A Grande Gripe

A Grande Gripe John M. Barry




Resenhas - A Grande Gripe


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davidhennrique 03/08/2020

https://www.instagram.com/p/CC4g7Cxnhsp/
100 anos depois de uma grande e terrível pandemia, hoje vivemos a sexta delas (1889,1918,1957,1968,2009 e 2020).

A Grande Gripe porém se atém a contar os fatos da Gripe Espanhola (1918-1919).

O seu impacto foi catastrófico, acredita-se que mais de 100 milhões de pessoas tenha morrido da Gripe Espanhola apenas no primeiro ano da pandemia.

O autor John M. Barry em sua longa jornada de pesquisa sobre a Gripe Espanhola que durou 7 anos discorre muitos fatos sobre a pandemia de 1918 entre elas eu vou destacar:

• A evolução da ciência e da medicina no mundo:
Principalmente nos Estados Unidos. Em uma época onde ser médico não se precisava ter estudo comprovado o autor nos conta como foi que a ciência, as grandes universidades e institutos de medicina surgiram e que após isso o homem passou a estudar mais o corpo humano e passou a curar doenças e uma das peças fundamentais para isso é o Dr. Welch que sem saber estava criando um exercito para combater a Grande Gripe.

• Como a doença atravessou o mundo:
Através da Primeira Guerra soldados infectados (gripados ou assintomáticos) quando voltavam para as suas casas levavam consigo a gripe. E sem um plano de contingência ou quarentena quando as autoridades perceberam a gravidade do problema era tarde demais, e não havia uma casa que não tivesse um doente.

• Como um vírus ataca:
Primeiro o nosso sistema imunológico e depois toma conta dos pulmões e até mesmo do cérebro (isso na 3ª onda da doença). O mais assustador aqui foi ler que em muitos casos a pessoa não morria de gripe, mas sim de um colapso no sistema imunológico que para se proteger matava tudo e todos dentro do organismo.

• Como o vírus muta:
O vírus que antes causava poucos sintomas ou nenhum deles ficava adormecido e mudava sempre, por isso a Gripe Espanhola vinha em ondas. Quem não foi atingido na primeira, seria na segunda e assim consequentemente
.
• Como o sistema de saúde era despreparado:
Em 1918 não existia o aparato que temos hoje. E não tinha pessoas que se colocavam na frente da batalha, como vemos hoje.

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davidheenriique
Não havia enfermeiras para o auxílio dos médicos elas não queriam fazer parte desta guerra contra o vírus e sem contar também que enfermeiras eram sequestradas e obrigadas a cuidar dos doentes.
Outra coisa importante: se desconhecia que o ataque vinha realmente de um vírus.
• A falta de prudência das autoridades:
Frases como “é apenas uma gripe” e “não se preocupe”, também fizeram parte desta pandemia. Eventos que deveriam ser cancelados também não o foram. A imprudência de dar um rumo certo para a população foi um erro fatal, até igrejas se recusavam a fechar e realizava seus cultos a céu aberto.
• A mídia causava muita confusão:
Ela não era precisa e às vezes só noticiava coisas falsas sobre a gripe e sobre a cura.
• A corrida para a cura:
Médicos do mundo inteiro estavam trabalhando para a cura total da gripe (o que não temos até hoje), mas mundo estava disposto a compartilhar os seus estudos, e pela primeira vez tivemos debates e troca de informações para ter a cura da Gripe Espanhola, o que só aconteceria anos depois, até lá toda a população contava apenas com a imunidade de rebanho (quando todo mundo já tinha imunidade contra a doença).
• A forma apocalíptica que o autor fala se uma pandemia assim acontecesse novamente:
Acredito que o autor não imaginava que após o livro ser lançado nós viveríamos uma pandemia de COVID19. E é impressionante o relato dele no final do livro, dizendo que não estaríamos preparados para uma nova pandemia, caso ela acontecesse.... e aconteceu.
A preocupação global da economia, a falta de leitos e UTIS, o despreparo das autoridades, a irresponsabilidade das pessoas em fazer a risca o isolamento social.
Concluo esse resumo muito simplório de 520 páginas e que não chega aos pés da riqueza das informações que teremos no livro e de como foi viver uma pandemia em 1918.
Fico pensando em como repetimos os mesmos erros do passado, há quem diga que vamos sair melhores com essa pandemia de 2020. Eu acredito que não, pois desconhecemos a história e quando ignoramos a história estamos fadados ao erro.
E que a histórias de 1889,1918,1957,1968,2009 e 2020 sejam sim um despertar para as gerações futuras.
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Paloma.Cristina 16/07/2020

Muito bom.
Bastante conteúdo histórico, feito em uma linguagem atual e fluída.
Livro super interessante, que nos mostra como é válido desvendar o passado para compreendermos o presente.
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Bia | @psicosedelivros 07/07/2020

uma aula de historia
“A gripe matou mais pessoas em um ano do que a peste bubônica na idade média em um século; matou mais pessoas em 24 semanas do que a AIDS em 24 anos.”

Você já ouviu falar da gripe espanhola? O grande pico começou em 1918 e durou alguns anos. Um vírus influenza (na época desconhecido) se espalhou pelo mundo, sendo de forma mais letal primeiramente na Filadélfia. Essa pandemia matou mais pessoas do que qualquer outro surto de doença na história da humanidade.

A Grande Gripe tem um teor completamente didático e bem metódico, o livro vai narrar a história da gripe espanhola, e englobar alguns outros temas e assuntos relacionados a pandemia, desde o início da medicina, quando Hipócrates foi considerado o pai da medicina, a evolução da ciência e das faculdades, o governo na época da primeira guerra mundial, e isso tudo sem o uso de diálogos, apenas por meio de fatos constatados.

“A ciência é sempre potencialmente revolucionaria.” ㅤ
Ciência, religião, medicina, métodos de pesquisa e ensino.. todos esses elementos de conectam. O autor se baseia em vários artigos, livros e bibliografias para construir o enredo que varia entre o linear e o não linear, mas isso não deixa a história confusa, o livro tem várias notas, siglas e índices de referência, temos uma verdadeira aula de historia.

Alguns termos técnicos e científicos são expressos de forma bem exemplificada, e acredito que para quem tem um conhecimento na área de ciências, vai conseguir entender melhor. Eu demorei muito lendo, para firmar seus pontos, o autor muitas vezes se repetia e prolongava um assunto além do necessário, o que tornou a leitura um tanto cansativa.

É um livro que agrega um grande conhecimento e traz vários conceitos e teorias interessantes, e também fatos históricos. Eu indico para quem realmente quer aprender não apenas sobre a gripe, mas sobre pontos que se correlacionam com a pandemia, como a saúde pública na época, os países que foram mais afetados, as estatísticas de morte, sobre os grandes nomes da ciência e da medicina que tentaram descobrir sobre o vírus influenza, entre muitos outros assuntos.

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Rafael.Biesek 04/07/2020

EUA vs é só uma gripe
É até engraçado como o autor utiliza o ?mas era só uma gripe? durante todo o livro para nos mostrar como a pandemia de 1918 foi tão diferente de qualquer outro surto de gripe que aconteceu antes ou depois. Era só uma gripe, mas matou como nenhuma outra.

É também muito interessante ver como a medicina evoluiu tanto entre as décadas que antecederam a gripe espanhola até o período entre guerras. Desde a confirmação da teoria de que germes (pequenas partículas e seres vivos invisíveis a olho nu que infectariam humanos e se multiplicariam) causavam doenças até a descoberta da penicilina e do agente causador da gripe.

O livro da foco para a revolução médica e desenvolvimento da epidemia nos EUA, mostrando desde a história dos principais pesquisadores da época, como também as atitudes de políticos, escondendo ou não da população a gravidade da doença, afinal, era só uma gripe, mas era gripe.
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Paulo 27/06/2020

"Every person who spits is helping the Kaiser"
Eu soube desse livro através do blog pessoal de Bill Gates, GatesNotes, em um artigo chamado "5 summer books and other things to do at home", e quando li a resenha de Bill sobre The Great Influenza eu logo pensei que não seria um bom momento para ler sobre esse assunto, pensei que 2020 já está saturado com palavras como pandemia, vírus, mortalidade e etc. Mesmo assim, dei a chance para ler a sinopse e as primeiras páginas.

Vi algo diferente do que eu imaginava, esta obra de John Barry não se trata apenas da pandemia da Gripe Espanhola -nome que o autor propositalmente evitou no decorrer do livro-, mas também de parte da história da medicina moderna como a conhecemos. Barry não começa detalhando sobre o Influenza, mas sobre como a medicina norte-americana (e a mundial) vinha sendo quase a mesma desde a época de Hipócrates, com doutores agiam mais por suposições e "sorte" do que pela ciência. Daí passei a ver que esse livro poderia, sim, ser lido durante outra pandemia e percebi que eu não encontraria outro melhor momento para ler este livro do que agora.

O começo desse livro é uma aula de história, assim como todo o livro em certa medida. Mas é no começo dele que percebemos como a medicina avançaria nos EUA por determinadas pessoas e como décadas depois ela teria seu grande teste. Durante o livro outros assuntos são tratados, como o que é o influenza e como o vírus age no organismo humano e, claro, sobre como o Influenza se iniciou pelos Estados Unidos e se espalhou pelo mundo durante a Grande Guerra, além de falar sobre o método científico e os progressos da medicina desde então. O também livro detalha como uma sociedade conviveu com a Primeira Guerra Mundial e uma pandemia simultaneamente, como os governos agem em momentos de propaganda, como o tecido social pode ser rasgado em tempos de crise, citando inclusive Camus: "...evil and crises do not make all men rise above themselves. Crises only make them discover themselves, and some discover a less inspiring humanity.

Outra coisa que eu notei nesse livro, e que o autor por fim comentou, é a quase inexistência de menções dessa pandemia na literatura mundial, em comparação a outros eventos daquele século: "Hemingway, Faulkner, Fitzgerald said next to nothing". Li Stoner, de John Williams, e não me lembro se lá menciona a Gripe, embora mencione a Primeira Guerra que aconteceu simultaneamente.

E por fim, entre outras coisas, John Barry menciona o SARS na China no começo do nosso século e que o governo teria mantido isso em segredo até não conseguir mais, e concluiu: "Possibly the Chinese government learned a lesson...; possibly they will be both open and agressive in the future whenever any indication of a new disease surfaces". Bem, hoje podemos analisar essa conclusão. O governo deles foi realmente agressivo com as medidas a serem tomadas no país deles, mas não foram abertos ao mundo desde o início e seguraram a notícia por alguns dias enquanto o COVID se espalhava pelo mundo, assim como os EUA e a Europa esconderam a pandemia de 1918 até onde conseguiram. A história se repetiu.
Ivan.Anjos 25/07/2020minha estante
Estou lendo e concordo totalmente com o Paulo, mesmo ainda estando no capítulo 8. Mais um pouco poderei fazer minha própria avali




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