A máquina de fazer espanhóis

A máquina de fazer espanhóis Valter Hugo Mãe




Resenhas - A Máquina de Fazer Espanhóis


80 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6


Dani.Giardin 02/07/2020

Opinião dividida
Comecei gostando, depois desgostei e gostei várias vezes durante a leitura. Nao sou fã da forma como que ele escreve, querendo ou não, lembrando muito Saramago. Ler O português de Portugal também me cansou. O ponto positivo é que existem várias frases bonitas e poéticas no livro além de reflexões inteligentes.
comentários(0)comente



Val Alves 30/06/2020

"(...) porque somos pequenos, apenas um grão de areia no cosmos infinito e desmobilizamos sem forças físicas nem mentais, o compromisso, pensei eu a vida inteira, é algo restrito e que se tabela pela mais premente sobrevivência, casar, amar, comer, ter filhos, viver para sempre, não morrer, nunca morrer, nem deixar ninguém morrer, ninguém do núcleo fundamental, claro está. não deixar nunca que isso aconteça, de outro modo, tudo se desmorona e a luta foi um fracasso."
comentários(0)comente



Matheus Gonçalves 29/06/2020

Memórias, velhice e solidão
Com a precisão de costume de Valter Hugo Mãe, a história simples é escrita de forma a fazer viajar o leitor pela solidão humana e o peso das memórias. Nunca somos os mesmos ao terminar um livro desses.
comentários(0)comente



Cathy 20/05/2020

Enervante
Que livro irritante! Não tenho outras palavras, a não ser negativas, para descrever essa obra. A ausência de maiusculas e de paragrafação poderiam ser superadas se o enredo tivesse um bom desenrolar. A história deixa várias pontas abertas importantes e os personagens são ralos, com pouca construção. Uma decepção de uma leitora que amou o Filho de Mil Homens.
comentários(0)comente



Vanessa.Benko 17/05/2020

Carne e osso e uma tremenda vontade de complicar as coisas
Um livro que te coloca numa realidade única e sincera: velhice e consequências da solidão. Com certeza é uma leitura que agrega demais, apesar de achar cansativa - daquelas que não flui muito. Eu acredito que esse único ponto negativo se deve, no meu caso, pela forma de escrita: visualmente me cansou pela estética de não possuir letras maiúsculas e sem a pontuação que estamos acostumados para diálogos. Isso torna a leitura confusa e pesada.
Mas nada disso tirou o brilho que foi me transportar para a consciência de um idoso, misturando passado e presente, já sem se preocupar com o futuro. Um choque de realidade.
Fiquei encantada com o sentimento sincero de amor. Assustada com os delírios e seus significados. Alegre com as ironias e piadas. Triste com as dores das perdas. Impactada com as decisões repentinas. Reconfortada com a ideia de que não importa a idade, se formos nós mesmos podemos conquistar amigos leais em qualquer situação.
O personagem vai do presente ao passado em 3 segundos de memória - é aí que percebemos como nossa mente pode ser confusa e ao mesmo tempo que não é errado mudar de ideia. Erros do passado já não são mais erros. A consciência pode nos julgar, mas também pode nos libertar.
Por diversas vezes me peguei com um sorriso bobo estampado no rosto a medida que ia lendo. Aprendi que não há limite de idade para ser feliz, mesmo que você tenha que resignificar o conceito de felicidade.
comentários(0)comente



César 16/05/2020

Hugo Mãe é o autor das reflexões minimalistas. Através de sua escrita conceitos como abandono, covardia, e desalento ganham nuances e graus desconhecidos. O autor conduz tais sensações perfilando um protótipo de quem seria este homem português, que se assemelha tanto ao homem brasileiro, e que sofre perante o peso das escolhas. Um modelo de homem que é forçado a ser indigno por que suas opções são polarizadas e cada uma conduz a um sofrimento e a um arrependimento. Fala sobre este indivíduo que almeja tanto e se contenta com tão pouco, com o que é reservado aos homens medianos mas que, no fim das contas, é tão bastante em si mesmo.
comentários(0)comente



Camila 29/04/2020

é sobre família ("unida sem parecenças no sangue, apenas no destino de distribuirmos a solidão uns pelos outros"). é sobre amor (romântico, paternal, fraternal, e quantos mais existam). é sobre fé (ou a falta dela). é sobre metafísica (ou a falta dela). é sobre envelhecer e morrer e nascer, nessa ordem. é sobre ditadura. é sobre fascismo (dos bons e dos maus homens). é sobre angústia. mas acima de tudo ou apesar de tudo, é sobre saudade.
comentários(0)comente



Denise 29/04/2020

Genial
Só mesmo a habilidade literária e o excesso de metafísica de Valter Hugo Mãe para nos fazer refletir sobre os impactos do fascismo, da identidade de um povo, da amizade, do amor, da dureza que nos impõe a vida, a própria vida e seu fim, em um cenário caótico de um asilo localizado entre um parque infantil e um cemitério.
Que força têm suas palavras!
(E que delícia foi ler o diálogo com um Fernando Pessoa revivido, reforçado e questionado nesta prosa.)
comentários(0)comente



Bruna 02/04/2020

A primeira leitura de Valter Hugo, sem dúvidas uma feliz escolha.

O livro conta a história de Antônio que ao ficar viuvo, é colocado em um asilo, em meio a senilidade, lembranças e adaptação, temos uma narrativa nostálgica.

Antônio vai revivendo através da memória fatos de sua vida com sua esposa, seu trabalho de barbeiro, reflexão sobre religião, morte, e o período da ditadura.

Mais um Silva, assim como vários de seus colegas do asilo, seus apelidos para destinguir os Silvas, o humor dos personagens, e brincadeiras, confere ao livro uma leveza, a esse que é um tema tão delicado.

Antônio sente-se abandonado pelos filhos, os moradores que morrem provoca uma reflexão, e uma certeza que o cessar das luzes não demora chegar para todos daquele lugar.
comentários(0)comente



Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

A máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe – Nota 10/10 🔝🔝🔝
Arrisco dizer que esse é um dos meus livros favoritos! A escrita de Valter Hugo Mãe é sempre brilhante, extremamente poética, como se cada palavra tivesse sido pensada e repensada antes de ser incluída no texto. Nessa obra, o autor aborda de forma muito sensível – e com certo toque de humor – a velhice do ser humano. Tamanha é a profundidade com que a narrativa é construída, que o leitor se sente como se estivesse “dentro” da cabeça do protagonista, partilhando com ele a solidão, os anseios, a impaciência e as angústias trazidas pelo acúmulo dos anos. Um verdadeiro ensaio sobre a velhice! Leiam!

site: https://www.instagram.com/book.ster
comentários(0)comente



gabrielbreno 19/02/2020

Vale a leitura
O livro em si é muito tocante, embora eu tenha achado em determinados momentos a leitura um pouco arrastada. De todo modo o autor demonstra que tem uma sensibilidade muito bonita, principalmente no inicío do livro, quando o protagonista sofre uma grande perda.
comentários(0)comente



Lara Moreira 06/01/2020

este resto de companhia
Valter Hugo Mãe tem uma singularidade em sua escrita poética: a ausência de letras maiúsculas. Além disso, ele entrelaça uma carga sentimental gigante em seus trechos, com uma oscilação de frases diretas, com descrições de aquecer o coração. “Laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias”. Conhecemos o Senhor Silva nesse livro, um idoso que sofre a perda de sua companheira de 48 anos de casamento, e levado pela família, vai conviver em um instituto de longa permanência “Feliz Idade”. Um trocadilho com “felicidade”, mas que destaca a realidade dos asilos: falta de estrutura, poucos materiais de higiene e a sombra do sentimento de abandono, o qual corrói como uma ferida que nunca se cicatriza. Esse tema me fez vivência de perto essa angústia e essa sensação de “o que fazer da vida agora?”, tanto lemos nos olhos desses idosos. Infelizmente, a sociedade não sabe envelhecer, não cuida de seus idosos e, paralelamente, não cuida de si mesmo, pois a idade chega para todos, independente de classe social. Esse livro evidencia esse desfecho: em como a sociedade tem preconceito com o idoso, já que, sempre associada a doenças e a pouca mobilidade, a terceira idade é uma fase pela qual o indivíduo não dialoga e negligência, como se afastar fosse o tornar imune. O livro detalha a chegada de Sr. Silva no lar, bem como a suas percepção e diálogos da rotina dos 92 idosos ao percorrerem essa página da vida alheios a suas famílias e convivendo com os cuidadores até suas partidas. Meu trecho favorito e que vou ressignificar MUITO ainda: “precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. Este resto de vida. E eu que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas da contingência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. Eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade.”
comentários(0)comente



Rai @atequeolivronosrepare 24/11/2019

📚 "A máquina de fazer espanhóis", por Valter Hugo Mãe.
📚 287 páginas. Editora Objectiva.
🇵🇹 Literatura portuguesa. 2010.
🌡 Nota: 4/5
.
.
💭 [Minhas considerações]:

Foi meu primeiro contato com a obra de Valter Hugo Mãe. Por apreço a um dos temas principais, a velhice, escolhi ler esse livro pouco tempo depois de reler "Leite derramado", do Chico Buarque e "Fim", da Fernanda Torres. Nesse livro, é narrada a percepção do Senhor Silva (esse nosso sobrenome onipresente em terras portuguesas e brasileiras) a partir da morte de sua esposa, companheira há 48 anos, e de sua internação no asilo "Feliz idade".
Entramos aí nos significantes do personagem: feliz idade. Felicidade. Um certo abandono, fraldas geriátricas, quartos com a janela para o cemitério. É felicidade isso que damos nome enquanto esperamos a morte?
Entretanto, é preciso considerar: não é "só" sobre o período imediatamente anterior à morte. A velhice e o envelhecer trazem marcas, episódios de crítica lúcida e um tanto de metafísica (leiam também o texto "Tabacaria", do Fernando Pessoa).

Para além do processo biopsicossocial do envelhecimento, são tratados também temas pertinentes como a ditadura e o fascismo. É preciso ler para experenciar. Não cabe em uma resenha. Certamente lerei mais vezes.
.
.
📚 "um problema com o ser-se velho é o de julgarem que ainda devemos aprender coisas quando, na verdade, estamos a desaprendê-las, e faz todo o sentido que assim seja para que nos afundemos inconscientemente na iminência do desaparecimento, a inconsciência apaga as dores, claro, apaga as alegrias, mas já não são muitas as alegrias e no resultado da conta é bem visto que a cabeça dos velhos se destitua de razão para que, tão de frente à morte, não entremos em pânico (...)"

site: https://www.instagram.com/p/B5Q2QhhJ0vp/?igshid=1eoxvma0u50ph
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Nathalie.Murcia 09/08/2019

Espetacular
Difícil expressar em palavras a profundidade e a beleza triste dessa história, perpassada numa casa de repouso, após o protagonista, Silva, ser deixado no "Lar Da Feliz Idade", em meio à própria solidão, mas acompanhado de outros 92 idosos em condições análogas. Silva, que acabara de sofrer a perda da esposa Laura, com a qual foi casado durante 48 anos, enfrenta essa nova realidade, de uma maneira angustiada e sem perspectivas, apenas aguardando a derradeira hora. Contudo, ao longo das páginas, Silva, cuja existência já estava com a contagem regressiva acelerada, apesar da fastio das horas na sua "residência", descobre o valor da amizade, sentimento esse que ele nunca havia encontrado na juventude, em decorrência do estado de alerta e desconfiança herdado do regime salazarista. A narrativa se alterna entre as reminiscências de vida do protagonista, e de alguns dos utentes do lar. Não obstante a densidade e a tristeza do tema, eis que sentimos na pele as agruras e as limitações físicas da terceira idade, o livro tem seus momentos felizes, extraídos de pequenos acontecimentos inusitados ocorridos no lar, entre eles, uma história de amor.

O livro foi escrito com muita sensibilidade, e merece uma releitura. Foi uma das obras que mais me marcou, não só pela história, mas por motivos que a transcenderam. Não pude deixar de pensar na história dos meus avós que já se foram, embora nenhum deles tenha estado, em vida, em uma casa de repouso.

Mais resenhas no meu Instagram.

site: http://.instagram.com/nathaliemurcia/?hl=pt-br
comentários(0)comente



80 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6