Necrópolis

Necrópolis Douglas MCT




Resenhas - Necrópolis


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Ogha 08/11/2010

Necrópolis- resenha
Meu primeiro contato com o termo “Dark-Fantasy” se deu por meio da série “A Torre Negra”, de Stephen King. Confesso que naquela época eu não gostei muito do livro e larguei “O Pistoleiro” em uma pilha de livros para ler depois.
Grande engano o meu, não?
A “Dark-Fantasy”, em resumo, é uma variação da Fantasia convencional com retoques sombrios e elementos mais adultos, como a morte, o esquecimento e demais elementos que muitas vezes são associados ao Gótico ou às escolas literárias Românticas. Entretanto, cabe a cada escritor criar em seu mundo as características que o tornam singular.
Stephen King fez isso na “Torre Negra”, ao misturar elementos de Western com Cavalaria, o velho oeste com a lenda do Rei Arthur. Está tudo lá, uma Ordem de pistoleiros que têm tanta ou até mais diretrizes que cavaleiros de armadura, profecias, magos e uma busca. Além, é claro, de toda sorte de estranhos monstros…
Eu sempre achei que o Brasil precisava de uma obra à altura, algo que pudesse se vangloriar de fazer parte da “Dark-Fantasy”, que pudesse ser diferente, apresentar a fantasia e elementos sombrios em um mesmo mundo. Confesso, que no auge de minha arrogância, tentei ser este autor.
Também confesso que não consegui.
Mas existe a Editora Draco.
Existe Douglas MCT.
E Necrópolis.
Meu primeiro contato com o autor foi durante o lançamento do livro “Anno Domini – Manuscritos Medievais”, conversamos pouco naquela época, mas ele me apresentou a trilha sonora de seu livro. Fiquei surpreso com aquilo, ouvi o CD umas duas vezes, gravei no PC, perdi o arquivo e me arrependo disso até hoje.
Necrópolis, por sorte, veio suprir esta lacuna da “Dark-fantasy” no mercado brasileiro. Recém-lançado pela editora Draco o livro conta a história de Verne Vipero em busca do nyian (a alma) de seu irmão no mundo dos mortos. Em sua jornada Verne faz diversos amigos e inimigos, enfrenta vilões aterrorizantes e desafios incríveis em busca daquilo que acredita.
De modo geral Necrópolis fala de evolução, de enfrentar desafios, lutar por aquilo que se ama, descobrimento. Pois em sua busca por Vítor, Verne acaba por descobrir muito sobre si mesmo e evolui como pessoa e personagem. Fica uma pontinha de esperança no leitor ao fim de cada capítulo, para que Verne consiga salvar o seu irmão e voltar feliz para casa.
Mas, como eu disse lá no começo, a “Dark-Fantasy” não é colorida e animada como a fantasia convencional. A jornada de Verne é caracterizada por todos os elementos que se espera em uma fantasia, tribos nômades, seres alados, vampiros, engenhocas de tecnologia duvidosa e caçadoras de recompensa usando trajes sumários (Sim!!!). Mas, muito além de qualquer destes elementos, está a escuridão, o vazio e a desesperança que o mundo de Necrópolis insiste em oprimir no coração de seus moradores e leitores.
A linguagem do livro é fácil, lembra muito “A Bússola de Ouro”, sem grandes novidades neste aspecto. A história é envolvente, os personagens carismáticos, e o enredo cheio de mistérios (que serão revelados, eu espero, nos próximos livros).
Em resumo, se você está procurando uma história com fadas, duendes e raios de sol, vá ler outra coisa. Necrópolis não é o seu livro.
Mas, se você está buscando uma história de verdade…
Bem-vindo à Necrópolis…
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MaryCMüller 10/08/2012

Boa premissa, mas faltou cuidado e não vi nada de dark fantasy.
“Necrópolis – A Fronteira das Almas” de Douglas MCT (não confundir com Necrópolis do autor de Alex Rider) conta a história de Verne Vipero e sua busca para salvar a alma do irmão caçula, Victor, morto logo no começo da história.

O livro começa bem, com um prólogo interessante, cujo tom é adequado com a proposta, mas, dali em diante, sente-se uma mudança radical de estilo, narrativa e fluência.

O prólogo nos deixa esperando um livro muito mais profundo do que realmente teremos. Somos apresentados aos personagens Verne e Victor, que, apesar do enorme esforço do autor em querer criar ligação com eles, não inspiram empatia.

Em 50 páginas mostrando a vida desses personagens e a amizade e união dos dois irmãos, ainda assim, não senti ligação alguma com eles, mesmo quando Victor morre de uma forma que deveria ser terrível. Contudo, a falta de empatia do leitor com os personagens faz esse acontecimento passar quase que em branco.

Percebi um esforço em querer criar essa ligação entre os irmãos, mas, há muita descrição e pouca ação para mostrar e transmitir isso. Uma simples situação poderia ter sido muito mais eficaz do que quase 50 páginas.

Não torci pelos personagens, nem senti suas dores ou alegrias em momento algum do livro. Não tive reação alguma em momento algum.

Uma questão que vale a pena comentar, mas, pode-se deixar de lado devido a liberdade criativa, é a falta de conhecimento do funcionamento de um orfanato. Quartos individuais, excesso de objetos pessoais, (brinquedos etc, costumam ser coletivos, apesar de que, algumas crianças podem ser apadrinhadas), falta de uma disciplina rígida e religiosa. Ignoro o fato de Verne ainda morar no orfanato depois dos 18 anos, apenas por ele trabalhar na biblioteca do mesmo e ter um irmão mais novo vivendo ali.

Os coadjuvantes não empolgam. Karolina é a mercenária gostosa. Ponto. Seus atributos físicos são repetidos à exaustão. Deixando fraca e vazia, uma personagem cuja intenção era a der ser forte e independente.

Simas (que só descobri ser gordo depois da metade do livro) é um ladrão contraditório, que aceita levar um recém conhecido para o vilarejo secreto dos ladrões (cujo nome está errado no mapa na minha edição).

Outro exemplo de repetição chato aconteceu ao apresentar os virleonos. Eu já entendi que ele é o chefe e tem a maior juba, obrigada. Lembrei do péssimo filme “The Last Airbender” e a ladainha sobre o pergaminho da biblioteca.

Um ponto de vista extremamente bagunçado e praticamente inexistente
confunde em diversas passagens.

Não vi utilidade nenhuma nos AI. São totalmente descartáveis. Não vi sequer a ligação entre eles e suas crianças. Novamente, descrições demais não farão o leitor sentir algo por um personagem. Além deles parecerem fortemente influenciados por “Fronteiras do Universo”, do Philip Pullman, embora sem a importância que os dimons, têm naquela história.

Outro esforço claro – e fracassado – foi ao dar clima de suspense e terror ao livro. Novamente, uso de descrições que não ajudam na criação do clima. Encher a narrativa de palavras como “mórbido, enegrecido, sombrio” não faz do livro um livro de terror.

Autores como Clive Barker, Stephen King e Lovecraft dosam o mostrar e o contar de forma que crie uma atmosfera pungente, sem precisar exagerar em descrições adjetivadas. O vilão Carniça, em Abarat, não precisa de muito para fazer o leitor temê-lo. Assim como Voldemort, que mal aparece nos livros de Harry Potter. “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” tem uma atmosfera muito dark, sem que, no entanto, Voldie apareça.

O livro não mantém uma série de mistérios interessantes que o transformem em um page turner.

Muitas passagens poderiam ser bem menores e de qualidade melhor com um pouco de cuidado. Exemplo perfeito é a parte do tarô, onde eu não conseguia parar de me lembrar de Monty Python e a cena do “Get on with it”. A cena, que dura páginas e mais páginas, é praticamente um manual de leitura das cartas.

Muitos erros de revisão, mesmo. Muitas crases mal colocadas, erros de conjugação verbal, um “seus corpo” na página 59 e muitas palavras começando com maiúsculas.

Só posso esperar que o autor aprenda com estas falhas iniciais e que melhore em seus próximos romances, pois, os erros foram bobos e podem ser consertados com um pouco de cuidado. Prova disso é o prólogo, muito melhor que o resto da história, mas, que infelizmente, não teve ligação com este primeiro livro.
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Junior Cazeri 17/11/2010

Um mundo fantástico em ritmo de anime
Necrópolis – A Fronteira das Almas é o romance de estréia de Douglas MCT, e primeiro volume de uma série de seis livros ambientados no universo fantástico criado pelo autor.

Verne Vipero é um jovem que perde o irmão em circunstâncias misteriosas e acaba descobrindo mundos que se estendem muito além do nosso, onde a alma do caçula avança para o esquecimento eterno. Inconformado, Verne inicia sua jornada para Necrópolis com o intuito de resgatar seu irmão, mesmo que tenha que enfrentar duendes e bárbaros, se aliar a ladrões e mercenários e buscar o castelo de um Conde Vampiro.

Entre situações que revelam o mundo de Necrópolis, apresentam heróis e vilões, alianças e traições, acompanhamos Verne em sua jornada rumo ao Abismo.

Divido em 3 partes, o livro começa apresentando os irmãos Verne eVictor, que levam uma vida comum, vivendo em um orfanato na cidade de Paradizo. São muito diferentes um do outro, Verne é um jovem adulto que não amadureceu e, no início, é fácil tomá-lo por criança, tanto pelas atitudes como pelo comportamento. Antes um rebelde, Verne agora é um pacato rapaz que cuida do irmão e sofre com um amor não correspondido. Victor é mais alegre, mas pouco o conhecemos, pois logo ele é vitimado por uma trágica e misteriosa doença.

Após a morte do irmão, Verne se torna introspectivo e inconformado e logo é confrontado por uma figura enigmática que tenta fazer o rapaz acreditar na existência de outros mundos, onde a alma de Victor caminha para um Abismo que leva à inexistência. Entre a dor da perda e coisas nas quais não acredita, Verne é convencido a enfrentar uma jornada para o mundo de Necrópolis e resgatar a alma do irmão.

A primeira parte é a que mais próxima da literatura infanto juvenil, com amigos imaginários (que considero totalmente descartáveis e destoantes do clima sombrio da obra), amores não resolvidos, crises familiares e uma abertura para um mundo fantástico. Douglas mostra que sabe para onde quer conduzir o leitor, com uma linguagem simples e funcional, mas também exagera em certas passagens, como a leitura de tarô, que se prolonga demais e acaba cansativa. Felizmente, tudo isso fica esquecido quando, finalmente, a jornada para o outro mundo se inicia.

Acompanhar as andanças de Verne por Necrópolis é quase como acompanhar um anime, vamos conhecendo o mundo e encontrando novos personagens, que vão se juntando e formando um grupo, com conflitos entre eles, rápidas aventuras e uma dose de humor.

Necrópolis é um mundo habitado por humanos, nascidos ali, e criaturas fantásticas, como duendes, vampiros, zumbis, lobisomens e outras, saídas da imaginação do autor e que não vou revelar (leia o livro, oras). Em seus campos inóspitos, Verne encontra aliados que darão suporte à sua busca pelo irmão, entre eles o ladrão velocista Simas, de longe o personagem mais interessante do livro, e a mercenária Karolina Kirsanoff com seu planador escarlate. Acontece que coisas estranhas estão acontecendo em Necrópolis, duendes liderados por bárbaros atacam ladrões e uma agitação nas terras de Érebus pode indicar problemas para os aventureiros. A busca de Verne se mistura com as histórias antigas de Necrópolis e revelações indicam que nem tudo é o que parece ser.

O passeio por Necrópolis e suas lendas é encantador, faz o leitor realmente mergulhar na trama, deixando para trás os elementos infantis e investindo em uma fantasia sombria, criativa e que, agora sim, foge dos clichês. Em ritmo frenético somos arrastados de um lado para outro do continente fantástico e a força dos personagens vai se revelando. Bom… de quase todos.

Aquela que devia ser a musa do livro, acaba por se mostrar seu calcanhar de Aquiles. Os dotes físicos de Karolina Kirsanoff são descritos de forma tão exagerada e repetitiva que a personagem acaba se tornando “a mercenária gostosa”, sem vida e brilho. Como já falei, cinco livros ainda virão, portanto, não faltará espaço para o autor soprar uma sobrevida mais colorida à personagem, e ela não enfraquece a história, apesar de chegar bem perto disso, e fica aqui a crítica por ela desempenhar um papel importantíssimo nesse primeiro volume, e ficar devendo em personalidade.

Para compensar isso, temos Simas. Ladrão, inconsequente, bem humorado e beberrão, que mostra mais profundidade do que todos os demais personagens juntos. Colocado ao lado de Verne como um grande amigo, torna a viagem muito mais agradável, humana e divertida.

Os coadjuvantes também dão um show à parte, como os aprendizes de mercenário, Ícaro, o Conde Vampiro e, claro, os vilões. Num mundo vasto como o de Necrópolis, as figuras se unem para criar um painel único de interesses e motivações.

Em seu trabalho de estréia como romancista, Douglas MCT provou que tem fôlego para conduzir uma história complexa sem mergulhar nos clichês, com muita energia nas cenas de ação e que vai agradar os fãs de fantasia. Falta amadurecer um pouco mais a linguagem, pois o autor provou em seu conto publicado na antologia Imaginários 3 que possui talento para uma escrita mais elaborada que, provavelmente, vai aparecer nos próximos volumes. As motivações dos personagens também merecem uma lapidada, pois Verne, um personagem simpático, ainda é só um adulto disfarçado de criança birrenta e alguns de seus aliados não tinham razões plausíveis para prestar auxilio a ele só por ele ter pedido (o Conde, mais notadamente).

Enfim, são situações que serão resolvidas em um futuro próximo, com a continuação da saga e só quem acompanhar a primeira etapa da aventura de Verne Vípero terá o prazer de saber para onde o Abismo nos levará.
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Adhemar 18/01/2013

Necrópolis é certamente mais um bom convite a descobrirmos um mundo inteiramente novo. Em um cenário complexo, com personagens de características bem distintas, o protagonista (ao qual definitivamente muitos de nós nos identificamos) deve embarcar em uma jornada que, à primeira vista, pode parecer simples, mas que se desenrola em algo muito maior.

Na minha opinião, o primeiro livro é excelente e com certeza vou ler o próximo da saga.
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Flauberth 10/12/2010

Será que é apenas um vendedor de charutos mesmo?
Li há muito tempo que para um filme ser bom e chamar a atenção do espectador, os primeiros 10 minutos são fundamentais, é onde a história será amarrada e amarrará o espectador.
Bom, Necrópolis fez isso comigo. Ao ler o prólogo, e imediatamente entrarmos na história de Verne, você se pergunta, o que o prólogo e Verne Vipero tem haver? E aí estava a armadilha. Fui pego. Não tinha mais saída, precisava terminar o livro. E terminar o livro foi uma delícia.

Não sei escrever resenhas, então vou colocar em tópicos o que achei e dizer tudo como o Martius Oly:

- as personagens e suas histórias paralelas foram um presente do Douglas. Simas, Karolina, Ícaro e a história dos Cinco fazem você passear pelas terras de Necrópolis.

- Os AI foi um ponto a dar mais brilho a história. Me fez lembrar Pullman.

- Criar um mundo ou um universo nunca foi tão difícil na minha opinião, mas fazer o que Douglas fez com Necropólis é muito difícil. Ele deixou as personagens caminhar pelo mundo, explorar seus detalhes, e ainda deixar muito para a imaginação.

- Preciso falar um pouco do final, mas sem spoiler. Me deixou sem ar. Fiquei com um nó na garganta. E só conseguirei resolver esse problema ao ler as próximas aventuras de Verne Vipero. "Maldita hora que resolvi ler Necrópolis".

Vale muito apena ler Necropólis e principalmente indicar para seus amigos e inimigos.
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Jimmy Anotsu 28/12/2010

Morrendo Para Viver.
Isso não é exatamente uma resenha formal e etc, É somente um cara comentando o que achou do livro. O dia está chuvoso e frio e no momento Tupac e Biggie cantam na minha playlist: Dying to Live. E essa é uma música que expressa bem o espírito e os personagens desse livro. Morrendo pra viver. Talvez realmente não tenha nada a ver começar a minha resenha dizendo o que estou ouvindo, mas sei lá.

Necrópolis foi publicado este ano pela Editora Draco – que é também minha casa editorial - no início de Novembro. Mas o meu conhecimento e a minha relação com a obra e o autor começaram alguns anos atrás. Quatro anos talvez. Acho que mais. Eu tinha 16-17 anos e queria escrever.

Naquela época conheci Douglas através do Orkut. Eu havia feito um comentário numa comunidade sobre “Door-away Fantasy” e ele me apresentou Necrópolis num scrap e eu fiquei interessado pelo conceito. Começamos a conversar a partir dali sobre nossos projetos e obras afins.

Desde aquela época ele comentava sobre a divisão da obra em seis volumes e sobre como conduzir seus personagens e reviravoltas. Durante anos, trocávamos idéias e opiniões através de várias madrugadas sobre esse mundo e outras coisas relacionadas – fossem as minhas narrativas, as dele ou de outros autores. E nem sempre eram discussões amigáveis. Isso é só a concretização das conversas da meia-noite, o resultado daquelas idéias que eu ouvia, lia com maior ou menor freqüência.


Foi uma surpresa e motivo de alegria quando fiquei sabendo que publicaríamos pela mesma editora. Por isso é um prazer finalmente resenhar a obra completa.

Comecei a ler num ônibus entre São Paulo e Belo Horizonte e li as primeiras cem páginas nas primeiras 3 horas de viagem. Mas não pude concluir a leitura até o fim das aulas na faculdade. E assim que retomei a leitura, terminei-o em dois dias.

Necropólis – A Fronteira das Almas, o primeiro volume da série, conta a história de Verne Vipero, um jovem bibliotecário e seu irmão, Victor e como o primeiro vai enfrentar um mar de problemas para salvar o segundo. A história começa em ritmo de filme de terror com um prólogo que ambienta bem a vibe do cenário. Percebe-se claramente como uma homenagem aos filmes e narrativas de exorcismo.

É um começo forte e violento e que impressiona. Um ótimo cartão de visitas.
A história salta muitos anos e estamos no ano de 2005 onde começamos a conhecer nosso protagonista e sua vida comum no orfanato. Começamos a conhecer tudo isso com a visita de um grupo de ciganos à cidade de Paradizo. E através das histórias contadas pelo velho Saja, conhecemos as lendas sobre Necrópolis: Um dos três mundos que integra Moabite, o sétimo entre os Oito Círculos do Universo.


Nesse início vemos a relação dos irmãos Verne e Victor, a relação de amor platônico de Verne por uma garota e seu visível desafeto por um certo Mr Neagu. E também conhecemos os Amigos Imaginários – que suponho serem influenciados pelos daemons de Phillip Pullman, inspiração confessa do autor. – E a ligação deles com seus donos e como eles desaparecem quando seu “dono” cresce, sendo que um dos fatos curiosos, é que Verne apesar de crescido, ainda mantêm Chax, o seu Amigo Imaginário.(Tem uma pequena referência a uma certa personagem minha nomeando uma A.I). E as coisas parecem ser comuns, até que um grupo de crianças que brincavam morrem após entrarem em contato com uma pedra misteriosa. – Victor incluso. Acredite, isso não é spoiler. E é aí que tudo começa de verdade. – Estou ouvindo: Cradle of Filth.

Auxiliado por Elói e após algumas provas de que existe magia, Verne parte para Necrópolis para salvar a alma de seu irmão que caminha para o Abismo. E nesse mundo, onde existem milhares de criaturas de todos os tipos, algumas mais ou menos conhecidas do leitor e outras completamente inventadas pelo autor. Vamos passeando pelo mundo com o protagonista e seus companheiros agregados pelo meio do caminho. Detalhe: Gostei muito da praia de areia azul! É uma coisa que gostaria de ter inventado. Isso é o básico que você precisa saber para entender sobre o que se trata.


Agora, aos aspectos técnicos. A narrativa e a construção de frases tem paralelos com a linguagem oral, em termos de ritmos narrativos e frases, como se o livro estivesse sendo contado por uma pessoa. Não que tenha uso de regionalismos, ou nada do tipo, somente a cadência que vai acontecendo sem muita intervenção do narrador ou jogos estilísticos, um fluxo narrativo. Existe durante a história a “câmera flutuante” do nosso narrador onisciente. Recurso que flutua de foco entre um personagem e outro, mostrando ora o que um pensa ou age e ora outro – como por exemplo: a cena em que os virleonos aparecem pela primeira vez ou numa cena tensa a bordo do Planador Escarlate.
E temos os personagens. Verne é um protagonista que tenta se adaptar ao que está acontecendo enquanto tem somente um único objetivo que tenta agonicamente cumprir.


Simas, o mais carismático do livro, é um ladrão bom vivant e rápido como o The Flash. Ele tem um humor espirituoso e serve em alguns momentos como alívio cômico, aliviando a tensão e também como sendo o guia de Verne por Necrópolis – o nosso por tabela. Ele tem um background interessante, por trás da sua velocidade e bem, ele gosta de beber, isso é um fato inerente a sua personalidade.


Temos Ícaro, um corujeiro que aparece primeiramente como um prisioneiro mas que se mostra durante o decorrer da aventura, se tornando integrante do grupo e é o mais frágil deles na minha visão.
E por fim temos Karolina Kirsanoff, a mercenária. E a personagem que menos me conquistou. Ela não conquista a empatia com suas bravatas e seu jeito ora sensual e dócil e ora super guerreira. E uma das coisas que me incomodou foi a insistência das afirmações da beleza dela. Num caso que lembrando as teorias de Henry James, caberia melhor um “show, not tell”. Fiquei com a impressão de que ela era uma personagem de mangá e isso ficava mais evidente quando ela contracenava com Simas.


As cenas de ação são bem visuais e isso se deve, suponho, à ligação que Douglas sente pelas artes visuais como cinema, animações – tendo inclusive roteirizado uma. – e quadrinhos, outra área na qual se envolve bastante. Um exemplo disso é a cena do Guardião que é facilmente imaginável durante a leitura e a cena no Planador Escarlate, pouco antes do Alcácer de Dantalion.


Sobre a questão de fantasia sombria. Senti a história mais como um YA com elementos de terror, uma aventura com coisas escuras, mas que em essência é uma história de busca e aventuras. Embora às vezes haja o uso de menções à “prostitutas” e outras coisas assim é algo que qualquer pessoa pode ler, assim como por exemplo, O Talismã, de Stephen King e Peter Straub, que apesar de juvenil não é “limpo”.


Para terminar, é interessante notar as homenagens que estão espalhadas pelo texto. Familiares que aparecem com nomes ligeiramente modificados, amigos e conhecidos. Martius Oly sendo primeiro exemplo que me vem à cabeça, ao que me consta um amigo da cidade natal do autor. E uma hora depois de ter começado, termino minha resenha ouvindo Aiden – isso não tem nada a ver, mas gosto de compartilhar.
Bem. Leiam.

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Tindomiel 20/07/2011

Não sou de escrever resenhas, seja por preguiça, seja por saber que não é minha praia, e também por achar que opiniões são altamente subjetivas, e o que é maravilhoso para alguns, pode ser detestável para outros. Mas Necrópolis me fez abrir uma exceção. Então resolvi compartilhar um pouco do que achei do livro.
Até um tempo atrás, era praticamente impossível falar em literatura fantástica brasileira. Graças ao talento de uma nova safra de escritores, isso mudou. Hoje temos literatura de fantasia de excelente qualidade, e Necrópolis, de Douglas MCT, é um ótimo exemplo!
A história fala sobre o esforço do personagem principal, Verne Vipero, para salvar a alma de seu irmãozinho Victor, morto de forma misteriosa - e dolorosa - com outras crianças da cidade. Auxiliado por Elói (um habitante exilado de Necrópolis, o mundo dos mortos, um dos mundos do terceiro círculo do universo), que zelará por seu corpo físico, Verne começa sua aventura no mundo dos mortos, onde passará por situações que acabarão com seu ceticismo, fará amigos como Simas, o ladrão (meu personagem favorito), a bela caçadora Karolina, o corujeiro Ícaro e o conde Dantalion, que o ajudarão em seu propósito. Há alguns poucos detalhes, situações e mesmo personagens que, a princípio, poderiam ser mais explorados, mas como haverá continuação, tenho certeza que isso será feito.
A revisão do livro poderia ter sido um pouco melhor, fica aí um puxãozinho de orelha na editora Draco, mas em contraparte os outros detalhes da edição foram tratados com qualidade e capricho, um luxo, principalmente no Brasil.
Bem, para terminar, o livro tem uma história que prende do início ao fim, com um bom mote, um universo muito bem desenvolvido, personagens bastante interessantes, uma leitura fluida e um desfecho que me deixou irritada porque... quero mais! Tomara que a continuação venha em breve!
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changkwr 30/11/2010

História Fantástica!
Realmente os autores brasileiros de livros deveriam ter mais oportunidades de escreverem livros e esses livros serem publicados.
Um bom exemplo disso é o livro que vos resenho:
Necropolis realmente diferente de tudo que já li, mas com temas e personagens que você se identifica, e todas as reviravoltas que a trama traz.
Uma coisa que lendo o livro pensei, imaginando essa história em quadrinhos e mais real ainda uma história perfeita para um filme.
Como nunca resenhei nada na vida ainda não sei os termos técnicos para dizer se um livro é bom ou não, mas recomendo a leitura para todos que gostem ou não de um livro de dark-fantasy.
Só esperando a continuação das histórias de Verne Vipero, seu irmão Victor, Elói, Simas - o ladrão e claro a mercenária Karol. E o que será que astaroth quer com Verne?
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Pablo Grilo 16/04/2012

O mito de Orfeu na dark fantasy brasileira
Um livro se compra pela capa? No caso de Necrópolis: A Fronteira das Almas, de Douglas MCT, Ed. Draco, 2010, bom, eu comprei por culpa da arte competente de Victor Negreiro.

Vamos a curta premissa do livro: Verne Vípero (homenagem ao Julio Verne?) é um rapaz cético que perde seu irmão Victor de causa misteriosa, e depois de descobrir que tem chances de salvá-lo do abismo da inexistência, ruma ao submundo de Necrópolis.

Com essa interessante premissa que remete ao mito grego de Orfeu aliada a arte da capa, confesso que depositei uma certa expectativa no livro. Entre a compra e a leitura foram cinco meses, o que aumentou bastante minha curiosidade em explorar o livro. Quando comecei a ler, vi a forma como Douglas conseguiu demonstrar como domina a narrativa, os maneirismos do autor, a construção da trama, dos personagens e a forma como eles se relacionam, vi que tinha exagerado na expectativa.

A trama é interessante, a caracterização em um primeiro momento dos personagens idem, mas quando segue a leitura, principalmente em Necrópolis, o leitor se vê em um excesso de referências: mitologia grega (a mais interessante), cultura rpgistíca (grupo que parte para uma aventura), vampiros, lobisomens, duendes, magos, dragões e outras criaturas.

Outro incômodo são os maneirismos do autor: Douglas MCT trata o leitor como leigo, explicando algumas situações óbvias ou até aquelas mais complexas que se tornariam mais interessantes sem este recurso; adianta certos perigos desnecessariamente, cortando o clima que acabava de ter criado e diminuindo o possível impacto que teriam mais adiante; o estilo de escrita contraditório (que não sei se foi proposital) incomoda bastante, como por ex: Verne revela o que descobriu em um livro mágico quando o avisam que aquilo é pessoal, e em outros trechos diversos pelo livro: "Somente as famílias que tiveram a perda de suas crianças naquela semana não compareceram ao velório de Victor. Ainda assim, podia-se ver um Aziani e um Torino dentre os presentes".

O leitor pode se chatear também devido a algumas situações mal desenvolvidas:
em Necrópolis, Verne recebe ajudas diversas simplesmente porque o acham simpático ou que se solidarizaram com a sua busca, tudo de forma muito brusca; o ladrão Simas tem um problema interessante com a bebida o que infelizmente é pouco explorado, ele é assim e pronto; Verne é cético, mas quando está em Necrópolis as vezes acredita no fantástico a sua frente, as vezes não; na maioria dos casos os diálogos também são mal desenvolvidos e não soam verídicos, além de falhar em demonstrar as emoções dos personagens.

Por último, a narrativa é rápida demais, não conseguindo desenvolver os personagens e as situações como deveria.

Por outro lado, se ganha muito interesse em explorar o psicológico do protagonista. Como disse Leonel Caldela no prefácio do livro, Verne sai em busca de Victor em Necrópolis e encontra a si mesmo, o que é surpreendente, já que sua cidade natal se chama "Paradizo". Na terra, Verne possui um amigo imaginário, necessário a qualquer criança com imaginação, o que o torna mais humano e que o fez um protagonista fascinante. O caminho do seu auto-descobrimento e ceticismo constante em um mundo fantástico não deixam a desejar, apesar de incomodarem em certas partes.

Os personagens em Necrópolis são bem definidos e carismáticos: a bela mercenária, o ladrão amigo, o conde misterioso, enfim, personagens que cativam quando se lê. O desfecho do livro também é surpreendente, me instigando a esperar por uma continuação.

No entanto, discordando de Leonel Caldela, achei a primeira parte do livro, que se passa na cidade italiana de Paradizo mais surpreendente do que Necrópolis. É aqui na terra onde se localiza o conflito mais interessante de todo o livro: a morte misteriosa de crianças (entre elas o irmão do protagonista) e como Verne e a comunidade lidaram com isso, além dos dois personagens mais cativantes: Elói, que vive junto aos ciganos, mas tem um passado oculto, e Carmecita Rosa dos Ventos, a vidente de Paradizo.

Pontos para a Editora Draco pelo ótimo trabalho de produção da obra, e a aposta em publicar um tipo de fantasia diferente, como é esta dark fantasy de Douglas MCT, mostrando variedade positiva em seu catálogo.

Nota: 06/10.

Vale a leitura? Sim, pois é um dos poucos livros brasileiros de dark fantasy que tenho conhecimento dando personalidade a obra, e, apesar dos problemas, a leitura agrada e possibilita a exploração tanto do submundo fascinante de Necrópolis quanto do protagonista Verne Vípero.

Curioso?
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Guss 22/09/2012

Necrópolis
Particularmente adorei o livro...sou um apreciador de ficção, seja ela relacionada a qualquer tipo de assunto, é fascinante, e ainda mais quando o escritor é brasileiro...é visível a qualidade dos livros e o espaço que os escritores do nosso país estão conquistando, e conquistando com o próprio esforço, mostrando ao público que o que eles tem a oferecer no que se diz respeito leitura, é muito bom, aguardo a continuação do primeiro livro...e assim que puder comprarei o segundo...e as continuações que Douglas tem em mente, parabéns cara, tá muito bom!
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Café & Espadas 23/02/2014

Resenha Necrópolis
Fui apresentado a Necrópolis por acaso.

Até ler a obra, não conhecia o autor, nem nunca tinha visto nenhuma outra obra escrita por ele, até que vi um anúncio sobre o segundo volume dessa série (A Batalha das Feras) e, por se tratar de uma obra de fantasia e ainda por cima escrita por um autor nacional, logo me interessei.

Criei várias expectativas com relação a essa história e realmente não sabia o que esperar depois de ter lido a sinopse. E posso dizer que minhas expectativas foram atendidas em todos os níveis possíveis.

Douglas MCT nos apresenta por meio de sua obra um mundo extenso, complexo, miscigenado de criaturas, denso e sombrio. Muito sombrio. Esse é um traço marcante que fez com que essa história se diferenciasse de outras que já li. As dunas de areia azul, Nyx e Solux se revezando no céu, fazendo dias curtos e noites longas, reinos, com seus reis e príncipes temíveis, cidades feitas de opala, duendes, fadas, lycans, mercenários, bárbaros sanguinários, faunos, ladrões que se ocultam nas sombras, artefatos místicos e perigosos... Tudo que uma boa história de fantasia pede está presente nesse livro, e com uma boa dose de suspense e terror, com descrições precisas e bem incorporadas à narrativa e com todos os seu elementos muito bem interligados.

A história começa quando uma criança, sob posse de um espírito demoníaco, mata alguns familiares e ameaça o resto da sua família. O pai, desesperado, logo convoca um padre da Ordem dos Senhores do Céu (um grupo especial de padres especialistas em exorcismo). No meio do ritual, o padre liberta o espírito do poderoso demônio e salva a criança. O espírito vai para outro círculo do Universo. Esse prólogo pode parecer um pouco desconexo da história, já que durante boa parte dela o tal demônio não é mais citado, mas ele tem uma importância crucial para o mal que irá se levantar em Necrópolis no futuro.

Passado esse prólogo, a narrativa avança no tempo e vai para Paradizo, uma cidade italiana, onde vive o jovem Verne Vipero. Um órfão que só tem o irmão caçula, Victor Vipero, como família. Criado por uma tutora desde que foi abandonado pelos pais, Verne cresceu ouvindo histórias sobre mundos paralelos à Terra (círculos, oito no total, que formam todo o Universo) e povoados por todo tipo de criatura. Histórias essas contadas pelo ancião de um grupo de ciganos. Verne é um cético. E mesmo sendo fascinado pelos mitos e lendas contados pelo Velho Sanja, todas essas histórias não passam de contos de fadas para ele.

O que ele não esperava era descobrir o quanto estava enganado. E ele descobriu isso da pior forma possível.

Uma pedra misteriosa, de origem até então desconhecida, foi arremessada na catedral abandonada de Paradizo no momento em que Victor, irmão de Verne, e seus amigos brincavam por lá. A pedra tinha um aspecto incomum, era negra e exalava uma fumaça roxa. Logo todos eles entraram em contato com ela e foram intoxicados pelo efeito maléfico da fumaça, o que fez com Victor e seus amigos tivessem um morte horrenda e trágica, que marcaria a história daquela cidade.

Transtornado, tomado pela solidão e pelo desejo de ter o irmão de volta, Verne não se conforma com a morte prematura do caçula. É aí que surge Elói, um cigano misterioso que oferece a Verne a chance de resgatar a alma de seu irmão, já que a morte dele ocorreu no momento inadequado.

Nesse ponto da história é notada a presença dos AIs (amigos imaginários), que são como projeções da alma das crianças, e se manifestam até uma determinada história. Essa foi uma das coisas que não gostei na história, e não captei o real propósito deles, o que rendeu alguns diálogos chatos entre os personagens e seus respectivos AIs.

Em seguida, Elói mostra não ser o que aparenta, e revela a sua origem verdadeira: Necrópolis. E é para lá que Verne deve ir, se quiser ter a chance de lutar pela alma de Victor.

A narrativa do livro é fluida, de fácil assimilação, e logo somos apresentados aos outros personagens, de igual importância para a narrativa: Simas Tales, o ladrão veloz, beberrão e amaldiçoado; a mercenária, bela e sensual, Karolina Kirsannoff e um corujeiro (homem-pássaro) chamado Ícaro Zíngaro, que tem um passado nebuloso.

Em Necrópolis não temos só uma aventura narrada em terceira pessoa, com personagens que só matam, se ferem, e dão continuidade aos eventos programados. A construção dos personagens (principalmente de Verne) é rica em detalhes, e logo a sua busca se torna uma obsessão, um Santo Graal a ser alcançado custe o que custar, e nada mais importa, mesmo que tudo resulte na sua própria destruição. O ceticismo é desfeito aos poucos, e cada um dos outros personagens apresentam suas dualidades, também muito bem exploradas ao longo da narrativa.

A edição é ótima. Contém alguns erros de revisão, mas nada muito comprometedor. A obra é dividida em três partes (fora o prólogo) e está bem revisada, diagramada, com uma capa agradável, um mapa bem detalhado de toda Necrópolis e um glossário no final do livro, com todos os termos, criaturas e lugares citados na história. Há também um prólogo do segundo livro, que promete ser uma continuação digna desse primeiro volume.

Necrópolis é um livro pra quem quer uma aventura fantástica misturada, de forma bem homogênea, com um terror denso e sangrento. É um livro leve de se ler, sem muita pretensão de ser uma obra complexa. Recomendo a leitura, e mal vejo a hora de ter o segundo volume em mãos.


site: http://cafeeespadas.blogspot.com.br/2014/02/resenha-necropolis-fronteira-das-almas.html
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Josué de Olivei 15/06/2011

Um dos melhores momentos de “Necrópolis – A Fronteira das Almas” (Draco, 308 páginas) é o capítulo em que um grupo de ladrões se envolve numa perigosa missão, tendo que invadir uma fortaleza para roubar artefatos mágicos ali escondidos. A estrutura do capítulo lembra a dos jogos de RPG: tem-se um agrupamento de indivíduos com capacidades e especialidades particulares em busca de objetos sagrados que renderão poderes específicos aos seus portadores, aumentando suas atuais aptidões e habilidades.
É extremamente frustrante, portanto, não enxergar nessa empolgante, divertida, bem conduzida e envolvente sequência uma função mais clara e significativa na trama. Desse modo, ela se estabelece como uma boa amostra das qualidades e dos defeitos deste romance de estreia do paulista Douglas MCT.
Após um sombrio prólogo, que trás um clérigo realizando um exorcismo (tentando, ao menos), pulamos no tempo e somos apresentados ao jovem Verne Vipero e a seu irmão caçula Victor, que, após um misterioso incidente, que também envolve outras crianças da pequena cidade no interior da Itália onde vivem, vem a falecer. Mas o cético Verne encontra na enigmática e desconhecida figura de Elói uma esperança: ele lhe propõe viajar até Necrópolis, dimensão de onde poderá impedir a queda do irmão no Abismo e trazê-lo de volta a vida. Verne parte, então, numa jornada a mundo fantástico e inóspito.
De maneira geral, o romance funciona. Trata-se de uma história universal, em que uma pessoa comum precisa sair de seu lugar e enfrentar as mais inimagináveis adversidades de modo a cumprir determinada tarefa, e, durante o processo, vai aprendendo mais sobre si mesma e descobrindo sua própria capacidade de domar o medo e seguir em frente. O herói se envolverá em batalhas que nem sempre serão as suas, descobrirá nos personagens que cruzarem seu caminho inesperados aliados e inimigos cuja motivação nem sempre entenderá de pronto, levantando-se a cada investida do destino, sem nunca desistir. Assim, esse primeiro volume da saga “Necrópolis” (o autor planeja lançar mais cinco continuações) acessa uma memória comum que remete, por exemplo, a obras conhecidíssimas como “O Senhor dos Anéis” (dadas, é claro, as diferenças entre ambas). Trata-se de estrutura algo formulaica, mas não se pode negar que seja extremamente funcional e que ajude a criar boas histórias.
A questão é que uma boa história não é o suficiente, nem mesmo uma de forte apelo com o público. “Necrópolis” tem problemas. O que mais me saltou aos olhos é o que só posso chamar de indecisão. Durante grande parte da leitura, não fica claro no que a história procurava se concentrar: se na busca de Verne pela alma do irmão, na apresentação do universo fantástico no qual esta busca se dá ou nas tramas paralelas que envolvem a grande quantidade de coadjuvantes. A impressão que fica é que o autor não conseguiu aproveitar o fator urgência. O que tinha tudo para ser uma história de corrida contra o tempo, dada a proximidade da queda de Victor no Abismo – reiterada frequentemente –, acaba indo numa direção diferente. Sim, a Necrópolis apresentada por Douglas é um mundo muito bem montado, povoados por criaturas interessantes e elementos mágicos bem integrados àquela realidade, e o autor trabalha bem a imersão de Verne nessa estranha dimensão que ele ceticamente acreditava existir apenas em lendas. Da mesma forma, os personagens que vão se juntando ao protagonista são quase todos divertidos e bem desenvolvidos. Mas não há, a meu ver, um equilíbrio entre todos esses ingredientes e aquele que deveria ser o eixo principal da história: a jornada de Verne para salvar o irmão. Durante a leitura, várias vezes me assaltou o pensamento: “Caramba, por que esse pessoal não se apressa?” São tantos acontecimentos paralelos que desviam o foco do principal. A missão dos ladrões, que citei no início, é apenas um deles – e embora estabeleça ligações com a trama principal, estende-se mais que o necessário e apresenta uma infinidade de informações que não fazem qualquer diferença.
Deve-se ressaltar também a forma como a personagem Karolina é apresentada e desenvolvida. Um dos pontos fortes do romance é justamente a dinâmica entre os personagens, de modo que, nesse eixo, o único ponto fraco fatalmente salta aos olhos. A mercenária que se junta a Verne em sua aventura surge como o mais estereotipado de todos os coadjuvantes: a típica figura da mulher forte, perigosa e sexy que chuta todas as bundas possíveis e arranca suspiros de todos. As referências as seus encantos são tão frequentes que a partir de certo ponto soam como mera repetição, impedindo-a de assumir uma personalidade mais pautada em suas ações, o que seria preferível. Felizmente, um tratamento mais caprichado é dado aos demais coadjuvantes.
Apesar destas falhas, “Necrópolis” nunca se torna uma experiência monótona ou enfadonha, encontrando em seu universo narrativo a força necessária para que a história mantenha um bom ritmo e não saia dos trilhos. Percebe-se que o autor refletiu e investiu fortemente na ambientação, conferindo personalidade e vida a sua Necrópolis, coroando-a com elementos pra lá de criativos – como o Planador Escarlate, espécie de meio de transporte vivo – e criaturas estranhas e curiosas – como o corujeiro Ícaro –, além de se apropriar com competência de outras que já são lugar comum nas histórias de fantasia, como vampiros, fadas e até zumbis. Embora certas passagens estejam ali com o único objetivo de introduzir-nos a tais criaturas – como a visita de Verne e Elói à igreja de Paradizo –, no geral, o autor atua com sobriedade nesse quesito, conseguindo apresenta-las de maneira mais fluida e orgânica.
O autor mostra competência também nas sequências de ação, especialmente as que se desenrolam no caminho para o Alcácer de Dantalion, saindo-se igualmente bem na batalha final de Verne (seria imperdoável que o herói não protagonizasse uma luta épica, certo?). O desfecho, no entanto, tem seus altos e baixos: apesar da boa revelação final e da bem trabalhada conexão entre a trama principal e o misterioso prólogo, muitas lacunas são deixadas em branco, e várias das soluções apresentadas pelo autor não convencem, soando um tanto obscuras e forçada. Da mesma forma, uma reviravolta relacionada a um personagem específico surge de maneira tão inesperada quanto artificial, e causa certa estranheza.
Mas, no conjunto da obra, “Necrópolis – A Fronteira das Almas” convence; trata-se de uma história divertida e ágil, apesar de seus problemas. Deve-se salientar também que não se trata apenas de um livro de estreia, mas também do primeiro volume de uma série, de modo que mudanças e novas abordagens podem ser esperadas. De minha parte, só posso afirmar que gostaria muito de fazer uma nova visita a Necrópolis, de modo que aguardo as continuações.
Boas leituras.




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Calvin Costa 24/08/2011

Necrópolis é um excelente livro. Sua história conseguiu com sucesso me prender do inicio, até a metade..Brincadeira, foi do inicio ao fim mesmo (é que essa frase já é tão usada, tive que inovar um pouco hahaha). Seus personagens são tão carismáticos que eu sequer consegui achar um favorito; todos tem seus pontos fortes, e alguns não tão fortes, além de cada um possuir uma história bem elaborada que só contribui para cativar ainda mais o leitor. Talvez meu personagem favorito seja o Conde, não sei, são todos bem feitos, como disse anteriormente. O mundo de Necrópolis, assim como a história, foi muito bem desenvolvida e para complementar há no livro o mapa da região (algo que eu sempre gostei... Adoro ficar olhando para os mapas nos livros que leio, vendo os locais e tentando situar mais ou menos a posição do personagem no mapa). Para finalizar, o livro só possui um único "defeito": Ter de esperar por uma continuação. Porém dá para superar esse "defeito" ao pensar que lerei mais sobre esse universo muito bem escrito.
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