A Peste das Batatas

A Peste das Batatas Paulo Sousa




Resenhas -


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Gabriel A. 27/04/2021

A Peste das Batatas é uma ficção científica e sátira político-social, onde uma peste assola as plantações de batata do país inteiro fazendo com que o país quebre economicamente.

É interessante dizer que essa história se passa no período pré-eleitoral de 2018. Então, apesar do bom humor usado na escrita, o autor aborda temas sérios e delicados, mas completamente necessários, e que estão em pauta no momento.
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Andréa Bistafa 28/06/2020

“Assim como no Brasil, Omar virou bruscamente à direita, (...)”
A PESTE DAS BATATAS nos traz uma sátira político-social no nosso Brasil contemporâneo. Nessa obra revivemos o período pré-eleitoral de 2018, que na verdade é apenas um plano de fundo para uma peste que assola as plantações de batata e consequentemente, a economia.
No Vale da Batata, Omar Salgado leva sua vida simples, legado de seu pai, plantando batatas e vivendo o aperto financeiro entre uma safra e outra. Omar espera por um empréstimo do banco direcionado para pequenos agricultores, um empréstimo burocrático que custa vir. Como a vida do trabalhador simples sempre pode piorar, uma peste quase sobrenatural invade sua plantação, e Omar começa a notar diferença no peso das sacas, até que essa se torne gritante e em meio aos colegas de plantio, percebam que as batatas simplesmente somem, deixando em seu lugar sal puro.
O Vale entra em desespero, já que a maior fonte de renda está literalmente esfarelando, e logo o impacto causado na produção torna-se interesse público e político. Então é aqui que entra Jameson, um prestigiado pesquisador, especialista em tubérculos
“(...)rumo a Brasília, neste país lugar melhor não há”.
Aqui nós temos uma mudança de narrativa, parece estranha até você notar que é totalmente proposital por parte do autor. Mesclando o formal e a oralidade, que torna agradável a leitura, nos capítulos de Omar as palavras escolhidas são coloquiais, carregadas de gírias, enquanto nas escolhidas para Jameson são em grande parte cultas, carregadas de termos científicos; sem esquecer do machismo e do racismo que emprega ora aqui, ora ali. Jameson traz a primeira pessoa na narrativa que anteriormente pertencia a terceira, deixando Omar numa posição “inferior”, logo que sua vida é narrada por alguém que diferente de Jameson, narra suas próprias peripécias, tentando apresentar-se a nós como o culto herói educado, aliado à ciência, que salvará com certeza a nação da extinção das batatas. Porém, ao longo da trama, entre ambição, meritocracia e desonestidade (muito presentes no cotidiano da maioria dos brasileiros), Jameson figura mais como anti-herói ou aproveitador do que salvador da pátria.
Todos os personagens possuem seus delitos, pequenos ou grandes, assim como atitudes politicamente incorretas. Ninguém está a salvo, claro que há diferença entre o quanto cada uma delas afeta ao próximo e a sociedade em si.
O autor capricha nas informações técnicas, na descrição dos ambientes e nos fatos históricos, puxando o leitor para paralelos e reflexões durante toda a leitura.
Não posso falar dessa obra sem citar as referências que o autor buscou para seus personagens, em tons críticos e humor ácido. Algumas referências são indissociáveis como o famoso "sê-lo-ia" do presidente José Vlad da Silva e sua preocupação com a opinião pública.
“‘Quase um vampiro’, brincou Mara, e o presidente sorriu moderadamente.”
O final chuta o pau da barraca - ou da batata - com um presidente mostrando suas “presas” autoritárias e o impulso do trabalhador - que fora prejudicado do início ao fim - de cortar o mal pela raiz.
Estaria Paulo Sousa prevendo nosso atual cenário?


site: http://www.fundofalso.com/2020/06/resenha-peste-das-batatas-paulo-souza.html
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douglaseralldo 23/12/2019

10 CONSIDERAÇÕES SOBRE A PESTE DAS BATATAS, DE PAULO SOUSA O BATATINHA QUANDO NASCE SE ESPARRAMA PELO CHÃO
1 - Tomando a rota da sátira e do escracho, A Peste das Batatas procura ler a recente política nacional com um misto de humor e desilusão desencantada mergulhando com dois pés no insólito, retornando desse modo a uma tática comum por aqui em tempos estranhos e autoritários. Todavia, ao cabo, talvez fique certa impressão no leitor que o bizarrismo da ficção proposta fique uma pouco aquém do bizarrismo real que impregnou a polarizada política brasileira. Para tanto, temos de observar de perto essa interessante publicação;

2 - No romance somos levados ao Vale das Batatas e à trama envolvendo o agricultor Omar Salgado e um cientista, Dr. Jameson que terão de lidar com o misterioso acontecimento, a transformação de todas as batatas em sal. Tal acontecimento serve para demonstrar a forma dos políticos agirem diante o inusitado problema, isso tudo envoltos sob pano de fundo de mudanças políticas traumáticas e escândalos de corrupção;

3 - E aqui temos já um elemento a ser discutido. O livro é assumidamente uma sátira política que parte de simulacros reconhecíveis de notórias personalidades do poder nacional. Um deles marcado pelos dir-se-ias e eleger-me-eis que não deixará dúvida sobre quem se trata. Mas a questão que se pretende tratar é da obra enquanto reflexo da baixa popularidade dos políticos no Brasil, pois que o livro é uma metralhadora giratória contra a classe política. É o segundo lançamento recente que lemos aqui no blog que segue uma lógica semelhante cuja desesperança maior está em tratar o universo político de forma generalizada, e que também ao fecho procura por soluções radicais em sua desforra contra aqueles que já parece ter se tornado consenso serem os "vilões" desta nação;


site: http://www.listasliterarias.com/2019/12/10-consideracoes-sobre-peste-das.html
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