O Africano

O Africano J.M.G Le Clézio




Resenhas - O Africano


14 encontrados | exibindo 1 a 14


tray 17/10/2018

heranças
É um filho buscando reconhecer o passado do pai , buscando origens, afirmações e saudades , um livro lindo, sensível e duro, onde o autor conta sobre a visão do pai,que era medico em um lugar que nada sobrevivia, onde pessoas eram mutiladas por uma colonização cruel, comidas por doenças que já tinham vacinas, é um relato sobre a ganancia dos homens, sobre egoismo, e sobre a pureza da felicidade das crianças que não durava muito, essa leitura me lembrou híbisco roxo pela dureza do pai, e pelo peso histórico do que a branquitude fez e ainda faz na África.
comentários(0)comente



leila.goncalves 15/07/2018

Todo ser humano é um resultado de pai e mãe. Pode-se não reconhecê-los, não amá-los, pode-se duvidar deles. Mas eles aí estão: seu rosto, suas atitudes, suas maneiras e manias, suas ilusões e esperanças, a forma de suas mãos e de seus dedos do pé, a cor dos olhos e dos cabelos, seu modo de falar, suas ideias, provavelmente a idade da sua morte, tudo isso passou para nós."

Esse é o primeiro parágrafo de "O Africano", romance autobiográfico do francês Le Clézio, vencedor do Prêmio Nobel em 2008. Um livro capaz de capturar imediata atenção, mas que esteve durante um bom tempo relegado a segundo plano entre minhas leituras.

Um erro que sanei de fio a pavio em poucas horas, pois com apenas cento e vinte páginas, é uma narrativa rápida e fascinante. Em 1948, ainda criança, o escritor que morava na França, embarcou com a família para Nigéria, a fim de viver ao lado do pai que ainda não conhecia. Esse homem era um médico de campanha que foi impedido de retornar à Europa durante a Segunda Guerra e essa mudança foi de fundamental importância para todos, revelando a complexa relação de uma pessoa com o lugar onde vive.

De acordo com Le Clezio, "L'Africain" é uma critica ao desprezo das potências mundiais pelo continente, uma denúncia contra a apropriação de sua cultura por pessoas que desconhecem seu significado e importância como também uma reprovação à maneira estereotipada como a região é apresentada nos romances coloniais britânicos. "O continente além de ser selvagem, fraterno e alegre com suas crenças e festas, também é marcado por guerras, doenças e miséria, exibindo aquilo que há de melhor e pior em nossa civilização."

O romance, nas últimas páginas, narra a volta do seu pai para a França após a aposentadoria, exibindo sua difícil convivência num país que já lhe foi familiar. É pungente o silêncio do protagonista diante do massacre de Biafra, aliás, ele faleceu no ano da descoberta da AIDS e não presenciou a tragédia que a doença imputou para os africanos.

Enfim, como afirma Le Clézio: "Esse é um livro sobre uma época que marcou definitivamente minha vida e esse foi o maior legado que meu pai deixou."
comentários(0)comente



henriquechefe 26/01/2017

Chato
Livro curto que demorei muito pra ler. Apesar da matéria prima ser maravilhosa o autor não consegue escrever muita coisa encantadora sobre sua experiência em um dos lugares mais ricos que alguém poderia ter passado a infância. Você sente que tudo que está ali é fantástico, mas o autor não consegue passar essa impressão. Ressalva para os últimos parágrafos que são mais interessantes e salvaram o livro de ganhar uma estrela apenas.
comentários(0)comente



Mel 07/09/2016

O livro é lindo, com uma escrita sensível sobre a vida de Le Clézio. A viagem percorrida até o encontro dos pais é de tirar o fôlego, a cada página o leitor fica mais envolvido. Recomendo a leitura.
comentários(0)comente



Luiza 02/09/2016

Reflexivo
Reflexivo
comentários(0)comente



Nadiny Prates 29/08/2016

O Africano é uma narrativa autobiográfica, o autor mergulha em suas memórias com o objetivo de tentar entender o seu passado, suas origens e acima de tudo o seu pai, que só veio conhecer com 8 anos de idade, em sua viagem para Nigéria.O Le Clézio narra a história dos seus pais e, como eles foram tragicamente separados, impedidos de se encontrarem durante longos anos.A mãe estava na França devido a gravidez e, o pai que era médico na África quando estourou a Segunda Guerra Mundial e, foram proibidos de viajarem de um território para outro.Ao chegar na Nigéria o autor se depara um mundo novo, cheio de texturas, sensações diferentes e principalmente seu pai, que era um total estranho:"O homem que eu conheci (...) estava gasto, precocemente envelhecido pelo clima equatorial, e se tornara irritável, devido à teofilina que ele tomava para combater acessos de asma, e amargo, devido à solidão, a ter vivido todos aqueles anos de guerra separado do mundo, sem notícias de sua família." Embora seja um livro intimista, de cunho mais pessoal, podemos perceber certas críticas principalmente com relação colonialismo que simplesmente foi uma máquina de destruição.As últimas páginas desse livro é sensacional.Vale a pena a leitura.

site: https://www.instagram.com/sejalivro/
comentários(0)comente



jota 15/02/2016

Mama África...
Primeira vez que leio o nobelizado de 2008, Le Clézio, e começo justamente por aquele que é tido como seu livro mais intimista, O Africano. O tempo todo o menino Jean-Marie parece estar ao nosso lado contando histórias de sua infância, da África e sobretudo de seu pai, um abnegado médico.

Mesmo quando faz denúncias, mostrando as mazelas africanas todas, muitas delas resultantes do processo de colonização imposto ao continente, o livro consegue estabelecer com o leitor um laço muito forte que vem dessa mistura envolvente de ficção e memória, a percorrer toda a obra. E que algumas vezes parece poesia...

Então, como não apreciar esse livro curto, que quase não se consegue largar (mesmo sabendo que assim o final da leitura chega mais rapidamente), que começa singelamente com as seguintes palavras – que podem parecer óbvias mas não são - que nos cativam no mesmo instante:

"Todo ser humano é um resultado de pai e mãe. Pode-se não reconhecê-los, não amá-los, pode-se duvidar deles. Mas eles aí estão: seu rosto, suas atitudes, suas maneiras e manias, suas ilusões e esperanças, a forma de suas mãos e de seus dedos do pé, a cor dos olhos e dos cabelos, seu modo de falar, suas ideias, provavelmente a idade da sua morte, tudo isso passou para nós.” E prossegue, mostrando quem é o africano do título:

“Por muito tempo sonhei que minha mãe era negra. Inventei-me uma história, um passado, para escapar da realidade em meu retorno da África, neste país, nesta cidade onde eu não conhecia ninguém, onde me tornaria um estrangeiro. Depois descobri, quando meu pai, na idade da aposentadoria, retornou para viver conosco na França, que o Africano era ele. Foi difícil admitir isso. Tive de voltar atrás, de recomeçar, de tentar compreender. Em memória disso escrevi este pequeno livro."

Um pequeno livro que nos cativa desde o início, que lemos rapidamente e que depois ficamos querendo que continuasse, tivesse muito mais páginas...

Lido entre 12 e 14/02/2016. Minha nota: 4,5.
comentários(0)comente



Paula 09/02/2016

Lindo!
"Os africanos costumam dizer que não é do dia em que saem do ventre materno que as pessoas nascem, mas sim do lugar e do instante em que elas são concebidas" (p. 83)
Resenha no blog:

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2016/02/o-africano.html
comentários(0)comente



Gláucia 03/12/2013

O Africano - J.M.G.Le Clèzio
Essa novela de cunho auto biográfico é uma terna e comovente homenagem do autor a seu pai, um médico inglês que dedica sua vida a um ideal de liberdade e amor a África, sacrificando conforto e aconchego familiar. Vejo esse livro como uma espécie de testemunho, onde o autor demonstra que depois de muitos anos, pode compreender quem foi seu pai, até então um completo e austero estranho. Comovente de forma sutil, sem ser piegas em momento algum.

site: https://www.youtube.com/watch?v=835irOgtSB0
comentários(0)comente



Arsenio Meira 17/11/2013

Convívio Revisitado
Como havia escrito no histórico da leitura, trata-se de uma autobiografia romanceada, baseada no pai do autor.

O tom não é de nenhum acerto de contas ou desabafo como o de Franz Kafka em Carta ao pai. Pelo contrário, Le Clézio adota uma entonação de filho, que não chega a ser solene, embora se revele uma visão respeitosa de quem procura entender a transformação do pai num homem rígido. Mais que isso, é uma tentativa de descobrir suas próprias origens a partir da figura paterna, remontando as trajetórias de pai e filho até o encontro e o consequente convívio conturbado.

O autor francês deixa em segundo plano os traumas dessa relação difícil para, a partir de fotos, conversas, mapas e diários do pai, resgatar a aventura dele, como médico recém formado, primeiro pela América do Sul e em seguida pelo continente africano. Enquanto destrincha o percurso solitário do pai pela Guiana, Camarões e Nigéria, Le Clézio remonta sua infância na Europa do pós-guerra, que apesar da recessão econômica, ainda resguardava o mínimo de condições necessárias a cidadãos de origem ocidental.

O escritor desenvolve a narrativa fazendo esse contraponto entre as duas realidades, sendo exploradas tanto na relação íntima familiar, como nas observações de um garoto com educação europeia que, de repente, vê-se diante da vastidão pulsante da vida selvagem africana, com hordas de insetos querendo invadir a sua casa à noite.

Por esse olhar inicialmente infantil, mas já com os devidos retoques feitos pela maturidade intelectual de Le Clézio, temos acesso a esse encontro instigante e, ao mesmo tempo, repleto de conflitos culturais e morais.

Embora não seja um exemplo de primor literário, povoado que é por algumas frases engessadas, "O africano" impõe seu valor graças à profundidade das análises feitas pelo autor durante sua vivência no continente africano. É justamente a experiência de ter passado anos na outrora isolada Nigéria do fim da década de 40, que Le Clézio consegue traduzir assuntos pesados como os absurdos da lógica colonialista com a sinceridade de exemplos íntimos e lembranças de infância.

Nesse sentido, os relatos do jovem Le Clézio destruindo ninhos de cupins, sob os olhos temerosos dos seus amigos africanos, servem como metáfora para a perversidade dos colonos e o desprezo dos dominantes para com as crenças e valores dos povos locais. (É sempre assim.)

Diferenças culturais que aparecem com igual força no menino francês em sua descoberta do próprio corpo, através do simples gesto de pisar o chão com os pés descalços; no entanto, ao mesmo tempo, essas arestas não dificultam a relação de amizade construída entre as crianças.

Esperava mais, após ler o excelente "Refrão da Fome", do mesmo autor. E, neste sentido, 'O Africano" me decepcionou um pouco. Acho que a gente cria expectativas em demasia. Adotar o meio termo antes da leitura afigura-se como a solução ideal.
Paty 19/11/2013minha estante
Gostei! :D




Aguinaldo 09/02/2011

o africano
Os livros têm entre eles sutis formas de comunicação. Acabei de terminar um livro de viagem (Nomad's Hotel) e encontro neste "O Africano", um outro tipo de viagem, aquela que fazemos para o interior de nós mesmos. O autor é Jean-Marie Gustave Le Clézio, o ganhador do prêmio Nobel deste ano. Já li dois livros dele, de fato interessantes. A edição deste é belíssima (a Cosac sempre ensina como um livro deve ser editado) e inclui uma bibliografia completa de e sobre Le Clézio, ótima para os não iniciados na sua obra, como eu. O texto é curto. Trata-se de um relato bastante pessoal sobre a história de seu pai. Ele descreve vividamente suas impressões e lembranças de seu pai, que nasceu nas Ilhas Maurício, no Índico, que na época era colônia inglesa mas havia sido antes uma colônia francesa (hoje é um país independente ligado ao Commonwealth.) Ele é um negro legítimo que vai para Londres com uma bolsa para estudar medicina. Quando se forma na escola de medicina deve "pagar" a bolsa trabalhando para o governo (os europeus e os americanos resolveram a questão do acesso às boas universidades há uns duzentos e cinquenta anos, sempre valorizando o óbvio, a meritocracia, mas o Brasil continua inventando bobagens patéticas como cotas, fazer o quê!). Um impulso o faz aceitar primeiro uma posição na Guiana Inglesa e logo depois uma posição permanente na região onde hoje é a Nigéria e o Camarões (estas terras haviam sido subtraídas dos alemães logo após a primeira grande guerra e foram colonizadas por ingleses e franceses.) Ele é o único médico de uma região enorme. Passa na África a maior parte de sua vida. Em uma de suas viagens casa-se com uma prima de segundo ou terceiro graus que também havia nascido nas Ilhas Maurício, mas que havia emigrado com a família para a França. Logo volta para seu posto na Nigéria, voltando apenas esporadicamente à França, como nas ocasiões dos nascimentos dos filhos (Le Clézio nasce em Nice, em 1940.) Quando a segunda grande guerra começa ele se encontra na África e sua esposa em Paris. Apesar de tentar atravessar a África para encontrá-los passa toda a grande guerra separado da família. A mãe tem ascendência judaica, se esconde dos alemães na França ocupada. Só depois da guerra, em 1948, torna-se possível que ele conheça o filho mais novo e reencontre a mulher. O estranhamento do garoto Le Clézio ao descobrir que seu pai é um "Africano" e o processo de reconhecimento entre os dois dá a tônica incial do livro. Durante uns dez anos ele mora com os país na África, mudando completamente de hábitos. O texto descreve com calma a vasta região onde seu pai viveu e trabalhou, o combate diário com as forças da natureza, a beleza da região e de seu povo, o tipo relações que manteve com os vários líderes tribais com os quais conviveu, as reflexões do pai sobre o futuro da África (cruéis quando ele mesmo se percebe apenas um eficaz agente colonizador.) Ao se aposentar do serviço seu pai emigra para a França. Em 1968 perde a cidadania inglesa pois as Ilhas Maurício se tornam um país independente. Tem planos de emigrar para a África do Sul ou para o Caribe, mas nada disto se materializa. Sofre com os desastres que assolam a África nas décadas de 1960 e 1970 (as muitas guerras tribais, o massacre de Biafra, a busca européia pelas riquezas minerais do continente.) O livro termina com reflexões sobre como cada um nós se define historicametne ou como a memória das experiências vividas por nossos pais são transmitidas para nós. Le Clézio adotou recentemente dupla cidadania, tornando-se cidadão das Ilhas Maurício, chamada por ele de "sua pequena terra natal". Para um livro tão pequeno há muito o que se pensar. Quando eu resenhar o outro livro que li de Le Clézio comentarei mais um tanto sobre isto. Belo livro.
O Africano, J.M.G. Le Clézio, tradução de Leonardo Fróes, Cosac Naify (1a. edição) 2007, capa dura 16x23, 136 págs. ISBN: 978-85-7503-589-4
comentários(0)comente



Claudia Furtado 02/11/2009

Nooossa, que livro lindo! Com uma escrita delicada, Le Clézio vai nos levando às profundezas de suas raizes. Fiquei totalmente envolvida numa bela viagem!
comentários(0)comente



Condor 03/02/2009

Muito bom!
Fez-me lembrar a minha infância e a minha relação com um pai ao mesmo tempo afetuoso e autoritário.
Interessante ainda o paradoxo que mostra entre o exercício de uma medicina maravilhosa e dura em sua vivência.
comentários(0)comente



14 encontrados | exibindo 1 a 14