Roda-gigante

Roda-gigante Rique Ferrári




Resenhas - Roda-gigante


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Transporte_se 05/02/2021

Roda gigante
As vezes em cima outras embaixo, assim como uma roda gigante. Poesias boas que fazem a gente se transportar em pensamentos.
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Galhardo 18/01/2021

"Roda-Gigante": o oroboro no qual a serpente morde a própria cauda e a do leitor também
Adquiri "Roda-Gigante" de maneira despretensiosa, sem imaginar que era algo além de uma boa leitura. Que delícia estar enganada!
Rique Ferrári é um autor muito perspicaz, de sensibilidade ímpar, cuja escrita prende o leitor de maneira a só libertá-lo quando a tinta de sua caneta secar. Sua poesia não deixa nada a desejar em sua tentativa de representar a conhecida metáfora da vida e do cognição, tendo como base o concepção de oroboros. Os tapas na cara que o leitor leva ao consumir seu conteúdo é acompanhado de deleite por sua ousada escrita. A ciclicidade presente em “Roda-Gigante” deixa na boca um retrogosto da linha de partida (tanto da obra quanto de nossos próprios inícios). Não tem como não recomendar a obra!
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Leila de Carvalho e Gonçalves 23/12/2020

Os Oroboros
Rique Ferrári é um poeta maduro que prova em Roda-Gigante não ter medo de se reinventar. Encara o desafio com um caminhante que já se deu conta de que ?não há caminho, se faz o caminho ao andar? e tal percepção desponta nos trinta poemas que compõem o livro, criados enquanto ele se dedicava ao estudo do Hermetismo.

Hermetismo é a doutrina ocultista dos alquimistas, ou sendo mais explícita, é o estudo e prática da filosofia oculta e da magia associados a escritos atribuídos a Hermes Trismegisto, ?um amálgama helenístico do deus grego Hermes com o deus egípcio Thoth?, conforme ensina o poeta e crítico mexicano Octávio Paz.

Indo mais além, o próprio autor completa: ?O hermetismo traz sete leis que moldaram o pensamento e influenciaram inu?meras doutrinas; inclusive as atuais. Dentre essas leis, esta?o o princi?pio do ritmo e da causa e efeito. O que eles nos dizem e? que, de certa forma, existe um movimento pendular e constante da vida: um ganhar e perder em intensidades similares, como se tal ciclo fosse repleto de giros. O hermetismo tambe?m ensina que e? possi?vel, ao entender e estudar tais leis, viver em harmonia; estando inco?lume aos altos e baixos, a bem da verdade aproveitando e vivenciando-os.?

Se você é leigo como eu, mas está achando o assunto familiar, provavelmente já tenha ouvido Tábua de Esmeralda, disco de Jorge Ben Jor que aborda esse assunto. Inclusive, a letra da canção Hermes Trismegisto e Sua Celeste Tábua de Esmeralda trata exatamente da explicação de Ferrári: ?O que está embaixo é como o que está no alto / O que está no alto é como o que está embaixo?. Enfim, esse princípio hermético remete a Roda-Gigante que dá nome ao livro e ilustra a capa. Como um coringa, essa ideia encaixa-se nos poemas trazendo-lhes maior compreensão. Por exemplo:

... ?a fortuna que vem pela mega-sena / 1 coruja branca na janela / bilhete amoroso no bolso, neve na linha do equador / e / em tudo / e jamais / será o milagre / porque não o é em cena, ato / e sim / a ópera completa / a roda a girar apesar disso tudo / e justamente por esse tudo/ redondamente veloz.? (O Milagre)

Quanto a estrutura do livro, ele divide-se em três partes: Linha de Partida, Linha de Chegada e Oroboros cujo único poema sintetiza o projeto. De acordo com Ferrári: ?Fomos ensinados que o ciclo da vida, do nascimento até a morte, é único, o que é uma falácia. De acordo com uma das 7 leis herme?ticas, a das polaridades, os extremos se tocam. Por isso o gelo na temperatura mais baixa chega a queimar; por isso um filme muito ruim chega a ser bom e torna-se cult... Logo, cada linha de chegada é uma linha de partida e vice-versa, imageticamente um oroboro. A roda gira, são va?rios ciclos que se da?o num mesmo eixo e a existência e? um leque infinito de possibilidades, um abre-te se?samo conti?nuo. Viver e? um ato de magia.?

A Meditação
ouvir o som do mar no Distrito Federal / é da que Las experiências... / o canto dos pássaros em meio a um Iguatemi / o está.ar das lenhas no ônibus intermunicipal / o som da chuva no guarda-coisas da biblioteca central / o assobio do vento aos bambus no aero internacional de Guarulhos / o córrego de pequenas águas atravessando / a sala trancafiada / do décimo segunda andar / da avenida paulista / às 18h / e 30 / min. / reunião para o relatório: / o mar nada diz / o passaro nada diz / o córrego... / ouça / mar: / / vento: / / fogo: / / é você.

Conforme afirma o poeta Ronaldo Cagiano que assina o Posfácio: ?O peso das palavras nesse pungente conjunto poético confirma a necessidade de Ferrari em utilizar seus artefatos para alcançar aquilo que de mais dinâmico e comunicador pode e deve deflagrar numa obra literária, imbuída em seu compromisso estético e em sua dimensão ética (e que conjuga-se com o que digo narrador de José Saramago em A Jangada de Pedra: ?ajudar-nos a compreender quão pouca claridade têm as coisas que chamamos claras?.?

E por falar no peso das palavras , é justamente com o poema abaixo que encerro meu comentário:

O Peso Das Palavras
não é o tipo de visita em que servem chá ? / a mãe e o menino permearam o quadro cinza / a consultar os ossos / o ortopedista disse olá / abriu a caixa de ferramentas / ouviu o coração em ansiedade / pegou a carta de exames, resoluto / ? Grau 3. / três / o número de sorte do menino, mas não agora / ? Esclerose no osso subcondral relacionada à artrose. / osso / dissílaba ? aprendeu essa lição na semana passada / Listese anterior da vértebra l5 sobre S1 por espondilólise bilateral crônica. / crônica / trissílaba / proparoxítona / todas são acentuadas / o médico deu um novo livro para o garoto / chamou a mãe para o outro lado da sala ? e não disfarçou o suficiente, ao que se pôde ouvir / Teremos que operar sob um risco considerável. / o pe rar / dodecassílaba.

Nota:
Capa brochura com abas
Ilustração: Rique Ferrári
Miolo impresso em papel off-white 80g/m2
Fonte Mr Eaves San OT
Prefácio: Waldemar José Solha
Posfácio: Ronaldo Cagiano
Editora Penalux
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