O aniversário de Juan Ángel

O aniversário de Juan Ángel Mario Benedetti




Resenhas - O aniversário de Juan Ángel


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Marconi Moura 08/01/2022

6 5
Novela em fluxo de consciência, escrito em frases-versos, partidos como pensamentos e flashes. Um estilo interessante, que eu tinha visto em Aline Bei. As horas do dia vão andando de aniversário em aniversário, da infância pela manhã até a maturidade à noite, quando o filho de classe média Osvaldo Puentes se transforma no revolucionário clandestino Juan Ángel. Curioso, diferentão, bonzinho...
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Juliana.Marins 28/12/2021

e isto não é o suicídio
convém aclará-lo de uma vez por todas
a revolução não é jamais o suicídio
a revolução nem sequer é a morte
a revolução é a vida mais que nenhuma outra coisa
ainda que se possa morrer nela
ainda que se morra efetivamente
é a vida conjuro
a vida exorcismo
a vida sacrílega que profana a morte

inclusive quando se mata
quando se assume conscientemente semelhante calafrio
se mata como coação da vida
para tirar a morte do caminho

Quase três meses para engrenar na leitura. Segui por curiosidade e respeito a Benedetti. Ainda bem. A partir da página 80, fui pega e levada pela transformação de Osvaldo Puente em Juan Ángel e suas reflexões e sua percepção da tragédia que é a chegada do autoritarismo. E o final... um fragmento da história do Uruguai em versos.
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Katielly 15/11/2021

A luta coletiva
Começo dizendo sobre o meu encantamento e entusiasmo com o livro: que escrita linda, que livro bem feito! Estou profundamente feliz de ter lido esta prosa e ter conhecido o autor. Pretendo, com toda certeza, comprar outros livros deste uruguaio que me parece não ser tão conhecido, ainda, no nosso país. Ah, e claro, a edição está impecável.

Na prosa poética, acompanhamos 15 aniversários do personagem Osvaldo Puente. Os aniversários passam num piscar de olhos. A primeira celebração acontece aos oito anos e a última aos 35 anos.

A poesia está presente do início ao fim do livro, é difícil largá-lo, mas, além disso, também está presente a evolução e o entendimento do personagem sobre o que estava se passando com o Uruguai. É isso que me chama a atenção no livro: Osvaldo Puente, ou melhor, Juan Ángel começa a adquirir consciência de classe e espírito de coletividade. A sua individualidade, o seu ?eu? burguês, o comodismo vão se derretendo. O país estava fervendo em torturas, ruínas e autoritarismo - clamava por socorro. Assim, as questões políticas, críticas e a resistência em relação à ditadura passam a ganhar forma no enredo que tanto te agrada e te prende, ele diz: ?a revolução não é jamais suicídio, a revolução nem sequer é a morte, a revolução é a vida mais que nem uma outra coisa?. Ángel, renasce na luta coletiva e conhece o dissabor da ditadura.

Nessa perspectiva, Osvaldo Puente também pontua a nostalgia da infância. A infância é o momento da curiosidade, das brincadeiras, das fantasias, do não conhecimento das complexidades do mundo - na infância não conhecemos as injustiças. Quando crescemos, passamos a entender melhor e sofremos com o peso do mundo, sobre isto ele diz: ?quando ninguém te vê te aferras ao lego e ao ioiô como se os desditados brinquedos pudessem te salvar.? Assim, conforme os aniversários vão acontecendo é como se ele fosse perdendo tudo. Juan Ángel, traça uma linha entre a saudade e a simplicidade que encontramos na infância.

O livro é realmente lindo, muito lindo. Entretanto, exige uma atenção aplicada, pois como eu disse, a poesia está por toda parte e é preciso cuidado. Já estou ansiosa para conhecer outras escritas do Benedetti. Leiam Benedetti. É simplesmente incrível.
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@buenos_livros 31/10/2021

O Aniversário de Juan Ángel - Mario Benedetti ??
?há que se ter muita confiança na própria
bússola há que se estar muito seguro da
justiça que se quer muito seguro do
amor ao próximo para apertar o gatilho do
ódio contra o próximo?
-
. O Aniversário de Juan Ángel (1971)
. Mario Benedetti ??
. Tradução: André Aires
. Poesia | 128p.
. @pinard.livros
-
. Uma obra única. A transformação do jovem inocente Osvaldo no adulto clandestino Juan é contada de forma poética, brincando com as palavras e o tempo, que é marcado através dos dias do seu aniversário. Concatenando palavras como só os grandes mestres podem fazer, Benedetti narra também a marcha uruguaia rumo ao regime de exceção e como o personagem deixa sua individualidade para ingressar em uma luta coletiva, chegando a um ponto sem retorno mesmo que a luta esteja perdida. Através da prosa poética que demanda atenção aos detalhes e abstração para que a história se forme, Benedetti entrega uma experiência diferente de tudo que já li. Um presente de edição trazido pela @pinard.livros
. ??????????
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Helena 25/10/2021

Romance em versos que é pura poesia
Admito que não estava tão ansiosa assim para começar esse livro. A questão de ser um romance em versos pode assustar, e eu fiquei com um pouco de preguiça a princípio. Mas, com o incentivo do Clube Nossa Literatura e do belíssimo projeto gráfico dessa edição da editora Pinard, comecei a leitura.
E a preguiça não durou nem até o final da primeira página.
É um livro incrível, de uma delicadeza e, ao mesmo tempo, de uma violência que me deixaram boquiaberta do início ao fim. Uma leitura para se fazer com um lápis do lado, marcando dezenas de trechos que são pura poesia. Recomendo a todos.

"e quando em silêncio declaro minha guerra
estranhamente me sinto por fim em paz"
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Pattrick.Pinheiro 21/10/2021

Oxalá Vivamos.
Benedetti tem na escrita uma prosa poética que impressiona. Uma novela escrita em versos. Ao descrever seus aniversários, o protagonista-narrador Oswaldo Puente nos leva para uma jornada multifacetada, que envolve uma conversa com seu próprio íntimo, seus medos, expectativas e transformações, bem como as mudanças e conflitos de uma sociedade uruguaia em ebulição. O Livro tem trágico tom profético: escrito em 1971, mas prenuncia os sombrios anos da ditadura militar no Uruguai, poucos anos depois.

Além de toda a riqueza de seu conteúdo e sua forma inovadora, o texto também ganha o leitor por sua estética literária e pelas astutas e ácidas imagens, metáforas e analogias, através das quais Benedetti tece seus versos.

Uma jóia da literatura latino-americana, traduzida pela primeira vez ao português pela Editora Pinard. Vale a pena demais!
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isa.dantas 19/10/2021

Mais um acerto da editora Pinard, que livrão em formato de livrinho: a forma como é escrito, as referências, o enredo - tudo maravilhoso!
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Vilamarc 17/10/2021

Um loop Benedettiano
Leituras sobre a resistência às ditaduras latino-americanas, inclusive a brasileira, sempre me emocional, não tem como ser diferente.
Lembro de quando adolescente ter assistido "Chove sobre Santiago" e o impacto que essa película teve em mim.

Aqui, nesta joia de Benedetti, a emoção se duplica ou multiplica pela forma poética, intimista, sem arrogância militante, lúcida e engajada com que o tema é tratado.

É o dia do aniversário de Osvaldo Puente, ou Juan Angel, que a cada 20 minutos relembra as suas idades a partir dos 7 anos até seus 35 anos. De criança a militante clandestino, que vê sua família e sua pátria transformarem-se numa guerrilha urbana.

O final épico transforma um episódio de resistência política uruguaio numa cena ficcional cheia de significados para hoje. Quando Raul Sendic e Pepe Mujica dentre outros militantes Tupamaros em 1971 fugiram pelos esgotos da penitenciária política de Montevideo, antecipando o que seria a resistência a mais uma ditadura latina, entre 1973 e 1985.
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Serivaldo 09/10/2021

narrativa quase épica
o livro chegou
abri o embrulho despretensiosamente
não prestei atenção
amassei o marcador de páginas com embrulho e tudo
depois fui buscá-lo na sacola de lixo
que pena
todo amassado
mas o guardei
com o tempo tudo volta ao normal
comecei apalpando a capa
passando as folhas
vi meu nome nos apoiadores e o de outros amigos e amigas de leitura
comecei pelo primeiro verso
"Esta sexta-feira intacta se abre"
apesar de que hoje seja um sábado
li até a última página numa sentada num só fôlego
acompanhei os aniversários do menino-adolescente-adulto osvaldo puente/juan ángel
o passar de seus anos
em versos livres reflexivos críticos ácidos
gostei do três foderes
executivo legislativo judicial
que bela metáfora
até um espaço em branco
silenciado
tem significado
a democracia foi uma querida fábula
ótimo
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