Os imortais

Os imortais Michael Korda




Resenhas - Os imortais


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-Shadowcat- 08/11/2011

Pois é...
Se as pessoas no poder e no entretenimento forem parecidas com as aqui retratadas, este mundo está perdido.

Não sou muito interessada na história dos Estados Unidos, mas, uns anos atrás, li uma biografia da Marilyn Monroe em que se especulava a natureza de seu relacionamento com os irmãos John e Robert Kennedy (o presidente e o procurador-geral dos Estados Unidos, respectivamente), que, talvez, tenham tido um romance com ela. Essa tal biografia, ao invés de me deixar fascinada por Monroe acabou me deixando fascinada pela "era Kennedy" nos EUA e pelos seus personagens principais.

"Os Imortais" é uma versão ficcionalizada do que pode ou não ter acontecido na vida real. Quando descobri que tal livro existia, gastei parte minha mesada para traze-lo de um sebo nos EUA para o Brasil (nem imaginava que tinhamos esse volume traduzido). Levou alguns anos para lê-lo e imaginem a minha decepção ao ler ISTO.

Os personagens que povoam esse livro são NOJENTOS. NENHUM dos três que você vê aí na capa se salvam. Entendo a necessidade de um escritor de dar diversas facetas aos personagens, multidimensionalidade, humanizar não os idealizandos, mas mostrando os defeitos, coisa e tal. Mas, sinceramente, precisava acentuar TANTO o negativo assim? Porque é só isso que me lembro de Marilyn, John e Robert. Pessoas extremamente egoístas, mesquinhas e imorais. Estou longe de ser violenta, mas ao ler esse livro tive vontade de dar um murro na cara de cada um deles e falar para Marilyn deixar de ser uma imbecil.

Talvez Korda não goste de políticos e astros de Hollywood, porque é só essa explicação que consigo para esse livro ter sido escrito desse jeito. Não idealizo os Kennedy (quem faz isso são americanos deslumbrados) mas até as biografias mais críticas em relação a eles reconhecem suas caracteristicas positivas. Esse livro nem isso faz. Marilyn, coitada, sua insegurança, ilusões e possível "loucura" foram multiplicados por dez aqui.

Outra coisa que me irritou bastante foi a perda de tempo que foi o relacionamento entre John Kennedy e Marilyn nesse livro. Porcamente desenvolvido, você não consegue exergar o que esses dois têm em comum além de uma forte atração física, pouco convicente, diga-se de passagem. O autor diz que eles conversam sobre "assuntos interessantes", mas você não lê essas conversas. Eles fazem outras coisas além de ficar na cama, mas isso não é mostrado. Quando eles "confessam" seu amor um pelo outro, o leitor só consegue revirar os olhos.

E o que dizer do narrador, um personagem obviamente feito para o leitor se "relacionar" e que falha miseravelmente em seu objetivo. O coitado só consegue ser patético mau-caráter em meios a outros mau-caraters menos patéticos. E a subtrama sobre a máfia acaba se tornando melhor que a principal, algo que compromete qualquer livro.

Korda deixa o mais interessante quando livro está quase no fim. O romance entre Robert Kennedy e Marilyn é bem escrito. É o momento mais humano entre os personagens principais. É onde o livro parece ter salvação, mas é pouco e vem tarde demais. Segundo os autores que especulam sobre o possível romance ente Marilyn e os irmõs Kennedy, o relacionamento com o presidente só foi um caso sem muita e importância, mas com o o irmão dele foi mais profundo e sério. Se Korda tivesse seguido o que pode ser ou não a "vida real" o livro seria BEM mais interessante.



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