Último trem

Último trem Marco Simas




Resenhas - Último trem


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Karol 27/09/2011

Boa surpresa
Não sei se todos vocês sabem mas, de vez em quando, eu resenho alguns livros para o Subtítulo. Não é comum eu postar aqui resenhas de livros que recebo deles, tendo em vista que não são livros que eu compro e sim que vem das editoras para serem lidos pelo blog (aqui costumo resenhar apenas os que compro mesmo). Mas, esse mês, eu li um livro realmente incrível e acho que ele merece, também, um espacinho aqui no blog. Essa resenha é fresquinha, nem foi ao ar lá ainda, mas como são públicos diferentes, vou postar para vocês. Espero que gostem! =)



Poucos livros que li essa ano me emocionaram tanto quanto O Último Trem, de Marco Simas. Eu fico imaginando por que motivos o autor não está por aí escrevendo mais e ganhando rios de dinheiro porque ele é simplesmente um gênio da literatura nacional. Há muito tempo não lia um livro tupiniquim que mexesse tanto comigo e me deixasse tão contente e esperançosa: entre tantas tentativas, aqui no Brasil, de se escrever gêneros populares como fantasia e chick-lits, foi exatamente um livro despretensioso, com um protagonista idoso e falando de cinema que conquistou meu coração. Chega a ser irônico.

O Último Trem nos conta a história de dois personagens extremamente diferentes e, ao mesmo tempo, bastante parecidos: Miguel, um cinéfilo de 65 anos, projetista, que dedicou toda a sua vida ao Cine Vera Cruz e a levar a magia do cinema a todas as pessoas que soubessem apreciá-la. E Angelina, adolescente de uns 16 anos, atriz, que foge de casa (e de um mundo que lhe oferecia apenas abusos e violência) atrás de seus sonhos, que nem ela mesma sabe ainda quais são. A história se passa no início da década de 90, época em que o governo Collor praticava abusos contra a população e o Brasil enfrentava uma grave crise econômica. Com a crise, o Cine Vera Cruz, cinema em que Miguel morava e trabalhava, é fechado para dar lugar a uma grande Igreja Evangélica. Miguel, sem rumo e pego de surpresa, vai morar em uma pensão para idosos, sem perspectiva nenhuma para o futuro.

No outro vértice da história, Angelina resolve fugir de casa após uma tentativa de estupro praticada por seu padrasto e, seduzida pela aventura (e por um Don Juan da vida), vai embora, levando apenas sua mochila e seus sonhos. Em algum ponto da história Miguel e Angelina se encontrarão e o amor que ambos tem pela arte os levará a um vilarejo no interior do país, onde as pessoas jamais viram um cinema, ou mesmo sabem o que significa isso. Para Miguel, uma oportunidade de levar a diversão às pessoas, de fazer algo pelo mundo, de deixá-lo mais feliz. Para Angelina uma fuga, uma nova aventura e, principalmente, uma oportunidade de compartilhar de todo o conhecimento que Miguel tem a oferecer.

A narrativa é simples mas recheada de referências a gênios do cinema, estrangeiros e brasileiros. As falas de Miguel muitas vezes são permeadas por textos retirados de clássicos cinematográficos e são de uma sabedoria ímpar, que fez meus olhos brilharem ao reconhecer alguns (não muitos, admito). Angelina e Miguel se completam de uma maneira linda, como um pai e uma filha que se reencontram após muitos anos e se sentem bem apenas em sentir um a presença do outro. Ambos tem o mesmo fulgor, a mesma vontade de mudar o mundo de maneira simples, apenas fazendo as pessoas felizes, apenas com entretenimento.

O Último Trem foi um livro que eu simplesmente amei ler. Sabem aquele sentimento bom ao terminar cada capítulo? Não é um frenesi como o de livros de aventura e sim uma vontade de curtir devagar, de saborear a história, viajar nela, acompanhar cada detalhe. Há livros que dão um prazer muito grande ao serem lidos e O Último Trem, com certeza, é um destes.

Um ponto a ser destacado e exaltado é a presença do Cinema na obra, o Cinema em seu sentido geral. Dá pra sentir na leitura a paixão que Marco Simas tem pelos filmes a ponto de querer, ao terminar o livro, buscar e assistir todas as cenas que Miguel exalta na sua caminhada. É um grande mérito do autor conseguir juntar duas artes que, às vezes, se distanciam tanto e, em outras, se complementam, mas quase sempre nas telonas e pouquíssimas vezes nas páginas de um livro. Outro ponto que gostaria de destacar é o magnífico trabalho realizado pela editora Vieira & Lent Casa. Eu não encontrei um erro de digitação/gramática/ortografia sequer no livro. A revisão é ótima, o espaçamento perfeito, a capa, o interior, tudo lindo. É o primeiro livro nacional que leio no ano sem erros e isso demonstra a seriedade da editora e, principalmente, o respeito que possui pelo trabalho de seus autores. Não são todas assim, posso garantir.

Por fim, concluo recomendando muito a leitura de O Último Trem. Para qualquer pessoa, quer goste ou não de cinema. O livro é maravilhoso, delicioso de ser lido. Deveria, com certeza, figurar na lista dos mais vendidos, pois traz lições incríveis e personagens marcantes. Pena não ser o que o leitor brasileiro procura – ou está preparado para encarar.

Nota: 5/5
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