O Conde de Monte Cristo

O Conde de Monte Cristo Alexandre Dumas




Resenhas - O Conde de Monte Cristo


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Evelyn Ruani 14/01/2011

Muito bom!!!
Eu me apaixonei pela história de O Conde de Monte Cristo, pois é simplesmente fantástica e te prende do início ao fim. Não há como não ser cativado pelo protagonista da história e sentir suas dores, seu rancor, sua vontade de vingança! Alexandre Dumàs foi realmente um mestre na narração desse romance que juntamene com Os Três Mosqueteiros é considerado uma de suas mais populares obras.

Edmond Dantés, um marinheiro que acabara de receber o posto de capitão do navio por mérito e de pedir em casamento o amor de sua vida, Mercedes, é preso sob falsa acusação por ter ido à Ilha de Elba, onde teria recebido uma carta de Napoleão em seu exílio. A carta, na verdade, fazia parte de um plano bolado por três pessoas que tinham interesse no acontecido: o juiz de Villefort, filho do destinatário da carta de Napolão e que queria silênciá-lo, Danglars amigo de Edmund mas que desejava o posto de capitão que lhe fora dado e Fernand Mondengo, seu melhor amigo e primo que desejava casar-se com Mercedes em seu lugar.

Edmund passa treze anos na prisão do Castelo d'If, sendo punido injustamente pelo crime que não cometeu. Porém conhece o abade Faria, um preso político e vizinho de cela que está lá há muitos anos. Faria já é bem velho e como sabe que não conseguirá sair da prisão com vida, segrega-lhe o local do tesouro do Cardeal Spada e o ajuda passando-lhe seus conhecimentos nas artes da esgrima, além de ensiná-lo história, a falar outras línguas e se portar como um lorde.

Mesmo sem acreditar muito no velho clérigo, Edmond consegue fugir da prisão e vai até o local indicado confirmando a história do tesouro e tornando-se um homem milionário. Dantès volta a sociedade agora como Conde de Monte Cristo e a partir de então, cria um plano inteligentíssimo para se vingar das três pessoas que lhe impuseram a vida de sofrimento e lhe separaram de seu verdadeiro amor, Mercedes.

Confesso que a culpa de não dar cinco estrelas ao livro é totalmente minha. Assisti a adaptação para o cinema e o final do filme corresponde mais as minhas expectativas românticas que o final do livro que é muito mais real e cru. Mas recomendo totalmente a leitura! A história é ótima, envolvente e emocionante.
Léia Viana 20/01/2011minha estante
Nossa, Lyani eu assisti ao filme e fiquei apaixonada pela história, até hoje não me esaueci da "aliança feita de linha", que ela usou até reencontrá-lo. Pena que o final do livro não seja igual ao do filme que é pra lá de inesquecível.


Jacy 06/08/2012minha estante
Lyani, suas resenhas são excelentes! Sempre que leio uma fico com vontade de me entregar ao livro em questão. Parabéns! :)


Hiago 20/06/2017minha estante
Eu prefiro o final do livro, apesar de não assistir o filme e mesmo assim saber do fim com Mercedes, o livro passa a sensação de recomeço que o Edmond Dantés merecia, nada melhor do que ser com a belíssima e honradíssima Haydée.


Lilly 02/02/2018minha estante
Eu terminei esse livro ontem , e já imaginava o final , prefiro o final do filme. Eu entendo o final do livro mais não aceito, na verdade ele não ficou com Mercedes por puro moralismo, até a própria Mercedes se crítica , é muito triste eles se amavam tanto e ainda dava pra sentir esse amor sofrido sem nunca ter dito.


Daniel.Souza 04/03/2019minha estante

Depois de 25 anos separados os sentimentos deles mudaram e os dois estavam completamente mudados,.Tempo e distância mudaram os dois e gostei do livro.
Eu gostei mais do filme russo uznik zamka if (O prisioneiro do castelo de if) de 1988 que adaptou o livro e me fez me apaixonar pelo final Edmond e Haydee. quando na trilogia de filmes que adaptou o livro focou muito nos dois.




Adriano 14/01/2009

A vingança é um prato que se come quente
Esta é a segunda vez que li este livro. Sempre esteve na lista dos meus favoritos e depois de seis anos, reli para confirmar sua qualidade. E com esta edição, com notas de rodapé e gravuras da época, com certeza minha experiência foi excepcional. Gosto de ler, sabendo do contexto histórico em que os fatos aconteceram, e Dumas adora colocar uma grande quantidade de alusões históricas, o que deixa o texto bastante denso. Uma ótima leitura, uma verdadeira viagem ao interior do sentimento de vingança adormecido - mas nunca morto - em Edmund Dantès. A amplitude da construção de sua vigança é algo que me impressionou e me impressiona.
Mas, apesar de toda a maquinação do Conde de Monte Cristo, o que fica ao fim é o limite da vigança humana. Até onde cabe a nós a justiça pelas próprias mãos? Um livro que além de entreter nos faz pensar. Algo digno de uma grande obra.
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Catatau 04/04/2010minha estante
"Até onde cabe a nós a justiça pelas próprias mãos ?". Excelente observação. O próprio Dantes se questiona após a morte da esposa e do filho de Villefort. Acho que, além de toda trama esta é a grande questão que fica no ar. Grande história. Entreterimento de primeira !




Lucas 23/07/2015

A Alexandre Dumas, meu muito obrigado
“Com efeito”, uma obra-prima sublime, digna das centenas de críticas favoráveis espalhadas pelo universo virtual e literário. Diz-se que é um livro grande, com 6 partes, 117 capítulos e mais de 1.300 páginas, escrito há 170 anos. De fato, isso é tudo verdadeiro, mas “O Conde de Monte Cristo” não deve ser simplesmente rotulado com estas características. Os números ou até mesmo uma simples resenha em si são objetivos demais, e não representam nem de perto a verdadeira grandiosidade da obra.
O enredo básico em que se dá a história é conhecido por quase todos. Edmond Dantès, um marinheiro honesto, bondoso e apaixonado, é levado à prisão por um erro que não cometeu. Seu encarceramento foi fomentado por três conhecidos e consentido por um quarto elemento, que tinham, individualmente, razões pessoais para prejudicar o marinheiro. Na prisão, Dantès conhece o abade Faria, personagem secundário mais interessante da história, que o incentiva a não desistir de viver. Edmond saí da prisão, enriquece, assume diversas identidades e arma um minucioso plano de vingança contra seus malfeitores.
Falar além desse resumo básico é dar “spoiler”, mas é impossível não citar com maior relevância o abade Faria. Sua inteligência singular, sua calma e sua bondade emocionam, e fazem dele um dos maiores coadjuvantes da literatura mundial. É também no momento de sua presença na história que podem ser extraídos os maiores ensinamentos do livro. Em suma, Dumas fez dos diálogos entre Dantès e o abade um espetáculo à parte.
Em síntese, “O Conde de Monte Cristo” é completo, denso e com uma linguagem perfeitamente acessível aos dias de hoje (a tradução de André Telles e Rodrigo Lacerda, no box com 2 tomos da editora Zahar, é primorosa). Além disso, a história fornece uma base didática de muitos assuntos. Conceitos essenciais de filosofia, política, química, economia, história antiga e um pouco de geografia são muito explorados. Isso não deve afastar o leitor que não gosta de algum desses assuntos; apenas demonstra a extensão e profundidade da obra, percebida também em termos literários. Drama, romance, suspense, aventura e fantasia são segmentos presentes em maior ou menor grau, apesar de que, pessoalmente falando, a história poderia ser definida como uma épica aventura.
Ao futuro leitor, registram-se dois conselhos: em primeiro lugar, a experiência da leitura tornar-se-á ainda mais agradável (especialmente no início da história) se houver um bom conhecimento das consequências da Revolução Francesa, especialmente a trajetória no poder do Imperador Napoleão Bonaparte, que possui vital importância em muitos desdobramentos do livro. Um segundo ponto importante é que “O Conde de Monte Cristo” é um livro que deve ser deleitado, acima de tudo. Não deve haver preocupação alguma com o tempo de leitura; é uma obra capaz de envolver intimamente quem a lê. Dependendo da realidade do leitor, é muito provável que os momentos diários dedicados à leitura podem salvar ou melhorar profundamente o dia do indivíduo. E é nessa imersão que Alexandre Dumas foi genial, pois ele mesmo dizia que entreter era o único objetivo que ele tinha ao construir uma história. Apesar de existirem algumas dúvidas quanto à autoria integral do livro, já que Alexandre trabalhava com alguns “ajudantes” ao seu lado, seu estilo romanesco é perceptível e fundamental à fluidez da história. Assim, como sua premissa foi brilhantemente alcançada, não resta nada aos leitores a não ser agradecer intimamente a Dumas por esta esplêndida história e garantir a sua perpetuidade ao longo dos séculos.
Enza Cerqueira 11/01/2016minha estante
O Conde de Monte Cristo é um livro completo e grandioso, um livro para ser lido muitas vezes e admirado a cada página. O melhor livro que já li, sem dúvidas. Excelente resenha!




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Renata CCS 25/06/2013minha estante
Uma bela resenha. Apaixonada! Este livro já está em minha lista, e fiquei com mais vontade de ler a obra após a leitura de seus comentários.


Zana 25/06/2013minha estante
Saber que de alguma forma estimulei a leitura de um bom livro é gratificante, e olha que esse é excelente! Boa leitura e obrigada Renata.


Gabi Emery 27/03/2014minha estante
Resenha perfeita! Esse livro entrou definitivamente para a minha lista de favoritos!


Zana 28/03/2014minha estante
Este é um dos poucos livros que não me desfaço Gabi!Agradeço o comentário. Abraço.




Enza Cerqueira 09/01/2016

O melhor livro que já li
A enredo gira em torno das desventuras e da busca por vingança de Edmond Dantès: antes, um simples marujo de Marselha, noivo da bela moça catalã Mercedes, e cujas maiores expectativas da vida se resumem a conseguir dinheiro o suficiente para se casar com a jovem por quem é apaixonado. Diante de uma fatalidade que acometeu o capitão do navio, Edmond é promovido ao posto ocupado pelo falecido superior e, assim, tudo o que almeja torna-se palpável, a felicidade nunca esteve tão próxima. No entanto, o erro do pobre marujo marselhês foi acreditar que todos a sua voltam fossem generosos e puros de coração como ele. O rapaz aprendeu de modo trágico que o mundo é pior do que podemos imaginar: o ciúme corrói os rostos mais belos e a inveja habita no recôndito dos corações, aparentemente, mais bem-dispostos.

Diante disso, prestes a alcançar a felicidade mais plena, Edmond Dantès encontra-se preso numa armadilha tecida por aqueles os quais jamais julgaria capazes de fazer qualquer mal para si e dá adeus a toda felicidade que poderia alcançar um dia ao permanecer cativo no temido castelo de If por 14 anos antes de finalmente escapar e reclamar sua vingança aos responsáveis por tamanho infortúnio.

"Pois bem! Os franceses não se vingaram do traidor, os espanhóis não fuzilaram o traidor, Ali, deitado em seu túmulo, deixou o traidor impune; mas eu, traído, assassinado, também atirado num túmulo, saí desse túmulo pela graça de Deus, e devo-lhe essa vingança. Ele me envia para isso, e aqui estou."

Durante séculos, a história do Conde de Monte Cristo ficou conhecida por ser uma história de sofrimento, aprendizado e vingança; vingança esta que vejo muito mais como uma justiça devida, ainda que tardia. Com uma trama de tirar o fôlego e uma narrativa marcante, o romance de Alexandre Dumas não só encanta por meio de suas lições eternas e personagens memoráveis, mas também arrebata todos aqueles que ousam desbravar as mais de mil páginas desta obra atemporal. É por essas e outras razões que, mesmo conhecendo razoavelmente a trajetória do personagem-título devido à versões condensadas e adaptações cinematográficas cuja qualidade está muito aquém da história original, a versão integral d'O Conde de Monte Cristo me surpreendeu, tornando-se o meu livro favorito.

"[...] não existe nem felicidade nem infelicidade neste mundo, existe a comparação de uma com a outra, só isso. Apenas aquele que atravessou o extremo infortúnio está apto a sentir a extrema felicidade. É preciso ter desejado morrer, Maximilien, para saber como é bom viver. Portanto, vivam e sejam felizes, filhos diletos do meu coração, e nunca se esqueçam de que, até o dia em que Deus dignar-se a desvelar o futuro para o homem, toda a sabedoria humana estará nestas palavras: Esperar e ter esperança."
Pipo 10/01/2016minha estante
A literatura francesa é simplesmente apaixonante. Em tese, sou apaixonado pela França. ;D


Enza Cerqueira 10/01/2016minha estante
Apesar de alguns eventos absurdos de sua história, a França abriga algumas das paisagens mais belas do planeta, além de ser referência em arte, arquitetura, música e, é claro, literatura. Como não se apaixonar?


Pipo 10/01/2016minha estante
Certamente!


Lanziani 25/11/2016minha estante
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Malu 31/03/2017minha estante
Cada vez mais minha vontade de ler esse livro aumenta.


Daniel.Souza 04/03/2019minha estante
O caso do tesouro foi inspiração do caso real do Pierre Picaud, um prisioneiro que herdou uma fortuna de um padre que era companheiro dele na prisão e era um tesouro escondido.Foi a partir dessa história real que Dumas escreveu o livro. Não foi a invenção do romancista, ele leu um livro de relatos policiais e se inspirou no romance.
maximilien e valentine foram inspirados em romeu e julieta
os disfarces vieram do amigo de Dumas, Eugenie Vidocq que era mestre dos disfarces e se infiltrou no submundo.
O caso da madame de villefort e seus envenenamentos se inspiraram no caso real da Marquesa de Brinvilliers que foi um caso de envenenamento.
A haydee é inspirada na princesa Charlotte Aïssé que foi vendida como escrava e comprada por um nobre e na avó do autor que era escrava.




Vini Fernandes 24/01/2011

Esse livro mudou minha VIDA!!! O melhor que já lii
Ritinha 12/01/2013minha estante
Esse é um livro que já que li e reli umas 4 vezes e sempre me emociono, a história é uma trama perfeita. Impossível não se apaixonar por esta obra.
Quanto ao filme eu asisti, foi muito bom, mas o livro é mil vezes melhor.


Anne 08/10/2013minha estante
faço minha suas palavras!!!




SakuraUchiha 31/03/2015

Este livro tem tudo: assassinato, romance, humor, e uma moral.
O que torna este livro tão cativante é a força que Dante clama dentro de si mesmo, e o quanto ele alcança depois de ter sido preso injustamente. A intriga de sua vingança foi uma das reviravoltas mais emocionante que já conferi.
Só lembrando que esta é a versão resumida do clássico Dumas. Como foi trabalho de escola, o leitor precisa estar ciente de que a estória foi simplificada e resumida. Porém, O Conde de Monte Cristo é uma leitura que nunca se cansa. Ele tem a incrível capacidade de realmente fazer os alunos que dizem odiar ler, de repente, querer ler.
Este livro é fantástico. Enquanto alguns clássicos são terrivelmente maçante, muito filosófico, ou inútil, este é excelente. Ele tem ação, aventura, romance, drama. Faz um favor e leia ele, você vai adorar.
E se quiser o verdadeiro sabor de Dumas, é melhor comprar a versão com a estória na íntegra. É um dos meus favoritos!
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Jim do Pango 17/09/2010

A terrível alteridade de Deus
Estou convencido de que alguns livros inspiram certa saudade antecipada antes mesmo que se leia a última página. À medida que o final se aproxima, por mais que se anseie descobrir o desfecho, toma corpo o lamento pela iminente despedida.

Este certamente é o caso de O Conde de Monte Cristo. Não é fácil vencer as quase mil e quatrocentas páginas dos dois volumes da edição definitiva da editora Jorge Zahar, que superou minhas expectativas pela qualidade e inclui belas ilustrações da época de lançamento original, em folhetim. Essa densidade fez com que o livro me acompanhasse por algumas semanas, mais de oito no total, me tornando íntimo das personagens e de suas histórias particulares.

Assim, cada vez que via diminuir o número de páginas faltantes, orientado por um cartão de visitas que utilizei à guisa de marcador, desejava que houvessem mais dois volumes adicionais aguardando no armário.

Naturalmente, trata-se de um desejo paradoxal em um mundo que considera prolixo qualquer texto que ultrapasse os 140 caracteres de uma twitada. Ademais, a rigor, o tal desejo continua sem fazer sentido quando se considera que a melhor parte do romance são os relatos da prisão de Dantès, mais especificamente do seu encontro com o Abade Faria até sua fuga. Poucas boas explicações, porém, advém de ilações tão simples assim.

É certo que a narrativa da fuga, do encontro com os corsários, do achado do tesouro e da vingança evidentemente contribuem para tornar obra ora comentada indispensável, mas nada se compara ao encontro com o velho clérigo italiano.

Com efeito, as circunstâncias que envolvem esse feliz encontro se assemelham "mutatis mutandis" a outro encontro com um sábio e a outro confinamento transformador, revelados em outro romance. Falo de Musashi, que pouco tem em comum com O Conde de Monte Cristo além do fato de ambos terem sido lançados originalmente em folhetim.

A comparação é ousada, admito. Musashi é um personagem histórico, herói nacional japonês que teve sua vida brilhantemente romanceada por Eiji Yoshikawa. Musashi é considerado o mais sábio e o maior de todos os samurais, criador do Hyoho Niten Ichi Ryu, o estilo em que se utiliza as duas espadas. Sob certo aspecto, porém a comparação não deixa de fazer todo sentido.

Refiro-me ao início daquilo que podemos chamar de carreira do Conde de Monte Cristo e de Musashi, quando eles ainda eram conhecidos respectivamente como Edmond Dantès e Shinmen Takezo.

As consequências advindas da prisão de Dantès em tudo se assemelham àquelas observadas no confinamento de Takezo. Em certo sentido, ambos jamais saíram efetivamente de suas prisões, porquanto, Dantès saindo das masmorras do Castelo de Elf e se tornou Monte Cristo; enquanto Takezo, liberto do Torreão do Castelo Himeji, transmudou-se em Miyamoto Musashi. Ambos se tornaram outras pessoas - melhores, muito melhores – em decorrência dos conhecimentos adquiridos intramuros. Cada um a seu modo, tiveram a sorte de cruzarem com aqueles sábios fundamentais; Dantés, teve o Abade Faria, enquanto Takezo teve o Monge Takuan; um abade e um bonzo.

Takuan não conviveu com Takezo na prisão, onde o nobre samurai teve apenas a companhia dos livros. Dantes, por seu turno não tinha livros, exceto o volume sobre a unificação da Itália escrito pelo próprio abade, mas a presença do sábio italiano lhe foi vital para não enlouquecer, por certo que não detinha a firme resignação e a disposição de espírito de Takezo, que é própria da cultura oriental.

Todos os homens de valor, certamente, tiveram um abade Faria ou um bonzo Takuan em suas vidas, sem os quais permaneceriam indefinidamente reclusos na escuridão de uma prisão sem muros chamada ignorância.

O Abade Faria, que considero a personagem mais marcante do romance de Dumas era um estudioso raro. Afinal eruditos povoam o mundo, mas pouquíssimos são aqueles que, além de versados nos pergaminhos da tradição, são dotados da capacidade de transmitir seu conhecimento. Nesse particular, o Abade Faria parece ser feito da mesma matéria que o Bonzo Takuan, conquanto seus métodos se revelassem totalmente díspares.

A aptidão pedagógica de seus sábios mestres e não a prisão foram as causas das mudanças operadas. Apenas os muros e a solidão os teria enlouquecido, mas o conhecimento adquirido abriram a via para o surgimento dos novos homens.

Nada obstante, é forçoso abandonar a comparação assim que os referidos heróis, cada um a seu tempo e modo, aspiram o primeiro ar de liberdade. Takezo é posto em liberdade pelo seu próprio carcereiro e Dantès evadindo-se: um deles parte para uma nova vida, de aperfeiçoamento constante e aprendizado, abandonando definitivamente o ser de outrora que sequer será lembrado; já o outro, parte apenas para uma nova classe social, porquanto pleno anseia por uma vingança tamanha que não lhe será possível esquecer o destino do imediato do Pharaon que, não se tornou capitão da embarcação mercante, tampouco se casou com sua bem amada noiva, pois foi colhido no limiar da plenificação e da felicidade, pela traição e pela iniqüidade de seus inimigos vis. A memória da dor, sempre presente, não lhe permite abandonar suas velhas e torpes paixões.

Por outro lado, e voltando a falar apenas de O Conde de Monte Cristo, boa parte do romance, inclusive o segundo volume inteiro da edição acima referida, se passa após a fuga do Castelo de Elf. São os meticulosos preparativos de uma vingança acalentada durante muitos anos na escuridão que gradualmente tomam forma a cada página.

Mas não acabo de dizer que a melhor parte – a prisão – já passou a esta altura? Sim, foi exatamente o que afirmei. Mas isso não quer dizer que a estória contada a partir desse ponto não tenha seu valor. Ora, estamos falando de Alexandre Dumas: valor, portanto, é o que não falta.

Confesso que não poucas vezes cheguei a desprezar o protagonista, por considerar que a sua vingança era apenas uma manifestação de egoísmo injustificável, dado o inclemente transcurso de tempo e a nova condição social por ele alcançada, graças ao bom Abade. Um pretensioso exacerbado que queria se passar pela Providência.

No entanto, mesmo em tais ocasiões, quando a trama em si parecia não despertar maior interesse, impressionei-me enormemente e me regalei com as vastíssimas referências à literatura, à poesia, ao teatro, à música, à arte, à culinária, à moda, à ourivesaria, à história, à mitologia e aos próprios costumes do século XIX. Dumas proporciona mais do que uma simples viagem, ele nos brinda com um mergulho nesse período tão excitante da história do homem ocidental.

Antes do final, todavia, se percebe que a mensagem de Dumas era bem outra. Em realidade, dentro de tal perspectiva, o desfecho daquele relator fascinante não estava adstrito apenas a meras cinscunstâncias de causa e efeito, de crime e punição ou de dor e vingança. Antes, mensagem diversa fica bem clara no momento em que, prestes a consumar a vingança de Deus da qual se julgava portador, Monte Cristo percebe que não pode representar o papel, pois lhe falta o mais terrível dos atributos divinos: a alteridade.

A terrível alteridade de Deus.

No fim de tudo, como se o autor quisesse garantir que uma mensagem positiva perdurasse, em que pesem a pequenez e a absurda insensatez de todas as ações humanas, ele assenta uma frase muito especial, do tipo que tem o poder de acompanhar o leitor doravante, quiçá por uma vida inteira: “esperar e ter esperança.”

Comentar o livro foi quase tão bom quanto o exercício de tentar decifrá-lo. Assim é O Conde de Monte Cristo. Em uma palavra: belíssimo.
Daniel.Souza 04/03/2019minha estante
O caso do tesouro foi inspiração do caso real do Pierre Picaud, um prisioneiro que herdou uma fortuna de um padre que era companheiro dele na prisão e era um tesouro escondido.Foi a partir dessa história real que Dumas escreveu o livro. Não foi a invenção do romancista, ele leu um livro de relatos policiais e se inspirou no romance. Picaud foi para se vingar como dantes daqueles que o colocaram na prisão e ele se vingou de maneira bem cruel, inclusive nos filhos de seus inimigos.




Lidi 01/02/2013

Fantástico!
Sinceramente? Um dos livros mais lindos que já li na vida!
Você se encanta de várias formas possíveis com as fases pelo qual a personagem principal passa!

É impossível não se encantar com a inocência de Edmond Dantès no inicio da estória! É tão tangente que você fica constrangido por ele e essa inocência chega a dar um tom infantil à leitura.
Depois, é impossível também não se compadecer de seu sofrimento, não chorar junto com ele por toda a desgraça em sí, não ficar feliz ao encontrar um amigo em meio ao desespero da solidão, não comemorar com ele o sucesso de sua fuga em busca de liberdade e vingança!
E enfim, depois de tudo isso, que é quando realmente começa o "grosso" da estória, é impossível não se encantar mais ainda com então Conde de Monte Cristo, um homem amadurecido, vivido, esperto, sagaz, perspicaz, inteligente, engenhoso e principalmente, mesmo estando no auge de sua vingança, ainda assim continuar sendo alguém tão generoso, bondoso e de caráter valoroso! Difinitivamente O CARA! É incrível como ele se tornou uma pessoa admirável não só à vista dos outros personagens do livro (que não sabiam ou não reconheciam que o Conde era na verdade Edmond) como para o leitor também!
Estou apaixonada por ele e mesmo já tendo dois dias que terminei de ler, ainda tenho lampêjos na memória de toda a estória, dos lugares, das casas, das facetas de Edmond Dantès, o Conde de Monte Cristo!
E claro, as outras tramas interligadas também são de se admirar!
Mais do que recomendo a leitura!
E não se engane você que já viu o filme! Não tem 1/3 do que realmente é a estória do livro! LEIA!
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Rogéria 11/06/2016

Apaixonante!
Livro: "O Conde de Monte Cristo", Alexandre Dumas

"- Em troca da sua ajuda, eu ofereço algo muito valioso.
- Minha liberdade?
- A liberdade pode nos ser tirada, como você bem sabe. Eu te ofereço meu conhecimento.”

“Na vida somos reis ou peões.”

“Como eu escapei? Com dificuldade... Como eu preparei esse momento? Com prazer!”

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Há anos queria ler "O Conde de Monte Cristo", um dos maiores livros escritos para o tema da vingança. Mas confesso que adiava esse momento intimidada pelo tamanho dos livros - eram mais de 1660 páginas! Tinha medo que fosse uma leitura monótona, arrastada, rebuscada como costumam ser os livros de época, e que eu ficasse presa nesse livro por meses a fio.

Felizmente eu estava enganada! Dumas imprime um ritmo tão vigoroso e apaixonante à sua narrativa que mal percebemos o tamanho da obra. E pior, lamentamos quando ela finalmente se acaba, pois ainda restava espaço para mais detalhes, mais informações, e sentimos tristeza em abandonar a companhia do nosso adorado Dantès, que nos cativa desde o primeiro instante.

"O Conde de Monte Cristo" relata a história de Edmond Dantès, um homem simples e vivaz que foi injustamente condenado à prisão através das maquinações de seus inimigos, que tinham inveja dele. Foram 14 anos de intenso sofrimento e desespero. Nas masmorras, Dantès faz amizade com um outro prisioneiro que lhe revela a localização de um imenso tesouro escondido, e que começa a lhe ensinar tudo o que sabe, pois trata-se de um abade muito instruído. Após uma fuga emocionante, Dantès encontra esse tesouro e dá início aos seus planos de vingança contra aqueles que o aprisionaram.

Eu já havia assistido ao filme algumas vezes e me surpreendi com as diferenças do livro. Muita coisa é diferente, principalmente o final! Várias coisas foram suavizadas e romantizadas, mas a vingança de Dantès no livro é muito mais dura e cruel; ele, mesmo, é mais desumano e inflexível que mostraram no filme, a tal ponto que chega a ficar em dúvida se não teria exagerado e cometido alguns erros.

Sem dúvida "O Conde de Monte Cristo" entra para o rol de meus livros favoritos, e pretendo ler outros livros de Dumas. Indico a leitura para todos que gostam de um bom romance de época, em especial clássicos com personagens grandiosos e inesquecíveis.
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Gabi 19/01/2015

Oh como eu gostaria de pegar o pescoço do Sr. Conde de Monte-Cristo e sacudi-lo até que fizesse sentido!
Eu amei a história. Ok, eu já tinha visto o filme, então eu sabia que gostava da história. Mas a verdade é que esse livro é tão rico, mas tão absurdamente rico em tramas, detalhes, acontecimentos, passagens, que é simplesmente impossível colocar isso num filme de forma satisfatória (vou ter que ver o filme novamente pra ver se continuo gostando!).
Edmond Dantés sofre mudanças drásticas ao longo de toda a história, e é impossível não desejar mal aos que tanto mal lhe fizeram. Foi impossível ler esse livro sem torcer pela felicidade do homem que tanto tempo esperou para poder viver, efetivamente, sua vida.
Eu não tenho palavras suficientes pra explicar todos os sentimentos que esse livro me despertou. Eu queria ler clássicos esse ano, e tenho certeza que meu ano será bom, se já de cara comece com uma história tão tocante e apaixonante.

Em resumo, leiam esse livro!
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Raquel 03/12/2015

"Por que Deus tem o tempo e a eternidade, essas duas coisas que escapam aos homens."
Admiro aqueles que tendo a disposição algumas folhas brancas e tinta, assim como a sobreposição de palavras e delas se utilize, idealize uma obra que transcorra os séculos, sobreviva as mudanças e ainda sim, continue impactante. Isso é um clássico, livros reconhecidos e apreciados mundialmente. Com quase duas mil páginas, o que poderia em determinando momento deixar o leitor desmotivado, perder a qualidade da estória ou mesmo perder-se na narrativa, o conde de monte Cristo surpreende não apenas por driblar essas dificuldades como nos aproxima intimamente dos personagens, deixando-nos a sensação ao término da leitura de saudade e uma depressão pós-leitura intensa, algumas lágrimas também.
Alexandre Dumas aborda a temática complexa sob a qual é subjulgada a alma ao sofrimento, a traição, a inveja e a insensibilidade dos atos humanos aos seus semelhantes. Retrata não apenas seu impacto, mas a frivolidade do próximo em se condoer com as desgraças alheias.

Edmond Dantés, marinheiro, jovem simples, inocente aos malefícios da alma ardilosa, prestes a se tornar capitão do navio Pharaon e casar-se com sua noiva Mercedes a quem devota seu coração, vê-se preso injustamente e não desconfia que foi vitima da inveja e cobiça da felicidade. Condenado por uma denúncia anônima e sepultado em uma cela subterrânea no Castelo de If, perde sua fé na humanidade e a esperança do afeto verdadeiro pela forma abrupta e sem explicações de como é privado da sua liberdade e do seu amor. Ao longo dos 14 anos, vemos a degradação do jovem outrora doce e inocente, agora amargo, frio e vingativo que dá origem ao Conde de Monte Cristo, observado posteriormente. Acompanhamos sua amizade com o Abade Faria, a figura paterna substituta responsável pelo alento e sabedoria e companhia durante os tempos sombrios.

Ainda observamos durante o livro, algumas facetas do nosso personagem:

•O Inglês Lorde Wilmore, Diretor Secretário da Thomson & French; reponsável pelos atos de generosidade;
•Simbad, o Marítimo, quando ele salva a família Morrel e que evoca seu lado marítimo e livre;
•Abade Busoni, personalidade religiosa, o qual acredita desenvolver um papel de justiça por parte da providência;
•Monsieur Zaccone: disfarçados de ambos, Abade Busoni e Wilmore;

Na minha humildade opinião, o Conde de Monte de Cristo é mais sobre uma análise psicológica do homem frente às transformações submetido ao longo da vida; outro fator imprescindível aqui é, até que ponto é justo você exercer o papel da providência divina. Dantés consegue sair do submundo da prisão de Ef, mas continuou preso pelos grilhões da vingança durante a caminhada.

“Há situações que os homens captam o instinto, mas são incapazes de comentar com a inteligência. O maior poeta, nesse caso, é aquele que solta o grito mais veemente e espontâneo.”

Veja bem, não questiono as atitudes de Dantés, mas até onde o justo passa a ser injusto e quanto do que você faz reflete indiretamente e diretamente sobre a vida de outros? Qual a delimitação tênue de satisfação e remorso? O quanto cabe ao homem cobrar e o quanto a vida é encarregada de cobrar? Qual preço é justo receber ou ainda, quanto custa à nobreza do perdão? A resposta fica a cargo do leitor que após o término da leitura elabora uma impressão acerca de cada personagem e a situação como o todo. Quanto a mim, fico com a declaração do nosso jovem sobre sua missão:

“(...) como Satã, julgou-se por um instante igual a Deus, mas reconheceu, com toda a humildade de um cristão, que o poder supremo e a sabedoria infinita são atributos exclusivamente divinos (pág 1662)
Quanto ao livro, uma leitura obrigatória que deve ser lida e relida muitas vezes. Afinal grandes clássicos literários são obras onde o autor delineia a humanidade com palavras transformando-a em uma arte digna de apreciação.
simplesmente fantástico!

"o fraco alardeia os fardos que levanta, o timido, os gigantes que enfrenta, o pobre, os tesouros que manipula, o mais humilde camponês, em virtude do seu orgulho, chama-se Júpiter" (pág 1081).
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Davi 24/05/2011

Obra magnífica,conteúdo espetacular.Envolvente,cativante,engenhoso,realmente não tem como parar de ler e se envolver com os personagens,ate mesmo com os periféricos,dispensado será dizer que,o protagonista da trama,um homem tão fantástico,que te faz sentir os teus medos,tuas angustias,tua alegria,suas dúvidas,suas certezas...enfim,Uma verdadeira obra prima! Honras a Alexandre Dumas!!
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Thaisa 05/09/2015

Vingança é o primeiro nome de Conde de Monte Cristo
De longe, uma das melhores histórias de todos os tempos. Eu já gostava bastante do filme com o Jim Caviezel, assim como a microssérie com o Gerard, mas o livro é uma história diferente das adaptações à telona.

O conde é corrompido pela maldade e inveja alheia, indo de um personagem inocente e humilde à extremamente manipulador e inteligente. Só lendo mesmo para sentir tudo que ele sofreu e como ele planejou cada pequeno detalhe para se vingar de todos que o colocaram literalmente num inferno. Isso não quer dizer que ele não faça boas ações nem recompense pessoas boas que a vida ainda insistia em judiar. Ele facilmente passa de personagem cheio de compaixão a cheio de vingança incorruptível. Um dos personagens literários que mais tenho carinho.

Apesar da leitura ser bastante longa, recomendo como um dos meus livros preferidos. Ler ele e rever as várias adaptações é uma experiência bem interessante.
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