A História das Ilusões e Loucuras das Massas

A História das Ilusões e Loucuras das Massas Charles Mackay




Resenhas - A História das Ilusões e Loucuras das Massas


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Fabio Pedreira 30/07/2020

Tá todo mundo louco
A história registra ao longo do anos vários atos de loucuras ou ilusões coletivas. Atos que muitas vezes tiveram até papel importante na mudança do curso da humanidade. Pensamentos e ações por parte de poucos que acabaram movimentando milhares. Isso em uma época que uma mensagem durava meses para chegar até outra pessoa.

Mas se engana quem pensa que isso era coisa que só acontecia no passado, que atos sem sentido, como as cruzadas por exemplo, não poderiam acontecer novamente. Uma grande diferença do livro de Charles Mackay é que ele não só relata esses atos que aconteceram no futuro, como também mostra que eles podem viver em um loop, acontecendo de tempos em tempos.

A edição da Faro complementa isso, fazendo um paralelo entre os casos relacionados por Mackey com casos atuais que ocorreram no Brasil ou no mundo. E para não dizer que pouco pode se repetir, os casos apresentados são os mais variados possíveis, passando de loucuras financeiras até casas assombradas.

É incrível notar como um livro escrito em 1841 continua tão atual. O livro é dividido em seis categorias, que variam entre as loucuras financeiras até acreditem ou não, a influência da política ou religião na barba ou corte de cabelo. Era capaz de você ser castigado por ter um corte que não fosse considerado adequado.

Outro ponto forte do livro é que a linguagem é totalmente acessível. Apesar de falar sobre atos medonhos da história, ele acabou optando por escolher casos mais leves, inserindo inclusive uma certa dose de humor, não muito, mas que é certamente notável. Aliás, as partes que fazem relação com a atualidade são as que deixam essa característica mais evidente. Em alguns momentos eu até ri.

A linguagem do autor felizmente não é técnica, o que deixa a leitura mais fluida. O que é bem louvável, já que dessa vez a fonte escolhida pela Faro não ajudou muito, com uma letra um pouco pequena demais. Mas a forma de Mackay passar as informações ajudaram bastante, tanto que achei que a primeira parte, apesar de tratar-se de questões financeiras, acabou sendo tranquila. A única parte que foi mediana foi o final, onde ele resolve tratar das Cruzadas. Mas isso foi mais devido ao assunto propriamente dito do que da escrita em si.

No fim, Ilusões e loucuras das massas é um bom livro para quem gosta de não ficção e que se interessa por fatos históricos curiosos. Certamente você aprenderá mais sobre história e poderá notar como ela se repete, e assim tentará aprender com os erros do passado para não reproduzi-los no futuro. Além de se divertir.
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Diego 31/05/2021

Livro bem interessante!
Muito interessante o livro, por momentos divertido e por outros um bom resumo histórico.
Vale a pena ler para perceber os movimentos de manada que a nossa espécie realiza, de tempos em tempos, apesar de sua tão incensada racionalidade?
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Ket 27/07/2020

"Cada época tem seu desvario peculiar"
A história das ilusões e loucuras das massas é um livro de não-ficção escrito - e traduzido e adaptado aqui pelo Eduardo Levy - pelo poeta e jornalista Charles Mackay em 1841, onde ele coleta e analisa alguns momentos históricos em que o ser humano deixou de lado a racionalidade e se lançou em empreendimentos ou crenças de forma desvairada e quase histérica, impulsionado pelo comportamento coletivo. Mackay demonstra, através de seus exemplos, que não importa o tempo, o conhecimento ou a classe social de um indivíduo, dependendo dos fatores que estiverem em ebulição, ele vai acabar sendo influenciado por um padrão de comportamento e vai fazer as coisas mais absurdas pelo simples fato de que "todos estão fazendo".

Para ilustrar sua critica, o autor vai usar alguns exemplos muito interessantes como a histeria financeira que se abateu sobre a Franca no século XVIII quando o país entrou em bancarrota e John Law apresentou uma solução aparentemente milagrosa: a confecção de cédulas de papel. A despeito da opinião de especialistas, que avaliavam o empreendimento como perigoso, o Estado francês expediu mais notas do que tinha em tesouro e levou a população a investir de forma quase histérica em algo que não era real. O resultado: a especulação quebrou o país uma segunda vez. Outro exemplo muito curioso que o autor usa é o das predições de adivinhos e astrólogos que causaram panico e levaram a população de locais como Londres ao delírio coletivo. Ele conta, para ilustrar, que em 1524, quase 20 mil pessoas saíram da cidade depois que uma "previsão" de fim de mundo começou a circular de boca em boca. Apesar de não haver indício algum de que uma catástrofe aconteceria, os moradores acreditaram piamente e abandonaram Londres (obviamente, nada aconteceu, mas o estrago já estava feito). E assim, entre exemplos curiosos e bizarros, o autor tece sua reflexão sobre o perigo de comportamentos compartilhados sem uso da racionalidade.

Achei a leitura muito fluida e divertida e, mais de uma vez, me peguei estupefata com a maneira com que o ser humano é cíclico e que, mesmo que tenhamos exemplos históricos que nos mostram o quanto a coisa pode dar errado...nós vamos repetir a presepada toda! É um livro que gera bons debates e análises sobre o comportamento humano no passado e no presente. Indico muito para quem gosta de ler sobre história e sociedade!

"Se apenas duas ou três pessoas liderarem qualquer absurdo, por maior que seja, certamente haverá imitadores. Como acontece com as ovelhas no campo, se uma única pessoa consegue passar pela cerca, o resto vai atrás." (pg. 128)



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Mylena @gataleitora 19/07/2020

" A avidez extraordinária do povo sustentava a ilusão..."
Neste livro, Eduardo Levy apresenta os textos de Charles Mackay para mostrar que as histerias coletivas são atemporais e da mesma forma que surgem....Vupt....desaparecem mas não sem deixar um rastro de pequenas destruições. Baseado em temas como economia, religião, assombrações, entre outros, ele traz curiosidades e fatos muito interessantes ocorridos na história da humanidade e do Brasil também.Um trabalho que aborda como a humanidade algumas vezes não aprende com os erros do passado e insiste em cometê-los novamente com outra roupagem.

O primeiro capítulo para mim foi o que me atraiu mais. Mackay apresenta uma situação que ocorreu na Inglaterra , O Esquema do Mississipi ,protagonizado por John Law e o duque de Orleans; e na França, A Bolha da Companhia dos Mares do Sul, esta arquitetada engenhosamente para enganar e arrancar dinheiro de várias pessoas. Eduardo Levy usa três exemplos brasileiros para mostrar a mesma ocorrida aqui. Porem, no Brasil, foram tantos planos econômicos que senti falta de uma apresentação mais ampla e cronológica, acredito até que ele escreveria tranquilamente um livro com muitas páginas somente com os casos nacionais. O que é uma pena mas é real.

Nos capítulos seguintes são casos mais pitorescos, assombrosos e até hilários. O capítulo que mais gostei, depois do de economia, foi sobre os venenos lentos. A perspectiva de MacKay é bastante racional e cética, o que transparece bem quando ele discute assuntos como mania de caça às bruxas ou das casas mal-assombradas. Em um ponto, porém, parece que seu ceticismo entre me contradição com ele mesmo, quando está falando sobre envenenadores famosos. Ele discute casos de envenenamento que vieram de relatos baseados em tortura como fatos verdadeiros sendo que pode-se duvidar dos mesmos já que foram arrancados das pessoas sob torturas crueis e vis, então não há como garantir se o que ele apresenta realmente aconteceu ou é a versão de alguem para o que aconteceu. Porém este detalhe se torna até irrelevante diante do que pude imaginar que aconteceu bastando lembrar um pouco do que estudei em História e como a humanidade age.

Já a parte de Eduardo Levy que mais gostei foi o capítulo sobre profecias onde ele mostra o que as pessoas esperavam do Bug do Milênio e como ocorreu a Guerra dos Canudos.

Uma obra diferente e controversa que me fez pensar bastante como a ganância, a arrogância e facilidade que muitos homens tem de se deixar levar pelas loucuras da massa podem estar longe de acabar pois está entranhados na mente do ser humano.

3,5/5 estrelas





site: http://www.minhavelhaestante.com.br
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Luis Felipe S. Correa 04/09/2020

Ainda muito atual
Tive a curiosidade de ler o livro após uma ótima referência obtida por meio da leitura do Matadouro Cinco do Kurt Vonnegut. O livro do Charles Mackay é muito bom e a editora resolveu adicionar uns eventos mais recentes a fim de tornar mais atual a obra, considerando que a obra fora publicada originalmente em 1841. As histórias são muito boas e demonstram a existência de um padrão nas loucuras das sociedades, por mais evoluídas que aparentem ser. O título me fez terminar o livro com a sensação de que faltou algo, pois é muito atrativo e traz consigo a ideia de ser mais definitivo e completo, mas acaba apenas relatando algumas histórias curiosas sobre cultura das massas. Essa discrepância não tira o valor da obra, mas é um ponto que não poderia deixar de ser apresentado.
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José Marcos 11/05/2021

?A loucura humana tem passado glorioso e futuro promissor.? O livro descreve algumas dessas loucuras que viraram febre em algumas sociedades até que a própria loucura trouxesse a razão de volta para as pessoas. E esse ciclo sempre se repete. A parte das bolhas financeiras é bastante interessante, mas a parte das Cruzadas vale mais como história do que propriamente o que a capa do livro sugere.
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