Como Ouvir e Entender Música

Como Ouvir e Entender Música Aaron copland




Resenhas - Como ouvir e entender música


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jeromygride 24/06/2020

Excelente livro.

O que tem aqui que não quero esquecer? Muita coisa.

- Saber imitar música (tocar, reproduzir) não significa ser musical
- "A música é uma arte que se desenrola no tempo". A música é a arte heraclitiana por excelência, ela "não é uma coisa estática, mas algo vivo", e "vida" aqui é o fogo heraclitiano, o eterno devir, a eterna combustão. Não há nunca música em estado estático. Música em estado estático é apenas silêncio.
- Existem planos diferentes da escuta musical: 1) sensível, 2) expressivo, 3) puramente musical. O primeiro plano de escuta é basicamente o prazer sonoro. O segundo plano de escuta é o do significado, a parte abstrata. O terceiro plano é o plano das próprias notas. O ouvinte pleno considera os três planos, que são: a maneira como a música o atinge, o suposto significado que se pode extrair dela e a "música em si", separada tanto do seu impacto em nós, quanto de seus supostos fins, enfim, a música em estado "concreto".
- A apresentação breve de diversos processos criativos de compositores famosos foi bastante útil. É absolutamente normal ter apenas uma ideia de música, e ter que desenvolvê-la passo a passo. Era o processo de Beethoven, e é o processo mais comum. Inspirações avassaladoras como a de Schubert são raras. É ainda mais raro o compositor pioneiro, que quebra todas as tradições. Mais comum é o compositor que avança um aspecto ou outro do estilo de sua época.
- Boa base teórica, embora muito breve. Compreende aqui os elementos da música e algumas formas musicais. Também há uma brevíssima história da ópera e um pouco de informação do processo de criar uma trilha sonora para um filme.
- O capítulo sobre música contemporânea diz coisas que eu sempre quis dizer mas nunca soube bem como. Desprezar a música moderna (a arte moderna, como um todo), é desprezar a música (e a arte) de nossa própria época, o que nossos próprios contemporâneos estão fazendo, ou seja, o que a nossa própria época está sentindo, dizendo, criando. Desprezar isso em favor de ideais românticos ou clássicos é mero preconceito antiquado.
- Por fim, a frase de Virgil Thomson: "o ouvinte ideal é uma pessoa que aplaude vigorosamente", que se deixa envolver pela música, com vontade e desprendimento.
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Gabriel 25/03/2017

Escutando música de uma maneira mais "apurada".
Aaron Copland foi um conhecido compositor norte-americano do século 20 que, além de ter contribuído na trilha sonora de filmes e em concertos, realizou palestras e escreveu livros didáticos sobre a sua área de maior destaque: a Música. Dentre os textos que produziu, Como Ouvir e Entender Música foi certamente sua obra mais conhecida e é talvez a mais relevante de todo seu catálogo. Englobando diferentes nichos sociais, desde os musicistas e praticantes algum instrumento até os leigos no assunto, Copland deixou como legado artigos que podem ser a porta de entrada para os indivíduos interessados em conhecer a teoria e exuberância musical.

A maior virtude de Como Ouvir e Entender Música é a diversidade de movimentos musicais que a obra se atem a analisar. Embora o seu título possa sugerir ao leitor que esse livro irá se reclusar à música mais clássica ou erudita, sobretudo a do período Barroco, Clássico ou Romântico, deteriorando a “escassez” de qualidade das melodias atuais, Aaron Copland, como participante da escola modernista da música, proporá em grande parte dos capítulos uma nova visão para a análise de composições mais contemporâneas, constante alvo de críticas pelo seu forte caráter abstrato e experimental e fraco poder atrativo, induzindo o ledor a vê-las como necessárias ao seu tempo e resultado inevitável do curso histórico da produção musical. Dista feita, Como e Ouvir e Entender Música é uma obra a buscar respeitar os diversos períodos de composição até então conhecidos, equiponderando a importância de cada corrente ideológica.

Além disso, um caráter muito mais óbvio do livro é a sua fácil linguagem acessível àqueles ainda sem o domínio da leitura de partituras, notações de ritmo ou conhecimento para discernir formas musicais tais como a Fuga, Sonata ou a Ópera. Oferecendo seções onde explana tais conceitos, Copland introduz fantásticas obras de memoráveis compositores como Bach, Beethoven ou Gershwin ao leitor, contextualizando tais notações tanto histórico como culturalmente. Há de se dizer inclusive que escutar uma mesma música antes e depois de ler o livro pode ser uma experiência muito interessante, realçando ainda mais como uma audição mais atenta de uma melodia pode produzir novas percepções no ouvinte dantes nunca vistas.

Mesmo que em alguns casos possa-se argumentar que a leitura de Como Ouvir e Entender Música necessite do ledor algum conhecimento prévio sobre música, seja de composições que são citadas abruptamente na obra sem ao menos abordá-las, ou pelo fato da grande maioria dos compositores usados como exemplo para explicar algum tópico terem sido pianistas ou especializados em algum derivado do instrumento, tendo em vista que o autor do livro era pianista (embora os compositores mais conhecidos popularmente sejam em elevada porcentagem pianistas mesmo), exigindo até certo ponto do ledor saber quem foram tais nomes mesmo que toque um outro instrumento, tem-se uma boa bagagem didática nessa obra que pode sanar dúvidas sobre o aprendizado inteligente e cognitivo dessa área tão importante para o Homem que é a Música.
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