Violeta [English Edition]: A Novel

Violeta [English Edition]: A Novel Isabel Allende




Resenhas -


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Larissa3225 05/03/2023

Caí do cavalo
Essa é uma resenha que me sinto triste em fazer. Isabel Allende é uma autora que há anos está no meu radar de autores para conhecer e, alguns meses atrás, quando consegui um bom desconto para comprar Violeta, sabia que o momento havia chegado. Porém, tendo terminado o livro, não posso dizer que as minhas expectativas foram alcançadas.

Quando tenho ressalvas com um livro, tento sempre pontuar aquilo que funcionou para mim e o que não funcionou. Nesse caso, esse foi um processo complicado. Isso porque, ao refletir sobre a leitura, percebia mais e mais como não foi uma experiência legal.

Dois pontos do livro foram positivos para mim: a ideia e os aspectos históricos. (Embora tenham sido desperdiçados da forma como foram desenvolvidos.)

A sinopse do livro, em si, é incrível. Uma mulher com cem anos que viveu a pandemia de gripe em 1920 e a pandemia de COVID em 2020 conta a estória de sua vida. É uma ideia muito boa, com espaço para várias reflexões, aprendizados e momentos emocionantes, mas que, infelizmente, não rolou para mim.

Já os aspectos históricos, em muitos momentos, foi o que me manteve presa ao livro. Mesmo sem nomear o país em que a estória se passa, é seguro dizer que a inspiração para o mesmo é o Chile. E aí o livro tem o seu grande acerto. Mesmo sem se aprofundar, o livro reconta alguns dos eventos importantes da História do Chile, o que é uma chance de conhecer um pouco mais sobre um país que está tão perto de nós mas que pouco estudamos sobre.

Agora, então, passamos para os pontos que me incomodaram no livro.

O principal deles (e que não é apenas um ponto) é a narrativa em si. É um livro lento e monótono. Por mais que coisas aconteçam, não é emocionante. Por várias vezes, me peguei pensando em como o livro era chato, como eu não tinha interesse naquelas pessoas, como eu não me importava com o que aconteceria com elas. Essa indiferença que eu senti em relação a tudo e todos no livro foi algo que permaneceu durante toda a leitura e impactou significativamente a minha experiência.

Outro aspecto do livro que não funciona é o formato de "cartas". Coloco entre aspas porque não são exatamente cartas. É um livro normal, em primeira pessoa, que, de vez em quando, se lembra que o Camilo está lendo. E, mais ao final do livro, quando o personagem Camilo aparece na estória, esse recurso vai de mal a pior. Em vários momentos, temos Violeta contando para o Camilo, através das cartas, coisas que ele viveu e que, possivelmente, se recorda. Pior, temos trechos em que ela conta para ele coisas que aconteceram com ele enquanto ELA não estava presente. Foi um recurso bastante mal utilizado e que não acrescentou nada à narrativa.

Um outro ponto que me incomodou é a forma como a Violeta e/ou pessoas próximas a ela estão sempre envolvidas com eventos e personalidades relevantes. Eu entendo que ela veio de uma família "influente" e que tinha os seus privilégios, principalmente por ter dinheiro, mas é exagerado (na minha opinião). Por exemplo (spoilers): o psiquiatra dela estudou com o Jung; o primeiro marido estava envolvido com a Colônia Esperanza (um paralelo com a Colonia Dignidad); o segundo marido trabalhava para a CIA e vários presidentes/ditadores e mafiosos; ela esteve em festas com o Lucky Luciano (mafioso famoso), Fulgencio Batista (ditador cubano) e o próprio Frank Sinatra; eles ficam em um quarto de hotel com um piano que pretencia ao Liberace; em um momento ela se encontra com a presidente do país. Enfim... Eu sei que pode ser algo pequeno para outros leitores mas, a partir do momento em que percebi isso, não consegui deixar de reparar.

Além desses pontos, houveram outros que me incomodaram como algumas passagens em que a escrita é constrangedora (toda a parte em que ela conhece o Julian) e a forma como a estória é contada, com alguns vai e vens no tempo que eu não curti.

Ao terminar o livro e ter uma percepção tão negativa, fui atrás de resenhas para ver se estava sozinha nessa (já que as avaliações são sempre altíssimas). E, felizmente, não estou. Achei em outro site algumas resenhas que corroboram as minhas impressões, em especial, o fato de ser um livro sem emoção, em que é difícil se conectar à personagem principal.

Contudo, uma coisa que todas essas resenhas negativas têm em comum é o apreço pela Isabel Allende e, em especial, pelo livro A Casa dos Espíritos. Assim, mesmo não tendo uma primeira experiência positiva, continuo curiosa para ler esse outro livro que parece ser um consenso, mesmo entre aqueles que, assim como eu, não gostaram de Violeta. Porém, no futuro, irei com as expectativas lá embaixo.
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