda a obra. Para o protagonista, tudo é preto e branco, dois lados de uma mesma moeda, filosofia que abre margem para excelentes diálogos. O personagem não consegue escapar do fantasma de seu finado gêmeo, os dois deviam ter nascido, no entanto um morreu, 50% de chance para ambos e justo ele sobreviveu, por quê? Essa e outras questões semelhantes atormentam sua mente desde a infância, e acabam servindo de gatilho para ótimos diálogos. Narrativamente falando, a própria jornada de Asterios é apresentada de forma dual. Nas cenas do passado, ele é megalomaníaco, rígido, impõe sua opinião em qualquer assunto como verdade absoluta. Na história presente, testemunhamos seu crescimento, erigido de modo natural ao passo das circunstâncias. Ele não abandona suas ideias, simplesmente compreende que as opiniões são pessoais. Acompanhamos essa mudança principalmente por meio das cenas com a esposa, bem introvertida, e depois com a mulher do mecânico que lhe concede hospedagem, uma pessoa de crenças extremamente contrárias as suas. Com a primeira ele não percebe que, por conta de seu jito expansivo e pedante, oprime a companheira, já que a segunda assume um comportamento mais passional. É genial o modo como os desenhos e as cores contribuem para esses momentos, com Asterios desenhado como um projeto de formas geométricas azuis e Hana como um calor de linhas rosadas, ora mesclados, ora distantes. Sensacional mesmo!
Dito tudo isso, há de se dizer que Asterios Polyp é uma obra bastante complexa. Não que se trate de uma obra densa, intelectual a ponto de ser chato. Não se trata de uma leitura arrastada, mas a combinação entre texto e arte, e as várias referências fazem dessa HQ uma história que deve ser lida várias vezes, do contrário é impossível absorver todos os detalhes. Na primeira vez você pega apenas a essência da coisa, mas para aproveitá-la por completo é necessário revisitá-la repetidamente. E é justamente esse detalhe em particular que me fez dar uma nota 9, e não um 10. Eu adoro histórias introspectivas, com bastante diálogo, que fazem o leitor pensar um pouco fora da caixa, e até mesmo que usem bastante da narrativa visual, porém, e isso é bem particular, por mais gostoso que seja revisitar um obra e encontrar coisas que antes não tínhamos percebido, acho frustrante quando tenho a impressão de que mais de 50% da obra parece estar além das primeiras leituras.
PS: O final é simplesmente assombroso, e entenda isso como quiser! Ah, e achei o máximo o quadrinho ser inteiramente impresso em papel reciclado. Uma pena que a edição de capa mole da Cia. das Letras tenha uma lombada que já na primeira leitura fica toda marcada!
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Café & Espadas 27/04/2015

Resenha Asterios Polyp
Asterios Polyp é um arquiteto. Desde pequeno ele se destacava dos demais por ter uma mente robusta. Isso lhe deu uma brilhante vida acadêmica bem como vários prêmios arquitetônicos, incluindo o maior deles, o Pritzker. Ser professor catedrático na universidade de Ithaca é outra de suas conquistas. Não é à toa que Hanna, também professora em Ithaca, e que viria a se tornar sua esposa, interessou-se por ele logo na primeira vez que o viu.

Asterios Polyp é um fracasso. Sua vida acadêmica desmoronou. Nenhum de seus projetos jamais foi construído, no entanto, seu ego nunca fora abalado por isso. Ao contrário, ele orgulhava-se em ser um arquiteto de papel. Ele perdeu sua cátedra em Ithaca. E mesmo no ensino médio, não teve sucesso como professor. Seu ego acabou o casamento com Hanna. Hoje ele é um homem de meia idade, fracassado, sozinho e assombrado pelo irmão gêmeo que morreu no parto.

Esta é a tensão que envolve a história de David Mazzucchelli, autor de Asterios Polyp.
Ele conta essa história em flashbacks. No presente, você vê o Asterios de meia idade, fracassado, no passado, o Asterios no auge de sua carreira, bem sucedido.

Mazzucchelli levou cerca de 10 anos para escrever essa HQ e isso pode ser observado nos vários detalhes que a compõem. Ele não fez uma história em quadrinhos semelhante a um storyboard, como é o comum, onde a página é separada, de maneira geral, em uma grade ou um conjunto de quadros. Cada página de Mazzucchelli é uma obra de design. Cada elemento desenhado, e a maneira com que é desenhado, conta um pouco a história.

Por exemplo, cada período de tempo, quer seja no presente, quer seja um flahsback, a tonalidade geral dos quadros muda. As cores também são utilizadas para diferencias os personagens. Sempre vemos a cor azul para Asterios, e o vermelho marca bastante Hanna, já o amarelo, Ignazio. Claro que isso também representa aspectos de suas personalidades, azul, racional, vermelho, paixão.

O traço também é um elemento fortíssimo nessa HQ. Não só o traço comum que define os personagens é relevante, mas a maneira como o autor diferencia as personalidades dos personagens através do traço. Quando o autor quer transcender a história contada e representar aspectos profundos de personalidade, ele usa um traço diferente. Na festa dos docentes, no início da revista, isso é bastante marcante. Mazzucchelli desenha todos que estão em quadro utilizando diferentes técnicas de desenhos. Há alguns pontilhados, outros esfumaçados, ainda alguns apenas sombreados, outros somente a silhueta.

Asterios é representado por formas geométricas firmes e bem definidas. Já Hanna é composta por uma hachura mais solta e bem menos exata. Uma bela maneira que Mazzucchelli encontrou de representar o interesse mútuo entre o casal foi desenhá-los mesclando as duas técnicas. Asterios, completamente reto e preciso, e Hanna, formada por linhas soltas, agora são ambos representados com linhas mais ou menos retas preenchidas com hachura.

Outro detalhe são os balões de diálogos. Cada personagem possui um formato de balão e um tipo (uma fonte de letra) diferente para representar sua fala. Tudo isso ajuda a construir os personagens.

Sem dúvida Asterios Polyp é uma excelente escolha para quem está buscando um quadrinho diferente e autoral.

site: http://cafeespadas.com/?p=2936
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Tauana Mariana 31/01/2014

Amor, fontes e formas <3
Uma HQ linda e sensível.

Asterios Polyp é um renomado professor de arquitetura, conhecido como "arquiteto de papel" já que, apesar de ganhar diversos prêmios e publicar livros sobre o assunto, nenhum desenho seu saiu do papel. Tem uma visão de mundo bem definida, que aplica tanto em seu trabalho quanto em sua vida. Ele acredita nas dualidades.

Asterios se vê sozinho, na chuva, vendo o seu apartamento pagar fogo no dia em que completava 50 anos. Pegou o dinheiro que tinha na carteira e resolveu comprar uma passagem de ônibus até onde aquele dinheiro o levasse. Acabou chegando em um oficina que precisava de um mecânico. Ganhou o emprego e alugou o quarto vago na casa do proprietário da oficina.

A história é um eterno vai e vem entre o presente de Asterios e o seu passado. Um passado glorioso, onde ele era reconhecido no mundo acadêmico. Um passado em que ele era casado com Hanna (que ele chamava de Margarida). Os dois eram completamente diferentes, mas juntaram suas vidas com nenhum atrito.

Hanna é meiga, tímida, gosta de gatos e de sempre ver o lado bom das pessoas. Asterios é soberbo, reto, acha-se o dono da verdade. E esse jeito de ser (de ambos) acabou quebrando o casamento dos dois. Aliás, a forma tão dura e reta de encarar o mundo acaba levando Asterios à solidão e ao fracasso. Mas após passar um tempo vivendo como mecânico, ele decido procurar Hanna, e os dois acabam a história um ao lado do outro, em silêncio.

Incrível como a HQ conseguiu reproduzir a complexidade e a beleza de um relacionamento a dois. Somos diferentes mas nos amamos, e é isso o que nos une. Mas quando confiança, amor e respeito não se fazem mais presentes, o casamento quebra. A rotina não é o que destrói uma relação, a lembrança de cada fragmento diário ao lado do outro é que constrói a nossa memória, a melhor forma de parar o tempo e voltarmos a viver o momento que desejamos (ao menos em parte). Através dos desenhos, compreendemos que podemos nos tornar semelhantes e também tão diferentes. Aproximamo-nos e distanciamo-nos conforme nossas formas e fontes vão mudando.

Os desenhos e formas são simplesmente sensacionais. O contraste entre o azul e o rosa, o reto e o curvilíneo torna a HQ de uma beleza incrível. Também achei sensacional como cada personagem tem uma fonte para as suas falas, como se a escolha destas também entregasse como é a personalidade de cada um deles.

site: http://tauanaecoisasafins.blogspot.com.br/2014/01/asterios-polyp.html
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caloanguajardo 24/11/2013

Asterios Polyp e o Jogo de Espelhos
Há quem diga que Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do Espelho, obras de Lewis Carroll, sejam ridículas ou inúteis. Olhando superficialmente, podem não servir para qualquer nada no pragmatismo que tentamos impor à vida, para torna-la mais funcional e lógica. Claro, tais pessoas têm o direito de não apreciar uma história nonsense e ignorar o fato de que Carroll era, além de diácono, um matemático, e brincava com essa visão cartesiana que o senso comum luta para preservar.

Concordo que, para a Ciência, não têm valor substancial. Nas Artes, contudo, e em todas as suas órbitas, parecem ser aplicáveis como uma dimensão em que a luz – a lógica – se distorce ao redor do apreciador. Aonde quero chegar com tais argumentos? Aonde o leitor quiser ir. Se não quiser ir a lugar algum, e parar neste parágrafo, tampouco importa. O conflito foi semeado, agora mesmo, com essa espécie de paráfrase do Gato Mestre.

Na verdade, meu ponto é este: tal qual Alice, o sujeito distraído que entra numa dessas órbitas já aludidas pode tentar correr atrás do sentido das coisas, sobretudo como e por que fora parar ali e o que terá de fazer para sair, caso queira. Em vão. Porque nas Artes, às vezes se deve correr para achar boas coisas, em outras se deve parar e apenas inspirar-se com o que aparece.

Asterios Polyp, história em quadrinhos de David Mazzucchelli, publicada em 2011 pela Companhia das Letras em sua série Quadrinhos na Cia., com tradução de Daniel Pellizzari, foi o Coelho Branco que me trouxe à órbita da Nona Arte.

Sempre observei os quadrinhos de longe. Não tinha nada contra, só me faltava o impulso de parar e ler. Costumava ver uns exemplares aleatórios nas bancas. Achava-os bonitos, os admirava, mas muitos preservavam uma forma tradicional, um tanto previsível, e eu sempre elevo minhas expectativas. Via que alguns desenhistas faziam Superman, Batman, X-Men e outros títulos populares ascenderem à esfera de um Caravaggio (especialmente quando queriam terminar ou reiniciar um ciclo de histórias com mortes ou ressurreições). Mas a forma de narrar parecia imutável.

Plasticidade

Mazzucchelli não veste Asterios com um véu meio barroco, ou maneirista, ainda que a história em tese permitisse isso. Aliás, talvez se tivesse optado por ilustrações mais naturalistas, sua obra perdesse boa parte do encanto.

Faz sentido que ele adote traços que parecem debochar deles mesmos e das personagens, principalmente no caso dos figurantes. Afinal, não é à toa que Asterios seja um arquiteto. A ideia clássica que se tem desses profissionais é essa: para eles as formas, o design, a estética, tendem a importar mais que a execução e construção do projeto. Para os engenheiros a regra é o exato oposto disso.

O protagonista era, ele próprio, conhecido como Arquiteto de Papel. “Ou seja, um arquiteto que conquistou renome graças aos seus projetos, e não pelas edificações construídas a partir deles. Na verdade, nenhum de seus projetos chegou a ser construído”, como diz Ignazio, o irmão natimorto que narra a vida, os sonhos e os pensamentos de Asterios.

O autor não tem medo de abusar de noções de perspectiva, esboços, nem das formas geométricas em cada página. A narrativa está sempre suspensa no ar (e isto não é uma metáfora). Pode ser cortada ou não pelos próprios objetos das cenas. Os balões que encerram os diálogos entre as personagens são bem característicos, parecem marcar a personalidade de cada um. Até as fontes variam. O balão das falas de Asterios é quadrado e a fonte é idêntica à de Ignazio: letras garrafais, quase nada curvadas.

As cores são também contidas. Não são muitas, ficando entre azul, vermelho, amarelo, roxo e um pouco de rosa, em tons meio pastéis mas com muitos contrastes, com dégradés mais nas cenas externas, para indicar passagem de tempo.

História

Asterios Polyp tem esse charme que salta logo aos olhos: contornos, cores e volume mantêm uma relação intrínseca com o que se diz em palavras. Como esta é minha estreia falando sobre o mundo dos quadrinhos, fico receoso em ler mais do que há para ser lido, ou superinterpretar o que o autor deseja expressar.

Assim que terminei de ler, pensei no que escrever. Olhei para a capa. O sobrenome Polyp chamou atenção. Lembrou-me de alguma coisa.

“Seu pai, o Dr. Eugenios Polyp, imigrara para os Estados Unidos com a família quando criança, em 1919. Impaciente, o funcionário da imigração da ilha Ellis abreviou pela metade o sobrenome da família, deixando apenas as cinco primeiras letras.”

Fiquei imaginando se poderia ser alguma brincadeira, ou uma pista. “Poly” remete a “polígono”, ou até a “polypropene”, material plástico usado na fabricação de embalagens e outros.

Em diversos momentos, Asterios é mostrado como um amontoado de formas geométricas ocas (ele talvez prefira se ver como “transparente”, com o ar virtuoso que essa palavra traz à personalidade de qualquer um). Ocas ou plásticas. Isso torna ainda mais bonitos os entrelaces e desenlaces com sua ex-esposa, Hana Sonnenschein.

Ela, uma hachura de pessoa, professora de escultura, era feita de luz e sombra, sem contornos claros que a realcem, dá a ele volume e luminosidade, e ele dá em troca o contorno. Conheceram-se numa festa do corpo docente em 1984, na faculdade em que ambos lecionavam.

Outro rompimento de Mazzucchelli com a tradição é a falta de linearidade narrativa. O leitor não deve esperar começo, meio e fim bem ordenados, com o clímax de cada capítulo bem definido, como tende a ser comum no romance, por exemplo.

Asterios Polyp, no começo, não passa de um homem de meia-idade, com 50 anos feitos já nas primeiras páginas, entregue à auto-piedade e ao tédio. O que o leva à ação é um raio que causa incêndio em seu apartamento.

O protagonista se vê abandonado ao revés, sem saber aonde ir ou o que fazer. Nos romances, é de praxe revelar as ambições do herói e as tensões vão brotando no meio do caminho, prendendo a atenção do leitor que espera que o ciclo se feche e o objetivo seja alcançado.

Aqui não. As perguntas deixam de girar em torno do “Será que ele vai conseguir?” e passam a ser “Onde está Hana?”, “Por que o casamento não deu certo?”, “Por que ele é assim?”.

Influências

A obra inteira está permeada por ícones. Entretanto, isso não deve afastar leitor algum. Quem não entender as pistas entregues por tais ícones, certamente deve apreciar o frescor que é uma história em quadrinhos literalmente contada por linguagens verbal e não-verbal muito fortes.

Mas o que ali não está indicando claramente algo, está refletindo. As influências no enredo são perceptíveis: já no início aparecem Tweedle Dee e Tweedle Dum (irmãos gêmeos) e o tabuleiro de xadrez, representando Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho.

No mesmo quadro, o garoto Asterios aparece lendo um livro qualquer, enquanto que em sua mesa descansam O Príncipe e o Mendigo, de Mark Twain, e O Homem da Máscara de Ferro, de Alexandre Dumas. Ambas são histórias que falam de irmãos gêmeos. O curioso é que ele conta a Hana que só tomou conhecimento de Ignazio na adolescência.

Nesse aspecto, Mazzucchelli passa perto de O Homem Duplicado, de José Saramago e fala, ou grita, evocando Jorge Luís Borges com esse tema do encontro consigo mesmo num outro universo.

Ignazio e Asterios dividem uma história acabada prematuramente, mas dividem (num bom Realismo Fantástico à la Borges) se não a mesma consciência, ao menos as mesmas inquietações existenciais.

A questão da dualidade da natureza do homem é outro assunto central aqui. A referência a Harry Haller e O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse (o qual inclusive é citado) é clara. Haller também fazia 50 anos quando embarcou numa jornada de autodescoberta.

Provavelmente, assim como Hesse, Mazzucchelli quis evidenciar que até mesmo um homem tão inteligente e sagaz quanto Asterios Polyp possa cair nessa armadilha maniqueísta de enxergar tudo em dois polos: preto ou branco, positivo ou negativo, bom ou mau. O gêmeo bom e o gêmeo mau.

É aí que se concentra o fascínio dos leitores. Estes se veem refletidos no embate do bem contra o mal, de si contra si mesmo, do que realmente é contra o que deveria (ou poderia) ter sido. Sim, o leitor gosta de se ver refletido e sim, isso significa que todos são, em algum grau, literariamente narcisistas.

No meu caso, meus amigos viram meu reflexo em Asterios. Minha admiração por esse trabalho já é grande, como se pode notar pelo grande número de linhas, e só não foi maior porque anos antes havia passado pelo tratamento de choque de O Lobo da Estepe.

Continuo com meu lado sensível de apreciador de certas artes, mas com meu lado corrosivo e sarcástico. Só acabei arranjando um jeito, como Polyp e Haller, de adicionar luz, sombra e muitas outras dimensões.
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MENINA LY 06/05/2013

Belissimo
Quero dizer em primeiro lugar que a estoria não me agradou muito, mas os traços e o jogo de cores supera qualquer coisa que não tenha me agradado. Fiquei encantada com o jogo de cores ( conforme muda o humor,os sentimentos do protagonista e de todos os personagens as cores também alteravam de um quadrinho pro outro e até mesmo se misturavam). Traço perfeito, porém a estoria não me prendeu,talvez porque estava com uma expectativa muito alta em relação a este quadrinho. Mas recomendo mesmo assim (acho que a estoria não funcionou para mim, mas pode funcionar para você).
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Maraysa 23/01/2013

Polyp
Fantástico! Não vou dizer que ao término da leitura tudo ficou perfeitamente claro pra mim, teve uma passagem que me deixou com a pulga atrás da orelha, mas ainda assim, fiquei encantada com esta HQ!

As ilustrações, o jogo das cores, a técnica, tudo muito bem feito. E, claro, a estória em si é muito criativa e os personagens principais são bem cativantes (especialmente a Hana).
Recomendo fortemente!
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sueli 01/11/2012

Asterios Polyp de David Mazzucchelli
Sinopse
Ao lado de nomes como Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman, o artista David Mazzucchelli foi um dos grandes responsáveis pela revolução nos quadrinhos no fim da década de 1980. Seu trabalho em séries como Demolidor: O homem sem medo e Batman: Ano 1 até hoje é referência do que foi feito de melhor no campo dos super-heróis.
Depois de anos publicando apenas pequenas histórias autorais, Mazzucchelli voltou-se para esta que é a mais ambiciosa de suas histórias. Asterios Polyp é ao mesmo tempo um estudo sobre as possibilidades narrativas dos quadrinhos, um livro de design, estética, filosofia e, por que não, humor. Tudo isso sem sacrificar a trama, tão envolvente quanto os desenhos do autor. O Asterios do título é um arquiteto de cinquenta anos, cujo renome vem exclusivamente de seus trabalhos teóricos. Mulherengo, misógino e de uma arrogância quase inacreditável, ele vê seu passado se esfacelar após um incêndio que consome sua casa.


Este é um livro com 344 páginas, mas de fácil leitura. O colorido dele é bonito e suave. Gostei muito da história, tem uma escrita simples, clara, leve e de fácil compreensão.
O livro conta a história de Asterios Polyp. No dia de seu quinquagésimo aniversário, o professor tem sua casa destruída por um incêndio. Desnorteado e sem rumo, ele parte para um lugar distante na tentativa de recomeçar. Acaba tornando-se auxiliar de um mecânico, em uma pequena cidade. E lá começa a reconstruir sua vida, sua própria identidade e sua maneira de ver o mundo. Narra sua história de vida, seu passado, suas dúvidas, seus sonhos, crenças, desilusões, reflexões, sua tristeza, sua personalidade complicada, seus dissabores. No final quando parece que ele se encontra após vários reflexões e enfrentamentos... Ai o final, sempre inesperado...

Ótimo livro recomendo!
Viquinha 03/11/2012minha estante
Hmmm...estou gostando das suas escolhas de outubro. Pelo visto, mais um a constar na minha lista de desejos.




Zelenski 10/09/2012

Surpreendente e envolvente
De cara, o que chama a atenção em Asterios Polyp são os traços. No plural, pois são vários. Cada personagem tem o seu, assim como tem uma tipografia própria nas falas também, e que, muitas vezes acaba intereferindo no ambiente que se passa a cena. Os traços também são dinâmicos nas mudanças de tempo e espaços, presente e passado, sonho e realidade.

Tudo isso com uma trama envolvente, com personagens ótimos e únicos, que só fazem querer largar a HQ quando chegar ao fim (que, diga-se de passagem, é de arrepiar).
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