O Médico e o Monstro

O Médico e o Monstro Robert Louis Stevenson




Resenhas - O Médico e o Monstro


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Tiago.Rodrigues 25/03/2017

O MEDICO E O MONSTRO
Atualmente quando se invoca a questão do natal na Inglaterra vitoriana as opiniões se divergem e em muitos casos se complementam. Para alguns se trata da imagem de um conto de fadas com ruas cobertas de neves, pinheiros decorados, padarias abertas, bolos de frutas e famílias reunidas diante da lareira. Para outros se trata de uma espécie de hipocrisia social institucionalizada uma vez que o natal fornecia os meios através dos quais se reafirmava os ideais da tradicional família burguesa, com seus costumes aparentemente imiscíveis dentro do contexto de uma revolução industrial que havia exacerbado as discrepâncias entre riqueza e pobreza nas grandes metrópoles urbanas. No que se refere a sociedade inglesa do século XIX a “questão natalina”, portanto, preserva no seu cerne aquilo que a caracterizava e aquilo que fez dela uma singularidade absoluta: a dualidade.
Perspectivas opostas como método de interpretação e estudo eram algo que se difundiria ao longo de toda a segunda metade do século XIX, sobretudo nas ciências não exatas como a psicanálise freudiana. O inconsciente, o sobrenatural, o fantástico eram temas recorrentes sendo natural sua incorporação gradual aos meios de criação artística. E nesse contexto que se inserem as historias de fantasmas, características pelo tratamento com o qual a morte é encarada. Para os conservadores vitorianos a morte não era o fim da existência terrena, mas o limiar de uma nova forma de existência, daí porque as historias de fantasmas e terror, chamadas narrativas góticas, escritas para as noites de inverno, serem tão amplamente consumidas
Não há duvidas de que “O medico e o monstro” é um produto que carrega marcas indeléveis de seu tempo. Em 1885, Robert Louis Stevenson, na época com 35 anos de idade e com problemas financeiros, recebeu de seu editor a proposta para criar uma narrativa para o mercado de historias góticas do natal. O resultado foi um dos mais famosos textos já escritos, cuja idéia central serviu de amparo para inúmeras adaptações, seja no cinema ou nos desenhos infantis.
Em “O medico e o monstro” vemos a estranha relação entre o Dr. Jekyll e o Sr. Hyde; indivíduos completamente opostos, mas que mantém uma estranha relação de amizade. Trata-se de uma obra onde o mistério consiste no fator determinante de sua grandeza, portanto quanto menos o leitor souber maior o impacto ao final da leitura. Stevenson explorou a dimensão da subjetividade empregando conceitos científicos de sua época. Conceitos da química, como as reações entre ácidos e bases que resultam na formação de sais – mais estáveis do que seus reagentes – são empregados de forma sutil na construção de uma parábola do dualismo psicofísico da natureza humana.
Hyde é o retrato da vontade humana libertada de todo o racionalismo e de qualquer censo moral fabricado pela orientação dos moldes sociais. A instabilidade desencadeada pela dissociação entre ele e o Dr. Jekyll nos leva a questionar a real relevância de nossos aspectos inconscientes na construção daquilo que somos: Seria de fato um benefício abrir mão de nossa essência primitiva? O grau de dependência entre o irracional e o racional, entre a paixão e a razão não seria uma exigência a nossa preservação?
A natureza humana preserva sua contingência e a manifesta continuamente: ora estamos alegres, ora estamos tristes, às vezes desejamos o bem e às vezes o mal, somos capazes de realizar atos altruístas e também de cometer as maiores barbáries. Essa prevalência intermitente de opostos vai de encontro ao determinismo cientifico do século XIX. Jekyll, um homem racional e de mentalidade cientifica, resolve desafiar sua própria contingência moral ao se propor criar uma substancia capaz de separar nosso lado bom do ruim.
Jekyll e Hyde ambíguos na medida de suas adversidades, e sobrepostos por sua contingência, são as bases para um questionamento no mínimo polemico: existe de fato um conflito de ordem destrutiva entre o bem e o mal ou ambos consistem num engendramento preciso e equilibrado que uma vez desfeito se torna destrutivo? Seria o ser humano perfeito uma síntese dos contrários?

AUTOR
TIAGO RODRIGUES CARVALHO

site: http://cafe-musain.blogspot.com.br/2016/02/atualmente-quando-se-invoca-questao-do.html
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Ana 20/03/2017

O médico e o monstro
E hoje venho aqui trazer pra vocês, uma resenha de minha mais nova aquisição.

Comprei o Box – Mestres do Terror da Editora Nova Fronteira, que traz os clássicos Drácula, Frankenstein e O Médico e o Monstro.

As edições são lindas, capa dura folhas amarelas, uma coisa linda, e como estavam na promoção e eu sempre quis ler Drácula… Comprei.

Só que, pra começar de leve, optei pelo Médico e o Monstro, por ser fino e por eu não conhecer muito bem a história.

Soube da existência da história em 1997 quando vi o o clipe Everybody dos meus lindos, amados e divos Backstreet Boys!! ❤

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Mas nunca me aprofundei no assunto.

Então, ao iniciar a leitura, eu acabei conhecendo o Mr. Utterson, advogado de Dr. Jekyll. Que após um passeio com seu primo, ao passar por uma casa muito estranha e sombria, descobre que lá reside o Mr. Hyde, o misterioso beneficiário de total herança de Jekyll, caso um suposto desaparecimento do mesmo ocorra.

“Naquela noite, Mr. Utterson voltou para sua casa de solteiro num humor sombrio e se sentou para jantar sem prazer. […] Naquela noite, porém, assim que a mesa foi retirada, apanhou uma vela e se recolheu ao escritório. Ali, abriu o cofre, apanhou da parte mais escondida um documento cujo o envelope dizia ‘Testamento do dr. Jekyll’ e sentu-se, o cenho franzido, para estudar o conteúdo. O testamento era hológrafo, pois Mr. Utersson, embora se ocupasse dele agora que estava pronto, havia se recusado a prestar qualquer auxílio à sua elaboração. Determinava não apena em caso de falecimento de Henry Jekyll, medicinae doctor, doutor em direito civil, doutor em ciências jurídicas, membro da Royal Society etc., todas as suas posses iriam para as mãos de seu ‘amigo e benfeitor Edward Hyde, mas também que, caso o primeiro viesse a ‘desaparecer ou ausentar-se de modo inexplicado por qualquer período superior a três meses de calendário’, o citado Edward Hyde seria dono de tudo, sem maiores delongas e livre de qualquer ônus ou obrigação além do pagamento de pequenas quantias aos empregados domésticos do doutor. O documento era havia muito um objeto de aversão para o advogado”
Durante toda a narrativa, acompanhamos o empenho de Mr.Utterson ao tentar solucionar esse grande mistério que é o relacionamento entre Dr. Jekyll e Mr. Hyde.

Eu sempre achei que o livro se tratava de uma narrativa de Dr. Jekyll, mas a verdade é que acompanhamos a história dele sim, só que através das conclusões e descobertas feitas por Utterson.

Ao final do livro, somos contemplados com uma carta de Dr. Jekyll à Mr. Utterson explicando toda sua saga, desde a infância, quando, já ciente de ter uma personalidade diferenciada que precisava ser oculta até o momento de descoberta da divisão desses dois seres, o mal e o aceitável socialmente.

“Foi a partir do lado moral existente em minha própria pessoa que aprendi a reconhecer a profunda e primitiva dualidade do homem; vi que, das duas naturezas que lutavam no campo da minha consciência, podia-se afirmar com correção que eu era qualquer uma as duas mas isso apenas porque e era radicalmente ambas.”
O Médico e o Monstro foi publicado originalmente no ano de 1886, e está sendo o livro mais “velho” que eu já li até o momento! 😀

Achei a história bem interessante e pretendo ver alguma adaptação em breve, porque fiquei bem curiosa em saber como representaram o Mr. Hyde, uma vez que ele é a personificação do lado ruim, da maldade no ser humano, que no caso, era o Dr. Jekyll.

Acho que vale bastante a leitura!!

E aí? Já leu O Médico e o Monstro?? O que achou? Não leu ainda? Pretende ler?? Conta pra gente!! 😉

site: https://literakaos.wordpress.com/2017/02/08/resenha55-o-medico-e-o-monstro-de-robert-louis-stevenson/
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Lindsey 18/03/2017

Muito bom!
Antes de ler esse livro achava que a história era sobre um médico que tomava uma poção e, inesperadamente, se transformava num monstrengo. Lendo descobri que a aparência que ele fica quando se transforma é o de menos. Escrita em 1885, a narrativa fala do Dr. Jekyll, um médico adorado e muito respeitado pela sociedade que faz experimentos em si mesmo buscando entender a psique humana. Em um de seus testes, acaba se transformado em outro corpo e em outra mente, que são o oposto ao seu ‘eu’, e o batiza de Sr. Hyde. Nessa nova realidade se vê livre para agir dentro dessa nova natureza. “Fui o primeiro a poder caminhar aos olhos da sociedade com imensa respeitabilidade e, no momento seguinte, como um garotinho, despir-me dessas qualidades e mergulhar de cabeça no mar da liberdade”, disse o médico. Não é que ele virava um ‘monstro’, quando se transformava apenas deixava transparecer mais sua face Raquel do que Rutinha, entende? E no começo ele se divertiu muito, se sentindo livre das ‘aparências’ que tinha que manter perante a todos. Até a coisa sair de controle. A história fala sobre os dois lados da mesma moeda, sobre ninguém ser 100% do bem ou 100% do mau, numa trama instigante, muito bem escrita, que prende a atenção até a última linha.
* Confira minhas outras resenhas no Instagram @livro100spoiler

site: https://www.instagram.com/livro100spoiler
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Nil 16/03/2017minha estante
Eu não acho o início do livro arrastado. Mas sua resenha está muito boa. Essa relação de bem x mal dentro dos seres humanos é muito bem retratada no livro. Um clássico imperdível!




Erich 08/03/2017

Faltou um acento no titulo
A história começa arrastada, depois vai ganhando um mistério, depois fica chata, mas ai no meio do livro você já descobre o que envolve a trama. Daí pra frente o autor enche o livro com uma verdadeira ladainha desnecessária e maçante, mas você banca e lê. O livro da pra ler numa sentada, mas é tão monótono e previsivel, que você acaba preferindo fazer ou ler outra coisa e vai garimpando este. Os personagens são chatos e muito direto, mas as descrições são bem detalhadas. Não vou dizer que não gostei do livro, como eu costumo dizer: É legal, mas é chato.
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Gessi 16/02/2017

"O doutor Jekyll e o Sr. Hyde são dois ou um?"
"O doutor Jekyll e o Sr. Hyde são dois ou um?"

Fazia tempo que uma história não me impressionava tanto. Com relatos psicanalíticos e filosóficos, Stevenson nos leva pelo caminho que poucos conseguem fazer com tanta maestria: a psique humana. Quem somos nós? Nos conhecemos? Vivemos uma unidade ou dentro de nós brigam terminantemente o bem e o mal? Somos quem pensamos ser? Ou vivemos uma vida de aparências enquanto tentamos afogar nosso lado obscuro?
Essa novela lembrou-me muito O Retrato de Doriam Gray de Oscar Wilde, não pela história que são bem diferentes, mas pelo que elas trazem nas entrelinhas.

Quase não terminava de ler, tamanha a necessidade de voltar pra ler novamente o mesmo capitulo e certificar-me de que eu não tinha deixado nada passar.

Monyele 08/03/2017minha estante
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Marina 13/02/2017

Um dos melhores que já li
LEITURA FINALIZADA: 'Creio que isso se deve ao fato de que todos os seres humanos, quando os encontramos, são uma mistura do bem e do mal - e só Edward Hyde, em meio a toda humanidade, era puro mal.' Pra quem conhece as diversas interpretações do #Medicoeomonstro, sabe que é um dos contos de terror e ficção científica mais bem escritos da literatura. Com poucas páginas, em torno de 80, a narrativa te prende, enche de suspense! O que estaria acontecendo com o Dr. Jekyll? Quem seria o misterioso Mr. Hyde?! Tenho que confessar que esperava muito dessa leitura e ela atendeu as minha expectativas. Narrada através dá visão de Mr. Utterson, advogado e amigo do Dr. Jekyll, conta as estranhas situações em que o protegido do Dr., O Mr. Hyde está envolvido. E fica questão: quem seria Mr. Hyde, e qual o interesse de Henry Jekyll para com ele?! Super indico!
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Monique 05/02/2017

O médico e o monstro
Uma história de terror e mistério, que contesta a dualidade na personalidade do homem.
Henry Jekyll, cavalheiro, médico e homem bom desenvolve um experimento capaz de provar este fato, assim dedicado a descobrir uma maneira de separar o "bom" e o "mal" da natureza humana acaba encontrando toda a maldade do monstro Mr. Hyde.
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JJ 03/02/2017

Gênese da literatura fantástica que dominou o século XX, a obra-prima de Stevenson continua garantindo o prazo do leitor ao incorporar o suspense extraordinário às histórias de mistérios comuns da época. Mesmo sem o impacto do tempo de seu lançamento (pois é difícil não conhecermos o final da trama), aproxima quem lê dos personagens sem esforço e, mesmo tão curto, dá base para questionamentos acerca da dicotomia Bem e Mal. Ótima indicação para incentivar jovens leitores a perderem o medo dos clássicos.
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Pirro de Élis 01/02/2017

A inevitabilidade da angústia humana sob a dualidade moral.
O Médico e o Monstro foi um daqueles livros que já tinha ouvido falar juntamente com Frankenstein(e considero um dos melhores livros que já li),mas não fui tão empolgado pelas pessoas ao meu redor para lê-lo.

Com uma história sucinta, a narrativa estabelece uma trama investigativa bastante interessante que perpassa sob a perspectiva do personagem Utterson, um advogado preocupado com as últimas declarações documentadas por seu amigo Henry Jekyll, e com a aparição repentina de um ser que gera repulsa ao olhar da sociedade,sobretudo pelo seu comportamento jocoso e inescrupuloso: Edward Hyde.

Acredito que proposta do autor é nos fazer refletir a terrível angústia ao qual os seres humanos sofrem tentando lidar com sua dualidade humana; e que com o devido incentivo,mesmo justificado por um ato ambicioso,tentar se separar dela para encontrar algum tipo de plenitude pode nos levar à um estado de desequilíbrio emocional e ético.

Portanto, é fundamental carregarmos essa natureza ambígua e confusa dentro nós para analisarmos e estabelecermos a conduta humana,pois,sem ela,de nada valeriam as provações cotidianas da vida que revelam originalmente quem nós somos.

Acho que vale a pena dar uma olhada nessa obra. Recomendo bastante.
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Diegu 31/01/2017

Previsível
Gostei da narrativa e achei que valeu a pena por ser curto. Esperava muito mais da obra e acredito que se fosse um livro longo poderia ter abandonado ou lido apenas para concluir.
Léo 19/02/2017minha estante
Lógico que é previsível. Todos conhecem a história, mesmo antes de lê-la.




tati_loverock 23/01/2017

O médico e o monstro é uma história conhecida pela maioria das pessoas, mas poucas foram aquelas que realmente leram a história. Eu me enquadrava nesse grupo até pouco tempo. Finalmente resolvi ler o livro e foi muito melhor do que eu imaginava.
A história fala muito mais do que a dualidade que existe dentro de cada um de nós. Nas entrelinhas vemos alguns padrões de comportamento da sociedade inglesa no século XIX. Como era importante manter uma imagem respeitável acima de tudo. A aparência sobrepondo a moral, coisa muito presente ainda na sociedade atual. O mais interessante foi constatar que dr. Jekyll era um hipócrita, e sua hipocrisia aliada a covardia deu força a Hyde. Não considero Hyde o lado mau, só o lado mais incompreendido, aquele que foi enclausurado por muito tempo, por isso se manifestou de forma tão violenta. O mais importante foi perceber que Jekyll e Hyde eram partes do mesmo ser, sem um o outro se destruiria. Isso foi mostrado claramente na história, não dava pra esconder ou negar a existência um do outro por muito tempo.
O médico e o monstro acima de tudo nos leva a refletir sobre nós mesmos e como é importante conhecer e aceitar o que somos, o lado bom e mau. Pois é o equilíbrio desses dois lados é que nos permite levar uma vida melhor, saudável e autentica.
Lerrânia 26/01/2017minha estante
Sua resenha ficou perfeita,Tati!! :)


tati_loverock 26/01/2017minha estante
Muito obrigada Le ^^




Amanda.Stabile 10/01/2017

Esplêndido!
Após tanto ouvir citações sobre Mr. Hyde, finalmente fui apresentada a ele. Realmente um clássico maravilhoso e uma temática extremamente copiada em livros e filmes contemporâneos: a separação do bem e do mal presente no ser humano. Esplêndido!
Dai 11/01/2017minha estante
Novamente, o tema do duplo. Já leu Edgar Alan Poe?


Amanda.Stabile 12/01/2017minha estante
Ainda não, tem alguma obra dele pra me indicar?




Nanda 10/01/2017

Leitura leve e agradável
Comparado aos livros que costumo ler, O médico e o Monstro tem uma trama relativamente simples, embora não menos apreciável. A obra foi publicada em 1886 e ainda causa certe deleite durante sua leitura. A história começa dando foco em Utterson, um advogado que ficou responsável pelo testamento, levemente suspeito, de Jekyll. O advogado começa a questionar qual a relação de Jekyll com o assustador Hyde, e além disso, quem é e onde está o assassino de Danvers.
Nesse ponto, receio que para falar sobre as reflexões feitas no decorrer da leitura acarretaria em contar spoilers. Levando isso em conta, vou deixar em aberto o questionamento: qual parte de nós mesmos realmente aceitamos e até onde agimos em prol de nossas vontades. O estilo de Stevenson é de fácil leitura e quase podemos deixar passar algumas reflexões durante a leitura. Os personagens não são complexos como os que encontramos com alguma frequência atualmente, mas não deixam de ser humanos e mostrarem suas características únicas.

“O advogado, Mr. Utterson, era um homem de aparência rude, que nunca se iluminava com um sorriso; frio, restrito e embaraçado no falar; retraído nos sentimentos; magro, comprido, aborrecido, melancólico, e, apesar de tudo, amável.” (p.9)

Apesar de ser definido como um clássico de mistério e horror na contra capa, não creio que seria considerado tal se escrito assim atualmente. Pouco considerei um horror ao ler, embora ao refletir perceba que o horror se devia a descoberta do final – que não foi surpreendente, mas bem escrita. E neste aspecto, o final, acho, merecia algo mais, mesmo compreendendo, ao menos em parte, a intenção da história. Considero uma leitura breve e interessante, recomendo.

“[...] a maldição e o peso da vida estão para sempre amarrados aos ombros do homem, e, quando se tenta retirá-los, eles não apenas retornam sobre nós, mas o fazem com uma força ainda mais desconhecida e terrível.” (p.83)

site: http://piratemermaid.blogspot.com.br/
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ANINHAPONCE 03/01/2017

O Médico e o Monstro
Tudo bem com vocês??? Hoje quero comentar com vocês sobre o livro O Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, que é uma novela gótica, com elementos de ficção cientifica e terror, sendo publicada originalmente em 1886 como Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde ou O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde.
O livro é narrado em 3º pessoa, mas do ponto de vista do Dr. John Utterson, que investiga estranhas ocorrências entre seu velho amigo, Dr. Henry Jekyll, e o malvado Edward Hyde. Por se tratar de uma história curta, menos de 100 páginas, e bem conhecida não vou me aprofundar no enredo.
A história trata da dualidade humana, em sua essência o livro aborda a eterna luta entre o bem e o mal que ocorre em nosso interior. O que me lembrou da frase do Sirius: "O mundo não se divide em pessoas boas e más. Todos temos Luz e Trevas dentro de nós. O que importa é o lado o qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos."
Essa edição da Peguim/Companhia trás um texto de apoio MUITO interessante, escrito por Robert Mighall, professor da Universidade de Wales, Ph.D. em ficção gótica. O texto de apoio me fez ver a história com outros olhos, entender as críticas a sociedade da época (e atual também).
O autor foi muito sagaz e habilidoso ao fazer tantas críticas à sociedade de aparências, ao sistema de proteção dessas aparências, onde o exterior precisa estar perfeito, assim como a casa do Dr. Jekyll, mas o interior pode muito bem ser como a casa de Hyde, tudo isso de forma sutil.
Robert faz um paralelo entre O Médico e o Monstro com O Ladrão de Cadáveres, do mesmo autor, publicado um ano antes. Sendo ambas escritas para o período de Natal, onde as histórias sobrenaturais e horripilantes tinham grande saída. Ele também fala sobre a influência que a obra teve sobre o livro O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde.
Stevenson inovou no estilo gótico e horror, pois ele trouxe o foco dos contos de horror para o próprio ser humano, antes colocado em algo externo. O que me lembrou muito de uma frase da Sara Sidle, da série CSI:"Nunca deixo de me surpreender com o que as pessoas fazem umas as outras".
E isso serviu de inspiração para VÁRIAS histórias, episódios de séries e desenhos. E o interessante é que não me apeguei, não tive nenhuma empatia por nenhum personagem. Espero que vocês tenham gostado. Beijos e até a próxima.

site: viajandocompapeletinta.blogspot.com
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