Klara e o sol

Klara e o sol Kazuo Ishiguro




Resenhas - Klara e o Sol


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eduardo 25/03/2021

kazuo e o brilho
futuro próximo.
os AA (amigos artificiais) -- robôs humanoides fotoalimentados, concebidos para serem companheiros de adolescentes -- se tornaram corriqueiros. os AA são comercializados em lojas e, como os automóveis, aqueles de uma nova série trazem "melhorias" com relação às séries precedentes.

klara não é uma AA da última série recém-lançada, mas possui uma capacidade excepcional, quase única, de apreender toda a dinâmica do seu entorno e captar as menores sutilezas nos olhares, falas e gestos das pessoas com quem conversa ou que simplesmente observa de longe. após um período de angústia, alternando dias na vitrine com outros nos fundos da loja, klara enfim cai nas graças da simpática jovem josie (por quem também manifesta uma espécie de afeto desde os primeiros contatos) e ganha um lar.

à medida que a narrativa avança, fica cada vez mais evidente o quão puro e ingênuo é o coração de klara, ao mesmo tempo que seu intelecto é extraordinário. é por meio do seu relato que se descortina para o leitor sua linda amizade com josie, que sofre de uma doença grave. construído com essa mistura improvável de ingenuidade e inteligência, o relato de klara revela também, aos poucos, a complexidade de um mundo transformado, em que a poluição atmosférica agride a todos e a possibilidade de edição genética em seres humanos criou uma profunda cisão social.

gravitam em torno de josie adultos cujas histórias de vida vão sendo reveladas por meio do mosaico das impressões de klara (ora uma alma que vê seus erros juvenis de décadas antes estapeando-lhe de volta o rosto; ora um cidadão que se engaja por seu ideal de sociedade, ainda que isso lhe renda alcunhas injustas como "fascista", e muitos, muitos corações fragilizados pelo luto, angustiados pelo pavor de mais perdas e inábeis em lidar com o amor que eles próprios carregam). em meio a essa complexidade toda, a reverência de klara pelo sol -- que generosamente oferece a ela sua nutrição diária -- a leva a se pactuar com o astro por uma causa maior e mais ambiciosa, e que constitui a metáfora central sobre amizade e altruísmo no romance.

     "...and you're asking me why pain's the only way to happiness,
     well, I promise you: you'll see the sun again..."
             dido -- "see the sun" -- álbum "life for rent" (2003)


o livro é lindíssimo, com uma escrita límpida e docemente melancólica, como seria de se esperar em um romance de ishiguro. o que me trouxe uma pequena frustração foi o que enxergo como falta de ousadia do autor, tão elogiado e apreciado no mundo todo muito em razão de, até então, ter sempre construído cada romance radicalmente diferente de seus precedentes. mas não aqui: o senso rígido de 'dever de servir' de klara é idêntico ao do mordomo mr. stevens, de "os vestígios do dia", ao passo que a atmosfera sutilmente distópica, em que o conceito de humano está posto à prova, é idêntica à de "não me abandone jamais" (seria coincidência esses romances serem os seus dois mais aclamados e premiados, com conhecidas adaptações para o cinema?). em todo caso, em seu primeiro livro após ser laureado com o nobel de literatura, kazuo optou por transitar dentro de uma zona de conforto, o que vi como uma lamentável e desnecessária economia de ousadia.

relevada essa pequena frustração pessoal, também é fato que nesse novo romance há tudo o que amamos em kazuo: sua prosa contida e elegante, seu peculiar estilo 'niponicamente british', sua capacidade de conduzir a trama para aquele ponto em que uma pinçada no coração se torna inevitável... agora é esperar mais 5 ou 6 anos até termos a alegria de um novo romance seu -- o mesmo tempo que a gente espera por um álbum novo da não menos britânica (nem menos talentosa) cantora dido, que canta a linda "see the sun", cujo trecho transcrito acima eu achei possuir um encaixe natural nesta pequena resenha :-)

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Vinicius 25/03/2021minha estante
Legal! E quantas referências... vi que vc é leitor voraz do Ishiguro... ele está no meu radar faz tempo rs


eduardo 25/03/2021minha estante
oi, vini! é, eu sou bem ishigurominion hehe. espero que você o aprecie quando der a ele uma chance. 'os vestígios do dia' e 'o gigante enterrado' são meus dois favoritos :-)


Joviana 26/03/2021minha estante
Que belíssima resenha. Resumiu o que senti e pensei ao ler :)


eduardo 26/03/2021minha estante
oi, joviana. obrigado pelo comentário :-)
kazuo é de fato "um dos grandes", né... agora é esperar o próximo (lá pra 2026, hehe...).


Pandora 02/04/2021minha estante
Acabei de ler o livro, meu primeiro do autor, e achei sua resenha bem boa.


eduardo 02/04/2021minha estante
obrigado pelo comentário, pandora. é impressionante o talento de kazuo em desenvolver dramas densos com sutileza e delicadeza. se você decidir ler mais livros dele, espero que você se encante como se encantou com 'klara e o sol'.




Vans 14/05/2021

Alienação, esperança e a desigualdade social
Klara e o Sol é mais um livro do Kazuo Ishiguro que me pegou de vez. A história começa simples e meiga, sendo narrada pela AA (Amiga Artificial), Klara, que tem um incrível dom de observação, ela é adotada por uma criança doente, Josie. Logo, Klara começa sua jornada de encontro ao Sol para conseguir um milagre para sua amiga e dona.

Como quase todos os personagens principais dos livros de Kazuo Ishiguro, Klara é uma narradora alienada. Ela busca a cura pra Josie, mas não consegue compreender inteiramente o mundo ao seu redor, ela não faz questão de entender o conceito de alguém ser "elevado" ou de entender como as "comunidades" armadas funcionam, mesmo que isso esteja completamente em tudo ao redor dela. A sociedade está ruindo por conta do avanço tecnológico, os robôs estão substituindo humanos em todas as áreas, humanos estão sendo modificados geneticamente e ficando doentes por isso. A desigualdade social gerada por essa tecnologia está fazendo a sociedade ao redor de Klara ruir e ela não consegue perceber isso, sendo a única personagem a não perceber isso, ela é a única personagem a ter esperança.

Um livro extremamente sensível e que me emocionou muito, novamente Kazuo Ishiguro fazendo jus aquele Nobel de 2017
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Izabel Wagner 10/12/2021

Kazuo sendo Kazuo
"Klara e o Sol trata-se de uma ficção científica levemente imersa nos contextos e moldes do gênero que, atualmente, compreendemos por ficção científica. Trata-se, talvez, de um romance contemporâneo elaborado por um escritor que, como tantos outros antes e após sua existência, negam redigir parágrafos que – e os céus nos guardem – classifiquem ou assemelhem-se a uma ficção científica. Klara e o Sol é uma narrativa reflexiva e aprofundada em elementos, nuances e comportamentos humanos. É uma história sobre a vida humana, sobre os desafios, conquistas, alegrias, tristezas, trevas e luz que construímos por meio de nossas escolhas enquanto seres individuais – no mais estrito sentido de únicos e indivisíveis -, mas também enquanto seres sociais, pertencentes a uma sociedade cujos sistemas se alinham e permeiam o âmago de nossas pequenas e breves vidas.

Klara e o Sol, através da escrita criativa, por vezes poética e verdadeiramente habilidosa de Kazuo Ishiguro, expressa uma história leve e acessível na mesma medida em que se revela profunda e misteriosa. Curiosamente, a narrativa delineia uma atmosfera que remete, em sonoridade, ambientação e características constitutivas, o percurso trilhado por Não me Abandone Jamais, outra ficção científica não ficção científica do escritor. Embora não ofereça ao leitor qualquer indicação de acompanhar enredos que transcorrem no mesmo universo, prevalece a sensação de que, em algum aspecto essencialmente íntimo, temos diante de nós histórias alinhadas por contextos ficcionais que indicam a existência complementação da realidade ficcional. Não me Abandone Jamais não aborda e nem mesmo debate as mesmas temáticas de Klara e o Sol, aqui encontramos obras distintas, com orientações e reflexões definidas que, peculiarmente, em suas diferenças e formas de expressão linguística, ecoam a vida da outra. Por esse motivo, é maravilhoso pensar na existência conjunta destes universos, na complementação destas realidades ficcionais, no contraste entre a desolação e obscurecimento de personagens com que nos deixa a primeira e na claridade esperançosa que nos acompanha ao longo de toda a segunda, ainda que reconheçamos seu final melancólico.

Não é, nem pretende ser, Não me Abandone Jamais. Do mesmo modo, não pretendo influenciar percepções e pensamentos de leitores afirmando admirar em demasia uma das duas, porém, considerando as formas semelhantes e distintas com que se constroem, não posso deixar de mencionar que, em minha visão viciada e de acordo com minhas análises particulares, a segunda obra apresenta algo que a primeira não foi capaz de alcançar. Klara e o Sol é maravilhosa à sua própria maneira, é encantadora em sua leveza profunda, instigante em seus mistérios desequilibrados, fascinante pela esparsa quantidade de informações que oferece acerca de seu próprio universo. Seu objetivo é, antes de delinear mundos futuros e realidades desoladoras, demonstrar a humanidade que prevalece em cada um de nós. Trata-se de uma história sobre o interior de personagens, observados por olhares exteriores que, por vezes parecem-nos ingênuos e inocentes, por outras, se expressam carregados de uma verdade que esquecemos existir. Essa é uma narrativa onde nada e tudo acontece ao mesmo tempo e o tempo todo. É repleta de emoções e reviravoltas, ainda que nos pareça tranquila e carregada de uma lentidão consideravelmente monótona. Como a vida, quando menos esperamos, se transforma completamente, oferecendo detalhes e segredos que nunca imaginamos desvendar!"

* Trecho da resenha previamente publicada no Estante Diagonal *

site: https://www.estantediagonal.com.br/2021/11/klara-e-o-sol-kazuo-ishiguro.html
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Pandora 02/04/2021

“Klara e o Sol” foi minha primeira experiência com Kazuo Ishiguro. Estou encantada com a delicadeza com a qual ele conta sua história construindo uma ficção cientifica muito peculiar. Geralmente quando pensamos ficção cientifica envolvendo robôs e derivativos nossa expectativa se ligar mais a naves espaciais, explosões, tecnologias mirabolantes e coisas do gênero. A leitura do Ishiguro divergente totalmente dessa expectativa.
Klara, protagonista/narradora da história, é uma AA (Amiga Artificial) alimentada por energia sola. Ela faz parte de uma série de robôs criada para acompanhar adolescentes até o momento da entrada na universidade. Apesar de ser a protagonista do livro, ela é coadjuvante na vida de todos os personagens da história. Como coadjuvante, ela observa, registra e nos conta sobre um futuro no qual a humanidade apostou em um projeto eugenista onde crianças, com o consentimento de seus responsáveis, são expostas a processos que elevam sua capacidade intelectual, mas adoecem seu corpo podendo levar a morte. A tecnologia dos AA é desenvolvida para ajudar as famílias a cuidar dos adolescentes que pelo processo de elevação, pois estes vivem isolados, estudam remotamente além de em constante estado de debilidade física.
Na qualidade de inteligência artificial não importa quão absurda, incomoda, abusiva ou brutal seja a situação, Klara passa por ela como se tudo fosse muito natural, sem questionamento. Assim ela vive sua experiência nesse mundo eugenista, hierarquizado, desigual, brutal, extremamente fascista, e nos apresenta a ele sem arroubos, arcos dramáticos ou conflito de interesses. O impacto da história é todo nosso, a narradora não pisca ou vacila enquanto nos conta as coisas mais absurdas. Klara leu Kafka, tenho certeza!
Para mim, essas histórias brutais contadas de forma tão natural e terna são as mais difíceis de digerir. Não por acaso, leia o livro e você vai entender, estou agora debaixo da roseira plantada pelo meu irmão, kindle na mão, absorvendo os raios de sol, chorosa, digerindo essa história e sentindo medo.

site: https://gataleitora.blogspot.com/2021/04/klara-e-o-sol-resenha.html
Aleska Lemos 03/04/2021minha estante
Obrigada por avisar. Vou evitar esse livro kkk.


Pandora 03/04/2021minha estante
Pq Aleskita?


Aleska Lemos 03/04/2021minha estante
Oxe, tu terminou o livro com medo. Deve ter sido terrível.




Higor 04/07/2021

"Lendo Nobel": sobre o que é ser humano
Provando mais uma vez que tem o domínio da escrita e que a escolha da Academia Sueca foi acertada após alguns anos de polêmicas e láureas questionáveis, Kazuo Ishiguro, nos brinda, através de seu jeito singelo com mais uma história emocionante.

As Amizades Artificiais em "Klara e o Sol" são algo corriqueiro e sempre com lançamentos e versões ainda mais modernas, tal como celulares. Klara é justamente uma dessas AAs, que observa o mundo através da vitrine da loja onde fica, sempre esperando o momento em que será finalmente, comprada e útil para alguém. Enquanto isso, observa e absorve com efusão cada detalhe do comportamento humano, a fim de poder ser necessária a seu possível dono.

Em um dia aparentemente qualquer, conhece Josie, uma criança com quem se afeiçoa a Klara, prometendo levá-la para casa o mais breve possível, mesmo que a mãe não se agrade, ao menos em um primeiro momento, de tal aquisição.

Embora o livro seja escancaradamente futurista, não há necessidade de uma data precisa; ao invés disso, a história carrega um ar de nostalgia, como se passasse em um momento antigo. Tal sensação vem sendo característica de Ishiguro, como em seus livros Não me abandone jamais e O gigante enterrado, em que a nostalgia se sobressaia aos indicativos temporais, o que pra mim é incrível.

Como não podia deixar de ser, o livro traça pensamentos tanto éticos quanto filosóficos, levando o leitor a pensar sobre o uso exagerado de tecnologia. As pessoas em "Klara e o Sol" vivem isoladas, sem muito convívio social, logo, as AAs são a principal companhia de crianças, onde estão acessíveis 24 horas, para tudo, desde brincar a desabafar e estudar…

Parece aterrorizante, em um mundo com bilhões de pessoas, ter necessidade de tecnologia para ter amizade? Mas o que não fazemos hoje sem tecnologia? E nossos amigos virtuais, que conversamos à distância e nunca vemos? E se fossem meros robôs?

Os questionamentos não são rasos como os que expus, mas que levam o leitor a um clímax inesperado e questione as condutas dos personagens para, enfim, com o choque de realidade, perceber que fazemos o mesmo com tantas coisas, em tantos momentos, e que não deveríamos.

Mais do que como usamos a tecnologia, Ishiguro nos faz pensar também o que é, exatamente, ser humano, como seria se pudéssemos não sentir sentimentos, tanto bons quanto ruins, a fim de evitar o sofrimento. Tantas coisas a se pensar em um livro tão singelo, tão simples e sem mirabolâncias.

Altamente sensível e singular, "Klara e o Sol" é um livro para refletir sobre nossas relações pessoais, sobre quem somos e como lidamos com a tecnologia. Mais um grande acerto de Ishiguro.

Este livro faz parte do projeto "Lendo Nobel". Mais em:

site: leiturasedesafios.blogspot.com
Gorette 04/07/2021minha estante
Na minha listinha já.




Luiza.Cabral 12/01/2022

Difícil de explicar?
Eu não sei se eu que sou burra e não entendi a profundidade da obra ou se o autor realmente deixou várias informações jogadas, além de pontas soltas. Apesar de não ter me trazido as reflexões que eu esperava, gostei do tempo que passei lendo o livro e buscarei outras obras do Kazuo
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Charles Lindberg 13/06/2021

Uma fábula encantadora sobre pequenezas que nos escapam
"Havia, sim, algo muito especial, mas não dentro de Josie. Era dentro das pessoas que a amavam."

ig: @charlindberg_

Este romance sensível e elusivo é um estudo de personagem profundamente filosófico em natureza, empacotado como fábula infantil. Nada é entregue explicitamente no texto, mas legado ao entendimento do leitor nas entrelinhas das relações interpessoais e diálogos cuidadosamente construídos.

Apesar de se poder rotular como ficção científica, Ishiguro não está tão interessado nos conceitos e ideias típicos do gênero, que, embora presentes, desaparecem nas bordas como aquarela, deixando em foco apenas os temas explorados pela própria Klara.

Klara é uma AA, uma inteligência artificial cujo propósito é acompanhar crianças durante seu período de desenvolvimento, para evitar que se sintam sozinhas. Ela é adquirida pela família de Josie, uma menina elevada, que vive doente, e passa a aprender sobre o mundo e as pessoas através de seu vínculo mais imediato, com Josie, e as relações de Josie com sua família e melhor amigo/namorado, Rick.

Como seguimos a história a partir de Klara, o livro oferece a perspectiva única de uma entidade que, apesar de extremamente inteligente e proficiente em comunicação, não tem experiência prática de vida, o que faz dela, para todos os propósitos, uma criança. No início, Klara tem um vocabulário limitado, referindo-se às roupas das pessoas apenas como "de alto nível" ou "de nível intermediário"; chama celulares de "oblongos", e por aí vai.

Ao longo da narrativa, conforme Klara vai aprendendo, nós encontramos conceitos sociais novos que, por não serem do interesse dela, nunca são propriamente explicados; em vez disso, nos confrontamos com o entendimento da IA sobre coisas como amor, família, solidão, sociedade, desconfiança, preconceito, religião e a individualidade da consciência.

Klara e o Sol é um livro belíssimo que propõe grandes reflexões sem oferecer respostas objetivas, num estilo que, mais do que nunca, encontra o autor num espaço entre ficção, filosofia e poesia; que consegue encostar o coração do leitor naquele sentimento efusivo que é o sublime da infância.

Nota: 4/5 Sóis
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Giovana 27/03/2021

Muito bonito.

No começo não entendi muito bem a história mas me cativou. Depois não conseguia parar de ler. A questão da tecnologia foi pensada com muita delicadeza.
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Mari 14/07/2021

Surpreendente!
Vi muitos falando que nesse livro não acontecia nada pipipopopo?. realmente, são relatos de situações cotidianas, mas é exatamente isso que faz a história ser tão intrigante.
Esse livro aborda a tecnologias futuras e Inteligência artificial de maneira surpreendente. Não se fala como foram criadas, não se fala como funcionam? não há detalhes técnicos. O que realmente é explorado é a interação da IA (AA - amigo artificial na história) com o mundo, com a humanidade. E com isso vem, naturalmente, a exploração de como seria esse futuro com essa tecnologia.
Até onde seria levada? Como os humanos interagem com ela? Ela se aplica somente para máquinas ou é introduzida na humanidade também? O que significa essa tecnologia tão universalmente utilizada? O que pessoas de gerações diferentes pensam disso? Os IA poderiam ser realmente considerados pessoas? ou pelo menos, cópias 100% fiéis?
Eu simplesmente adorei o jeito que foi abordado, adorei as situações que expuseram a humanidade da visão de um AA.
Fiquei animada com Klara, chorei, me apeguei a ela e às pessoas com quem ela convivia. A relação dela com o Sol foi tão linda?..
Não é um livro grande, mas que jornada! Me surpreendi positivamente e super recomendo!
Um livro extremante humano que aborda temas morais,éticos e de caráter que são atuais.
E quem sabe como vai ser as tecnologias do futuro? Talvez pensar sobre essas perguntas agora seja a hora certa!
E aliás, ótima tradução! 1o livro do Laureado Ishiguro que leio, e não pretendo parar por aqui!
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Dri 28/03/2021

Delicado e melancólico!
Uma narrativa delicada e cheia de detalhes bonitos. A Klara é fofa e carismática, mesmo sendo uma inteligência artificial (ou talvez por isso?). Os outros personagens não me cativaram tanto, entendi seus conflitos e dramas, principalmente o da menina Josie, mas esperava mais da interação deles com a Klara e mais atitude de todos. Eles pareceram mais robóticos e passivos do que eu gostaria.

A questão da Klara com o sol é fofinha e a fé e esperança dela é a melhor coisa desse livro, é lindo e triste acompanhar a narrativa de uma inteligência artificial que se importa mais que muitos humanos. O livro ainda tem reflexões sobre o que nos torna humanos, sobre amor, família e viver. Tem cenas muito bacanas.

Esse livro é ótimo pra quem ama uma narrativa melancólica contemplativa, que gira em torno do protagonista, sem grandes explicações sobre o universo construído e sobre os temas sociais abordados e que fala de tecnologias super avançadas de um jeito mais leve.
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Ruan 09/04/2021

Por um mundo com mais Klaras
Não sei se nossa atual situação me deixou mais sensível com a história do livro, mas fiquei extremamente emocionado com a maneira que Klara cumpriu seu objetivo.

No verso do livro está escrito que é "um livro sobre empatia e amizade", mas na minha leitura não tenho certeza se é só sobre isso.

Pra mim esse livro é sobre como amar é deixar livre. Amar alguém independente do caminho que a pessoa amada possa tomar futuramente.

E parando um pouco pra pensar na forma como as nossas interações estão se dando hoje, eu gostaria que nós tivéssemos mais de Klara dentro de nós, o que chega a ser até um pouco contraditório, tendo em vista que estamos falando de uma inteligência artificial.

Me pergunto se a nossa forma de existir não ficou tão artificial e fria que até mesmo uma inteligência artificial tenha algo humano-emocional para nos ensinar.
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Jusrnt 15/11/2021

Lento, porém lindo e reflexivo
Eu terminei o livro em lágrimas, confesso que tive um pouco de dificuldade para engatar a leitura porque, principalmente no início, o livro possui um ritmo um pouco lento, entretanto com o avançar da leitura fui ficando cada vez mais envolvida pelas personagens e ansiando saber mais sobre elas e seus desfechos. Com certeza um livro que me levou a diversas reflexões não só sobre a vida e a humanidade, mas também sobre o futuro que teremos...
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Séfora 20/06/2021

Klara e o Sol nos leva em uma viagem futurista, onde a inteligência artificial convive com a humanidade. Klara uma I.A. será a fiel escudeira de uma adolescente com uma doença que ameaça matá-la. Com elas vamos repensar sobre a importância da amizade, da vida e da individualidade. Recomendo!
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Gustavo | @guh_santtoos 14/12/2021

Klara and the Sun ?
??| Klara é um robô da ?linha? AA que são basicamente designados para serem uma espécie de amigo artificial para as crianças. Com uma característica única, Klara tem um enorme foco em aprendizado e em fazer observações de transeuntes através de uma vitrine que a própria, fica em exposição. Por ali ela consegue visualizar a rua e toda a movimentação dos humanos, mas uma das coisas que mais agrada Klara é simplesmente os raios de sol.

??| Acho que se há algo que deve ser muito difícil de trabalhar em uma narrativa são aqueles que usam IA, que são robôs de alta tecnologia. Milhares de livros / filmes já exploraram a linha do imaginário sobre o assunto, apenas para citar alguns exemplos: Eu, robô, Andróides sonham com ovelhas elétricas? (vulgo, Blade Runner) Fundação, entre outros. Então você explorar algo que ao longo das décadas, tem sido transcritos para livros e filmes, torna-se muito complicado.

??| Kazuo (vulgo, meu novo autor queridinho) conseguiu fazer uma estória simples, mas quando o autor faz você pensar sobre nossa humanidade, como a descoberta o torna mais complexo do que é. Como, aos olhos de um Andróide, nós, humanos, estamos tão cientes de nossas ações? O que nos diferencia?

??| O autor também descreve com destreza o cotidiano das pessoas, tomando cuidado para não deixar os pequenos detalhes de lado, e de forma tão poética que logo nas primeiras páginas já estava achando tudo aquilo tão único. Tem um controle da escrita que não sobrecarrega sua narrativa para que o livro flua sem problemas.

??| À medida que a narrativa ocorre a partir da perspectiva de Klara e de suas visões e conclusões limitantes sobre o mundo, tudo fica mais claro sobre como o autor queria deixar subentendido que duas pessoas podem estar vivendo juntas, mas parecem não conviver juntas. Em um mundo onde os sentimentos de tudo e de todos se tornam artificiais, e estão cada vez mais ruindo, desconectado umas das outras.

??| Este não é um livro sobre uma revolução das máquinas e que em breve seremos apenas poeira flutuando nesta terra. Então não temos ação, nem grandes reviravoltas, até porque o autor quer que você (leitor) enxergue como é prazeroso poder redescobrir o mundo com outros olhares, outra perspectiva. É esse sentimento que faz o leitor não só apegar-se à personagem Klara, mas também a todo o contexto do livro.

??
?Aqui devo confessar que, para mim, sempre houve outro motivo para querer ficar na vitrine, que nada tinha a ver com a nutrição do Sol ou com ser escolhida. Ao contrário da maior parte dos AAs, mesmo de Rosa, eu sempre quis ver mais do lado de fora - e com todos os detalhes.? ???
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Thaís Furlan 10/01/2022minha estante
Ainda bem que não me sinto sozinha. Um monte de informações jogadas e sem explicação. Nenhuma profundidade




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