Morte e Vida Severina

Morte e Vida Severina João Cabral de Melo Neto




Resenhas - Morte e Vida Severina


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André Lisboa 16/08/2020

Um clássico da literatura pernambucana, nordestina e brasileira
João Cabral de Melo Neto foi um diplomata e consagrado literato pernambucano que teve papel muito importante no cenário da poesia nordestina em meados da década de 1950. Para João Cabral, este período se caracteriza a consolidação de uma linguagem marcaria o aprimoramento da sua poesia nas décadas seguintes. Com um estilo simples, porém marcado pelo concretismo, descrição de paisagens e abstração filosófica, as poesias e poemas de João Cabral tem marca registrada na literatura pernambucana, nordestina e brasileira. Este clássico da literatura pernambucana é composto por uma coletânea de poemas - O Rio (1953), Morte e Vida Severina (1954-55), Paisagens com Figuras (1955) e Uma Faca sem Lâmina (1955). Em “O Rio”, João Cabral aborda a perspectiva do rio Capibaribe e do povo pernambucano: uma visão narrativa de caráter documental e antropológica.

No seu poema mais consagrado “Morte e vida Severina”, publicado pela primeira vez em 1956, temos um caráter poético mais popular e social, retratando a vida do nordestino Severino, e a sua sina de retirante em fuga da seca agreste, onde mais uma vez segue curso do rio Capibaribe até o Recife. Em “Paisagens com Figuras”, temos uma miscelânea poética que aborda uma alternância entre as descrições das paisagens de Pernambuco e da Espanha, numa espécie de “ping-pong”. Por último temos “Uma Faca sem Lâmina”, poema de caráter filosófico, de uma densa abstração descritiva e alegórica.

Com excepcional e peculiar forma de escrita, João Cabral constrói toda uma extensa narrativa poética, uma carreira que marcou o seu nome na literatura brasileira. É um livro pra ser apreciado, – assim como qualquer poesia. Particularmente consegui compreender os referenciais do autor. Poemas tem um caráter muito peculiar. É uma forma literária que necessita uma compreensão mais abstrata da linguagem. É uma espécie de abordagem que nos serve como porta, como reflexo de sentimentos, de compreensões de mundo. É assim que compreendo narrativas poéticas, especialmente as que compreendem a concretude do mundo como as de João Cabral de Melo Neto.
01/12/2020minha estante
adorei sua resenha!


André Lisboa 01/12/2020minha estante
Muito obrigado ?




Laura 05/04/2021

Um clássico da literatura nordestina!
Retrata com sensibilidade a vida sofrida do retirante.
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Letícia 14/11/2011

"Nunca esperei muita coisa, digo a Vossas Senhorias. O que me fez retirar não foi a grande cobiça, o que apenas busquei foi defender minha vida de tal velhice que chega antes de se inteirar trinta."

Morte e Vida Severina, Auto de Natal Pernambucano do autor João Cabral de Melo Neto. O Auto conta sobre a trajetória de um dos muitos severinos, retirante do sertão nordestino, que migra para Recife seguindo o curso do rio Capibaribe, em busca de trabalho e em fuga da seca.

O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria,
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.


(...)

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).


A TV Escola adaptou "Morte e Vida Severina" em desenho animado. Tem no youtube!

=)
Karen 11/08/2012minha estante
A animação é demais. :)




Katia 15/02/2021

A medida do homem não é a morte mas a vida
Cemitério pernambucano
(Nossa Senhora da Luz)

Nesta terra ninguém jaz,
pois também não jaz um rio
noutro rio, nem o mar
é cemitério de rios.

Nenhum dos mortos daqui
vem vestido de caixão.
Portanto, eles não se enterram,
são derramados no chão.

Vêm em redes de varandas
abertas ao sol e à chuva.
Trazem suas próprias moscas.
O chão lhes vai como luva.

Mortos ao ar-livre, que eram,
hoje à terra-livre estão.
São tão da terra que a terra
nem sente sua intrusão.
Diegomrods 15/02/2021minha estante
Profundo :)


Katia 15/02/2021minha estante
Triste né!? Esse foi o poema que mais me marcou.




Nicole.Coelho 18/12/2020

Morte e vida Severina
Eu não sou de ler muitos clássicos nem poesias então eu não tenho muita propriedade pra falar. Ao meu olhar as poesias são tocantes, nordestinas. Quando eu li eu sentia a história e via ela acontecendo por mais que algumas partes eu precisasse de um pouco mais de tempo pra assimilar. Mas de qualquer modo eu gostei do livro e achei de uma leitura fácil, mais do que eu imaginava.
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Tamiris 04/03/2021

Somos todos Severinos
“E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia.”


Morte vida Severina conta a história de muitos Severinos retirantes que saem do Sertão para Litoral a procura de uma vida melhor, pelo seu caminho Severino vai encontrando outros Severinos, mortos por bala, morto de velhice e etc.

Me chamou a atenção a parte que ele conversa com uma senhora procurando emprego porém tudo que conhecem nada lhe serve porque o que da dinheiro nessa terra, é lhe dar com a morte, como profissões de médico, rezadeira, benzedeira, farmacêutico. A parte do funeral do Lavrador em que foi feita a música do Chico Buarque também é muito bonita.

Severino ouve uma conversa entre dois coveiros em que não entendem porque tantos severinos vêm para o litoral para ganhar a vida, mas na verdade vem trilhando seu caminho para a morte.
-E que então, ao chegar, não têm mais o que esperar.
-Não podem continuar pois têm pela frente o mar.
- não tem onde trabalhar e muito menos onde morar.
- e da maneira em que está não vão ter onde se enterrar.

Ouvindo a conversa ele decide tirar sua vida, mas encontra José e questiona o porquê viver. Nesse meio tempo o filho de José nasce (essa parte ele relaciona com o nascimento de Jesus). Após José voltar ele responde:

E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
[...]
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida Severina.

Querendo dizer mesmo que a vida é sofrida, ela vale a pena!.

Uma excelente obra, como os demais poemas que compõem o livro!,
Pedro 04/03/2021minha estante
"Mesmo que a vida é sofrida, ela vale a pena."
Excelente, Tamiris:)
Eu também acredito nesse ideal. Sei que nunca sofri como esses retirantes, mas também acredito que a vida vale a pena, apesar dos pesares.
Isso me lembrou o livro Em Busca de Sentido, do psiquiatra judeu Viktor Frankl, que foi um sobrevivente do Holocausto nazista, chegando a passar três anos nos campos de concentração, inclusive Auschwitz.
Viktor Frank acreditava que a vida só valia a pena quando nós damos um sentido para ela, e isso é algo inteiramente pessoal. Ele tinha como lema de vida o seguinte pensamento de Nietzsche:
"Quem tem por que viver, pode suportar quase tudo."

Obrigado por compartilhar a sua leitura conosco;)


Tamiris 04/03/2021minha estante
Eu que agradeço Pedro pela sua contribuição .
Como você disse apesar dos pesares encontramos força em nossa espiritualidade, nossa família ou até em nós mesmo.
E toda dificuldade ou dor se torna um aprendizado ou algo que nos fortalece. Pelo menos vejo dessa forma.



Porém nos deparamos com muita gente que não encontra sentido, e não quer viver. O que realmente é muito triste. ?

Não conheço esse livro vou acrescentar na minha lista ???


Tamiris 04/03/2021minha estante
Já assistiu o desenho Soul ? Kkk adoro desenho. Mas traz também essa reflexão do sentido da vida. Bem legal ?


Pedro 04/03/2021minha estante
"A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás; mas só pode ser vivida, olhando-se para frente."

Soren Kierkegaard

Apesar do passado deixar marcas em nossas vidas, ele não nos define. O nosso futuro é uma folha em branco, e somente nós temos o poder de escrever.


Pedro 04/03/2021minha estante
Não, Tamiris, eu ainda não vi esse desenho. O último desenho que eu vi foi Frozen. Culpa da minha sobrinha. Ela me obrigava a assistir - e cantar - com ela. Às vezes eu me pego cantando no chuveiro "Livre estou, livre estou..."
???


Tamiris 04/03/2021minha estante
Você vem com filósofos e eu com desenho. Não estou no seu nível ??.

Brincadeiras a parte, obrigada por dividir suas opiniões. Veio a agregar ?.


Pedro 04/03/2021minha estante
Você lê João Cabral de Melo Neto, e ainda vem dizer que não está no meu nível? Eu tô quase me sentindo um analfabeto perto de você...?????
Eu que agradeço a você, Tamiris. É muito bom compartilhar nossas leituras. Ao meu redor, eu não conheço ninguém que gosta de ler, aí eu acabo me sentindo frustrado, sem ter com quem conversar. As pessoas não sofreram com Derfel, como nós dois sofremos;)


Tamiris 04/03/2021minha estante
Verdade chorar, sofrer dar gargalhadas com um personagem é maravilhoso né kkkk. A leitura nos transporta para muitas dimensões e nos faz perceber diferentes pontos de vista, que pena que o índice é tão baixo de leitores.
Mas não se engane meu repertório de literatura brasileira é bem baixo ?
Mas desde o ano passado pensei bastante em mudar isso.


Pedro 04/03/2021minha estante
Também sou deficiente em literatura brasileira. Confesso que tenho predileção por autores estrangeiros, mas vou ter que rever meus conceitos.
Sobre o que você falou a respeito da leitura, eu lembrei de um texto do George Martin. Era esse aqui:

"Eu vivi mil vidas e amei mil amores. Andei por mundos distantes e vi o fim dos tempos. Porque eu li."


Tamiris 04/03/2021minha estante
Oh então vou te incentivar, vamos mudar isso é conhecer mais nossos autores ?.

Tenho raiva do George Martin cadê o sexto livro da Guerra dos Tronos ?? estou a anossssss esperando. Isso foi muita maldade.

Adorei a citação.


Pedro 04/03/2021minha estante
O último autor brasileiro que eu li foi o Felipe Castilho. O livro se chamava Ordem Vermelha, uma fantasia com elementos do folclore brasileiro. Foi uma excelente leitura.
Quanto ao Martin, eu já desisti das Crônicas de Gelo e Fogo. Já li todos os livros anos atrás. Perdi o tesão pela história. Eu não me importo mais:(




DaniBooks 11/05/2020

Morte e Vida Severina
O que dizer sobre João Cabral de Melo Neto? Maravilhoso! Suas poesias são marcantes, tocantes, de uma sensibilidade ímpar. A questão do retirante nordestino é o grande mote desse livro. E que preciosismo no ritmo, nas rimas, na estrutura, na escolha vocabular, no sentimento expresso em cada verso!

Essa edição traz mais poemas, além de Morte e Vida Severina. O Rio é um deles. E a forma como o autor dá voz ao Rio Capibaribe é fenomenal.

Leiam João Cabral de Melo Neto!
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Fra 21/01/2021

Morte e vida severina é um clássico contado em formato de poesia (algo que eu não sabia até ler o livro), a história em si de Severino é apenas um poema bem curto se comparado a outras obras clássicas, o que não tira o crédito de uma obra complexa e cheia de nuances. Nessa edição, o livro é dividido em 4 partes pois além de Morte e vida severina há também outros poemas que inclusive me surpreenderam muito mais do que o conhecido clássico da literatura, vide o poema O Rio.
Certamente é uma obra excelente, no entanto na minha percepção não me engajei tanto na leitura, muito porque a história é contada em estrofes (algo que não estou acostumada) e possui uma escrita muito poética o que acaba por me deixar perdida na leitura, apesar disso João Cabral de Melo Neto produz uma obra incrível e de grande esplendor para a literatura brasileira.
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Sheyla.Batista 16/12/2020

"O meu nome é Severino"
"Bem me diziam que a terra
se faz mais branda e macia
quanto mais do litoral
a viagem se aproxima."
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Lorrany 15/10/2020

Fui surpreendida
Geralmente, não me dou muito bem com poesia (talvez eu não seja inteligente o suficiente para entender uma história em verso, mas estamos trabalhando nisso) e, por isso, eu já comecei o livro achando que não conseguiria entender nada ou quase nada. Fui pega de surpresa por uma leitura bem fácil, linguagem simples e, até mesmo, engraçada em alguns momentos. Além de fazer uma leitura social do Nordeste no século XX, o autor trouxe pessimismo, mas também trouxe esperança. É uma leitura interessante para quem quer conhecer mais da poesia brasileira, mas não tem paciência para ler textos com linguagem mais rebuscada.
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Wlange Keindé 13/05/2020

Morte e vida severina
O livro junta o poema Morte e vida severina, que narra a história de um retirante que segue o Rio Capibaribe em direção ao Recife, com outros poemas que também giram em torno do Rio Capibaribe e da vida ao redor dele. Essa seleção situa o leitor geograficamente e nos dá um contexto maior do que seria a "vida severina", uma vida de trabalho e pobreza que contrasta com as belezas naturais do Nordeste retratado. Por fim, o poema Uma faca só lâmina fecha o livro.

O estilo de João Cabral de Melo Neto é consistente, bonito, "simples" entre aspas porque o bom poema nunca é simples de se fazer, mesmo quando se aparenta simples na leitura.

Eu não conhecia muito o trabalho do autor, só tinha lido trechos. Gostei bastante.
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Caio.Lobo 28/01/2021

O poeta é bom, a poesia é que não me encantou.
João Cabral mostra na sua poesia temas que lembram um pouco o cordel, porém sua linguagem está distante dos temas e de sua terra natal. Morte e Vida Severina é realmente o ápice dessa coletânea de poesias, há doçura, mas essa doçura não é encontrada em O Rio, poesia que representa o fluxo do rio em diferentes cidades que acaba se tornando uma aula de geografia. Paisagens com Figuras tem um fôlego a mais, e passa por diferentes paisagens entre o Pernambuco e o Reino de Castela. Já Uma Faca só Lâmina é uma poética interessante com tema profundoque infelizmente ficou raso. Cabral é bom poeta, conhece dos métodos e técnicas da poesia, mas falta sal e até mesmo açucar. Ele acaba sendo um poeta com temas trabalhados como os parnasianos e escrita poética dos naturalistas, e está certo em ser assim, mas devia ser exatamente assim ao contrário.
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Kira 01/04/2020

Muito amor por esse livro
Não tenho palavras para dizer o quanto amei cada trechinho deste livro, cada verso.
É um privilégio enorme poder ser agraciada com a genialidade deste homem, o Brasil realmente não valoriza as suas preciosidades.
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Jéssica Silvestre 09/08/2020

Não e meu gênero favorito
Dos trabalhos apresentados nesta obra as que me chamam atenção e O Rio e Morte Vida Severina, por sua narrativa. Ambas trazem a saída do serão a caminho do mar, na primeira, sobre a ótica do rio, na segunda sobre a ótica do retirante.
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Thayná S. 15/11/2020

Estou encantada por essa preciosidade da nossa literatura!
A poesia de João Cabral de Melo Neto é de uma excelência inexplicável.
Sou pernambucana, mas mesmo assim, senti que a mim estava sendo apresentada uma realidade que eu desconhecia ou não conhecia tão bem.
Perfeito, perfeito, perfeito ??
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