O retrato de Dorian Gray

O retrato de Dorian Gray Oscar Wilde




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Ivan 07/11/2021

Uma obra-prima
O Retrato de Dorian Gray é um clássico, uma obra-prima de Oscar Wilde, seu único romance. É considerado uma das mais importantes obras da literatura inglesa. Oscar Wilde (1854-1900) foi um escritor irlandês. Escreveu novelas, poesias, contos infantis e dramas. Foi mestre em criar frases irônicas e sarcásticas.

Em uma história passada no final dos anos 1800, somos apresentados a personagens humanos, com mais defeitos do que qualidades, todos nascidos em berços de ouro. O escritor fez parte de um movimento chamado esteticismo, que defendia a arte pela arte, como algo belo que deve se sobrepor aos males do mundo e que não precisa ter valor ético e moral. Tanto que no romance todos os valores são invertidos. O superficial vale mais que o profundo, os sentidos valem mais que a racionalidade, a juventude é mais valiosa que a experiência. Uma das coisas essenciais é a temática do culto à beleza e da valorização que esta tem na sociedade em detrimento a todas as demais coisas.

O livro conta a história de Dorian Gray, um jovem bonito e tímido, mas ainda carregado de uma inocência que não permitia que conseguisse ver como era belo. Ele fascina o pintor Basil Hallward, que decide retratar a sua beleza em um quadro. Ele também acaba conhecendo Lord Henry Wotton, amigo de Basil, que encanta Dorian com suas ideias sobre aproveitar ao máximo a juventude, e de como tudo aquilo passa rápido. Para tentar manter sua beleza intacta igual a que mostra o quadro, Dorian acaba fazendo o pacto, e passa a sofrer as consequências terríveis que se acometem sobre ele após o quadro passar a ter características “especiais”.

Apesar de ter sido escrita há muito tempo, a obra é atual e revela não só a obsessão do indivíduo pela beleza e juventude eternas, mas também a dificuldade de lidar com as decisões. Oscar Wilde demonstrou que a liberdade de escolha, mesmo sem ter consequências no curto prazo, um dia a "cobrança" vem. pode-se perceber o caráter enigmático e ambíguo que o Oscar Wilde dá aos seus personagens, expondo uma opinião sarcástica, acida e ambígua sobre o prazer, casamento, a sociedade, hipocrisia, ética, arte. O destaque fica para o Lorde Henry, com seus diálogos cheios de cinismo e humor.

Sem dúvida é uma obra prima. A leitura nem parece aquelas que já estamos acostumados em diversos clássicos, pois a escrita do Oscar Wilde é fácil de ler e flui muito bem. Apesar disso, temos uma parte do livro que é mais “cansativa“, com as descrições bem detalhadas dos prazeres usufruídos por Dorian Gray. Mas isso não tira o brilho do livro, que é biblioteca básica de quem se interessa pelas sutilezas do ser humano e, especificamente, pelas consequências da total ausência de amarras. Não há como ler "O Retrato de Dorian Gray" com indiferença.
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