A máquina de fazer espanhóis

A máquina de fazer espanhóis Valter Hugo Mãe
Valter Hugo Mãe




Resenhas - A Máquina de Fazer Espanhóis


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Camila(Aetria) 31/03/2016

a máquina de fazer espanhóis
antes de começar, não vai haver nenhuma maiúscula nesse post. por quê? bem, porque elas não são necessárias para alguém que acabou de sentir a dor de pensar de perder a própria metafísica num nível muito profundo. e também porque o senhor silva não as usa durante toooodo o livro. então, vou honrá-lo com essa genialidade que valter hugo mãe teve.

(aliás, é bem difícil escrever sem maiúsculas, o dedo vai direto no shift instintivamente logo depois dos pontos finais digitados e dos nomes)

me indicaram que lesse algo do valter hugo mãe (gracias, lauren!), aí aproveitando esse ensejo da cosac naify fechando (por quêeeeeeeeee????) e umas promoções loucas da amazon que foram aparecendo pros livros da editora e um certo desespero consumista pelos livros maravilhosos, acabei pegando o a máquina de fazer espanhóis e o filho de mil homens.

comecei pelo a máquina de fazer espanhóis pelo título. fiquei curiosa em saber do que se tratava, embora não seja o tipo de livro que eu vá atrás ou leia geralmente. camila aqui corre nas ficções e fantasias, a realidade é real demais pra ela geralmente. mas, porém, contudo, todavia, comecei.

"o ser humano é só carne e osso e uma tremenda vontade de complicar as coisas."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 83

o livro fala sobre o senhor silva, aliás, quem fala é o senhor silva. sem nenhuma maiúscula, sem nenhum interesse por esse resto de existência que chamam vida depois de perder sua esposa.

"não a posso deixar aqui sozinha. não estaria sozinha. estaria sozinha de mim, que é a solidão que me interessa e a de que tenho medo."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 14

ele sofre. e você sofre junto. nem conhecemos direito o senhor silva ainda, mas a sinceridade com que descreve seus sentimentos dói. e sofremos com ele. vemos sua rabugentice, suas casmurrices, dia após dia. ele é internado no asilo por sua filha, e vemos todas essas mágoas de quem envelhece, de quem ainda queria continuar com suas independências, seu isolamento por tanta experiência que tivera.

"achei que aquele silva era um imbecil dos grandes e que me estava a empatar as energias com retóricas a chegar a um ponto em que a irritação me fazia agir contra a vontade de estar quieto."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 13

tem vários personagens que vão marcando a gente. por vezes que esquecia os nomes, não lembrava quem era quem, senhor pereira? senhor cristiano? anísio? américo? a dona leopoldina locona? mas pouco a pouco a gente vai acostumando com os nomes, vendo todas as camadas de personalidade que cada um tem, suas manias, suas grosserias, suas falhas.

"o américo não é habilitado por escola nenhuma senão pela do coração. estudou pela amizade e compaixão os modos de acudir aos outros. faz no lar o que fazem os enfermeiros também, mas com um acréscimo de entrega que não se exigiria."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 29

não se tem pudores quando é a pessoa falando. ela fala tudo de forma honesta. coisas que às vezes pensamos, sentimos, mas ficamos com vergonha de falar porque não é certo pensar, falar, sentir. o senhor silva tem defeitos, faz coisas que chocam quando a gente lê... mas... mas é dele. eu fui aceitando o silva, aceitando o que foi fazendo. me abrindo a compreender quem era aquele senhor casmurro que foi se abrindo aos poucos.

"e eu, que estava calado numa tristeza profunda, só então falei para dizer, o doutor sabe que aquele homem é alguns dos melhores versos do fernando pessoa. aquele homem é a nossa poesia problematizada. a longevidade dele foi uma demorada marcha contra a derrota."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 143

o senhor silva vai aprendendo a aceitar a vida sem laura, a vida trancafiado, a vida que ele não queria. e eu fui aprendendo a aceitar o senhor silva.

"() muito do que não existe é do mais importante da vida, não despreze nada, senhor silva, agarre-se a uma fantasia se for boa, que a realidade é benfeita desses momentos mais espertos de lhe fugirmos de vez em quando."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 181

aliás, que difícil a escrita de alguém que não quer vida! essa falta de maiúsculas, a falta de indicadores de diálogo. eu demorei bastante pra não me perder no caos do desinteresse do silva por explicar quem fala o quê, quando fala, quando é pensamento dele mesmo ou se ele está falando pra alguém. é um caos. um caos do desinteresse. uma sopa louca de letras e aprendizado (até porque o livro tem muita coisa de portugal, dos portugueses, da ditadura do salazar, desse contraponto com a espanha, que me demandaria muito mais noção das culturas desses dois países que infelizmente não tenho. é uma aula de história e nacionalismo português que seria ainda mais rica se eu soubesse mais).

"somos um país de cidadãos não praticantes. ainda somos um país de gente que se abstém. como os que dizem que são católicos mas não fazem nada do que um católico tem para fazer, não comungam, não rezam e não param de pecar."

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe, p. 154

eu fui desidratando aos poucos. aprendendo sobre um ponto de vista que não tenho. seja porque estou ainda na casa dos vinte, seja porque não convivi tanto assim com quem passa por isso. não sei. foi um livro que me tocou de uma forma bem dolorida. valter hugo mãe escreve de uma forma magnificamente sincera e aberta. aberta até demais.

estranhamente eu demorei muito pra ler. esse livro não é um livro pra ler rápido, naquelas sentadas boas numa tarde. não. tinham dias que eu pegava o livro e só conseguia ler um capítulo, por vezes, meras 5 páginas. foi estranho. mas tinha sentido. foi um livro que em cinco páginas me saturava tanto que eu não consegui avançar. precisava parar, viver um pouquinho, ver uns memes ou coisa outra, e voltar.

"depois confessei-lhe, precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia. este resto de vida, américo, que eu julguei já ser um excesso, uma aberração, deu-me estes amigos. e eu, que nunca percebi a amizade, nunca esperei nada da solidariedade, apenas da contingência da coabitação, um certo ir obedecendo, ser carneiro. eu precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de amizade."

a máquina de fazer espanhóis, Valter Hugo Mãe, p. 237

portugal, essa máquina de fazer espanhóis não é algo que eu conheça, além do clichê que passamos. a distância linguística é maior do que parece também. a cultural então, nem se fale. mas essa linguagem da velhice, da vida, da amizade e da casmurrice e aprendizado... essas aprendi com o senhor silva por meio de uma empatia maravilhosa.

site: http://www.castelodecartas.com.br/index.php/2016/03/31/maquina-espanhois-ogs-127/
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Rúbia 07/10/2014

O sensacional Valter Hugo Mãe
Eu vi muita gente desse universo de blogs indicando fortemente a leitura de Valter Hugo Mãe e quando a Cosac entrou na sua promoção de aniversário, foi o primeiro título que eu quis comprar: A máquina de fazer espanhóis. E tenho um único arrependimento: o de não ter comprado todos os outros livros do autor!
O início da leitura pode ser estranho para alguns pela forma como VHM escreve: apenas com letras minúsculas, em diálogos separados apenas por pontos finais, lembrando um pouco Saramago (com seus parágrafos intermináveis e pontuação não convencional).
Mas esse pequeno detalhe é superado já nas primeiras páginas, quando nos deparamos com a sua prosa que é pura poesia e que te deixa de boca aberta a cada nova conclusão.
Em resumo o livro traz a história do Silva, um senhor de 84 anos que perde sua esposa ( e sim, mesmo nessa idade, ele era um homem muito apaixonado) e é internado pelos filhos em um asilo chamado Feliz Idade.
Silva é um português que viveu em um período ditatorial, seguindo à risca a ordens do partido mesmo que essas fossem contrárias ao seu pensamento. Viveu para sua família e não teve muitas amizades.
Em seu novo lar, Silva vai descobrir o poder da amizade e caminhos muito além do que imaginava que poderia trilhar para si.
De uma forma muito nua e crua, com extrema sinceridade e com uma beleza ímpar ao usar as palavras, ao longo dos capítulos o autor vai nos falar de dor, de perda, da velhice, da morte e de novas possibilidades para vida.
É um livro forte, que aborda temas profundos e muito, muito, muito bonito. Leitura recomendadíssima.
Destaque também para edição da Cosac Naify que é maravilhosa!

site: http://meumundodeleituras.blogspot.com.br/
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ENAVARRO 28/09/2012

A Máquina de Fazer Espanhóis
José Saramago avisou e sou obrigado a concordar, Valter Hugo Mãe é muito bom mesmo. Neste livro o autor retrata a velhice de uma forma crua e verdadeira. O amor, a solidão, a mágoa, amizade, angustia, dúvida, fantasia, arrependimento, está tudo lá... Excelente.
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Jeni 07/03/2017

A primeira coisa linda a ser citada sobre esse livro, mais especificamente nessa edição, é o prefácio do Caetano Veloso presente nela. O artista faz um crítica enfática ao golpe político ocorrido no país, no meio de tanto lirismo ao falar sobre a obra de Valter Hugo Mãe.
A narrativa conta a história de um senhor idoso que acaba de perder sua querida esposa e por conta disso sua família o leva para residir num asilo. A revolta do senhor Silva, como é chamado no livro, é grande. Não apenas pelas condições em que se encontra ao residir em um lugar desconhecido com pessoas também desconhecidas, mas principalmente pela morte de sua esposa. O vazio existencial é presente na vida dele e a narrativa se torna densa por conta de suas introspecções e pensamentos quanto à morte, à vida, ao seu passado e ao seu presente.
Eu presenciei, a partir de minha leitura pessoal, uma visão extremamente pessimista da personagem do senhor Antônio Jorge da Silva. Mas ao mesmo tempo me identifiquei muito com aquilo que ele narrava. Foi uma leitura contraditória, pois foi como encontrar o pior de mim naqueles pensamentos de um senhor de 84 anos, completamente desesperançado de viver momentos realmente felizes na condição que estava. A identificação foi um choque por eu não ter ideia do quanto meus pensamentos sobre o futuro são temerosos e tristes.
A escrita de Valter Hugo Mãe é primorosa. Novamente sua linguagem intimista e poética nos instiga na narrativa. Não é à toa todos os elogios de Caetano Veloso em seu brilhante prefácio. A edição novamente também está maravilhosa.

site: https://monautrecote.blogspot.com.br/2017/03/resenha-maquina-de-fazer-espanhois.html
Lauz 04/08/2017minha estante
Você escreveu a sinopse de Filho de Mil Homens na resenha de Máquina de Fazer Espanhóis.


Jeni 10/08/2017minha estante
Não, querida. Leia atentamente o texto >


Lauz 10/08/2017minha estante
A máquina de fazer espanhóis se passa em um asilo e o nome do personagem principal é Antônio Jorge da Silva, vulgo senhor silva, não Crisóstomo. Esse que você descreveu é o filho de mil homens.




Samuel (Barba) 19/10/2014

Frases
Essas duas frases são suficientes:
'o amor é uma estupidez intermitente mas universal".
'deus é uma cobiça que temos dentro de nós'.
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Gabi SN 15/07/2012

um silva qualquer num mundo sem metafísica
Algumas pessoas tem a ideia errada de que literatura serve para divertir. Pode ser que alguns tipos de livro tenham mesmo essa função, mas isso não é literatura: isso é entretenimento. A literatura de verdade serve para (como tudo que pode ser chamado de “arte”) transformar em algo percebível pelos sentidos aquilo que não tem forma, cor ou cheiro e vive dentro do universo interior de cada um. Às vezes isso pode ser divertido mas, em outras, pode ser depressivo e te atingir como um soco no estômago.

E fui atingida várias vezes em todas as partes do corpo enquanto lia a máquina de fazer espanhóis, do valter hugo mãe. Confesso que demorei para terminar de ler o livro simplesmente porque era, muitas vezes, pesado demais para determinados momentos.

A reflexão sobre a morte do começo foi o primeiro (de muitos) momento do romance que me fez chorar. E aí eu entendi o porquê do autor ter escolhido abolir as maiúsculas de seu texto (deste em especial, porque só agora comecei a ler outros livros do hugo mãe): num mundo onde você perde quem não se pode perder, não existem espaços para grandezas, nem mesmo nas letras. Uma escolha estética, assim como toda a linguagem do livro, que casa perfeitamente com tudo o que está sendo relatado na obra. E são muitos os temas: a “feliz idade” do silva é comparada com a história de portugal, desde o salazarismo, a miséria, até o complexo de inferioridade que faz com que o país seja mesmo uma máquina de produzir estrangeiros.

Questionador, pesado, depressivo, triste, doce, sincero, grosseiro e direto na minha cara. A obra do valter hugo mãe me proporcionou uma experiência completa durante todas as semanas em que lutei contra ela (que se mostrou mesmo um desafio) e eu não trocaria isso por diversão alguma.

(Texto completo: http://aestanteladecasa.wordpress.com/2012/06/12/um-silva-qualquer-num-mundo-sem-metafisica/ )
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Inês Montenegro 31/01/2016

Quando me passaram o livro para a mão, disseram-me que se tratava da história de um idoso metido num lar contra a sua vontade, estando ainda em perfeitas condições mentais – o que não ocorria com alguns dos seus colegas. Embora tal fosse um enredo que eu não me importaria nada de ver abordado, desenvolvendo-se as influências que tal situação poderia ter no idoso em questão, cheguei ao fim do livro com a convicção de que não era essa a proposta do autor, nem o tema central do enredo. É verdade que temos um idoso metido num lar contra a sua vontade, mas nem muitos dos que se lá encontram se afastam particularmente da dita lucidez, nem esse parece ser o tema central de desenvolvimento. De que tratou, então, o livro, pelo menos segundo aquilo que me transmitiu a sua leitura? (...)

Opinião completa em:

site: https://booktalesblog.wordpress.com/2015/10/23/a-maquina-de-fazer-espanhois-valter-hugo-mae/
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Valério 25/01/2016

A beleza do fim
Valter Hugo Mãe não á toa já me cativou no primeiro livro seu que li (O filho de mil homens).
Sua capacidade de não apenas capturar, mas igualmente de expressar o amor em pequenos gestos, impressiona.
Aqui temos um livro escrito pelo autor a imaginar como seria a vida de seu pai, caso não tivesse falecido antes da terceira idade.
O senhor Silva que, aos 84 anos, é colocado em um asilo. O mesmo senhor Silva que até então só havia dedicado cada batida de seu coração à sua família durante a ditadura portuguesa, sem nunca se preocupar em semear amizades.
E, aos 84, é obrigado a conviver diária e maciçamente com estranhos.
O surgimento de novas emoções, novos sentimentos, até então desconhecidos, o levam a ver que a vida é ainda mais do que o que viveu.
O senhor Silva, que achava que sua falecida esposa era mais feliz por se ter ido antes de ter que ser internada em um asilo, começa então a apenar-se da esposa por não ter tido a oportunidade de viver as experiências que então viveu.
A sensibilidade de Valter Hugo Mãe nos coloca dentro da cabeça dos idosos, com seu mundo lento de dores, despreocupação com as grandes bobagens da vida e preocupação com as pequenas coisas importantes da vida.
Pouquíssimos autores novos foram capazes de angariar minha admiração como o fez Valter Hugo Mãe. Já o havia feito com um livro. E a confirmou com outro.
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Rodrigo.Vieira 27/01/2017

UM ENSAIO SOBRE A VELHICE
Livro maravilhoso, certamente entre os melhores que eu já li. Nunca havia lido algo tão profundo sobre as constatações alcançadas com a maturidade da velhice, sobre a efemeridade da vida, sobre a importância das relações, das coisas pequenas, sobre a certeza do fim.
Meu amor profundo pela literatura da língua portuguesa.
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dani 06/10/2013

[Livro] A máquina de fazer espanhóis – Valter Hugo Mãe
O que dizer sobre A Máquina de Fazer Espanhóis, simplesmente que foi um livro que me arrebatou, me embalou, me proporcionou sensações e emoções que eu nunca tinha pensado, ao explorar uma situação não muito trabalhada e de uma forma regada a sentimentos, reflexões e uma linguagem tão poética que se mistura a historia ligando as pontas no enredo.
Quando vi que o tema do Desafio Literário do mês de setembro (sim, atrasei um pouco esse mês) era autores portugueses contemporâneos, logo decidi que queria colocar uma das indicações que tinha recebido há um tempo e iria ler o livro de Valter Hugo Mãe, mas estava difícil de adquiri-lo, seu preço nunca baixava até que em um dia feliz vejo pelas redes sociais que estava aberto o Cosacday (período em que a editora Cosac Naify faz uma grande promoção de suas obras) e com isso finalmente consegui o livro que talvez seja um dos melhores do ano, A Máquina de Fazer Espanhóis.
Logo ao abrir o exemplar a primeira reação é de estranhamento, a diagramação é muito diferente, o texto é alinhado a esquerda e não justificado. Sem contar que possui uma regra de acentuação própria, apesar de ter os pontos normais, é todo escrito em caixa baixa, não havendo letras maiúsculas após os pontos e sem separação para os diálogos. Outro diferencial é que o livro está em português de Portugal, então há acentuação diferente (como por exemplo, a palavra oxigénio) e um linguajar próprio.
Após superar esse estranhamento inicial o que resta é toda uma linda história contando sobre antónio jorge da silva (assim mesmo, em caixa baixa, como no livro), que após perder sua esposa, é mandado para um asilo/casa de repouso e lá terá que se descobrir e se reinventar sem ela e já aos 84 anos.

“não a posso deixar aqui sozinha. não estaria sozinha. estaria sozinha de mim, que é a solidão que me interessa e a de que tenho medo.” p. 14

Na verdade esse é um resumo muito simplório para toda a grandiosidade do livro, pois este trata de assuntos de grande amplitude, como a busca pela identidade dos portugueses após o domínio de Salazar e a grande metafísica da vida, e para demonstrar esse último tema o autor me encantou ao fazer uma intertextualidade com o poema Tabacaria de Fernando Pessoa (poema esse que amo).

“um dia seremos cidadãos de um mesmo mundo. iguais, todos iguais e felizes nem que seja por obrigação. estamos a alastrar, como compete, e um dia ainda deixaremos de ser silvestres, agrestes, isso de ir como o mato, porque estaremos cada vez com melhores maneiras, como as que assistem aos grandes caracteres. um dia, caramba, estaremos até cheios de razão." p. 13

Com uma linguagem poética, cheia de frases marcantes silva irá descobrindo sua vida e o que têm importância após a perda de um amor e de uma vida. A narrativa não é linear, irá intercalar momentos presentes com flashbacks da vida de antónio para mostrar a construção do personagem.
Simplesmente encantador e marcante.

“a coragem tem falhas sérias aqui e acolá. e nós, que não somos de modo algum feitos de ferro, falhamos talvez demasiado, o que nem por isso nos torna covardes, apenas os mesmos de sempre. os mesmos vulneráveis e atordoados seres humanos de sempre.” p. 102

site: http://olhosderessaca25.blogspot.com.br/2013/10/livro-maquina-de-fazer-espanhois-valter.html
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CarolPoli 03/08/2018

Surpreendente e cheio de metafísica
Gente, economizei tudo que pude para não acabar rápido esse livro maravilhoso. Nunca tinha lido Valter Hugo Mãe mas creio que será o primeiro de muitos. O livro fala da terceira idade com uma beleza e uma honestidade tão enormes, um tipo de ?sincericídio?, em que vemos todas as agruras e entendemos o feio e o belo. Quanta poesia!
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Rodrigo Pamplona 07/04/2019

Belíssimo, enche o peito de nós (Sem Spoilers)
José Saramago fez muito bem ao comparar a experiência de ler este livro a "assistir a um novo parto da língua portuguesa". Riquíssimas em sensibilidade, as palavras cortejam a poesia e surpreendem por transformarem sentimentos simples em passagens virtuosas carregadas de significado.

Como se isso não bastasse, o livro em si cria um certo sentimento de urgência, não porque um capítulo puxa o outro como em livros de aventura, mas porque é tão belamente escrito que você termina um capítulo já desejando ler o próximo.

Enfim, resumidamente e dentro do conceito de spoiler zero, A Máquina de Fazer Espanhóis é uma narrativa delicada e sensível sobre a vida do Senhor Silva, um português de 84 anos que é forçado a reaprender a viver em um ambiente permeado pela perda e pelo esquecimento. Fala sobre velhice, amizade, sobre o amor, sobre a vida e sobre a dor do abandono. Frequentemente também são lançadas representações de Portugal e da identidade portuguesa aos olhos do leitor, que, diante delas, passa a conhecer uma parte da história daquele país e do que é ser Português. Ecos do passado que retumbam no presente.

Recorrendo ao lirismo e dosando alegria e melancolia com a destreza de um artesão, o autor mantém o enredo bem equilibrado e torna a leitura extremamente agradável. É um daqueles livros em que você se pega lendo a mesma frase duas, três vezes; não porque não as entende, mas porque deseja captar a essência do que está ali.

Com personagens cativantes e excepcionalmente bem construídos, com uma prosa comovente e muito bem estruturada, não faltam passagens, belas ou duras, dignas de suspiros, tão poderosas os seus encantos e tão longos os seus alcances.

Para finalizar, em entrevista dada em visita ao Brasil, Valter contou sobre o seu dilema quando dos últimos dias de José Saramago. Este lhe vinha pedindo que enviasse um exemplar de A Máquina de Fazer Espanhóis. "Ora, eu não poderia mandar para Saramago, aos 86 anos, já muito doente, um livro que falava de um senhor de 84 anos, muito doente". E não enviou. Soube, posteriormente, por Pilar Del Rio, que, não obstante, A Máquina fora o último livro lido por Saramago, que, segundo ela, disse ter vivido um pouco mais para poder terminar a leitura.

Prepare-se para a beleza, caro leitor. Esse livro vai te encher o peito de nós.

Leva 5 de 5 estrelas cadentes.

Passagem interessante (há dezenas delas!):

"Quando dizemos que antigamente é que era bom estamos só a ter saudades, queremos na verdade dizer que antigamente éramos novos, reconhecíamos o mundo como nosso e não tínhamos dores de costas e reumatismo. É uma saudade de nós próprios." (pg 116)
Damares Honnef 11/04/2019minha estante
Bela resenha...fiquei com vontade de ler o livro.




Camis 28/04/2017

A vida como ela é
Indicado para quem aprecia a sabedoria que acompanha as pessoas da terceira idade. No Lar Feliz Idade, os personagens desse livro encontraram uns nos outros um motivo para não se deixar abater e viver seus últimos anos de vida criando entre si um sentimento mútuo de amizade e família. É impossível não se apaixonar pelo incrível senhor Esteves sem metafísica, aquele do poema do Fernando Pessoa, ou pelo carismático e divertido senhor Pereira, pelo atencioso e cuidadoso Américo, pelo paciente Dr. Bernardo e, claro, pelo nosso apaixonado senhor Silva. Não tem grandes acontecimentos nem fortes emoções, apenas pessoas que com suas histórias e experiências, vividas na grande máquina de fazer espanhóis, que é Portugal, nos cativam e nos deixam tristes quando chega a hora de partirem. O ciclo da vida como ele é. A velhice que é imperativa, mas possibilita a escolha de entregar-se ou não a ela. Achei uma leitura deliciosa.
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