A Sonata Perfeita

A Sonata Perfeita Rose Tremain




Resenhas - A Sonata Perfeita


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Queria Estar Lendo 01/12/2020

Resenha: A Sonata Perfeita
A Sonata Perfeita é um dos mais recentes lançamentos da Editora Darkside - que cedeu este exemplar para resenha. O livro de Rose Tremain é sensível e melancólico e conta a história de dois garotos conectados pelo acaso e para sempre.

Estamos na Suíça pós Segunda Guerra Mundial e conhecemos Gustav, um garotinho órfão de pai que vive com a mãe em um apartamento pequeno e esquecido pelo mundo, sobrevivendo com o pouco que têm. Do outro lado, Anton - filho de um banqueiro judeu que escapou dos horrores da WWII e que se mudou para a cidadezinha por decisão do banco onde trabalha.

Os dois menininhos estudam na mesma escola e se aproximam no primeiro dia de aula de Anton - quando, cheio de medo, cede ao choro por não conhecer nada nem ninguém por ali. Gustav se torna sua âncora para a realidade, e eles seguem assim pelo resto da vida, com afastamentos e sonhos e terrores impedindo que vivam plenamente como, em seu âmago, gostariam.

A Sonata Perfeita foi a minha leitura mais rápida do ano. Em menos de um dia, terminei essa história e vivi todas as emoções que ela me proporcionou.

A narrativa da Rose é extremamente cativante e flui bem desde o primeiro capítulo. O livro se divide em três partes - sendo a primeira delas uma "apresentação" de tudo, a metade um retorno ao passado para entender as motivações de algumas personagens, e o fim um salto para o futuro dos garotos e o que se tornou suas vidas.

Eu gostei muito das divisões e de como a autora explorou seus personagens; Gustav e Anton, principalmente, são complexos desde a infância. Anton, cercado de privilégios, mas com pais marcados pelos horrores da guerra e de quase terem sido condenados ao terror que inúmeras outras famílias judias viveram. Gustav, solitário em sua melancolia, sem entender porque, mesmo sendo seu único elo familiar, a mãe pouco olha e faz por ele emocionalmente.

Essas duas realidades distintas moldam a maneira com que os meninos crescem e se entendem. Gustav não tem nada; não tem expectativas de um futuro, moldado pela mãe negligente e amargurada - e os motivos para essa amargura são explicados, e mais pesados ainda quando entendidos. Ela é uma personagem egoísta, mas maltratada pela vida. Quando os motivos para Emilie ser tão fria e distante com o filho chegam, você entende - não perdoa, mas entende.

Anton, por outro lado, tem uma família amorosa e extremamente dedicada. Uma família que vê em seu talento prodigioso para o piano uma oportunidade de grandiosidade para o garoto - ainda que não pareça ser isso que ele realmente deseja.

"Tempo. Quando você é jovem, acha que sempre terá tempo para fazer tudo que quiser. Você não percebe o tempo passando, esse é o problema. Mas ele passa mesmo assim."

Acho que a palavra principal para descrever esse livro é complexo. É uma história complexa, carregada em temas pesados como os fantasmas daquela guerra terrível, abandono familiar, traições e abuso emocional; o quanto isso afeta o crescimento e o desenvolvimento de alguém, quais marcas as coisas ruins deixam na personalidade de uma pessoa.

É um livro rápido, e equilibra muito bem os momentos tristes e desesperançosos com aqueles que desanuviam os sentimentos ruins e perturbadores. Do começo ao fim, as emoções se equilibram e se completam. O final, inclusive, traz um sentimento agridoce. Não é feliz, mas também não é triste. Está ali, no meio termo, com histórias como essa costumam ter.

A metade, com o flashback mostrando o passado de Emilie e os motivos para sua amargura, é um momento mais intenso e perturbador. Como eu disse lá em cima, você entende porque a Emilie age desse jeito - especialmente em relação à memória do marido, Erich que, francamente, poderia ter sido mais desprezado por ela. Eu não guardaria nada além de rancor mesmo. Com a maneira com que ela trata o filho, no entanto, enquanto a compreensão está ali, também tem espaço para raiva e indignação.

"A Europa está em guerra. Justiça é uma palavra que está perdendo o sentido."

A autora também explora bastante sobre nacionalidade e orgulho suíço, dando tempo aos personagens entenderem seu país naquele período - a abstenção da participação na guerra e as consequências disso, o medo da sombra do nazismo moldando as ações de alguns personagens.

Um detalhe que eu queria ter visto mais bem desenvolvido é a relação entre o Gustav e o Anton. Ela é a alma do livro, e a terceira parte pareceu muito vazia para o que prometia em sua primeira parte. Eu queria mais sobre o amor deles; queria um desenvolvimento mais poderoso, mais desesperador, para o rompimento daquela coisa inocente que havia entre os dois. A dependência do Anton pelo Gustav é intensa, mas dava para ter dado mais destaque a isso. Com o final que o livro teve, merecia pelo menos mais umas cinquenta páginas disso.

A tradução da Bruna Miranda está muito boa e a edição da Darkside... Eu tô ficando enferrujada de tanto falar, mas vocês sabem: é impecável. Eu amo o papel que usam, a diagramação divina - com os detalhes remetendo à força da música e do piano na vida do Anton. A capa é incrível.

A Sonata Perfeita vai te emocionar em todos os sentidos da palavra. É um livro sensível e intenso, uma leitura rápida e memorável sobre o amor entre dois garotos em um momento marcado por um período histórico tão pesado.

site: http://www.queriaestarlendo.com.br/2020/11/resenha-sonata-perfeita.html
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Pedro Octávio 31/12/2020

A sonoridade de A Sonata Perfeita é acompanhada de um sentimentalismo verdadeiro. É uma lição sobre a vivência dos nossos atuais momentos em detrimento da expectativa exagerada do futuro. É um livro que fala sobre o amor em suas variadas formas. Como amar, ser amado e ensinar a amar.
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Nathalia Ellen | @pixelbooks 30/11/2020

[[Resenha - A Sonata Perfeita]]
?A sonata perfeita? conta a história de Gustav Perle, um menino que desde o início demonstra o autocontrole e a neutralidade em suas escolhas, sendo esse um ensinamento passado por sua mãe e que teve grande importância na formação de sua personalidade e em seus relacionamentos. O livro se passa no cenário posterior à Segunda Guerra Mundial, em que Gustav enfrenta as dificuldades financeiras e vive em um apartamento pequeno e apertado com a sua mãe. Durante a sua jornada faz amizade com Anton Zweibel, um menino judeu que tem uma vida totalmente oposta a sua e sonha em ser um grande pianista. Ao longo da leitura acompanhamos o crescimento e o amadurecimento dos personagens nas diversas fases de sua vida.
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?Minha mãe me disse que é melhor não chorar. Ela diz que você precisa ser mestre de si mesmo?
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A minha experiência lendo esse livro foi uma fofura e cheia de momentos inesperados, ainda que essa seja uma história dramática em que os plot twists não sejam tão radicais, eu não havia lido a sinopse e não tinha expectativas acerca dessa história, então a cada página lida dessa narrativa eu me via mais e mais envolvida com o enredo, sem querer deixar o livro de lado e ansiando por saber o que aconteceria com a vida de Gustav e Anton.
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Um livro curtinho e rápido de ser lido, mas que contém uma história grandiosa. ?A sonata perfeita? é um livro poderoso e altamente emocionante que apresenta diversos dilemas internos e as transformações que cercam a amizade dos personagens ao longo dos anos e que ensina a grande lição acerca da importância de seguir em frente. Uma história que vai te fazer refletir sobre as complexidades e as simplicidades que giram em torno de uma grande amizade e do que é o amor. Um recomendado que tem a capacidade de te abraçar ao mesmo tempo que te deixa aos prantos. Uma leitura definitivamente forte e maravilhosa.
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?Tempo. Quando você é jovem, acha que sempre terá tempo para fazer tudo que quiser. Você não percebe o tempo passando, esse é o problema. Mas ele passa mesmo assim?.
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#NathEscreve
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Postado em: https://www.instagram.com/p/CIOyi-Xjfmf/?igshid=50udovatic35
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batschauer 04/12/2020

Esse livro acabou comigo, recomendo, achei muito bom, bem escrito
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Coisas de Mineira 04/01/2021

A Sonata Perfeita é um dos mais recentes lançamentos da Editora Darkside, da autora Rose Tremain, autora britânica cujos romances e contos já foram publicados em 27 países, e vai trazer uma história sensível sobre as consequências do passado, e acima de tudo sobre perdão, esperanças e amor.

Gustav é um garotinho órfão de pai, que mora com sua mãe, Emilie Perle, uma mulher que traz cicatrizes profundas que a tornaram fria e desesperançada e, mesmo não conseguindo demonstrar afeto pelo filho, não lhe deixa esquecer duas coisas: o heroísmo do pai e a necessidade de ser tão neutro quanto a Suíça.

“Ele foi um herói, Emilie lhe lembrava todo ano. Eu não entendi no começo, mas ele foi um bom homem em um mundo horrível.”

Mas a falta de amor da mãe não impede que Gustav a ame muito, e nem que seja um garoto sensível. Tanto que, quando um novo colega chega à escola e chora ao ser deixado pela mãe, entende que deve lhe ensinar que todos devem ser donos de si mesmo, e Anton deixa de chorar. Não sabiam, mas nesse momento os dois garotos, de uma forma completamente fortuita, desenvolverão um laço para toda a vida.

“A vida inteira, Gustav se lembraria com clareza da primeira manhã com Anton.”

Entretanto Emilie não gosta desse novo amigo – Anton é judeu, estamos em 1947, e a mãe deixa claro para o filho que foram os judeus os responsáveis por tudo de ruim que aconteceu à família. Anton é filho de um banqueiro, que foi transferido para essa cidade no interior da Suíça e, ao contrário de Gustav, tem pai e mãe que o apóiam, principalmente no seu amor pela música. E a família de Anton recebe com carinho Gustav, que passa a frequentar a casa dos Zwiebel, apreciando Anton praticar ao piano e até em viagens de férias.

O livro se divide em três partes, e é na segunda que entendemos como Emilie se tornou amargurada, já que vamos conhecer o pai de Gustav, que foi realmente um herói – mas estavam na suíça, que temia tomar partido contra os alemães nazistas, e por isso fincou raízes na sua neutralidade.

“A Europa está em guerra. Justiça é uma palavra que está perdendo o sentido.”

A terceira parte do livro dá um salto no futuro, quando então os personagens serão confrontados com suas escolhas, avaliando se os caminhos tomados levaram à felicidade, mas também vão ser equiparados com a possibilidade de tomar outra direção.

“Tempo. Quando você é jovem, acha que sempre terá tempo para fazer tudo que quiser. Você não percebe o tempo passando, esse é o problema. Mas ele passa mesmo assim.”

A narrativa da Rose é extremamente cativante e flui bem desde o primeiro capítulo. Mas ela não deixa de trazer temas pesados, dolorosos… enquanto acompanhamos a juventude de Anton e Gustav temos momentos mais leves, doces, até chegar no final da primeira parte com a interrupção de um sentimento que começa a florescer.

A segunda metade é a mais intensa… o pai de Gustav foi realmente um herói, mas num momento delicado e, por isso, a Suíça lhe vira as costas. Ao mesmo tempo, ele não é exatamente o melhor marido, mesmo que Emilie também estivesse mais interessada na estabilidade que ele lhe dava do que propriamente na relação amorosa. São dois adultos que vão se magoar muito! Emilie é amargurada, superficial, mas suas cicatrizes quase a abonam…

Achei incrível que, ao final da história, a autora menciona que Erich, o pai de Gustav, fosse inspirado na história de Paul Grüninger, um policial suíço, comandante da polícia de St. Gallen, na Suíça que, em agosto e setembro de 1938, salvou cerca de 3.601 refugiados judeus dos nazistas na Áustria, permitindo-lhes entrar na Suíça. Ela explica também que A Sonata perfeita nasceu um conto, mas que ela sentiu que tinha muito mais a acrescentar a história de Gustav e Anton, daí buscar a época e a posição incômoda que a Suíça tinha, neutra e aterrorizada pela possibilidade de uma invasão alemã.

“É função da polícia da fronteira impedir que as pessoas passem, mas as pessoas esquecem que os policiais têm sentimentos e condolência. Não somos máquinas calculadoras.”

A sonata perfeita trata de amizade, mas também da ambiguidade dos sentimentos que os garotos têm um pelo outro, já que Gustav reconhece a verdadeira essência de seus sentimentos mas fica ao lado de um Anton negacionista, que se joga em seus vícios mas, sempre que está mal, volta para buscar o apoio incondicional que Gustav lhe oferece. Um entende os sentimentos, mas se torna a Suíça, permanece neutro, mesmo que internamente sinta mais do que transparece. O outro, se joga nas paixões, não consegue se apresentar no palco, mas se ressente quando um aluno alcance patamares mais altos, e fica atrás de um sonho que ele nem sabe se é mais o dele!

A história vai acompanhar os personagens dos 6 aos 60 anos, e à amizade vão se acrescentando outros sentimentos como mágoa, esperança, ambição, conformismo, até chegarmos ao clímax, trazendo um final que não era exatamente o que eu esperava, mas que traz um conforto ao coração.

E assim, A sonata perfeita finaliza com A sonata de Gustav, um romance terno, feroz, orquestrado pela autora com as mesmas partes de uma sonata: exposição, desenvolvimento e recapitulação, trazendo a pergunta sobre o que as pessoas, ou até mesmo um país, buscam de fato pela neutralidade e autodomínio, abrindo mão de paixão e de esperança…

“Eu a escrevi em uma noite horrível quando entendi todas as direções erradas que minha vida havia tomado e onde eu queria estar. Eu a chamei de A Sonata de Gustav.”

Por: Maísa Carvalho
Site: http://www.coisasdemineira.com/a-sonata-perfeita-rose-tremain-resenha/
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Maisa @porqueleio 15/01/2021

Uma estória sobre amizade e escolhas que definem a vida.
Gustav mora com a mãe em uma pequena cidade da Suíça, que ainda se cerca dos traumas da segunda guerra mundial. Ele sabe que ama a mãe, mas ela é uma mulher pragmática, com cicatrizes de seu relacionamento, e que não deixa o garotinho se esquecer do heroísmo do pai, já falecido. Gustav conhece Anton, um garotinho judeu, por quem a mãe torce o nariz. Apesar das improbabilidades, nasce uma amizade que vai permanecer por toda a vida.

O livro se divide em três partes, e é na segunda que entendemos como Emilie, mãe de Gustav, se tornou amargurada, já que vamos conhecer o pai de Gustav, que foi realmente um herói – mas estavam na suíça, que temia tomar partido contra os alemães nazistas, e por isso fincou raízes na sua neutralidade.
Já a terceira parte do livro dá um salto no futuro, quando então os personagens serão confrontados com suas escolhas, avaliando se os caminhos tomados levaram à felicidade, mas também vão ser equiparados com a possibilidade de tomar outra direção.

Uma estória tocante, com uma narrativa poética, mas com tons sempre melancólicos... A sonata perfeita trata de amizade, mas também da ambiguidade dos sentimentos que os garotos têm um pelo outro, já que Gustav reconhece a verdadeira essência de seus sentimentos, mas fica ao lado de um Anton negacionista. Também traz a necessidade de nos conectar com nosso passado, ao mesmo tempo que reforça a importância de avançar!
A estória vai acompanhar os personagens dos 6 aos 60 anos, e à amizade vão se acrescentando outros sentimentos como mágoa, esperança, ambição, conformismo, até chegarmos ao clímax, trazendo um final que não era exatamente o que eu esperava, mas que traz um conforto ao coração.

Resenha completa em http://www.coisasdemineira.com/a-sonata-perfeita-rose-tremain-resenha/

site: https://www.instagram.com/p/CJo28eWjuam/
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