Ironweed

Ironweed William Kennedy




Resenhas - Ironweed


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Renata 26/05/2015

Entrando no ciclo de Albany
Ironweed foi um daqueles livros comprados sem muita referência, ficou na estante por muito tempo, quando vi o anúncio no telecine do filme Ironweed com Jack Nicholson, Meryl Streep e direção de Hector Babenco. Bom, se eu quisesse ver o filme precisaria antes ler o livro, enfim chegara a hora.

Apesar de ter comprado o livro avulso logo descobri que ele faz parte de um ciclo enorme, o “ciclo de Albany”, cidade natal de William Kennedy (1928). Pelo que entendi, pelo menos em ‘Ironweed’ (que lhe rendeu o Pulitzer) e no ‘O grande jogo de Billy Phelan’ as histórias giram em torno dos personagens de uma mesma família, os Phelan.
Em Ironweed acompanhamos a derrocada do pai da família, Francis Phelan, que em seu auge foi um reconhecido jogador de Baseball, teve casa, família e segurança, contudo, quando o leitor o conhece neste livro isso tudo já é passado. Francis é um Vagabundo e sobrevive em meio a Vagabundos, o que aqui ganha um status de Devir, conceito que imputa divisas inapeláveis ao sujeito.

A insígnia de Vagabundo está intimamente relacionada com o contexto social do período, o início da década de 1930, caos econômico, falta de emprego, desalento em massa que eclodiria com a crise de 1929 e perduraria por vários anos.

Francis passa anos de sua vida em fuga após acontecimentos que determinaram sua perspectiva, seu entendimento sobre si mesmo, sobre o tipo de ser humano que era ou poderia ser. Acompanhamos aqui o momento em que Francis se permite purgar toda sua história, pensar, sentir e reencontrar seu passado, momento em que tem que lidar literalmente com seus fantasmas.

Quanto à leitura dos livros do ciclo de Albany, foi dito por William Kennedy, em entrevista à Folha, que não há obrigatoriedade na ordem, mas sugere ler antes no ‘O grande jogo de Billy Phelan’ e depois Ironweed.

Trechinho de Kennedy dissertando sobre Beijos:

"(...) ele percebeu que um beijo era tão representativo de um modo de vida quanto um sorriso, ou as linhas da mão. Os beijos podem subir lá de baixo, ou vir do alto. Às vezes eles vêm do cérebro, às vezes do coração e às vezes direto do baixo-ventre. Os beijos que arrefecem depois de algum tempo vêm apenas do coração, e deixam um laivo de doçura. Os beijos que vêm do cérebro tendem a uma intensa atuação dentro da boca da outra pessoa, e mal produzem algum efeito. E os beijos que vêm do baixo-ventre e do cérebro juntos, talvez com um pouco de coração, (...) são os beijos capazes de fazer um homem perder a cabeça pelo resto da vida."


Site da entrevista: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2010/02/693611-serie-de-william-kennedy-ambientada-em-albany-e-relancada-no-brasil.shtml
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