Fúria Lupina - Brasil

Fúria Lupina - Brasil Alfer Medeiros




Resenhas - Fúria Lupina


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Adriana F. 06/07/2011

Uma obra que sempre quis ler!
Falar de Fúria Lupina – Brasil é falar de lobisomens, de folclore, de ecologia... É violência, ódio, sangue e vísceras... É falar, principalmente, do bicho-homem, o predador voraz cuja racionalidade remete às atitudes mais irracionais possíveis. Mas vamos lá, falarei por partes!

O livro está muito bem escrito, a despeito de alguns erros de revisão que se tornaram mais visíveis no decorrer da leitura. Não são exagerados, mas estão presentes. Algumas redundâncias (“há muito tempo atrás”, por exemplo) e alguns errinhos básicos de digitação (como alguns “ss” comidos em um ou outro plural), um "mal" no lugar de "mau", só para citar exemplos. Mas de maneira geral, uma boa edição. A ilustração do lobo está linda e a capa é muito pertinente e criativa. Uma edição caprichosa até nos detalhes, como os “arranhões” separando trechos num mesmo capítulo. Lindo!

A leitura é fluida, dinâmica desde o início. Um livro gostoso de ler, com capítulos separados por núcleos, o que me fez lembrar Stephen King (principalmente em Desespero). A despeito do que vi em alguns comentários, os capítulos não são histórias independentes, mas núcleos de personagens que estão interligados. Estilo que muito aprecio. As cenas de ação são intensas, de tirar o fôlego desde as primeiras páginas quando o autor, com muita propriedade, narra a primeira metamorfose.

A violência é narrada sem eufemismos. Muito sangue, membros decepados, tripas espalhadas pelo chão... A ideologia do “olho por olho” é amplamente disseminada ao longo do livro, porém, o autor – enquanto narrador – não toma partido, deixando para o leitor a escolha de um lado, a aprovação ou não de atitudes regadas a uma vingança desmedida. O sexo é inserido na dose certa, sem vulgaridade, ora de maneira repugnante e violenta, ora de maneira terna e romântica.

Os personagens... Ah, os personagens... Todos muito bem construídos e cativantes, desde o caçador ensandecido até o líder da Alcateia Global. Não dá para não odiar Hell Vansing e não amar a complexidade com a qual ele foi criado. Sua determinação beirando a loucura e obcecação deixa o leitor perplexo, espumando de raiva tanto quanto os lobos. E a torcida para que seu fim seja lento e doloroso é inevitável. E a peeira... Que linda! Uma personagem muito bem trabalhada, profunda, intrigante e absurdamente carismática. Impossível não amá-la.

Green Death é um caso à parte. A organização ecoterrorista chegou para mostrar os dois lados de uma mesma moeda. Sangrenta moeda, diga-se de passagem. Muito sangrenta!

O enredo une diversas críticas e, como o próprio autor mencionou, a leitura possui camadas. Crítica a uma sociedade autodestrutiva, gananciosa e hipócrita, cujas minorias são massacradas constantemente pelo simples fato de serem minorias.

Segue um trecho da fala de um padre sobre uma família em Cuba:

“– Vejam bem, não é simplesmente a questão de estarem atacando ou não o povo daqui. Eles são seres do mal, e sua simples presença traz mau-agouro.” (pág. 127)

Isso mostra claramente a hipocrisia e imoralidade com a qual a Igreja, de maneira geral (sem entrar no mérito das religiões), trata seu “rebanho”. Não importa se são inocentes ou não. O que importa é manter os fiéis com cabresto, mansos, banhados em superstições e crenças irracionais.

Em outra passagem o autor cita com muita inteligência a hipocrisia referente ao amor incondicional pregado na Bíblia (pág. 42), inserindo questionamentos que todos deveriam ter.

A ideologia do “olho por olho, dente por dente”... Essa questão é bem complicada e é o alicerce do tema em Fúria Lupina. Como disse anteriormente, o autor não toma partido e deixa a decisão para o leitor. Eu, em sã consciência, sou contra essa ideologia, mas no livro ela é colocada com tal paixão que nos faz acreditar ser a única alternativa. Às vezes me pego pensando que sim, deveria existir um predador capaz de sobrepujar o poder do – até então predador de topo – ser humano.

A crítica não para por aí. O ser humano tornou-se algo desprezível e descartável em Fúria Lupina. Segue um trecho sobre um incidente no bairro da Barra Funda envolvendo Dante e alguns delinquentes:

“No final das contas, a polícia não mostrará empenho nas investigações e arquivará o caso como não solucionado, afinal são pessoas que não farão a menor falta à sociedade.” (pág. 153).

Até que ponto criminosos não farão falta? E não farão falta para quem? Para a sociedade como um todo? Para suas famílias? Seus pais, seus filhos? E se uma sociedade não possui seu lado podre, quem terá capacidade para descobrir seu lado bom? E, a despeito da cena supracitada (que não entrarei em detalhes para não soltar spoilers), criminosos são crias de uma sociedade desigual, fria e cruel, na qual uma minoria elitista tira as oportunidades das massas, e estas precisam sobreviver com o que a própria sociedade ensinou: tirando dos mais fracos.

Além de críticas ecológicas, sociais, políticas, religiosas, Fúria Lupina – Brasil vem carregado de referências das mais diversas, característica do autor, mostrando toda sua cultura de décadas de leitura, de filmes “trash” e boa música.

Não posso deixar de falar que Fúria Lupina é o tipo de leitura que sempre quis ler (o que me faz parecer uma entusiasta). Alfer Medeiros, autor jovem, culto e muito criativo, não é apenas mais um a escrever fantasia sem nexo e sem conteúdo. Não é apenas mais do mesmo, mais uma historinha de terror que fechamos o livro quando acabamos e pronto, mais um monte de papel caído no ostracismo. Alfer Medeiros tem humildade e uma outra coisa que falta na grande maioria dos escritores de Literatura Fantástica: ele tem algo a dizer!!!

O que? Se Fúria Lupina tem algo de negativo? Obviamente, toda obra é passível de melhorias. No caso de Fúria, não seria diferente: me deixou extremamente ansiosa para ler a continuação!

Ok, brincadeiras à parte, a única coisa que não gostei foram as explicações em demasia. Algo que eu, particularmente, não aprovo numa leitura. Mas nem isso tirou todo o prazer que tive em, finalmente, encontrar um livro da nossa LitFan nacional com conteúdo.

Não preciso dizer que recomendo, né? =)
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Ana 08/11/2020

Surpreendeu!
Joanopolis - uma cidade brasileira naturalmente mística, traz uma surpresa que o ser humano comum mal pode conceber: uma das mais antigas alcateias de homens lobos no Brasil.

Espalhados pelo mundo, comunicando-se pela mente, homens lobos brasileiros e nórdicos se unem contra um dos seres mais destrutivos do planeta: o homem.

No livro ?Fúria Lupina?, somos apresentados com riqueza de detalhes a esse ser fascinante da mitologia: o lobisomem. Não de uma forma folclórica e divertida, como muitos filmes apresentam, mas com uma realidade tão palpável, que fiquei me perguntando se eles realmente não existem.

Quem me conhece sabe que sou fã de filmes de terror e já assisti a todos os filmes de lobisomens acessíveis. Ao ler ?Fúria Lupina? a única coisa que pensei foi: quando será o filme!

O final foi tão empolgante, tão intenso, quase passei mal de tanta ansiedade nas últimas páginas.

Amei o livro! Ansiosa para ler o ?Fúria Lupina - América Central?, mas esse vou querer o autografado!

Recomendo para quem gosta de livros de ação, gostando ou não de lobisomens. É uma excelente reflexão sobre quem realmente é o vilão desse planeta.
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Vivi 22/06/2011

O que primeiro me chamou a atenção nesse livro foi o fato dos capítulos serem separados por núcleos! E a cada capítulo que vamos lendo já vamos identificando uma aproximação, sutil no começo e depois, nós meio que ficamos assustados com o rumo que a história toma! O mais gostoso mesmo é você ver o desenvolvimento da trama e a aproximação desses núcleos!

Nossa história começa em 1977, com o nascimento de uma criança, essa criança é Caroline, nossa Protagonista e descendente de uma das mais fortes e respeitadas famílias de Homens-Lobos. Durante toda sua infância Caroline sabe de sua origem e anseia pela transformação, ela é atendida precocemente aos 10 anos quando passa pelo ritual e se transforma em Mulher-Lobo.

Paralela a história de Caroline, temos Dante, um rapaz que não teve a sorte de ter uma família como a de Caroline, que explicasse e o fizesse compreender o que ele é, e como conviver com sua fera interior. Apesar disso, após o episódio lamentável que foi sua primeira transformação, Dante torna-se um homem integro e tem um autocontrole surpreendente para um Homem-Lobo que cresceu sem uma Matilha.

Em outro núcleo da história temos os personagens Vansing Hell e seu comparsa Guent, que trabalham com atividades ilícitas, contrabando e golpes. Acompanhamos o surgimento dos dois grandes caçadores e logo de início já podemos perceber que algum dia eles darão muito trabalho aos Homens-Lobo (estou escrevendo Homens-Lobo, porque na cultura abordada nesse livro é pejorativo chamá-los de Lobisomens).

Tem cenas de ação maravilhosas nesse livro!!! As cenas são todas muito bem montadas e descritas, por vezes cheguei a imaginar as cenas e me assustei!!

Podem esperar muitas surpresas com Caroline e Dante, que com certeza terão um papel muito importante em Fúria Lupina – Brasil.

“Com movimentos vigorosos, a criatura arranca a pele do corpo do homem, sentando-se sobre suas pernas e segurando seus braços quando necessário, enquanto o miserável se debate em agonia.” Pág 58

Bjokas!!!!
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Amanda Reznor 20/04/2011

E que o que não vier por bem... Venha pela força do Lobo!
Uma história bem amarrada na qual nenhum detalhe é deixado de fora, Fúria Lupina traz a saga de diferentes famílias de homens e mulheres-lobo, ou de seus remanescentes espalhados pelo mundo, trazendo à tona um cenário miscigenado de cultura e linguagens, diversidade de tons e de mitologia folclórica que se imiscuem deliciosamente pelas páginas violentadas pelo ódio, vingança e crueldade que irrompe das mais contrastantes personagens, narrando não só o lado fantasioso que é a figura de um lobisomem, de forma original e inovadora, como também a verdade mais importante de todo o processo: que a real malícia está no coração dos humanos.

Se entregue a um banho de sangue regado a humor negro e bom senso: desfibrile-se sob a escrita potente de Alfer Medeiros!
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Gerson 11/11/2010

Muito Bom
No começo parece que você está lendo contos sobre lobisomens, depois o bicho pega, literalmente, aí é só ação, não dá pra parar de ler. O uso de elementos do folclore brasileiro deu um toque a mais na obra. Vai um conselho: Antes de maltratar a mãe natureza não esqueça que existe o Green Death.

Parabéns ao autor pela criatividade.
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dani 04/07/2011

Fúria Lupina Brasil - Alfer Medeiros
Fúria Lupina foi um livro que me mostrou uma nova visão lupina.
A história desse livro vai tratar sobre os lobisomens, seu que é um pouco óbvio, mas de uma maneira fora do padrão comum, ou pelo menos daquele que estamos habituados, com luas cheias entre outras coisas.
O livro é dividido em várias histórias separadas de personagens diferentes que por muitos motivos vão acabar se cruzando. Os lobisomens estão inseridos na sociedade a muito tempo e isso não é percebido, um dos núcleos da narrativa é a família de Caroline, uma família de homens-lobos (essa é a nomenclatura usada para os lobisomens nesse livro)que existe há muito tempo, depois conhecemos Dante, o sétimo filho de uma família com seis irmãs e que possui algo de estranho em sua essência e Joe Hell Vansing, um homem de índole suspeita que adora caçar e em uma noite perdida descobre essa nova raça que chama de “cães do inferno”e decide que apartir daquele momento vai caçá-los e conhecemos um pouco sobre a Alcatéia Global entre outros personagens que porém estão ligados a essa raça sobrenatural e talvez ao mesmo destino . A história estrutura muito bem a organização dos lobos, que diferente do padrão, não são apenas animais irracionais e tomados por instinto, claro que a fera ainda se encontra e tem uma presença forte na transformação desses seres mas eles mantêm a racionalidade e as características humanas.
Gostei muito da história, é um livro focado na figura do lobisomem e que vai mostrá-la de um jeito diferente, os lobisomens possuem características próprias dos lobos de sua região e estão divididos em classe como Alfa, Beta e Ômega, e são em sua maioria uma raça unida, bem como uma alcatéia mesmo. E além dos lobos o autor nos presenteia com seres do nosso folclore nacional, o que deu toque todo especial ao livro. A história me surpreendeu e foi me ganhando aos poucos, pois você se envolve devagar com cada personagem, porém mesmo o autor avisa logo no inicio que a violência e a crueldade estão presentes em todo o livro, um modo de deixar o questionamento se a violência desse livro vem do lado humano ou do lado lupino, com isso fica um pouco difícil se apegar a algum personagem e imaginar que o fim dele pode não ser tão feliz. O livro é uma história completa mas isso não quer dizer que tudo vai parar por ai, o autor tem um novo projeto o “Fúria Lupina – América Central” que vai levar a ferocidade lupina a novas terras.

http://olhosderessaca25.blogspot.com/2011/07/furia-lupina-brasil-alfer-medeiros.html
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MÁRSON ALQUATI 12/02/2011

Lobisomens do bem!
Depois de Fúria Lupina, o mundo dos homens-lobos nunca mais será o mesmo. Muito bem escrito e pesquisado, com personagens cativantes e trama riquíssima em detalhes, o primeiro trabalho de Alfer Medeiros conseguiu me surpreender ao quebrar grande parte dos paradigmas comuns aos nossos amigos lupinos. Os lobisomens de FL são organizados, vivem em sociedade e desenvolvem atividades de proteção à natureza, controlam suas mutações e se comunicam entre si telepaticamente. Adorei as cenas de ação, recheadas de sangue, as histórias de Caroline, Fênix e Dante, que são narradas durante a maior parte do livro como independentes, mas no final se cruzam de maneira espetacular em uma das maiores batalhas entre lobisomens e caçadores humanos que eu já tive o prazer de ler. Não me admiro, se daqui algum tempo o livro do Alfer for adpatado para a telona, daria um excelente filme. Parabéns ao autor, não vejo hora de ler a sequência: Fúria Lupina - América Central! Recomendadíssimo!
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Talita 12/08/2011

Como explicar um livro que me deixou ''tonta'' do começo ao fim?

Bom, vocês devem estar se perguntando: ''como assim te deixou tonta?'', bom, me deixou assim porque na maior parte do livro eu lia mas não entendia nada do que tinha acabado de ler de tanta embolação que nunca sabia quem era quem.

Vou tentar explicar mais ou menos do que eu pude entender depois de muito reler cada capítulo e mil resenhas e opniões diferentes.


O livro é dividido por períodos, cada uma com um significado específico na cronologia do enredo. A história não se detém ao foco de apenas um personagem, e tem a narrativa em terceira pessoa, podendo assim explorar a visão de vários personagens intercalando suas histórias, até que todas se cruzam em um desfecho surpreendente.

As partes que mais chamaram minha atenção foram as com um foco nos personagens Caroline, Dante e do vilão, Joe “Hell” Vansing (só eu li e lembrei do Van Helsing?) acho que porque era a única parte que tinha um pouco de romance, porque o resto é totalmente selvagem, sangrento e com muita riqueza de detalhes nas cenas mais fortes que causam até uma certa náusea.

Com o foco na ação, o livro avança em páginas sangrentas, mostrando os personagens enfrentando desafios e descobrindo suas habilidades, regadas por caçadas, combates e surpresas. Porém, o que me incomodou mais foram os diálogos. Achei a linguagem um tanto forçada demais, meio confusa.

Para concluir, acredito que Fúria Lupina foi um bom trabalho de Alfer Medeiros, que nos presenteou com uma história criativa em suas páginas regadas a muito rock n' roll ;)
Mas vale lembrar os detalhes que citei para que no próximo livro não ocorram tais erros e para que a leitura flua melhor.

Quotes:
“A fraqueza humana de colaborar com a mediocridade alheia será abandonada. Agora, entra em ação a lei mais primordial da natureza: somente os fortes sobrevivem.” - Página 173
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“A natureza lupina liberta. A natureza humana destrói.” - contra-capa
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Ps: Partes parecidas com resenhas alheias não é mera coencidência, li e reli mil resenhas antes e depois de ler o livro, e fiquei com algumas passagens na cabeça que pode ter ficado parecidas com alguns trechos, mas não foi por mal, foi uma busca pra entender melhor a história que como eu disse não tinha ficado muito clara ;)

Alfer Medeiros 12/09/2011minha estante
Esta é uma resenha preocupante, pois é a primeira vez que alguém não entende direito o que foi narrado nas páginas de Fúria Lupina Brasil. Como autor, devo sempre prestar atenção em comentários como este, para poder encontrar os pontos de atenção nos quais devo aplicar correções.
Talita, se assim desejar, entre em contato para podermos falar sobre esses trechos onde houve falta de entendimento da trama. Será muito valioso seu feedback mais detalhado.
Um abraço e obrigado.




Junior Cazeri 10/07/2011

Alfer Medeiros, com que já bati um papo um tempo atrás, lança seu livro de estréia, o raivoso Fúria Lupina e mergulha no universo dos lobisomens com uma visão bem pessoal do tema. Figuras que ganharam destaque na literatura nacional este ano, os licantropos de Alfer afastam-se do conceito de “caçadores solitários” e apresentam-se de forma organizada, unida e mortal.

A trama tem início em 1977 e mostra em cada capítulo famílias diferentes recebendo novos membros em seus lares. Recém nascidos que chegam ao mundo com alegria, tristeza e desconfiança, conforme cada caso. E o tempo avança até nossos dias e acompanhamos a infância, adolescência e amadurecimento destes personagens tão distintos entre si, que têm em comum apenas o dom de se transformar em lobos poderosos e buscar um equilíbrio entre sua condição e o meio em que vivem. Eu disse dom? Pois é, no universo de Fúria Lupina a transformação, ainda que dolorosa, não é vista como uma maldição, muito pelo contrário.

Em uma linha paralela, somos apresentados a uma dupla de caçadores americanos que, por um capricho do destino, acabam se deparando com um das criaturas da noite e descobrem no negócio de caça ao lobisomem um trabalho não apenas lucrativo, mas que também pode aplacar o sadismo de ambos. E é claro que lobos e caçadores vão se encontrar pelas páginas do livro. Mas, esse não é apenas um jogo da gato e rato, temos ainda organizações internacionais, ecoterroristas lupinos, castas de lobos e outros detalhes que vão enriquecer a narrativa.

O autor toma um cuidado muito grande nas descrições dos cenários, principalmente das várias cidades onde se passam as ações, e usa várias referências de épocas e lugares, dando um charme especial a passagem do tempo em cada parte da história. Os mitos do folclore brasileiro também fazem sua participação, todos em momentos importantíssimos, interagindo com os lobos e compartilhando conhecimentos (não, felizmente, o Bilu não aparece). Mas, também correu grandes riscos, como narrar a história no presente e não descrever pensamentos de nenhum personagem, o que cria uma barreira entre o leitor e os personagens.

Com o foco na ação, que é ininterrupta, o livro avança em páginas sangrentas, mostrando os protagonistas enfrentando desafios e descobrindo suas habilidades. Os fãs do gênero vão se deliciar com as caçadas, combates e surpresas, assim como na forma com que o autor consegue amarrar tudo isso ao final. Um livro descompromissado e divertido, que deve se tornar o primeiro volume de uma série.

Contudo, um elemento me incomodou durante a leitura, os diálogos. Falta espontaneidade nas conversas entre amigos, que, para explicar a trama ao leitor, conversam como desconhecidos, numa linguagem um tanto forçada e didática, e que tenho certeza que, com o cenário já criado, vai evoluir muito no próximo volume. Há também uma certa inocência, uma visão em preto e branco, dos fatores ecológicos, mas nada que comprometa.

Enfim, um bom trabalho de estréia de Alfer Medeiros, que nos presenteia com muito rock, garras afiadas e uivos assustadores.

Resenhado no http://cafedeontem.wordpress.com/
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Gisele Galindo 04/10/2011

Terror nas florestas brasileiras
Primeiramente, Alfer Medeiros é uma pessoa ótima, fantástica mesmo. Mal o conhecia e ele passou a conversar comigo de vez em quando e a demonstrar interesse pelas vitórias que vinha conquistando a cada passo árduo à publicação de meu primeiro livro. O que demonstra a ligação e a felicidade dos autores nacionais em compartilhar a alegria do próximo. Alfer faz parte desse seleto grupo.

Mas, como todos que acompanham meu blog sabem que sou sempre muito sincera nas resenhas. Isso não influenciará o texto a seguir.

Ler Fúria Lupina foi na verdade um desafio pessoal, como alguns outros que me imponho de vez em quando. Pois, não sou muito chegada a histórias de lobisomens. No entanto, a capa me chamou muito a atenção e decidi conhecer essa obra. Realmente, apaixonei-me pela capa, hehe.

No início da leitura já passei a gostar. Uma narrativa que fluía a cada linha. Gotosa de se ler.
Porém, todavia, entretanto... rs, revelou-se uma história bem sangrenta. Alfer não poupa detalhes do derramamento de sangue. É cabeça para um lado, perna para outro. Garras e mais garras dilacerando o bicho homem. Calma, os bonzinhos escapam da matança... ou não.

O que mais gostei foi do emaranhado e da complexidade que Medeiros criou durante todo o livro.

A “pegada” do autor não foi descrever cenas românticas ou fraternais. Nada disso. Confesso, senti falta dessas partes, que eram passadas rapidamente e sem detalhes nos trechos destinados a isso. Os detalhes foram reservados aos trechos de ação e aqueles recheados de sangue. Que, confesso, mais uma vez, me embrulhavam o estômago.

Aos apaixonados por esse estilo de literatura, Fúria Lupina é um prato cheio.

Apenas achei que ele poderia ter maneirado um pouco nas descrições, já que às vezes elas eram repetidas, como também, algumas informações já citadas em capítulos anteriores.
Quanto aos erros... gramaticais e de digitação, foram raros. Já de repetição de palavras e o excesso do sufixo ente, mente... como, desesperadamente, insuficientemente. Essas coisas... Mas, foi só.

Ainda não sei o que pensar da Alcateia Global... às vezes gostava e outras detestava. Ah, Alfer também inseriu outras figuras do folclore brasileiro, o que gostei muito. A criatividade rolou solta, maravilha!!!

Recomendo a leitura!
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Allife 19/05/2020

Fúria lupina
Não adiantar correr, eles são mais rápidos que você, não adianta se esconder, eles sempre vão te achar.
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Racestari 19/02/2019

Tem que valorizar!
Um livro que me lembra um pouco aqueles escritos pela Patrícia Melo, com frases curtas e indo direto ao ponto. Inúmeras citações a livros e filmes despontam em uma história ágil e com poucas concessões. A contextualização histórica deixa o livro bem legal, e a introdução de nosso folclore traz um saci ao estilo Marcos DeBrito, que também tem um excelente livro de lobisomem. É um autor que me empolgou, e tem tudo para valorizar nossa literatura tupiniquim. Recomendo.
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vortexcultural 06/08/2016

Por Jean Dangelo
Fúria Lupina: Brasil é um livro fascinante, não só pelas personagens incríveis ou pelos detalhes das grandes batalhas, mas também pelo jeito como tudo é apresentado. Além de ser um livro brasileiro, fazendo com que os leitores se acostumem e entendam a maioria dos termos, diálogos e lugares usados ao decorrer do enredo.

A estória começa no ano de 1977, com o nascimento da descendente da uma respeitada família de Homens-lobos. Caroline é a mais forte de sua raça e a principal personagens do livro. Ela cresce sabendo que um dia se transformaria em lobo também, mas isso aconteceu mais cedo que o esperado. Aos 10 anos de idade ela passa pelo ritual de metamorfose e se torna então, uma mulher-lobo.

[Resenha completa no Vortex Cultural - Link abaixo]

site: http://www.vortexcultural.com.br/literatura/furia-lupina/
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SAMUEL 07/08/2014

Um brinde ao sangue derramado
Fui apresentado à obra de Alfer Medeiros através da indicação de outro escritor, o talentoso Alec Silva. Embarquei na leitura esperando um bom livro de horror, mas não foi isso que encontrei, pois Fúria Lupina é bem mais que uma história de horror.

Desde o prólogo, já somos apresentados ao mundo particular dos homens-lobo, começando pela dolorosa transformação, narrada com detalhes e elegância, mesclada a um nascimento cercado de mistério e tensão. Em Fúria Lupina, na maior parte do livro, temos diversas histórias paralelas, que acompanham diferentes licantropos. Os relatos, inicialmente, são totalmente independentes, mas, em certo ponto da trama, vão convergir de forma surpreendente.

A escrita de Alfer Medeiros e instigante, sabendo trabalhar com tensão, violência, e até mesmo ternura, em alguns poucos momentos em que a história permite. Além disso, trabalha o mito do lobisomem por um enfoque distinto do que estamos acostumados, conseguindo envolver o leitor de forma a fazê-lo vibrar com coisas como a decapitação de membros humanos, por exemplo.

A violência não é amenizada pelo autor, que descreve com detalhes cenas grotescas e apavorantes, sem, contudo, cair no mau gosto. Não sou um grande apreciador da violência sangrenta de filmes de horror, ainda assim, em nenhum momento senti algum desconforto na leitura, além daquele necessário, e desejável, que se espera do gênero.

Como já citado, apesar de violento em diversas descrições, o livro vai além de uma história de horror, pois entra a fundo na personalidade das criaturas, em uma inversão de valores onde se confundem predador e presa.

Somos brindados com inúmeras referências a cultura pop. Algumas mais diretas, outras mais implícitas. Não peguei todas, o que é natural, pois cada um vai identificar suas referências de acordo com a bagagem cultural que carrega. Isso, por que não são forçadas, e enriquecem a trama. Destaca-se, ainda, a presença, em diversos momentos da história, de mitos do folclore brasileiro, introduzidos de forma muito interessante, dando uma peculiaridade regional ao livro.

É também muito bem trabalhado o contexto histórico da ação, de acordo com a época em que se passa cada capítulo, visto que o livro segue um período amplo de tempo.

O modo com as várias trajetórias descritas se convergem é extremamente hábil, culminando em um desfecho tenso e violento, recheado de surpresas e revelações. Esse final põe um ponto final à história, no entanto, em seguida temos um epílogo que abre um leque de possibilidades para uma sequência, que virá no livro “Fúria Lupina – América Central”, que já adquiri e lerei em breve.

Recomendo a todos essa leitura, até mesmos àqueles que não tem predileção pelo horror.


site: http://romances-para-te-fazer-feliz.blogspot.com.br/2014/08/resenha-furia-lupina-brasil-alfer.html
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