Laranja Mecânica

Laranja Mecânica Anthony Burgess




Resenhas - Laranja Mecânica


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Bruna 16/02/2018

Quando comecei a ler o livro,veio aquela sensação de que não iria gostar,muitas gírias,um dialeto de gangue ao qual o personagem narrador adolescente fazia parte.No entanto insisti na leitura e fui surpreendida por uma história cabulosa,com estilo 1984 de George Orwell,logo o livro me prendeu despertando curiosidade.
Alex um jovem arruaceiro, se mete em diversas brigas com seus colegas, até que ele acaba matando uma sra idosa e vai preso.
Na prisão Alex se envolveu mais uma vez em uma morte, dessa vez um colega de cela,e então, ele começa a ser submetido a um tratamento agressivo e novo,sendo uma cobaia no tratamento de mudança de comportamento,intitulado pelo governo como Tratamento Ludovico,que consistia em ministrar uma droga intravenosa, e em seguida ele era colocado para assistir vídeos violentos, e isso lhe fazia muito mal, ele sentia náuseas e muita fraqueza,dessa maneira seu cérebro associava as cenas violentas como gatilho para passar mal.
Dessa forma Alex ficou curado,ganhou a liberdade, pensando em um novo rumo na sua vida,mas o que aconteceu foi uma inadaptação com sua nova condição, e nada saiu como planejado.
Letícia 10/05/2018minha estante
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Wemerson 13/02/2018

Intrigante e atual
O horror da violência personificada nos arroubos de uma juventude sem lei e sem rumo aparece num retrato bem elaborado pelo autor.

Pode haver alguma dificuldade na compreensão do vocabulário Nadsat, mas isso foi posto propositalmente pelo autor.

Leitura recomendada aos que curtem ficção científica. Confesso que prefiro um lance mais tecnológico e essa violência "gratuita" me incomoda tanto nas páginas literárias quanto (e principalmente) no mundo real.

Que nossa evolução social nos eleve a patamares mais racionais e nem por isso menos sentimentais e afetivos.
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Leia com a gente 03/02/2018

Horrorshow

“A bondade vem de dentro. A bondade é algo que se escolhe. Quando um homem não pode escolher, ele deixa de ser um homem.”

Mergulhar no universo de Laranja Mecânica é uma experiência única, pois vários sentimentos se misturam: choque, raiva, pena e compaixão vão se alternando ao longo da história. É sim uma história violenta, que choca em vários momentos, mas é também uma história sobre o conceito de humanidade, sobre até onde o ser humano é capaz de ir e qual o papel que a sociedade tem sobre seu comportamento.

Laranja Mecânica é uma das obras mais famosas, analisadas e comentadas de todos os tempos. É também atemporal, tal a contemporaneidade dos temas tratados. A sensação de que os fatos narrados estão muito próximos da nossa realidade é constante e incomoda.

O livro foi escrito pelo britânico Anthony Burgess (1917-1993) no ano de 1962. É um dos mais famosos romances distópicos da literatura mundial, marcando presença constante nas diversas listas de melhores livros já escritos. O manuscrito original do livro se encontra na Universidade McMaster em Hamilton, Ontario, Canadá.

Burges se inspirou em um acontecimento real para escrever o livro. Em 1944 sua primeira esposa – Lynne – foi estuprada por soldados americanos. Essa experiência foi um grande trauma para sua família. No livro há uma passagem crucial e chocante, que faz alusão a esse fato.

“Para mim, não foi prazer nenhum narrar atos de violência ao escrever o romance. Mergulhei em excessos, em caricaturas, até em um dialeto inventado, com o propósito de fazer a violência ser mais simbólica do que realista. (…) Leitores do meu livro talvez se lembrem de que o autor cuja esposa foi estuprada é o autor de uma obra chamada Laranja Mecânica. (A. Burgess, 1972).

Outra peculiaridade da obra é a escrita. Burgess criou um vocabulário próprio, chamado Nadsat – que mistura palavras em inglês, russo e gírias do subúrbio de Londres – para esse universo, o que causa, a princípio, uma sensação de desorientação no leitor, pois nos deparamos com palavras inventadas. No final do livro há um glossário que ajuda bastante, mas conforme avançamos na leitura começamos a ser capazes de deduzir o que essas palavras inventadas querem dizer. É uma experiência única e fascinante.

“Dei um tapa horrorshow no oko do vek sentado ao meu lado“

A história é narrada pelo jovem Alex, o líder de uma gangue extremamente violenta. Alex e seus amigos – Georgie, Pete e Tosko – cometem crimes e ações violentas por diversão. São cruéis e desprovidos de qualquer sentimento de remorso, ao contrário, sentem até um certo orgulho de suas façanhas. A história se divide basicamente em três partes:

Parte 1: o universo de Alex

Nesta primeira parte do livro somos apresentados a Alex e sua gangue. O protagonista nos conta, em primeira pessoa, como é sua rotina, os crimes que comete e o que se passa em sua cabeça. Os pensamentos de Alex nos mostram como funciona seu raciocínio e sua percepção do mundo. É chocante.

“O dia era muito diferente da noite. A noite pertencia a mim e aos meus amigos e a todo o resto dos jovens, e os burgueses velhos espreitavam dentro de suas casas, bebendo das transmissões mundiais idiotas, mas o dia era dos velhos e sempre parecia ter mais policiais durante o dia também.”

Parte 2: a prisão e o “tratamento”

Na segunda parte da trama acompanhamos a prisão de Alex, após cometer um crime grave e ser deixado para trás por seus colegas de gangue. Na prisão, Alex – por possuir um perfil violento – é selecionado para se submeter a um novo “tratamento” – o Método Ludovico – que tem por objetivo curá-lo da violência, tornando quem se submete a ele incapaz de praticar qualquer tipo de ato violento.

O método consiste no condicionamento psicológico, através da associação de imagens a uma sensação dolorosa. Sob a promessa de ser libertado após o término da experiência Alex aceita sem ter a menor ideia do que se trata. A descrição do tratamento, do método utilizado e das reações de Alex são perturbadoras e aflitivas.

“Eventualmente o governo recorre aos mais cruéis e mais violentos membros da sociedade para controlar os demais, em vez de usar ideias novas”.

Parte 3 : após a prisão e “reformado”

Terminado o tratamento, Alex é considerado curado e é posto em liberdade. Na parte final do livro encontramos Alex saindo da prisão e sendo reapresentado a sociedade como o primeiro ser humano “reformado”. Ele, definitivamente, não é mais o mesmo. Mas tampouco podemos dizer que o tratamento foi bem sucedido.

Alex, após o condicionamento gerado pelo tratamento, trás consigo não apenas a incapacidade de cometer atos violentos, mas também a incapacidade de escolher. Alex perdeu o livre-arbítrio.

“Todo ser humano tem direito de escolha. Se uma pessoa não tiver a liberdade de escolher o mal, tampouco terá liberdade de escolher o bem. Não importa se a pessoa opta pelo mal ou pelo bem, o que importa é se ela tem a liberdade ou não de poder escolher.”

Apesar de ser uma obra distópica, que se passa num futuro fictício, é inegável sua contemporaneidade, já que a sensação de que o comportamento violento dos jovens daquela sociedade é bem próximo do que vemos nos dias de hoje e nos acompanha por toda a leitura.

A questão central levantada por Burgess é o livre arbítrio, o direito de o indivíduo escolher entre o bem e o mal. Poderia um ser humano tornar-se bom por imposição? A bondade é algo que pode ser “aprendida” através de métodos questionáveis e invasivos? A trajetória de Alex nos faz refletir entre o direito ao “eu” e o que é “melhor” para a sociedade. O final do livro responde a essa questão de uma maneira surpreendente e nos faz realmente refletir.

“Alguns de nós têm que lutar. Existem grandes tradições de liberdade a defender. Não sou homem de partidos políticos. Onde vejo a infâmia, busco erradicá-la. Os partidos políticos não significam nada. A tradição da liberdade significa tudo. As pessoas comuns deixarão isso passar. Elas venderão a liberdade por uma vida mais tranquila.”

Resumindo o livro em uma palavra, podemos dizer que é simplesmente horrorshow !

Leia o livro e você vai entender !



site: www.leiacomagente.com.br
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LER ETERNO PRAZER 28/01/2018

Laranja Mecânica - noite violentas!

Um clássico da literatura mundial!
Narrado em primeira pessoa pelo protagonista da história.
Nas suas 274 páginas vamos acompanhar a vida do adolescente Alex, líder de uma gang, que saem a noite para beberem, invadir casas,usar de violência com as pessoas e até cometer estrupos. E em uma dessas noite ele é preso. Sua condenação é negociada pelo governo, ela será diminuída se Alex concordar em ser um dos primeiro jovens passarem por uma forma diferente de ressocialização, ainda experimental. Ele aceitando passará apenas 15 dia na cadeia. Esse ressocialização para mim é como uma lobotomia ao qual Alex passa. A partir dessa experiência ele muda completamente; não é mais violento, passa a agir de forma mais tranquila diante de todas as atrocidades que fazia. Mas essa mudança tão drástica, não o deixam tão tranquilo assim, pelo contrário ele passa a se sentir, controlado, poderia dizer "robotizado", com a sensação de que o Alex que saiu da cadeia não é ele realmente.
Tira-se dessa história, questões muito complexas devemos educar nossos jovens, passamos a nós perguntar, até que ponto podemos dar liberdade a eles, como devemos lhes preparar para o mundo lá fora, como lhes mostrar os erros dos vícios do homem, como lhes mostrar o certo é o errado sem lhes tirar sua personalidade. Burgees nos mostra o antes, o durante e o depois do jovem Alex. E por incrível que possa parecer temos muitos Alex por aí. O livro traz também o papel do governo, na forma de repressão policial a essa violência, como e o que é correto e ético o que as entidades governamentais podem e devem fazer para ressocializar esses jovens deliquantes. O livro é bem complexo nessas questões. Burgees nos mostra o contraponto entre um jovem culto, que escuta música clássica, ler livros etc, pode a noite se transformar em um deliguente,violento, viciado que acha tudo permitido. Aí nos perguntamos: o que leva um garoto a ter essas duas facetas?
Vemos esse tipo de jovem ainda hoje; aí nos perguntamos: como resolver essas questões, como lhes mostrar e lhes levar para uma vida "normal"? Laranja mecânica é um livro difícil(mas não complicado) de se ler.
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Willianpm 22/01/2018

Que livro!
O início do livro traz um texto do Fábio Fernandes (tradutor) explicando ao leitor os motivos de terem usado determinados termos na tradução, e tentando deixar claro quão complexo as gírias são. Num primeiro momento você toma um susto, com Fernandes dizendo praticamente que é normal você ler e não entender bem.

Quando Anthony Burgess escreveu essa obra, junto confeccionou um vasto vocabulário de gírias a serem usados pelos jovens na sua história. Essas gírias chamadas de linguagem Nadsat foram inventadas por ele mesmo através da junção do inglês com o russo. A intenção do autor era passar a nós leitores, a impressão de que somos velhos e não compreendemos o linguajar utilizado pelos jovens.

Nos primeiros capítulos a estranheza é normal, uma vez que você vai se deparar com diversas palavras que fazem parte do vocabulário nadsat, ou seja, incompreensíveis. A menos é claro, que você consulte o “Glossário Nadsat” no fim do livro para entender, ou utilize o contexto em que foi usada a palavra para “chutar” o que ela significa.

Mesmo isso se tornando uma espécie de gargalo na sua leitura e um freio, você entende o que o autor esta fazendo e pela história ser extremamente cativante você engole isso e segue lendo.

Confesso que das distopias mais bem faladas como Admirável Mundo Novo, Fahrenheit 451 e 1984, para mim Laranja Mecânica foi de longe o melhor deles. Que leitura!

Recomendo essa obra, é maravilhosa, e por ter poucas paginas ela é extremamente rápida. Você vai adorar.
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Andrade 19/01/2018

O livro é narrado em primeira pessoa pelo Alex, um jovem muito violento e que tem como principal lazer sair pelas ruas durante à noite com sua guange a fim de praticar roubos, violência contra pessoas. Uma certa noite, o grupo dele resolve assaltar uma casa, mas traído pelos amigos, ele é preso e acusado de cometer um crime. Alex pensou que ia ficar pouco tempo na cadeia, mas algo que parecia ser fácil passou a ser torturante. Nós leitores, conseguimos perceber como é o funcionamento da política dentro da cadeia. Um jogando o Alex contra o outro para conseguir votos. A falha da própria segurança da cadeia em permitir violência dentro desse ambiente que já é árduo demais.

Outro ponto-chave que vale a pena abordar é como o próprio sistema em vez de nos defender acaba nos deixando atônitos. O jovem Alex é submetido a um (a) tratamento (tortura) que vai saciar a vontade dele de cometer delitos, violência. Sabendo eles que com isso vai estar fazendo mal ao mesmo.

Todos os cidadãos têm o direito de ir e vir para onde quiserem. Então, por que impediram o Alex? É melhor a bondade ou a escolha da bondade?
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Lari 18/01/2018

Laranja Mecânica
Entrou fácil pra lista dos meus livros favoritos da vida.

Um clássico da literatura mundial que, se você não leu, provavelmente já assistiu ao filme do Kubrick ou, pelo menos, ouviu falar. É um livro distópico,mas,como foi escrito na década de 60, da para relacionar muito bem esse universo com os dias de hoje,o que achei bem interessante.

Agora preciso falar sobre o "nadsat". Muita gente desistiu do livro,ou achou chato,por ter que ficar procurando as palavras no glossário.Eu,por outro lado, achei simplesmente uma delícia! Depois de algum tempo já nem precisava mais olhar o glossário,pois já sabia decor o significado das palavras. Sem contar que algumas você acaba entendendo pelo contexto mesmo.

Outra coisa que achei bem interessante: O livro,contém cenas de violência, que são sim desconfortáveis.Mas eis o grande diferencial: poderiam ser bem mais desconfortáveis,se o narrador da história não fosse próprio Alex,que tem aquela característica de não se importar muito com o que suas vítimas estão sentindo,a ponto de incluir algumas "piadinhas" à sua narrativa.Isso acaba deixando as cenas(nem que seja um pouquinho)mais leves do que realmente são.Algumas acabam ficando até meio “cômicas”,eu diria.Isso, claro,fica mais evidente no filme do que no livro.

Vai ver que o Burgess não queria que o grande foco do livro fosse a violência em si,até por que,não é.Muita gente acha que Laranja Mecânica é apenas uma apologia à violência,e nada mais.Mas no final do livro,que é onde está concentrada a grande crítica,podemos perceber que se trata de uma grande questão social.

Lá, vemos o Alex tentando se reinstalar na sociedade,e as consequências do tratamento.Consequências que não são poucas,pois o rapaz não consegue mais fazer coisas que antes adorava... Coisas simples,como fazer sexo ou escutar música clássica.Alex se torna uma espécie de "robôzinho",criado para fazer somente o bem.Ou,como o próprio título do livro diz: uma laranja mecânica.Mas é aí que surge a pergunta: será que isso foi certo?Essa é a grande questão desse livro : a questão do livre arbítrio.

Vejam bem,Alex se tornou uma pessoa boa sim,incapaz de cometer crimes,mas a que preço?Se no momento em que tiraram sua liberdade de escolha,tiraram também sua essência,sua alma,o seu eu. Será que é certo querer a paz por meio de técnicas como essas,que tiram de nós o que nos torna humanos?

É isso que torna laranja mecânica um livro tao incrível e especial. Mais do que uma "apologia à violência",ele abre nossa mente para questões como essa. Afinal,já dizia Antony Burgess: “É melhor ser mau a partir do próprio livre-arbítrio do que ser bom por meio de lavagem cerebral científica.”



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Rodd 12/01/2018

Horrowshow, meus druguis
Anthony Burgess foi um gênio ao conseguir nos transportar de forma tão inteligente à mente de um personagem fictício mas que poderia até existir. Com a linguagem Nadsat, a narrativa em primeira pessoa e a sucessão de acontecimentos extremamente impactantes, ele nos faz imergir no mundo distópico e ultraviolento de Laranja Mecânica.

Com diálogos muito bem escritos, somos ensinados que, sem o poder de escolher, não somos mais um ser humano. Podemos ser condicionados a optar pelo bem mesmo quando diante de situações de extrema violência; mas, se essa escolha não vem de dentro, então não pode ser legítima, sendo apenas uma vil encenação.

Laranja Mecânica é um clássico de 1962 que permanece atual. Apesar de o futuro imaginado por Anthony Burgess não ter se concretizando, ele consegue nos fazer refletir quanto à forma como os valores se perdem na adolescência e que estes se fazem decisivos na transição para a vida adulta.

É uma obra que deveria ser lida por todos!
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TassiDrums 09/01/2018

Horroshow!
Ao começar a ler o livro, você fica meio perdido com o linguajar e a violência que é apresentada sem ao menos pedir "licença". Pode se dizer que no começo você fica meio perdido, sobre dialetos de gangues e violência sem motivo algum, apenas por farra e essa kal toda. Mas no desenrolar da história você acaba pensando no que pode ser certo ou errado. No que a imposição pode acarretar a um ser-humano, onde o seu direito de escolha e liberdade são apagados. E como as coisas podem mudar com a maturidade e responsabilidade de um indivíduo. Tudo isto nos é apresentado pelos olhos de nosso querido drugui Humilde Narrador.
** E se você não compreendeu algumas palavras que foram escritas aqui, é porque você ainda não leu este livro, ou então é porque eu estou ficando bizumni mesmo. **
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rapha 08/01/2018

A liberdade tem limite?
"Ahá! Neste palco, cavalheiros, apresentamos a cobaia. Ele está, como vocês irão perceber, em forma e bem alimentado. Está vindo diretamente de uma noite de sono e um bom desejum, sem drogas e hipnoses. Amanhã o mandaremos confiantes para o mundo exterior novamente, um rapaz tão decente quanto qualquer um de vocês poderão observar - inclinado a dizer palavras gentis ser solidário às pessoas. Que mudança veremos aqui, cavalheiros, da ruína humana que o Estado entregou para a punição inadequada há cerca de dois anos, e inalterado após dois anos. Eu disse inalterado? Não exatamente. A prisão lhe ensinou o sorriso falso, o esfregar de mãos da hipocrisia, o risinho obsequioso, untuoso e bajulador. Mas, cavalheiros, chega de palavras. Ações falam mais alto. Observem, todos."

O livro é narrado por Alex, nosso protagonista, adolescente líder de uma gangue que tem como passatempo passear pelas ruas de noite, espalhando terror com roubos, destruição e ataques violentos à pessoas inocentes. Um dia, Alex é pego pela polícia e vai preso. Este, meio indiferente à sua atual situação, creendo que pouco ficaria ali, vê sua vida mudando de rumo quando resolve ser a cobaia do novo tratamento experimental de controle à tendências criminais, que tem por objetivo tratá-lo psicologicamente.

Laranja Mecânica, famosa obra juntamente com o filme, traz o antigo debate sobre a liberdade do indivíduo social e seus extremos, obra que primeiramente era uma não-ficção abordando a lavagem cerebral e controle social, mas que foi transformada por Burgess na fictícia trajetória do Alex, contada por ele mesmo.

E Alex é uma figura. Excelente narrador, seu carisma encanta e deixa a leitura bem leve, o que seria talvez um paradoxo considerando toda a carga violenta que ele mesmo carrega. Característico que só, possui até mesmo um linguajar pessoal falado entre seus companheiros, que misturam gírias e palavras inventadas.

Deixo aqui minhas sinceras palmas para a edição de 50 anos, lançada pela Editora Aleph em 2012. Além de conter as maravilhosas ilustrações de Dave Mckean, Oscar Grillo e Angeli, possui também material inédito como uma entrevista inédita com o autor, mais artigos escritos por ele que nos situam melhor em sua obra e a mensagem passada.

Logo no começo também têm-se uma nota riquíssima sobre a tradução brasileira, o que conta muito pois como falei no começo, Alex tem sua língua própria, o nadsat, que, nas palavras do tradutor Fábio Fernandes, "é uma transliteração para o idioma russo do sufixo teen (...). Como o próprio uso do russo para batizar essa linguagem indica, essa gíria adolescente, portanto, utiliza palavras russas (ou corruptelas de determinadas palavras) misturadas com o inglês".

Por fim, elogio também os extras contidos no livro. Adorei ler os escritos de Burgess, e me aprofundar em seu modo de pensar. A história de Alex é em si interessante, mas as ideias debatidas por trás sobre liberdade individual, bem x mal, certo x errado, me deixou dias refletindo sobre, e mal posso esperar para ler mais do autor.

site: https://elefantenaestante.wixsite.com/blog/inicio/livro-x-filme-laranja-mecanica-anthony-burgess
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Taise.Mazzotti 04/01/2018

Intrigante
Para quem assistiu o filme antes de ler o livro é uma surpresa. Apesar da forma nada padronizada da narrativa e da violência pela violência, o filme é muito mais envolvente. Mesmo assim vale a leitura.
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DaniM 04/01/2018

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, publicado em 1962. Uma distopia ambientada numa Inglaterra “futura”, onde a cultura da ultraviolência impera, especialmente entre os jovens. O autor cria um idioma(idioma Nadsat) falado pelos delinquentes juvenis, o que torna a leitura uma experiência de estranhamento, curiosidade e uma inesperada compreensão à medida que avançamos.
Com a violência fora de controle, o Estado cria uma nova ferramenta para lidar com os criminosos e o livro narrará a aplicação dela no anti-herói Alex e as suas consequências. O livro traz discussões sobre o livre arbítrio, sobre o bem e o mal e sobre os limites dos poderes do Estado sobre os indivíduos.
“Você pecou, suponho, mas seu castigo foi além de qualquer proporção. Eles transformaram você em alguma coisa que não um ser humano. Você não tem mais o poder de decisão. Você está comprometido com atos socialmente aceitáveis, uma maquininha capaz de fazer somente o bem. E vejo isso claramente: essa questão sobre os condicionamentos de marginais. Música e o ato sexual, literatura e arte, tudo agora deve ser uma fonte não de prazer, mas de dor.”


site: https://www.instagram.com/danimansur/
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Lethy 24/12/2017

A LIBERDADE EM PERSPECTIVA
"Então, o que é que vai ser, hein?"
Assim somos apresentados ao Vosso Humilde Narrador, Alex, no início de um dos romances que eternizaria a figura de Anthony Burgess. Ambientada em uma Inglaterra futurista marcada pela extrema violência civil e governamental, Laranja Mecânica é o tipo de distopia incômoda da qual parecemos jamais sair. Por quê? Porque, ao abrir a porta de casa e caminhar pelas ruas, especialmente à noite, a realidade que nós encontramos não é muito distinta daquela que nos pinta Burgess.

Vários são os aspectos pelos quais a obra merece mérito e, dentre eles, há três de que aqui falaremos. O primeiro deles é a questão de ser um bildungsroman, ou seja, um romance de formação. Essa denominação é dada aos livros que trazem, em suas páginas, a trajetória, a formação, de um personagem - desde sua infância ou adolescência até o amadurecimento representado pela vida adulta. Ao início da narrativa, Alex é um jovem de quinze anos. Ao final, um homem de dezoito anos; e, apesar de três anos parecerem pouco para justificar o que digo sobre Laranja Mecânica ser, de fato, um romance de formação, o termo se confirma não pelo tempo cronológico, mas pelo tempo psicológico do personagem: Alex viveu mais em três anos do que talvez vivamos em nossa vida toda.

A própria divisão do livro corrobora para essa leitura: três grandes partes, com sete capítulos cada, totalizando vinte e um capítulos. A estrutura em vinte e um capítulos reverbera o fato de que, na cultura anglo-americana, é aos vinte e um anos que a idade adulta é plenamente atingida. Já a divisão de cada parte em sete capítulos baseia-se no monólogo shakespeariano, As You Like It, sobre as sete idades do homem (da criança, do estudante, do apaixonado, do soldado, do juiz, do velho, da segunda infância), de forma que cada uma das três partes pode ser lida como uma vida completa.

Por fim, o fato de serem três partes pode ser visto, de certa maneira, como uma consequência, trazendo a simbologia do número três - o equilíbrio, a harmonia - para dentro da narrativa. Três são os atos para que Alex complete seu amadurecimento e encontre algo próximo a uma harmonia de si mesmo.

Mas harmonia jamais haverá.

[...]

(CONTINUA NO SITE)

site: http://www.caneta-tinteiro.com/l/resenha-14-laranja-mecanica-a-liberdade-em-perspectiva/
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